Valores serão pagos nesta sexta-feira, 23, e estarão disponíveis para saque ao longo do dia de sábado para quem não possui portabilidade

 

 

Por Rafael Oliveira

 

 

Os servidores públicos estaduais recebem, neste sábado, 24, os salários referentes ao mês de outubro. Os valores serão pagos na sexta-feira, 23, e estarão disponíveis para saque ao longo do dia de sábado. Para quem opta pela portabilidade bancária, o saldo será disponibilizado até segunda-feira, 26.

 

O valor líquido da folha de pagamento é de R$ 344.350.121, e contempla servidores ativos, aposentados e pensionistas do Poder Executivo estadual.

 

O pagamento também inclui o complemento do piso salarial da enfermagem, repassado por meio de folha complementar elaborada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO), em conjunto com a Secretaria de Estado da Administração (Secad).

 

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 06:06 Escrito por

Penúltima pesquisa do instituto mostra novo empate técnico entre candidatos; na rodada anterior, senador tinha 46% ante 44% do presidente

 

 

Por Felipe Moraes

 

 

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 45% das intenções de voto contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenário de segundo turno das eleições de 2026, mostra pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). A situação é de empate técnico dentro da margem de erro, estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Brancos, nulos e eleitores que não vão votar representam 9%, enquanto indecisos chegam a 2%. Em relação à rodada anterior do levantamento, o senador perdeu um ponto (tinha 46%) e o petista ficou estável em 44%. Indecisos subiram de 1% para 2%.

Segundo turno: votos gerais

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 45% (eram 46%);

Lula (PT): 44% (eram 44%);

Brancos, nulos e não vão votar: 9% (eram 9%);

Indecisos: 2% (era 1%).

No voto espontâneo, em que não são informados nomes de candidatos, Flávio e Lula empatam com 40% cada um. Indecisos aumentaram de 7% para 14% e brancos e nulos saíram de 8% para 6%.

 

Rejeição, decisão de voto e expectativa de vitória

A rejeição de eleitores a ambos os candidatos caiu na comparação com a última amostra. A de Lula desceu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio Bolsonaro desacelerou de 54% a 52%.

 

Pesquisadores também perguntaram sobre a decisão de voto de eleitores: 90% dizem ser definitiva e 10% acham que podem mudar de opinião.

 

Entre apoiadores de Lula, 90% consideram o voto decidido e 9% consideram alterar. Entre seguidores de Flávio, os números são 93% e 7%, respectivamente.

 

O levantamento ainda pediu opinião do eleitorado sobre expectativa de vitória: 54% acreditam no triunfo do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno na dianteira, e 37% apontam que o mandatário petista conseguirá se reeleger para um quarto mandato.

 

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-08535/2026 e encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa Quaest entrevistou 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro. O nível de confiança da margem de erro é avaliado em 95%.

 

O próximo e último levantamento do instituto sobre a eleição presidencial de 2026 será divulgado no sábado (24), véspera do segundo turno.

 

 

 

Posted On Quarta, 21 Outubro 2026 15:01 Escrito por

PANORAMA POLÍTICO

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A candidata ao Governo do Tocantins, senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil), realiza nesta quarta-feira, em Palmas, um grande encontro das Mulheres 44. O evento contará com a participação de importantes lideranças nacionais do campo conservador, entre elas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

O ato político será realizado no salão de eventos Cristal Hall e deve reunir lideranças partidárias, prefeitos, vereadores, mulheres apoiadoras e representantes de diversos segmentos da sociedade tocantinense.

 

FORÇA FEMININA

 

A expectativa da coordenação da candidatura é que o encontro das Mulheres 44 em Palmas represente mais um passo importante na mobilização eleitoral rumo à votação. Com a presença de Michelle Bolsonaro, Damares Alves, Bia Kicis e o apoio declarado de Flávio Bolsonaro, a campanha busca fortalecer sua presença junto ao eleitorado feminino e consolidar apoios em todas as regiões do Tocantins na reta final da disputa pelo Governo do Estado.

 

DISPUTA SEGUE INDEFINIDA

As principais lideranças que compõem a coordenação da candidatura de Professora Dorinha acreditam que a sucessão estadual continua em aberto e que o resultado da eleição somente será conhecido após a abertura das urnas.

Entre os articuladores da campanha estão o senador Eduardo Gomes, o governador Wanderlei Barbosa, prefeitos, deputados federais e diversas lideranças regionais. O grupo tem intensificado as agendas políticas nos últimos dias com o objetivo de manter o crescimento e a liderança da candidatura governista na reta final da disputa.

