Segundo Teresa Leitão, líder do governo no Senado, presidente da Casa quer evitar que disputa sobre redução da maioridade penal seja explorada eleitoralmente

 

 

Por Túlio Amâncio

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não colocar em votação nesta semana a PEC da Segurança Pública. A proposta ficará para depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

 

A informação foi confirmada à coluna pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Segundo a senadora, Alcolumbre quer evitar que a discussão sobre a redução da maioridade penal seja explorada eleitoralmente na reta final da disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

 

O principal ponto de divergência é uma emenda apresentada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que também atua na coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro.

 

A proposta de Marinho reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e permite a responsabilização criminal a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. A iniciativa tem o apoio de Flávio.

 

Em reação, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), apresentou uma alternativa mais restrita, que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.

 

A iniciativa, no entanto, provocou um racha dentro do próprio PT, que historicamente se posiciona contra a redução da maioridade penal.

 

A orientação da liderança do governo passou a ser rejeitar alterações na PEC para evitar que o texto precise retornar à Câmara dos Deputados, o que atrasaria sua promulgação.

 

Na semana passada, Alcolumbre já havia retirado a proposta da pauta diante das divergências sobre as emendas. A decisão frustrou a intenção do governo de aprovar a medida antes do segundo turno.

 

Com o novo adiamento, o presidente do Senado busca, segundo Teresa Leitão, impedir que a votação se transforme em mais um confronto eleitoral sobre segurança pública, tema que ganhou destaque nas campanhas dos dois presidenciáveis.

 

A expectativa é que a PEC volte à pauta após a eleição presidencial.

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 15:15 Escrito por

Crimes ocorreram quando as vítimas tinham 11 e 13 anos; sentença também determina indenização e participação do condenado em programa de responsabilização

 

 

Da Assessoria

 

 

A atuação do Ministério Público do Tocantins (MPTO) resultou na condenação de um homem a 45 anos, 5 meses e 28 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo crime de estupro de vulnerável cometido repetidas vezes contra duas enteadas. As vítimas tinham 11 e 13 anos quando os abusos ocorreram, em 2020, em um município, próximo a Araguaína, na região norte do Tocantins.

 

A sentença acolheu a denúncia apresentada pelo MPTO, por meio da 11ª Promotoria de Justiça de Araguaína. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

 

Conforme a denúncia, o homem era companheiro da mãe das vítimas e se aproveitava da relação de confiança e dos momentos em que ficava sozinho com as meninas para praticar os abusos, tanto na residência da família quanto na zona rural do município.

 

Segundo a investigação, o acusado também oferecia dinheiro e presentes para que as vítimas não revelassem o que acontecia.

 

Relatos das vítimas foram fundamentais para a condenação

 

Durante o processo, as duas vítimas prestaram depoimentos sobre os abusos sofridos. A mãe também foi ouvida e relatou como tomou conhecimento dos fatos e procurou o Conselho Tutelar.

 

Na sentença, a Justiça considerou que os depoimentos das vítimas foram coerentes e convergentes, além de encontrarem respaldo em outros elementos de prova.

 

A acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça Matheus Eurico Borges Carneiro, que destacou a especial relevância da palavra das vítimas em crimes de violência sexual, os quais frequentemente acontecem sem a presença de testemunhas e nem sempre deixam vestígios físicos.

 

O Judiciário também reconheceu que o condenado se aproveitou da relação familiar e da posição de autoridade que exercia sobre as meninas. A repetição dos abusos foi considerada no cálculo da pena.

 

A sentença também determinou a inclusão do condenado no Programa Em Paz, medida solicitada pelo Ministério Público nas alegações finais e voltada à responsabilização e à prevenção de novas situações de violência.

 

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 15:12 Escrito por

SUCESSÃO ESTADUAL 2026

Por Edson Rodrigues

 

 

A corrida pelo Governo do Tocantins entra em sua semana decisiva com um cenário que exige atenção das duas campanhas. Pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número TO-09349/2026 aponta o deputado Vicentinho Júnior (PSDB) na liderança, com 52,5% das intenções de voto na pesquisa estimulada, contra 40,4% da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil). A diferença chega a 12,1 pontos percentuais.

