No Canal Livre, cientista político aponta que confronto expõe candidatos a temas desconfortáveis
Da TV Band
O cientista político Fernando Schüler analisou que o primeiro debate presidencial da Band combinou conteúdo programático e enfrentamento direto. A avaliação ocorreu durante o Canal Livre deste domingo (23), que reuniu também a cientista política Deysi Cioccari e os jornalistas Rodolfo Schneider e Fernando Mitre para analisar os desdobramentos do evento.
Ao avaliar o comportamento dos candidatos à Presidência da República, Schüler explicou a razão de determinados participantes evitarem o estúdio. "Os candidatos não vêm ao debate por uma simples razão: medo do contraditório, querem evitar o contraditório", afirmou.
Os seis principais candidatos à Presidência foram convidados para o primeiro debate presidencial das eleições 2026. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), no entanto, decidiram não comparecer, deixando o debate apenas entre Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Esse debate que a gente viu hoje foi ao mesmo tempo propositivo, ou seja, teve discussão, inegavelmente teve discussão programática. Mas foi um debate também agressivo, ele misturou as duas, foi agressivo. --Fernando Schüler
Para o especialista, essa postura incisiva teve um expoente definido no palco. "Principalmente do Renan Santos, que usou claramente essa estratégia. Por quê? Porque o debate é uma plataforma para as redes sociais e para a internet, para o mundo digital", pontuou.
Repercussão e riscos aos candidatos
Schüler enfatizou que o debate eleitoral pauta a opinião pública nos dias seguintes. "Toda semana vai ser pautada por esse debate, pelas imagens produzidas pelo debate. Pelas frases, pelas expressões, pelas ideias, enfim. Então, ele é uma plataforma. Agora, é uma plataforma contraditória, é uma plataforma de risco", ponderou.
De acordo com o analista, o cenário de confronto rompe o controle mantido pelos concorrentes em outros veículos de comunicação. "O candidato é obrigado a responder o que ele não quer responder, tratar de temas que ele não quer tratar. No marketing político, numa entrevista, na propaganda da televisão, ele fala o que ele quer. Só que no debate ele fala o que ele não quer", explicou.
Só que o candidato falar o que ele não quer é do interesse do eleitor. Quem ganha é o eleitor. --Fernando Schüler
Fernando Mitre também interveio para reforçar a importância do enfrentamento aberto no processo democrático. "Mesmo porque não há política sem risco. Ninguém vive politicamente sem risco. Fugir do risco é uma atitude quase antipolítica", destacou.
Como foi o primeiro debate presidencial
O primeiro debate presidencial das Eleições 2026 foi marcado pela ausência e pelo impacto dos púlpitos vazios de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
A noite quase tomou um rumo inesperado antes mesmo do início da transmissão, quando o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) ameaçou não participar do encontro em protesto contra a falta dos líderes das pesquisas. Ele só reverteu sua decisão de abandonar o evento após conversar nos bastidores com o jornalista Fernando Mitre.
Caiado foca em "fujões", segurança e "autoridade moral"
Ronaldo Caiado (PSD) chamou os candidatos ausentes de "fujões" que decidiram não comparecer por não terem como explicar os escândalos em que estão envolvidos. Ele criticou diretamente as investigações dos adversários, destacando que Flávio Bolsonaro tenta fugir das explicações do caso "Dark Horse", enquanto o presidente Lula está associado ao "dark lobby".
No campo das propostas, Caiado afirmou que o Brasil vive um "clima de guerra" comandado por facções criminosas e defendeu dar autoridade para os governadores legislarem sobre segurança pública. Para a recuperação da economia, o candidato propôs um choque de credibilidade baseado na "autoridade moral" para conter as despesas públicas e reduzir a taxa de juros.
A provocação e a linha dura de Renan Santos
Renan Santos (Missão) também buscou confrontar a polarização e iniciou sua participação de forma provocativa, carregando fraldas com os nomes de Lula e Flávio na chegada à emissora para ironizar a ausência de ambos.
Em suas propostas voltadas à segurança pública, o candidato defendeu a decretação de Estado de Defesa e a abertura de centenas de milhares de vagas em superpresídios de segurança máxima.
No setor trabalhista, Santos posicionou-se de forma contrária ao fim da escala 6x1, classificando a promessa governista como inviável diante do cenário de crise econômica no país.
Já na educação, criticou o analfabetismo funcional e propôs a criação da Lei de Responsabilidade Gerencial para punir e tornar inelegíveis os prefeitos que não atingirem metas básicas de ensino.
As propostas de Cury contra a agressividade
Como contraponto, Augusto Cury censurou o tom adotado por Renan Santos, afirmando que a agressividade do oponente o "assombra" e asfixia a capacidade de divergência democrática.
