Ex-aluno relembra momentos marcantes
Texto: Jales Naves - Especial para o jornal A Redação
Goiânia - Uma das principais escolas públicas do país nos anos 1960, pela qualidade do ensino que ministrava, pelas muitas atividades que realizava e pelos prêmios que seus alunos conquistavam, nas mais diversas áreas, o Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’ marcou época em Goiânia e é sempre lembrado por alunos e docentes. Goiano de Mairipotaba, onde nasceu em 1945, Carlos Roberto Braga do Carmo veio para a Capital em 1957, ano em que começou a estudar no Ginásio Estadual de Campinas (GEC), no qual concluiu o ginasial, já no novo colégio que o substituiu, e completou o ensino médio em 1963. Nesse ano passou no vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, começou o curso em 1964, quando retornou ao então ‘Pedro Gomes’ para lecionar Ciências Biológicas, após aprovação em concurso público.
Para ele, a qualidade do ensino podia ser medida pelo fato de que seus alunos, que terminavam o II Grau (Científico), passavam direto no vestibular, “sem cursinho”. E enumerou, dentre as muitas atividades extracurriculares de iniciativa dos próprios alunos, o Clube de História, para discutir questões relevantes; a Biblioteca Literária Social (BLS), iniciativa do líder estudantil Nelson Figueiredo, que promovia debates e revelou bons nomes para a política; os concursos de oratória, que revelaram grande tribunos; e a Semana de Ciências, com exposição de trabalhos feitos pelos alunos, com destaque para a criatividade e a praticidade dos inventos.
Os alunos eram de famílias de classe média, e um se destacava, Elson Veloso (Despachante Veloso), que possuía um carro importado. Muitas alunas eram elogiadas pela beleza, e Armênia Nercessian chamava atenção pelos seus olhos azuis, parecidos com os da atriz Elizabeth Taylor.
Todos os governadores e prefeitos, como ressaltou, faziam questão de visitar o Colégio, sendo que quem mais vezes apareceu foram Mauro Borges e o marechal Ribas Junior. O prefeito Hélio de Brito fazia audiências públicas no Cine Campinas e três campineiros se tornaram mandatários em Goiânia: Iris Rezende Machado, Rubens Guerra e Francisco (Chiquinho) de Castro.

Em 1973, Carlos Braga, prefeito de Mara Rosa, e Chiquinho de Castro, prefeito de Goiânia
Campinas
Carlos Braga veio com a família da Cidade de Goiás, onde residiam, instalando sua residência em Campinas, já que muitos familiares moravam no bairro, mais precisamente na rua Senador Morais Filho, na praça da Igreja Matriz, e a opção de estudo foi o então GEC, que funcionava na av. Minas Gerais. Era o ano de 1957. Ele se recorda que dois anos depois, em 1959, a diretora Ligia Maria Coelho Rebello comunicou que o Ginásio iria mudar de prédio, e pediu que todos os alunos ajudassem na limpeza das novas instalações, a sede definitiva, na av. Sergipe, na Vila Abajá. Já no segundo semestre desse ano participaram da mudança, carregando os móveis, equipamentos, cadernos e livros. Em 1960 o nome da escola foi alterado, para Colégio Estadual de Campinas e em 1961 para Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’.
Dona Ligia Rebello era casada com o professor Percival Xavier Rebello, que foi diretor da Faculdade Federal de Farmácia, e eles tiveram seis filhos: Maria Helena Xavier Rebello Guimarães, que se casou com o professor Trajano de Sá Guimarães; Maria Adelaide Rebello Teixeira, casada com o deputado estadual Juraci Teixeira; Percival Xavier Rebello Filho; Possidônio Guilherme Rebello; Peterson Xavier Rebello; e Péricles Xavier Rebello.
“Era uma diretora enérgica, que administrava o Colégio como sua família. Não deixava nada passar despercebido. Exigia uniforme completo, inclusive a cor das meias, o que era fiscalizado na entrada das salas de aula pelos chefes de disciplina (bedéis): Adail Augusto (Dadá), que se casou com a bela professora Robinete Santana (neta da professora Valentina Kern); Hildebrando Carlos de Alarcão, apelidado de ‘Javali’, por causa de um canino saliente; e Mário Nunes, também seresteiro.