 

Nos votos válidos, utilizados para o cálculo do resultado eleitoral, Vicentinho aparece com 56,5%, enquanto Dorinha soma 43,5%. Os números colocam o candidato do PSDB em posição favorável na reta final e aumentam a pressão sobre a estrutura política que apoia a senadora.

 

A VIRADA NO CENÁRIO ELEITORAL

 

A comparação com o levantamento anterior de outubro incluído no relatório ajuda a dimensionar a mudança. Na pesquisa anterior, Dorinha aparecia com 48,5%, enquanto Vicentinho registrava 43,3%. Agora, a senadora recua para 40,4%, enquanto o candidato do PSDB avança para 52,5%.

 

É uma mudança expressiva no cenário eleitoral. Embora levantamentos devam ser analisados considerando suas datas e condições de realização, a sequência dos números aponta uma inversão da liderança e torna mais difícil para a campanha governista tratar o momento como uma oscilação passageira.

 

AS ADESÕES PODEM TER MUDADO O TABULEIRO

 

A evolução dos números ocorre em meio à movimentação de lideranças políticas que apoiaram outros projetos no primeiro turno e decidiram integrar a campanha de Vicentinho Júnior nesta segunda etapa da eleição.
Entre os nomes que passaram a apoiar o candidato estão Ronaldo Dimas e Tiago Dimas, além de vereadores de Palmas e outras lideranças municipais. A chegada desses apoios amplia a rede política do candidato e fortalece sua presença em regiões estratégicas do Estado.

 

As adesões, por si só, não garantem transferência automática de votos. Entretanto, quando acompanhadas de uma mudança expressiva nas intenções de voto, passam a compor um quadro político que exige resposta.

 

A FORÇA DOS ALIADOS NÃO SE CONVERTEU EM VANTAGEM

 

Dorinha conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de outras lideranças estaduais. A estrutura política à disposição da candidata é relevante, e seus principais aliados vêm participando da campanha.

 

Por isso, o resultado da pesquisa levanta uma questão importante: por que o peso dessa aliança ainda não se traduziu em vantagem eleitoral? A resposta pode envolver diferentes fatores, entre eles a comunicação com as bases, a capacidade de mobilização municipal, a percepção do eleitor sobre a candidatura e o impacto das adesões ao adversário. A pesquisa não permite atribuir o resultado a uma causa isolada, mas mostra que o apoio de lideranças, por maior que seja, não substitui a aprovação do eleitor.

 

Não basta reunir prefeitos, parlamentares e dirigentes partidários. É preciso fazer essa estrutura chegar às ruas, dialogar com a população e demonstrar por que o projeto apresentado merece ser escolhido.

 

A REJEIÇÃO É UM ALERTA PARA DORINHA

 

Um dos dados mais delicados do levantamento aparece quando os eleitores são questionados sobre a possibilidade de votar nos candidatos. 43,5% afirmam que não votariam em Professora Dorinha de jeito nenhum. No caso de Vicentinho Júnior, esse percentual é de 34,8%, uma diferença de 8,7 pontos percentuais.

 

O dado não significa que todos os eleitores que rejeitam Dorinha votarão em Vicentinho, mas revela uma dificuldade adicional para a campanha. Além de buscar novos apoios, a senadora precisa convencer parte do eleitorado de que merece uma oportunidade à frente do Executivo estadual.

 

A pesquisa também aponta que 30,5% afirmam que votariam com certeza em Dorinha, enquanto 24,7% dizem que ainda poderiam votar nela. Vicentinho, por sua vez, reúne 45,3% de eleitores que afirmam votar nele com certeza e outros 18,7% que admitem essa possibilidade.

 

O candidato do PSDB combina, portanto, uma intenção de voto mais alta com uma rejeição menor. Dorinha enfrenta o desafio de reduzir a resistência e transformar seu potencial eleitoral em adesão efetiva.

 

O DESAFIO DA RETA FINAL

 

Com a eleição marcada para 25 de outubro, o tempo para reverter o cenário é curto. A campanha de Dorinha precisa trabalhar simultaneamente para ampliar as intenções de voto e enfrentar a resistência de parte do eleitorado.
A presença de lideranças nacionais, como Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira, pode aumentar a visibilidade da candidatura e mobilizar apoiadores. Mas o efeito dessas agendas dependerá da capacidade de transformar eventos e discursos em convencimento eleitoral.