 

FLÁVIO BOLSONARO CONVOCA MILITÂNCIA

 

A candidatura de Professora Dorinha também recebeu, também, mais um reforço com a manifestação pública do candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que divulgou vídeo pedindo votos para a senadora tocantinense e conclamando os apoiadores a ampliarem a mobilização nos dias que antecedem a votação.

Na mensagem, Flávio convocou a militância para atuar nas ruas, nas redes sociais e no diálogo direto com os eleitores. “Meus amigos do Tocantins, está chegando o dia da eleição. Nesse domingo, bora para as urnas mais uma vez. E agora eu preciso novamente da força de vocês, da nossa militância nas ruas, nas redes, conversando com todo mundo”, afirmou.
O candidato também declarou apoio explícito à candidatura da senadora ao Palácio Araguaia. “Para o futuro do Tocantins, a melhor é Dorinha. Dorinha governadora 44”, destacou.

A mensagem foi direcionada aos eleitores tocantinenses com um apelo para que conversem com familiares, amigos e demais eleitores, buscando ampliar o apoio à candidatura nos últimos dias da campanha.

 

EVENTO EM PORTO NACIONAL

 

Na noite desta terça-feira, Professora Dorinha participou de um encontro político em Porto Nacional organizado pelo prefeito Ronivon Maciel, integrante do G-5, grupo formado pelos prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do Tocantins que apoiam a candidatura governista.

O evento reuniu lideranças locais, vereadores, apoiadores e representantes de diferentes segmentos da sociedade em mais uma agenda estratégica da campanha no interior do Estado.

 

DEMANDAS E HISTÓRIAS DE VIDA

 

Durante o encontro, a candidata ouviu relatos e questionamentos de moradores sobre temas considerados prioritários para o desenvolvimento do município e da região. Ao lado do prefeito Ronivon Maciel, do candidato a vice-governador Atos Gomes, vereadores e lideranças locais, Dorinha apresentou propostas voltadas para inclusão social, fortalecimento da agricultura familiar, geração de empregos, valorização dos servidores públicos, investimentos em saúde e proteção às mulheres.

Ao dialogar com empresários e empreendedores, defendeu a redução da burocracia, a análise de medidas de diminuição da carga tributária, a agilização de licenças e a criação de linhas de financiamento por meio de um banco de desenvolvimento estadual.

As políticas de proteção à mulher também tiveram destaque no encontro. Dorinha defendeu a ampliação do funcionamento das delegacias especializadas durante a noite e nos fins de semana, o fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, a expansão da rede de acolhimento e medidas de autonomia financeira para vítimas de violência, incluindo aluguel social, incentivo à contratação e reserva de vagas em contratos de prestação de serviços do Estado.

 

 

Posted On Quarta, 21 Outubro 2026 14:14 Escrito por

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

 

O empresário Rui Adriano, um dos pioneiros de Palmas, participa nesta quarta-feira, em Porto Nacional, de uma mobilização de apoio à candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo do Tocantins. Ao lado de empresários, representantes do agronegócio e lideranças políticas, ele integra o movimento que busca ampliar a adesão do setor produtivo ao projeto político do candidato.

 

Na entrevista concedida ao O Paralelo 13, Rui destacou a importância histórica de Porto Nacional para a formação do Tocantins e afirmou que a mobilização tem um significado especial por ocorrer na cidade que considera o berço cultural e político do estado.

 

“Porto Nacional representa muito. É a mãe do Tocantins, o berço da cultura, a história viva. E, neste momento, nossa cidade está dando um presente ao estado, oferecendo um de seus filhos para governá-lo”, afirmou.

 

Rui também ressaltou o envolvimento de sua família no movimento e recordou as dificuldades enfrentadas por lideranças que participaram das articulações políticas que antecederam a criação do Tocantins. Para ele, a trajetória de Vicentinho Júnior e de sua família está ligada a uma história de participação política e de mobilização regional.

 

DIÁLOGO

 

A mobilização em Porto Nacional faz parte de uma agenda mais ampla de articulação do empresariado em torno da candidatura. Rui Adriano também está envolvido na organização de um encontro com empreendedores em Palmas, previsto para esta quinta-feira, às 8 horas, na Associação Comercial e Industrial de Palmas (ACIPA).