Cury defendeu a pacificação do país e a constituição de um "time de ouro" técnico e livre de corrupção, assegurando que, sob sua gestão, o desvio de verba pública será punido como um crime violento.
O candidato também contrapôs as discussões trabalhistas defendendo a jornada de trabalho 5x2 com foco na saúde mental do trabalhador. Por fim, Cury criticou o alto custo de juros que afeta os agricultores e eleva os índices de depressão no campo, sugeriu reformular a educação básica para focar no desenvolvimento socioemocional e criticou a exposição precoce de crianças às redes sociais.
Quando será o próximo debate eleitoral?
Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:
14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
Bandido será tirado de circulação em pé ou deitado, diz Flávio Bolsonaro
Em outro trecho, Flávio reafirmou que pretende reduzir para 14 anos a maioridade penal em casos de estupro
Com Estadão
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender neste sábado, 22, uma política de endurecimento na segurança e afirmou que “o bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado”, numa provável referência a morte de criminosos.
“O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado. Porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós, que as ruas são nossas”, declarou, durante lançamento da campanha de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, na zona norte da capital fluminense.
Flávio recheou seu discurso com promessas para a segurança pública e voltou a prometer aumentar as penas para crimes como roubo de celular. “Ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia”, declarou. Segundo ele, os condenados terão de trabalhar durante o cumprimento da pena para custear a própria estadia e indenizar a vítima. O candidato defendeu a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças e afirmou que “espancador de mulher vai ser preso imediatamente”.
Em outro trecho, Flávio reafirmou que pretende reduzir para 14 anos a maioridade penal em casos de estupro. Também prometeu combater o aliciamento de jovens pelo tráfico e disse que pretende usar tecnologia para proteger mulheres sob medidas protetivas.
Ao falar sobre o crime organizado, o candidato declarou que seu eventual governo irá “declarar guerra contra os narcoterroristas” e que não pretende “baixar a cabeça para bandido”.
Educação e emprego
Além da segurança, Flávio apresentou propostas para educação e qualificação profissional. Disse que pretende manter o Bolsa Família, mas associá-los a políticas de qualificação. Entre as medidas, citou escolas técnicas e profissionalizantes, com empresas atuando dentro das instituições de ensino, além do programa “Minha Primeira Empresa”, voltado à inserção de jovens no mercado de trabalho e ao empreendedorismo.
O candidato também afirmou que pretende proteger crianças e adolescentes do aliciamento pelo tráfico e criticou o que classificou como preocupação de pais com a possibilidade de os filhos se tornarem “militantes”. “Não vou mais aceitar que minhas filhas e os seus filhos concluam o ensino fundamental e o ensino médio e não saibam fazer uma conta simples de matemática, não saibam interpretar um texto”, disse.
Flávio disse ter sido vítima de ameaças de morte. “Estou aqui para colocar o meu peito na frente do povo brasileiro”, afirmou
Falou ainda que precisará do apoio do Senado para aprovar a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro, além de uma “anistia geral dos acusados de 8 de janeiro” e para “libertar Jair Messias Bolsonaro”.
Campanha do candidato a deputado federal tem ganhado força com encontros e m anifestações de apoio de diferentes denominações religiosas no Tocantins.
Da Assessoria
O candidato a deputado federal Fábio Vaz (REP) tem recebido manifestações públicas de apoio de lideranças evangélicas de diferentes denominações durante agendas realizadas pelo Tocantins. Nas últimas semanas, o candidato participou de encontros com representantes de igrejas como Universal do Reino de Deus, Monte Sinai, Casa da Bênção e Igreja do Evangelho Quadrangular.
Durante as reuniões, foram discutidos temas relacionados à atuação parlamentar, políticas públicas e pautas de interesse das comunidades religiosas. Os encontros também serviram para que lideranças apresentassem demandas e perspectivas sobre assuntos como família, assistência social e liberdade religiosa.
Fábio destacou que sua fé faz parte de sua trajetória pessoal, mas que na Câmara Federal pretende representar toda população, pautado nos valores que defende. "Nunca escondi a minha fé. Sou cristão, evangélico, e esses valores fazem parte da minha família e da minha vida pública. Recebo com gratidão o apoio de irmãos e lideranças de diferentes denominações”, afirmou.
O candidato acrescentou que considera importante manter o diálogo com diferentes segmentos da sociedade. "A minha fé define quem eu sou, mas não limita quem eu represento. Respeito todas as religiões e quero representar pessoas de todas as crenças, sempre defendendo princípios como respeito, cuidado com as pessoas e fortalecimento das famílias”, destaca. Veja o vídeo: https://www.instagram.com/reel/DcV-E1GBwQ_/?igsi=MTV0eTV6ZW95MmlzMw=
A PF também apontou, a partir da quebra de sigilos, que Roberta mantinha diálogos sobre negócios com o governador Carlos Brandão
Com Estadão
A lobista Roberta Luchsinger afirmou em mensagens encontradas no celular dela pela Polícia Federal que Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi responsável por marcar uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e que Lula ia “prosseguir com liberação da obra dele” no Estado.