 

Vicentinho, por sua vez, precisa sustentar a dianteira, consolidar as adesões e evitar que a vantagem apontada pela pesquisa produza acomodação entre seus apoiadores.

 

O levantamento foi realizado entre 14 e 17 de outubro de 2026, com 1.500 entrevistas, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, conforme o relatório encaminhado à coluna.

 

A fotografia eleitoral mostra Vicentinho à frente e Dorinha diante de uma tarefa difícil na reta final. A disputa só termina com a apuração dos votos, mas os números impõem uma realidade que nenhuma campanha pode ignorar.

 

Na reta final, não basta contar aliados. É preciso convencer eleitores. E, neste momento, a pesquisa coloca Vicentinho Júnior em vantagem.

 

 

Pequisa completa aqui

 

 

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 13:22 Escrito por

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A reta final do segundo turno no Tocantins chegou ao momento em que discurso, estrutura política e pesquisa precisam se transformar em voto. Vicentinho Júnior (PSDB) vem ampliando seu arco de alianças, enquanto a campanha da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) prepara uma ofensiva com lideranças nacionais para tentar recuperar terreno antes da votação de 25 de outubro.

 

O cenário exige uma pergunta incômoda para o grupo governista: como uma candidatura apoiada pelo governador, por um senador de grande votação e por uma estrutura política expressiva chega à última semana tendo de reagir ao avanço do adversário?

 

A resposta não está em um único fator. As adesões, as dificuldades de comunicação interna, a capacidade de mobilização e a relação da candidata com as lideranças municipais compõem um cenário que precisa ser enfrentado sem maquiagem política.

 

VICENTINHO AMPLIA O CAMPO DE APOIO

 

A candidatura de Vicentinho Júnior vem recebendo manifestações de apoio de lideranças que, no primeiro turno, estavam em outros campos políticos. Entre os movimentos citados estão as adesões do ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas e do deputado federal Tiago Dimas, além de vereadores de Palmas e de outras lideranças municipais.

 

Nas últimas movimentações também aparecem o Alfredo Júnior, que foi deputado federal, e obteve mais de 45 mil votos, e o professor Witer Naves (PSOL), que disputou o Governo do Tocantins no primeiro turno e anunciou apoio a Vicentinho.

 

 

Senador Alexandre Guimarães Deputados Amélio Cayres e Vicentinho Júnior 

 

O movimento é politicamente relevante porque reúne lideranças com diferentes bases eleitorais e amplia a presença da candidatura em municípios estratégicos. Em Palmas, maior colégio eleitoral do Estado, as adesões dos vereadores Wilton do Zé Branquinho, Delma Freitas, Alex Mascarenhas e Vinicius Pires acrescentam novos pontos de apoio à campanha tucana.

Os números individuais de eleições anteriores não significam transferência automática de votos. Ainda assim, a sucessão de anúncios cria um fato político que a campanha adversária não pode simplesmente ignorar.

 

 

Senadora e candidata ao governo Dorinha e o governador Wanderlei Barbosa 

 

Nos bastidores, uma das reclamações atribuídas a lideranças que deixaram o campo de Dorinha seria a falta de diálogo e de interlocução com a candidata. Se essa percepção estiver disseminada entre aliados, o problema deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser de coordenação política. Em uma campanha de segundo turno, perder interlocução com quem conhece as bases municipais pode custar caro.

 

QUADRO POLÍTICO: VOTAÇÕES DAS LIDERANÇAS CITADAS

Os números abaixo ajudam a dimensionar a votação obtida por parte das lideranças mencionadas nas articulações eleitorais. São resultados de candidaturas a cargos diferentes, portanto não devem ser somados como se representassem um bloco único de votos transferíveis.

 

 

 

Laurez Moreira recebeu 69.967 votos na disputa pelo Governo do Estado; Eli Borges obteve 271.829 votos na corrida ao Senado; Ronaldo Dimas conquistou 93.009 votos para senador, enquanto seu filho, Tiago Dimas, recebeu 27.910 votos para deputado federal. Entre os candidatos a deputado estadual, Moisemar Marinho alcançou 26.158 votos, Luciano Oliveira teve 24.472, Gutierres Torquato recebeu 21.052, Paulinho Bonifácio somou 13.809 e Júnior Diamantino obteve 12.063.