Qualidade do ensino
O ensino era da mais alta qualidade – conforme explicou – e tinha como professores vários ex-seminaristas, como Trajano de Sá Guimarães, Douglas Avanço, Onofre de Castro, Fernando Plaza Mallea, Manoel Lima, Nilton Rodrigues (depois diretor) e Carlos Matos (português). O professor de Ciências era o juiz Fausto Xavier de Rezende, que chegou a desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Completavam a equipe os professores Valentina Kern Paes Barreto, suíça, e Décio Jaime, que lecionavam Inglês; Horieste Gomes, Mary Yazigi e Terezinha de Alencastro Veiga Lobo (Leleza), Geografia; Modesto Gomes e Uaded Rassi, História; José Luciano da Fonseca e Zarqueo Afonso da Costa, Matemática; Julpiano Chaves Cortez, Zélio Fraissat, Fábio Martini, Hermes Sperandio, José Leite Braga, Percival Xavier Rebello Filho “e tantos outros da maior estirpe”.
Um indicador para se avaliar a qualidade de ensino era a preparação dos alunos, que terminavam o ensino médio e passavam direto no vestibular, sem a necessidade de fazer um cursinho, ao enumerar a maioria dos médicos e profissionais liberais formados naquela época. Citou, dentre muitos, João Batista de Abreu (Tabinha), Nicolau Saad e Romel Tavares, renomados médicos, que passaram no vestibular da Universidade Nacional do Rio de Janeiro.
Em 1960, a professora Maria da Conceição Paixão (Dona Zizi), que posteriormente foi Diretora, lecionava História e incentivou os alunos a criarem um núcleo de estudos da área. Juntamente com Marco Antônio da Silva Lemos e Bernardino Granja Campos, Carlos fundou o Clube de História, do qual foi Presidente, que teve uma participação efetiva no estímulo à leitura e ao debate dos fatos relacionados com acontecimentos mundiais (auto determinação dos povos, apartheid, revolução cubana), nacionais (construção de Brasília no Planalto Central), goianos (impacto da reforma administrativa do governo Mauro Borges – Plano MB, até hoje lembrado) e goianienses (sentimento de bairrismo em relação a Campinas). Completava essas ações com os concursos de oratória, onde se destacavam Charife Oscar Abrão, Nelson Lopes Figueiredo e tantos outros, e a Semana de Ciências, quando os alunos mostravam, em trabalhos bem elaborados, sua criatividade e nível de conhecimento.
Nesse ano, ao concluir o curso ginasial, Carlos Braga foi o orador da turma, recebendo o diploma da professora Sueli Fraissat. Na mesa, o radialista Sebastião de Oliveira Castro Filho, mais tarde ministro do Superior Tribunal de Justiça.

Orador que se destacava, Carlos Braga falou em nome da turma de 1960
Movimentação estudantil
Os estudantes do Colégio sobressaiam em suas iniciativas e lutas, e logo organizaram a sua entidade política, o Grêmio Literário ‘Professor Paulo Setubal’, que teve como primeiro presidente José Júlio dos Reis, que também era gerente do Banco do Estado de Goiás (BEG) da avenida 24 de Outubro com a rua José Hermano. “O movimento estudantil no Colégio era intenso, com a criação de atividades culturais, apresentação de peças teatrais, poesias e shows musicais”, afirmou, lembrando-se de um colega que se destacava como cantor, Roberto Pucci, que imitava Nelson Gonçalves.
As equipes disputavam jogos estudantis com outros colégios, e a maior rivalidade era da fanfarra do ‘Pedro Gomes’ com a do Lyceu de Goiânia. “O nosso símbolo era o Pegasus e o deles a Águia. Nós dizíamos que o ‘cavalo alado’ iria esmagá-la”, destacou, para ressaltar que “a nossa fanfarra contava com mais de 100 participantes, cuja inovação eram os bumbos na frente, com diversas coreografias, comandados por Lico, Arismar e Armando da Silva Guardiano.
Ao término do II Grau, Carlos Braga foi aprovado no vestibular para a Faculdade de Direito da UFG, e começou o curso em 1964, aos 19 anos, quando passou a lecionar Ciências Biológicas no Colégio Estadual ‘Professor Pedro Gomes’ e Lyceu de Goiânia. Lecionou também na Escola Técnica de Comércio de Campinas e no Ateneu Dom Bosco, até me formar em 1968. Em 1969 ele se mudou para Mara Rosa, GO, onde fez carreira política.
Depois do Bradesco, Itaú anuncia a medida nesta quinta-feira (29); juntos, os dois bancos responderam por 41,4% do crédito com recursos da poupança em 2026
Com Exame.com
Os dois maiores bancos privados do crédito imobiliário no país encareceram o financiamento da casa própria em menos de uma semana. Depois do Bradesco, foi a vez do Itaú Unibanco, que elevou sua taxa mínima para 12,95% ao ano a partir desta quinta-feira (29).