A investigação sobre suspeitas de tráfico de influência de Roberta Luchsinger e Lulinha, como o filho do presidente é conhecido, detectou que a lobista intermediou a contratação, por órgãos vinculados ao governo do Maranhão, de uma empresa de informática do empresário Cléber Ribas. Ela também atuava em favor dele junto ao governo federal.
A PF também apontou, a partir da quebra de sigilos, que Roberta mantinha diálogos sobre negócios com o governador Carlos Brandão
Em 22 de maio de 2024, a lobista enviou uma mensagem de áudio a Lulinha informando que seria realizada naquele dia uma reunião do governador do Maranhão com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
“Ó, só pro cê saber. Brandão hoje vai lá no palácio, que seu pai falou que vai prosseguir com aquela liberação da obra dele. Aí o Marcola vai receber ele 16 horas. Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda, então se quiser falar com o governador, tá confirmado às 16h, fazer uma moral, tá?”, disse ela na mensagem, conforme transcrição da PF.
Em seguida, ela afirmou a Lulinha: “E eu vou me encontrar com ele pra mim (sic) falar os outros assuntos”. No diálogo, Lulinha sugere que seria melhor se concentrarem nos “outros assuntos” durante as tratativas com Carlos Brandão.

Procurado, Carlos Brandão negou relação com Roberta Luchsinger e disse que sua agenda “não depende da articulação de terceiros”.
Ele disse que Lula “é um grande aliado do Maranhão, onde grandes obras estão sendo executadas a partir da parceria com o Governo Federal, em diversas áreas”.
A defesa de Cleber Ribas informou que ele contratou Roberta Luchsinger para “serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado”.
O Palácio do Planalto foi procurado e não se manifestou até o fechamento deste texto. A defesa de Lulinha criticou o que chamou de vazamentos seletivos que visam interferir no processo eleitoral.
A reunião de Brandão no Planalto, citada por Roberta em mensagem de áudio a Lulinha, efetivamente ocorreu. A agenda de Marco Aurélio Santana Ribeiro registra, às 17h40 daquele dia, um encontro com o governador, com a presença de dois outros assessores presidenciais. O tema da reunião é descrito apenas como “Reunião Executiva”.
Em 21 de junho de 2024, um mês depois da reunião citada por Roberta, o presidente Lula foi a São Luís (MA) e anunciou um pacote de R$ 59 bilhões em obras para o Maranhão dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Entre as medidas anunciadas, a renovação da concessão do Porto do Itaqui, a construção de um novo berço do terminal e a implantação de um novo corredor de transporte na Avenida Litorânea, uma das principais da capital maranhense.
Lobista intermediou R$ 5,8 milhões em contratos no MA
A 3Structure, empresa de Ribas, fechou contratos de R$ 5,8 milhões com o governo do Maranhão em 2024. Os negócios foram firmados junto ao Porto de Itaqui e à Secretaria de Fazenda.
A PF identificou que Cléber Ribas firmou contrato com Roberta Luchsinger para defesa dos seus interesses e pagou ao menos R$ 2,5 milhões à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025.
Como mostrou o Estadão, Roberta também defendia interesses de Cleber Ribas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e outros órgãos do governo federal, conforme ela expôs em mensagem trocada com ele em junho de 2023. Em dezembro de 2023 e abril de 2024, a 3Structure obteve dois contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com a pasta do governo Lula.
Amiga de Lulinha recebeu R$ 4,4 milhões via hospital
No Maranhão, Roberta Luchsinger também recebeu outros R$ 4,4 milhões da HSLZ Ltda, empresa contratada pelo governo do Maranhão para manter o Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão, com recursos públicos do Estado. Os dados foram obtidos pela investigação por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Questionado sobre esse pagamento, o governo do Maranhão afirmou que “não possui ingerência sobre quaisquer empresas privadas”.
A reportagem perguntou ao diretor-geral do hospital, Plinio Tuzzolo, o motivo do repasse para a lobista. Ele se recusou a dar explicações.
Em nota enviada pela diretoria financeira, o HSLZ disse que “não divulgamos nem comentamos publicamente informações comerciais individualizadas relativas aos contratos privados mantidos com fornecedores e prestadores de serviços, inclusive quanto a valores, condições comerciais e demais disposições contratuais”
As relações de Roberta e Lulinha com a política maranhense
Em outras conversas encontradas no celular de Roberta Luchsinger, ela demonstra ter relações e acesso com políticos e autoridades do governo estadual.