 

 

Na disputa para deputado federal, Coronel Barbosa recebeu 28.544 votos, Luana Ribeiro alcançou 27.302 e Jorge Carneiro obteve 2.911. Já Elias da Ponte recebeu 1.288 votos na disputa para deputado estadual, enquanto Du Pereira somou 1.272 votos na eleição para governador. Esses números, assim como os resultados de outras lideranças citadas, ajudam a compreender a dimensão das bases políticas envolvidas, mas não significam transferência automática de votos para nenhum dos candidatos ao Governo. O desafio de Vicentinho Júnior é transformar as adesões em apoio efetivo nas urnas, enquanto a campanha de Dorinha precisa avaliar o impacto dessas movimentações e reagir na reta final.

 

O quadro evidencia a diversidade de bases políticas envolvidas no processo, mas também exige cautela: votação passada, cargo disputado, força regional e capacidade de mobilização são fatores diferentes. O desafio de Vicentinho é converter as novas alianças em presença efetiva nas urnas.

 

NADA A RECLAMAR DE WANDERLEI E EDUARDO GOMES

 

É preciso fazer justiça a dois dos principais nomes da campanha de Professora Dorinha Seabra: o governador Wanderlei Barbosa e o senador reeleito Eduardo Gomes. Não há elementos, neste cenário, para atribuir aos dois uma eventual derrota por omissão política. Ambos entraram de corpo e alma na campanha, participando da articulação e colocando seu peso político a serviço da candidatura. Parte expressiva do secretariado estadual também vestiu a camisa, incluindo o secretário de Comunicação, Márcio Rocha, e o secretário-chefe da Casa Civil, Deocleciano Gomes. Se o resultado não vier, será necessário avaliar o conjunto da estratégia, a comunicação com as bases, a condução da campanha e a capacidade de converter estrutura em votos. Wanderlei e Eduardo podem ser cobrados como lideranças políticas, mas não podem ser apontados como ausentes de uma disputa na qual têm atuado diretamente.

 

A CARTA FINAL: FLÁVIO, MICHELLE E NIKOLAS

 

A principal aposta da campanha governista para os últimos dias é a mobilização de lideranças nacionais da direita. A programação em articulação prevê Flávio Bolsonaro em Palmas, Michelle Bolsonaro em Gurupi e Nikolas Ferreira em Araguaína.

 

O objetivo é reanimar a militância, atrair apoiadores, aumentar a visibilidade da candidatura de Dorinha e transformar a presença de nomes nacionais em mobilização eleitoral. O trio tem alcance político e presença nas redes sociais, mas a pergunta que fica é se a repercussão dos eventos será suficiente para alterar o comportamento do eleitor tocantinense.

 

A presença de figuras nacionais pode ajudar a movimentar a campanha. Não substitui, entretanto, o diálogo local, a articulação com prefeitos e vereadores nem a apresentação de propostas para os problemas concretos do Estado.

 

A IMPRENSA AGUARDA A AGENDA OFICIAL

 

Há outro ponto que merece registro. Até o fechamento desta coluna, a imprensa tocantinense aguardava da equipe da candidata Professora Dorinha Seabra informações oficiais sobre a programação das visitas de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira ao Estado.

 

A expectativa é por horários, locais, formatos dos eventos e orientações para a cobertura jornalística. Uma operação política dessa dimensão exige organização e comunicação à altura de sua importância. Não basta anunciar a chegada de lideranças nacionais; é preciso informar, com antecedência, onde estarão, quando falarão com a população e como os veículos de comunicação poderão acompanhar as agendas.

 

A imprensa não é um detalhe de bastidor. É parte fundamental da circulação de informações de interesse público. Em uma campanha que pretende mobilizar milhares de pessoas, a falta de informações oficiais compromete o planejamento da cobertura e limita a divulgação organizada dos eventos.

 

A cobrança é objetiva: a equipe de Dorinha precisa apresentar a programação oficial o quanto antes. A reta final não combina com improvisação, desencontro de informações ou silêncio diante de uma demanda legítima dos veículos de comunicação.

 

PORTO NACIONAL TAMBÉM ENTRA NO JOGO

 

Enquanto os governistas preparam sua mobilização, apoiadores de Vicentinho Júnior organizam uma carreata em Porto Nacional para quarta-feira, 21 de outubro. A programação divulgada prevê concentração às 8 horas, no estacionamento ao lado da Rodoviária, na região sul da cidade, com percurso anunciado de 19 quilômetros.