Segundo o radar de taxas da MySide, proptech que monitora mensalmente os juros dos principais bancos, o Itaú cobrava a partir de 11,99% ao ano mais Taxa Referencial (TR). A menor taxa acessível acompanhada pela proptech foi para 12,89%. Fora do Private, para todos os outros clientes, a taxa ficou em 12,95%.
"Diferentemente do Bradesco, que surpreendeu o mercado com um aumento de 3,3 pontos percentuais de uma só vez, o Itaú adotou um reajuste mais próximo do padrão que estamos acostumados a acompanhar no financiamento imobiliário", afirmou Paulo Prado, co-founder MySide e especialista em crédito imobiliário.
Em nota, o banco atribuiu o ajuste às "recentes oscilações nas curvas de juros futuros", que subiram após o segundo turno das eleições. A justificativa do Itaú passa pela forma como o crédito habitacional é financiado. Segundo o banco, como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, seus custos estão sujeitos às variações dos juros.
O ajuste, de acordo com a nota, busca "refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações". O banco afirmou ainda que as taxas praticadas variam conforme o perfil e o relacionamento de cada cliente.
A caderneta de poupança, fonte tradicional e mais barata do crédito habitacional, vem perdendo espaço. Ela respondia por 34% do funding do setor em dezembro de 2023 e caiu para 29% em dezembro de 2025, segundo dados do Banco Central.
Sem a poupança, os bancos recorrem a instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujo custo acompanha de perto os juros futuros. Foi esse o mesmo argumento usado pelo Bradesco, que atualizou suas taxas "em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado".
Menor que o do Bradesco, mas acima do teto do SFH
O reajuste do Itaú é bem menor que o do concorrente. No Bradesco, a taxa mínima para a maioria dos clientes saltou 3,3 pontos percentuais de uma só vez, de 11,69% para 15% ao ano mais TR. O piso de 13,6% ficou restrito ao segmento Private.
Com o novo patamar, o Itaú também fica abaixo da Selic, hoje em 13,75% ao ano. A taxa mínima da maioria dos clientes do Bradesco ficou acima dos juros básicos.
Ainda assim, os 12,95% do Itaú ultrapassam o teto legal de 12% ao ano do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Operações acima desse limite ficam fora das regras do sistema, no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as taxas são livremente negociadas.
A diferença pesa para o comprador. O enquadramento no SFH é condição para usar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra ou na amortização das prestações.
Quem pode ser o próximo
O movimento do Itaú tem peso maior que o do Bradesco. De janeiro a agosto, o banco respondeu por 25,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em crédito imobiliário com recursos da poupança, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O Bradesco ficou com 16,2%.
Juntos, os dois somaram R$ 54,9 bilhões no período. À frente deles está apenas a Caixa, com 48,6% do mercado.
A alta do Itaú confirma a expectativa de especialistas ouvidos pela reportagem nesta semana. "O Bradesco foi só o primeiro; todos os outros vão subir a taxa de juros, talvez com exceção dos bancos estatais", disse Fabrício Schveitzer, COO da construtora Dimas e conselheiro do Ecossistema Sienge.
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Durante todo o ano de 2026, especialmente no período que antecedeu a campanha eleitoral para o Governo do Estado, uma das observações mais recorrentes feitas pelo Observatório Político de O Paralelo 13 foi a de que a disputa eleitoral tocantinense "não era para amadores". A avaliação se baseava na complexidade do cenário político estadual e na necessidade de que os candidatos estivessem cercados por equipes altamente qualificadas, especialmente nas áreas de comunicação e jurídica.
Também alertamos, repetidamente, para os riscos representados pelas fake news, pela desinformação, pelo denuncismo sem provas e pela disseminação de boatos, fatores que passaram a influenciar diretamente o ambiente político e eleitoral.
Ao final da disputa, a vitória da chapa formada por Vicentinho Júnior e Amélio Cayres demonstrou a importância dessa estrutura. A campanha conseguiu superar uma forte base de apoio político ligada ao governo estadual e a dezenas de administrações municipais, tendo como diferenciais justamente a comunicação estratégica e a atuação jurídica.
DEDICAÇÃO, RESPONSABILIDADE E PRESTEZA

Acompanhando de perto as ações movidas pelas duas campanhas junto à Justiça Eleitoral, o Observatório Político pôde constatar a atuação destacada da equipe jurídica liderada pelo escritório Solano Donato Carnot Damacena, responsável pela defesa da candidatura de Vicentinho Júnior.