 

O convite, segundo o empresário, é aberto a microempreendedores e empresas de pequeno, médio e grande porte, independentemente do segmento econômico. “Estamos convocando todos os empresários. Não importa se é micro, pequeno, médio ou grande, nem o segmento. Todos estão convidados para ficar frente a frente com o nosso candidato, conhecer suas ideias e propostas”, declarou.

 

A expectativa de Rui é reunir um público expressivo no café da manhã empresarial. A proposta é criar um espaço de diálogo sobre as perspectivas econômicas do Tocantins, os desafios de Palmas e as condições necessárias para atrair novos investimentos.

 

Na avaliação do empresário, o estado tem oportunidades em diferentes áreas, especialmente no agronegócio, na mineração e no turismo. Este último, segundo ele, precisa de infraestrutura adequada para transformar o potencial natural tocantinense em uma atividade econômica de maior alcance nacional e internacional.

 

INFRAESTRUTURA E PLANEJAMENTO

 

Durante a entrevista, Rui Adriano defendeu a ampliação da estrutura turística do Tocantins, com investimentos em hotelaria, espaços para grandes eventos e equipamentos capazes de atender visitantes brasileiros e estrangeiros.

 

Ele citou destinos como o Jalapão e as Serras Gerais, que já atraem turistas, mas argumentou que o estado precisa avançar na oferta de hospedagem e de infraestrutura para receber um fluxo maior de visitantes. “É impossível trazer um avião lotado de turistas e não ter onde realizar eventos, nem uma rede hoteleira adequada. Precisamos criar a infraestrutura para o turismo acontecer”, afirmou.

 

Para Rui, o turismo internacional representa uma oportunidade estratégica para diversificar a economia tocantinense. Na avaliação dele, a combinação entre os atrativos naturais do estado e novos investimentos em serviços pode ampliar a geração de negócios, empregos e renda.

 

O empresário defende que o próximo governo estabeleça o setor como uma das prioridades de desenvolvimento, articulando investimentos públicos e privados.

 

PROJETOS

 

Rui Adriano também apresentou os planos de investimento que pretende desenvolver na capital. Segundo ele, a primeira iniciativa prevista é o Cinnamon Studio, empreendimento hoteleiro anunciado para a região da orla do lago, nas proximidades da ponte da Avenida Juscelino Kubitschek.

 

O empresário afirma que o projeto prevê mais de 500 unidades de hospedagem com padrão cinco estrelas, com início das obras previsto para janeiro de 2027.

 

Ele também anunciou a intenção de lançar, em setembro do próximo ano, o Canela Beach Resort, que classificou como um projeto de grande porte voltado ao turismo. Os empreendimentos, conforme explicou, fazem parte de uma estratégia para ampliar a capacidade de hospedagem de Palmas e consolidar a cidade como destino para visitantes e eventos.

 

As iniciativas anunciadas ainda dependem da execução dos projetos e das etapas necessárias à sua implantação. Além dos investimentos privados, Rui defende a construção de um grande complexo público de infraestrutura para eventos, com centro de convenções, espaço de gastronomia e uma universidade voltada à formação e à inovação. A proposta, segundo ele, seria dimensionada para receber eventos com público superior a 30 mil pessoas.

 

Na visão do empresário, uma estrutura desse porte poderia ampliar a capacidade de Palmas para sediar congressos, feiras, encontros empresariais e eventos ligados ao turismo de negócios.

 

SETOR PRODUTIVO

Ao explicar sua participação no movimento de apoio a Vicentinho Júnior, Rui Adriano afirmou que pretende contribuir com sua experiência empresarial para aproximar investidores e oportunidades de negócios do Tocantins. “Nosso papel na área empresarial é buscar dinheiro lá fora, buscar investimentos e trazer gente que queira produzir e construir”, declarou.

 

A mobilização em Porto Nacional reúne apoiadores em torno da candidatura e reforça a participação de setores do agronegócio e do empresariado na disputa estadual. Para Rui Adriano, o desafio será transformar o potencial do Tocantins em investimentos concretos, com atenção especial à infraestrutura, à hotelaria e ao turismo.

 

O empresário aposta que Palmas pode ampliar sua presença no mapa nacional de eventos e se tornar uma porta de entrada para o turismo internacional. Para isso, defende planejamento, capacidade de articulação e projetos que combinem iniciativa privada e investimentos estruturantes do poder público.