Em mensagens a Cleber Ribas sobre a intermediação dos contratos, ela disse ao empresário que “o presidente do Porto” o havia elogiado e dito “vamos tocar”. Roberta contou que Gilberto teria escrito a ela e que “o gov autorizou tb”, de acordo com informações transcritas pela PF.
Segundo a PF, a referência é a Gilberto Lins e Neto, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), afastado da função em outubro de 2024 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Roberta e Lulinha também mantiveram relação pessoal com o deputado federal Fabio Macedo (Podemos-MA), um dos principais aliados de Carlos Brandão na bancada estadual, e coma mulher do parlamentar, Lorena Macedo.
Ela atuava como subsecretária de Representação Institucional do Maranhão, cargo que tem como uma das atribuições defender interesses do Estado em Brasília.
O governo mantém uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para essa finalidade. O imóvel está situado a menos de cinco quilômetros do endereço que servia como posto avançado de Roberta e Lulinha na capital federal.
Uma foto obtida pelo Estadão mostra um momento de descontração, no município de Barreirinhas (MA), porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um dos principais destinos turísticos do Brasil.
Na imagem aparecem o deputado Fabio, Roberta, Lulinha e Cleber Ribas. Todos estão acompanhados por seus respectivos cônjuges.
Em seu perfil no Instagram, Roberta também publicou fotos em que ela aparece em shows com Lorena e Renata de Abreu Moreira, mulher de Lulinha.
Procurada pela reportagem, a defesa de Cleber Ribas se manifestou por meio de nota, que pode ser conferida abaixo:
“Nem Cleber Ribas nem a 3Structure possuem ou possuíram contrato com a Dataprev, objeto do inquérito citado. Nenhum deles tampouco mantém ou manteve qualquer relação comercial com Fábio Luís Lula da Silva.
Esclareça-se, ainda, que RL Consultoria e Intermediações foi contratada para a prestação de serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado.
Dito isso, não se pode tecer comentários sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso. Os vazamentos de fragmentos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses trechos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva.
Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja.”
Presidente afirmou que Rio precisa recuperar “autoestima como estado”; ex-prefeito disse que crime organizado “sentou no Palácio Guanabara"
Por Jessica Cardoso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) defenderam neste sábado (22) que divergências políticas sejam deixadas de lado em nome da recuperação do Rio de Janeiro. As declarações foram dadas durante ato de campanha de Paes ao governo estadual, realizado no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.
Durante seu discurso, Lula afirmou que, para o Rio de Janeiro recuperar a “autoestima como estado”, é necessário colocar as diferenças políticas de lado no momento da eleição. O presidente lembrou que ele e Paes já tiveram divergências e disse que a aproximação entre os dois ocorreu por circunstâncias políticas em 2008.
Lula também defendeu o nome do deputado federal Pedro Paulo (PSD), que disputará uma das duas vagas do Rio de Janeiro no Senado ao lado da deputada Benedita da Silva (PT).
“Não está em jogo a minha relação de amizade com quem quer que seja. O que está em jogo é a gente escolher o que será melhor para o Rio de Janeiro. Quem é que vai ser eleito para ajudar o Rio e para ajudar a gente governar o Brasil. O Pedro Paulo merece a minha confiança”, declarou.
Na mesma linha, Paes afirmou, durante o discurso, que a aliança com Lula não representa uma união entre políticos que pensam da mesma forma. Segundo o prefeito, a aproximação ocorreu porque ambos entenderam que era necessário unir forças diante da situação.
“A gente se respeita e a gente não pensa tudo igual. E a gente aprendeu que ou a gente se unia, ou a gente se esforçava, ou as forças que fazem muito mal para a política iam tomar conta do Rio de Janeiro, como tomaram o estado do Rio de Janeiro, e destruir aquilo que havíamos construído”, afirmou.
O candidato ao governo do Rio disse ainda que o estado chegou ao “fundo do poço” e que o crime organizado “sentou” no Palácio Guanabara. Ao criticar a relação entre integrantes da política fluminense e facções criminosas, Paes citou nominalmente o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o ex-governador Cláudio Castro.
“Não estamos mais falando aqui de corrupção normal [...]. Estamos falando que, com essa turma, o crime organizado sentou no Palácio Guanabara. Se não fosse a Polícia Federal entrar aqui e investigar a relação da política com o crime, quem seria meu adversário nesta eleição está preso. Tem nome e sobrenome: Rodrigo Bacellar. Era o candidato do PL, do Flávio Bolsonaro. É disso que estamos tratando hoje. O Claudio Castro teve quatro secretários presos por ligação com crime organizado. As funções de estado deixaram de ser cumpridas. É isso que nos une aqui hoje [...] esse desejo de salvar o Rio de Janeiro”, declarou Paes.