 

A organização informa que o ato reunirá tratores, carros e motocicletas, com a presença prevista de Vicentinho, do candidato a vice-governador Amélio Cayres e do senador eleito Alexandre Guimarães, além de lideranças municipais. Os organizadores projetam uma grande mobilização, mas a dimensão do evento só poderá ser avaliada após sua realização.

 

A movimentação mostra que Porto Nacional se tornou mais um território importante na disputa. Em uma eleição decidida voto a voto, as campanhas procuram demonstrar força nas ruas, reunir suas bases e convencer o eleitor de que têm condições de governar.

 

A ÚLTIMA SEMANA NÃO PERDOA ERROS

 

Dorinha conta com o apoio do governador, de Eduardo Gomes, de Carlos Gaguim e de uma ampla estrutura política. Vicentinho, por sua vez, tenta consolidar as adesões e transformar a expansão de sua aliança em vantagem nas urnas.

 

A campanha governista ainda tem tempo para reagir, mas precisa fazer mais do que reunir nomes conhecidos. Precisa organizar a comunicação, ouvir suas bases, apresentar propostas e mostrar ao eleitor por que sua candidatura merece a confiança para os próximos quatro anos.

 

A visita de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira pode ser um reforço importante. Mas a carta final só terá valor se for bem jogada. No dia 25 de outubro, não serão as carreatas, os discursos ou as fotografias com lideranças nacionais que votarão. Serão os eleitores tocantinenses.

 

O tempo está acabando. A política não espera. E o eleitor dará a resposta nas urnas.

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 09:48 Escrito por

O encontro marca o primeiro embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta campanha

 

 

POR ANA LUIZA ALBUQUERQUE, ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA E BRUNO RIBEIRO

 

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), adversários no segundo turno das eleições, trocaram acusações de corrupção, fizeram perguntas que deixaram o outro sem resposta, provocaram e envolveram familiares no primeiro debate entre os dois, na Band, na noite deste domingo (18).

No primeiro bloco do encontro, Flávio explorou o caso que envolve a lobista Roberta Luchsinger, investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

No sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, ela disse que pretende firmar um acordo de delação premiada e que não poupará Lula, sem apresentar detalhes ou evidências sobre o que teria a revelar.

Flávio perguntou a Lula se ele conhecia Roberta. O presidente respondeu que a Polícia Federal cuidará dela e voltou a afirmar que qualquer um, mesmo seu filho, será investigado em seu governo.

 

“Não sou um pai que protege o filho, como você foi protegido pelo seu pai […] Não escondo nem mando ministro embora porque não quis trocar diretor da Polícia Federal”, afirmou Lula, lembrando da saída do ex-juiz Sergio Moro do governo de Jair Bolsonaro.

Moro, que condenou Lula na Operação Lava Jato, foi levado ao debate por Flávio. Quando anunciou sua demissão do governo Bolsonaro, em abril de 2020, o ex-ministro criticou a insistência do ex-presidente para trocar o comando da PF.

 

 

Flávio também perguntou ao petista por que seu filho vive na Espanha —Lula não respondeu e rebateu afirmando que o irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, vive nos Estados Unidos “tramando contra o Brasil”.

 

O presidente, por sua vez, foi ao ataque com o caso Master, questionando diversas vezes sobre o destino de R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro teria pago ao filme “Dark Horse”, uma ode à história de Jair Bolsonaro. “O que fez com o dinheiro? Foi para ajudar seu irmãozinho a trair o Brasil?”, perguntou Lula.

 

Flávio voltou a se esquivar, como vem fazendo ao longo da campanha, e não esclareceu o destino do dinheiro, enviado para um fundo controlado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo. “Você vai aplaudir o filme do presidente Bolsonaro, que você vai amar”, disse o senador.

 

Em meio a essa troca de provocações, Flávio pediu que Lula ficasse mais perto, reeditando uma cena do debate da Globo que o petista travou com Jair Bolsonaro, em 2022. O petista respondeu que não queria ficar perto do senador. “Quero distância de miliciano”, disse.

 

Em outro momento do primeiro bloco, o senador afirmou que a criminalidade explodiu no Brasil e perguntou por que 73% dos presidiários votaram no petista. Lula respondeu: “Eu quero 100%, até do seu pai”.