 

 

Posted On Quarta, 21 Outubro 2026 11:00 Escrito por

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) articulou a operação do BRB (Banco de Brasília) com o Banco Master em conjunto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mostram mensagens extraídas pela PF (Polícia Federal)

 

 

Por Natália Portinari, Cézar Feitoza, Fabio Serapião

 

 

Os diálogos, obtidos pelo UOL, mostram que Ibaneis acompanhou todas as etapas da tentativa de aquisição do banco, aumento de capital do BRB e venda de carteiras.

 

As mensagens também mostram que, ao menos em dez ocasiões, o motorista de Vorcaro entregou encomendas ao "Léo" ou "Dr. Léo", que a PF suspeita se tratar do empresário Leonardo Valverde, braço direito de Ibaneis Rocha.

 

As entregas ocorreram na casa de Vorcaro em Brasília, entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Em dezembro de 2024, o motorista avisou ao banqueiro que Léo tinha ligado para buscar "todas as encomendas".

 

A defesa de Ibaneis afirmou que não vai falar sobre uma "delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova". Os fatos "demonstram a verdade daquilo que o governador diz desde o início: ele dava plena liberdade para o presidente do BRB fazer o que julgasse necessário", afirma o advogado do ex-govenardor, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Segundo ele, Ibaneis não tinha participação nas decisões do banco público.

 

Procurado, Valverde não respondeu.

 

O que diz a delação

Na sua proposta de delação premiada, Daniel Vorcaro disse que Ibaneis exigiu propina para concretizar o negócio logo depois do primeiro encontro entre os dois.

 

Segundo o relato, o acerto foi feito na casa de Vorcaro em Brasília em setembro de 2024, em uma conversa entre ele e Valverde. O acordo previa o pagamento de R$ 400 milhões após a fusão dos bancos.

Metade do valor seria pago em dinheiro em espécie e metade num contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo governador. Ibaneis também ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada, diz Vorcaro.

 

Em outubro de 2024, Valverde enviou a Vorcaro uma proposta, um documento de CNPJ e os dados bancários de uma empresa de que ele próprio é administrador, segundo a Receita Federal.

"Segue as empresas!", escreveu. No dia seguinte, ativou as mensagens temporárias na conversa.

 

O banqueiro afirma ter adiantado cerca de R$ 80 milhões em espécie, entregues em Brasília pelo seu motorista a Valverde. Vorcaro diz na proposta de delação que as provas dos repasses estavam em mensagens em seu celular.

 

O contrato com o escritório, segundo ele, nunca chegou a ser pago, porque o BC (Banco Central) vetou a operação em setembro de 2025.

 

Contatos em 2024

O contato entre o governador e Daniel Vorcaro começou em 18 de setembro de 2024, num almoço na casa de Vorcaro em Brasília. No dia seguinte, Ibaneis escreveu a Vorcaro pela primeira vez, agradecendo pelo "excelente almoço".

 

O encontro foi organizado por Thiago Claudino, ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Claudino mandou ao banqueiro a lista de quem iria ao almoço.

 

Além de Ibaneis, estavam lá o filho dele, Caio Rocha, o secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, e William Guimarães, a quem Claudino se referiu como "sócio do gov". Também estava Leonardo Valverde, descrito como "braço direito do gov".

 

Uma semana depois, o governador voltou à casa de Vorcaro para um jantar com o mesmo grupo. Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília, compareceu também ao jantar, a convite do governador.

 

Costa e Vorcaro já se conheciam. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, tinha intermediado um encontro entre eles em julho de 2024. Desde então, os executivos vinham trocando mensagens sobre o aumento de capital do BRB, do qual o Master planejava participar.

 

A ideia era que o Master ajudasse o BRB a se capitalizar e, em troca, fizesse negócios de venda de ativos para o banco, especialmente carteiras de crédito consignado. Essas operações começaram já no segundo semestre.

 

No dia do jantar com Vorcaro e Paulo Henrique, Ibaneis autorizou o BRB a seguir com um aumento de capital de R$ 500 milhões. Seria o primeiro passo, segundo o governador, para vender o banco público ao Master.

Essa, ao menos, é a versão do encontro relatada por fontes ouvidas pelo UOL, que Vorcaro também reforça em sua tentativa de delação premiada.

 

Em outubro, o valor subiu para R$ 750 milhões, com aval do governador. Fundos ligados ao Master entraram no capital do BRB, e o banco público passou a comprar carteiras de crédito do Master, num total de R$ 9,5 bilhões até fevereiro de 2025.

 

O Master enfrentava uma crise de liquidez. No fim de 2024, o BC tentou uma solução de mercado, e o BTG Pactual ofereceu R$ 1 pelo banco, mas os bancos integrantes do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) resistiam à ideia.