Segundo relatório produzido pelo próprio escritório, foram analisados 185 processos e 385 decisões, incluindo liminares, sentenças, acórdãos e recursos relacionados à disputa eleitoral. Entre as principais frentes de atuação estiveram os questionamentos a pesquisas eleitorais consideradas irregulares e as ações voltadas ao combate à desinformação e aos ataques nas redes sociais.
FAKE NEWS E PESQUISAS IRREGULARES
Durante a campanha, a equipe jurídica concentrou esforços no enfrentamento da desinformação e do uso de conteúdos manipulados por inteligência artificial. O trabalho resultou na retirada de 32 conteúdos envolvendo fake news, deep fakes, ofensas e ataques ao candidato em redes sociais, grupos de WhatsApp e propagandas eleitorais.
Outra área de grande destaque foi a contestação de pesquisas eleitorais. De acordo com o relatório, 15 levantamentos foram suspensos ou retirados de circulação em razão de irregularidades relacionadas ao registro ou à metodologia utilizada. As decisões também resultaram em multas aplicadas a institutos de pesquisa e veículos de comunicação responsáveis por sua divulgação.
Além disso, decisões judiciais determinaram a remoção de conteúdos publicados por 48 perfis, páginas e canais digitais que veiculavam material considerado irregular ou informações contestadas pela campanha.
ATUAÇÃO DETERMINANTE

A condução de toda a estratégia jurídica da campanha de Vicentinho Júnior e Amélio Cayres esteve sob a responsabilidade do escritório Solano Donato Carnot Damacena, que assumiu a defesa da chapa majoritária durante todo o processo eleitoral.
A atuação de Solano Donato Carnot Damacena ganhou relevância pela capacidade de responder com rapidez às demandas surgidas durante a campanha e pela obtenção de decisões favoráveis em temas estratégicos para a candidatura. Nos meios políticos, é consenso entre aliados do governador eleito que o trabalho jurídico figurou entre os pilares da vitória da chapa, ao lado da comunicação e da articulação política.
EQUIPE DE TRANSIÇÃO
O reconhecimento pelo trabalho desenvolvido durante o processo eleitoral também se refletiu na composição da equipe de transição anunciada por Vicentinho Júnior. Entre os integrantes escolhidos para auxiliar o governo eleito está o advogado Solano Donato Carnot Damacena, ao lado de nomes como Raimundo Aires Neto Alves (Neto Aires), coordenador dos trabalhos, Júlio Edstron Secundino Santos, Marlen Ribeiro Rodrigues, Thiago de Araújo Schuller, Irisfran de Sousa Pereira, Domingos Quirino de Freitas, Stellamaris Postal e Zelma Coelho Santos.
A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB
Com Estadão
A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na operação de venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal. Além deles, outras 13 pessoas envolvidas na transação, incluindo ex-diretores dos dois bancos, também foram indiciadas.
A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB, principalmente por causa da produção de carteiras falsas de crédito consignado. As defesas dos indicados não haviam se manifestado até a noite de ontem.
Nos depoimentos que prestaram à PF na semana passada, Vorcaro e Paulo Henrique afirmaram que a operação entre os bancos não causou prejuízos e seria benéfica para ambos.
Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, por induzir a erro investidor de operação financeira, fraudar fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Esses crimes somados têm penas que vão de 12 a 41 anos. A situação de Vorcaro ainda deve ser agravada porque ele é apontado como líder da organização criminosa. Já Paulo Henrique foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
“A versão apresentada (por Daniel Vorcaro) em oitiva, entretanto, contrasta frontalmente com os elementos expostos neste relatório, os quais demonstram que as operações bilionárias foram estruturadas e executadas sem a observância de procedimentos elementares de diligência, validação de lastros, governança, conformidade e gestão de riscos exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional”, escreveu a PF.
O relatório final da PF apontou ainda que a cessão de créditos do Master ao BRB foi maior do que o calculado inicialmente e que continuou ocorrendo mesmo depois que o Banco Central barrou a venda da instituição de Vorcaro ao banco público do DF.
A PF diz que o Master cedeu ao BRB um total de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito – que incluíam operações de crédito consignado, empréstimo pessoal, crédito rotativo, parcelamento de faturas e outros – entre julho de 2024 e outubro de 2025, tendo continuado um mês depois que o BC barrou as operações.
O relatório diz que o BRB driblou mecanismos de governança e aprovou investimentos apresentados sem lastro, com documentação preparada em planilhas de Excel com dados suspeitos de falsificação, como revelou anteriormente o Estadão.
Além disso, pelo relatório da PF, Paulo Henrique Costa manteve tratativas com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) enquanto praticava fraudes com Vocaro. Ibaneis não foi alvo da PF e foi apenas citado no material.