 

Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por ter liderado um plano de golpe de Estado para impedir que Lula assumisse a Presidência da República. O ex-presidente se encontra em prisão domiciliar.

 

No final do primeiro bloco, a Band concedeu um direito de resposta de um minuto a Flávio, sem indicar o motivo. Antes, Lula chamou o rival de “malandro carioca”. O senador usou o tempo para tratar de violência e segurança pública e acenar a eleitores mais pobres e a mulheres.

 

Lula derrapou no começo do debate, quando caminhou em direção à câmera errada e não controlou bem seu tempo. Nos minutos seguintes, porém, conseguiu se recuperar e encurralar Flávio em alguns momentos.

 

Ele perguntou duas vezes se o senador apresentará alguma proposta para alterar a lei que promulgou o fim da escala 6×1. Como noticiou a coluna Painel, Flávio garantiu a aliados que irá rever pontos da proposta.

 

Da primeira, o candidato do PL tergiversou. Da segunda, negou. “Ele só faz ‘fake news’ o tempo inteiro. […] Eu vou fazer com que você prospere de verdade. A gente vai falar no próximo bloco sobre prosperidade e não sobre o legado que ele está deixando, que é só de miséria, de endividamento, um monte de recorde negativo”, disse Flávio.

 

Lula afirmou que o filho de Bolsonaro treinou e “melhorou muito para mentir”. “Toda vez que ele falar, olhe nos olhos desse homem, porque qualquer pessoa aprende desde pequeno que a mentira está nos olhos e não na palavra.”

 

Esse foi o primeiro debate televisivo do qual participaram Flávio e Lula nestas eleições. O esvaziamento dos encontros pelos dois principais adversários neste pleito levou ao cancelamento de dois dos quatro debates previstos para o primeiro turno.

 

Para o senador, a ausência do presidente inviabilizava confrontos diretos, enquanto para o mandatário, a ida aos programas com a presença de outros candidatos configuraria disputa desleal por possíveis ataques de vários lados.

 

O filho de Jair Bolsonaro chegou a dizer na terça-feira (13) que não compareceria ao debate. No dia seguinte, depois que a emissora confirmou, via assessoria de imprensa, que o programa estaria mantido e que o púlpito de Flávio ficaria vazio, ele voltou atrás e afirmou que participaria.

 

Oficialmente, o senador disse nas redes que sua declaração foi uma “armadilha” para fazer Lula confirmar presença. “Bastou falar que não ia no debate da Band para você no minuto seguinte falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse.”

 

No segundo bloco, com perguntas dos mediadores, o principal tema foi a saúde. Flávio começou se solidarizando com o povo do Rio de Janeiro após Lula acusá-lo de malandro ao estilo carioca.

 

O senador depois citou que chamou o médico Claudio Lottenberg, que foi presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde e disse que “SUS vai ser padrão Einstein”.

 

O petista, em contrapartida, lembrou das mortes da pandemia de covid-19. Citou que boa parte delas poderia ter sido evitada e que o governo de Jair Bolsonaro não acreditava na ciência. Ao fim, questionou, em menção à fala do adversário, se Flávio não estaria querendo privatizar o SUS.

 

Depois desse momento houve um princípio de confusão. Flávio aparecia atrás de Lula, estratégia que o senador adotou durante o debate, quando o petista afirmou que se o oponente estivesse zombando dele iria pedir direito de resposta. O senador questioná-lo e recebeu um aviso da mediadora de que não poderia falar naquele momento.

 

Na sequência, Flávio indagou Lula sobre o tema da saidinha e disse que o petista defende mais o direito dos bandidos do que o das vítimas. O atual presidente rebateu dizendo que o senador vai pretende dar um indulto para o pai e liberar outros de tabela.

 

O filho do ex-presidente Bolsonaro também aproveitou para dizer que votou a favor do fim da escala 6×1 e vincular essa atitude com a ideia de segurança. Afirmou que hoje o cidadão vai pra praia com medo, a mulher pega ônibus com medo. “Não quero que seu dia de folga seja um dia de pesadelo.”

 

Já o petista disse que Flávio conhece o trabalho por literatura, porque nunca trabalhou.

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 05:35 Escrito por
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