 

Enquanto isso, a negociação com o BRB avançava. No Natal, Paulo Henrique escreveu a Vorcaro sobre o "novo caminho" que o banqueiro tinha sugerido, uma "narrativa melhor - de aquisição". Em vez de os dois bancos se fundirem, o BRB passaria a comprar o Master.

 

O governador foi convencido de que seria uma ideia melhor, e Vorcaro e Paulo Henrique tentaram colocar de pé a operação.

 

Em janeiro de 2025, Ibaneis pediu uma reunião com Vorcaro. Os dois se encontraram para jantar em Zurique, na Suíça, com Paulo Henrique e Valverde, em um evento do grupo Lide, e negociaram a possibilidade de comprar o Master.

 

Em fevereiro, a direção do BRB formalizou o "Projeto Vértice", nome interno da compra do Master.

 

O negócio quase caiu no mesmo mês. Paulo Henrique contou a Vorcaro que o governador tinha ligado "querendo dar para trás" depois de ouvir que o BC via a operação com maus olhos.

 

Em março, segundo Paulo Henrique informa a Vorcaro, Ibaneis estava "impaciente com o prazo". No dia 20, o governador marcou um novo encontro com Vorcaro e Paulo Henrique. Oito dias depois, o BRB anunciou a compra de 58% do Master.

 

No dia do anúncio, Ibaneis ligou para Vorcaro. Em agosto, voltou a ligar três vezes na semana em que a CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) votou a operação. Ele também encaminhou ao banqueiro uma decisão liminar sobre o negócio e a edição do Diário Oficial com a lei aprovada.

 

Conversas com Paulo Henrique

Em outubro de 2024, o executivo contou a Vorcaro que Ibaneis "autorizou seguir com os R$ 750 milhões" do aumento de capital do banco público. No mesmo mês, disse que a "consolidação" dos dois bancos estaria pronta em três meses.

Em fevereiro de 2025, quando o negócio quase caiu, Paulo Henrique agradeceu a "intervenção" de Vorcaro, e o banqueiro respondeu que tinham feito "uma aliança" e que "se for pra cair vamos cair juntos".

 

O plano era que Paulo Henrique comandasse o novo conglomerado. Segundo a PF, o executivo escolheu seis apartamentos de alto padrão, avaliados em R$ 146,6 milhões, que o Master comprou.

 

Ele iria morar em um deles. A PF aponta que as transações imobiliárias eram uma forma de propina para o ex-chefe do BRB.

 

A carteira da Tirreno

Os problemas apareceram um mês depois do anúncio da compra. Em abril de 2025, a equipe do BRB foi ao Master conferir as carteiras de consignado que tinha comprado e não conseguiu acesso aos dados das operações originadas por associações.

 

Segundo Paulo Henrique, o Master alegou que a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) impedia a consulta. Em maio, o executivo avisou a Vorcaro que não faria novas compras sem os comprovantes de que os empréstimos estavam registrados na folha dos clientes.

As carteiras tinham sido vendidas ao Master pela Tirreno, uma promotora de crédito. Segundo a PF, parte delas não existia, porque nenhum cliente havia tomado aqueles empréstimos.

 

"Precisamos demonstrar que essas carteiras existem, Daniel", escreveu Paulo Henrique em 30 de junho, quando o caso já estava no BC. Vorcaro respondeu que "nada que fizermos ou entregarmos vai nos tirar desse corner".

 

O BRB passou a trocar as carteiras da Tirreno por outros ativos do Master. Em setembro, ainda faltavam R$ 2,1 bilhões. "O que me chateia, Daniel, é que tudo isso decorre da Tirreno", escreveu o executivo. "Nós compramos aquelas carteiras de boa fé."

 

Tentativa de salvar o negócio

Ibaneis acompanhou essa fase de perto, segundo as mensagens. Em julho, Paulo Henrique relatou que o governador estava "sem paciência" com a demora do BC.

 

Depois que o BC vetou a operação, em setembro, o executivo contou a Vorcaro que Ibaneis não se opunha a um plano B, um acordo operacional entre os bancos no lugar da compra. O governador também concordou com um novo aumento de capital do BRB, com imóveis do DF.

No fim de setembro, Paulo Henrique escreveu que "até o Gov" o estava cobrando por documentos do Master. Em novembro, o BC liquidou o banco, e Vorcaro foi preso.

 

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

 

 

 

Posted On Quarta, 21 Outubro 2026 10:57 Escrito por
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