INICIAL
Esse é o primeiro indiciamento de Vorcaro na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado para apurar um conjunto de suspeitas de crimes relacionados ao seu banco. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), e também indicia por crimes financeiros os diretores do Master e do BRB que tiveram participação nas operações.
Entre eles, estão Augusto Lima (ex-sócio do Master), Ângelo Ribeiro (ex-diretor financeiro), Luiz Antônio Bull (ex-diretor de compliance), Alberto Félix de Oliveira (ex-superintendente financeiro) e também o advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para Vorcaro.
O documento deve ser encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para avaliar se há provas suficientes para apresentar denúncia contra os envolvidos, o primeiro passo para que Vorcaro se torne réu pelos crimes dos quais é acusado.
O banqueiro ficou preso por 11 dias em novembro do ano passado e, depois que a investigação subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ser detido em março deste ano. Já Paulo Henrique Costa está preso desde abril.
A PF apontou que Vorcaro teve ação direta na venda das carteiras de crédito consignado do Master que não tinham lastro e haviam sido falsificadas por meio de uma empresa com ligações ao próprio banco, a Tirreno. No relatório, a PF também descreve a responsabilidade dos diretores dos dois bancos nesses fatos e afirma que eles tiveram participação nas operações.
As investigações da Compliance Zero começaram com foco nas vendas do Master ao BRB, mas ampliaram o foco após a obtenção de um grande volume de provas no telefone celular do banqueiro. Também estão em estágio avançado o inquérito sobre a cooptação de ex-servidores do Banco Central e a investigação de obstrução de Justiça e ameaças a adversários.
Foram analisados dois arquivos em PDF divulgados por aliados e atribuídos a Flávio, além das versões original e editada de uma publicação no X (ex-Twitter) do próprio senador
POR LAURA INTRIERI
A divulgação da carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) contesta a derrota na eleição foi marcada por uma sequência de alterações nesta quarta-feira (28). A Folha identificou ao menos quatro versões, com troca de brasão e mudanças na forma como ele se apresenta, de “presidente eleito” a “líder do Brasil”.
Flávio foi derrotado pelo presidente Lula (PT) no domingo (25) e deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. Na carta, afirma que pretende liderar a oposição do exterior e repete alegações sem provas de fraude na eleição.
Foram analisados dois arquivos em PDF divulgados por aliados e atribuídos a Flávio, além das versões original e editada de uma publicação no X (ex-Twitter) do próprio senador.
Um dos PDFs registra criação às 16h38, no horário de Brasília. Nele, Flávio se apresenta como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
O brasão no alto da página traz a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, que remete à antiga denominação do país, adotada com a Proclamação da República, em 1889. A substituição da inscrição no brasão por “República Federativa do Brasil” foi determinada por uma lei de 1968.
“Brazil”, com z, era uma grafia usada em documentos oficiais do início da República. Um decreto de 1931 já determinava a escrita “Brasil”, com s, nas publicações oficiais.
O PDF também traz uma credencial digital da OpenAI, com assinatura validada, que registra o uso do ChatGPT, mas não esclarece se a ferramenta escreveu o discurso ou apenas montou o arquivo com um texto pronto.
O outro PDF mantém o mesmo texto, mas traz um brasão com a inscrição “República Federativa do Brasil”. A análise do arquivo feita pela Folha mostra que o brasão anterior foi coberto por um retângulo, sobre o qual foi colocado o novo.
Não foi identificado registro de data de criação ou de modificação desse arquivo.
A publicação original de Flávio no X foi feita às 17h19, cerca de 41 minutos após o horário de criação registrado no PDF com “Brazil” no brasão.
Na abertura da carta publicada na rede social, Flávio se apresenta como “verdadeiro presidente do Brasil”, sem a palavra “eleito”. Mais adiante no mesmo documento, porém, permanece a frase “eu sou o presidente eleito”. O brasão já traz a inscrição “República Federativa do Brasil”.
O post foi editado às 17h41, cerca de 22 minutos depois. Na abertura, Flávio passou a se apresentar como “líder do Brasil”. No outro trecho, “eu sou o presidente eleito” foi substituído por “eu sou o líder”.
Também mudou a formatação do nome do senador ao final da carta: antes centralizado e em negrito, passou a aparecer alinhado à esquerda, sem destaque.
Aliados de Flávio, por sua vez, se distanciaram das alegações de fraude. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha, classificou a carta como um “desabafo” e afirmou que nem ele nem o PL poderiam sustentar que houve fraude na eleição, por falta de provas.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse compreender a indignação de Flávio, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, afirmou.