Texto foi aprovado na Câmara e agurda votação no Senado
Por Paula Laboissière
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante cerimônia de lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado e de anúncio de medidas voltadas à segurança pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (12) que o governo criará o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado Federal aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, conhecida como PEC da Segurança Pública, já aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados.
“Sempre recusei aprovar o Ministério da Segurança Pública enquanto a gente não tivesse definido qual seria o papel do governo federal na segurança pública”, completou.
Durante o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, Lula lembrou que, na Constituição de 1988, “quase toda a responsabilidade” no que diz respeito à segurança pública foi repassada aos governos estaduais. “A gente estava, naquela época, com muita necessidade de nos livrar, no governo federal, porque era sempre um general de quatro estrelas que tomava conta da segurança pública”.
“Agora, estamos sentindo a necessidade de o que o governo federal volte a participar ativamente, mas com critérios e com determinação. A gente não quer ocupar o espaço dos governadores, nem o espaço da polícia estadual. O dado concreto é que, se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão.”
Entenda
Preparada pelo governo federal após consulta aos governadores, a PEC da Segurança Pública, entregue em 2025 pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, busca desburocratizar e dar maior eficiência ao trabalho de autoridades no combate a organizações criminosas, inclusive por meio da aproximação de entes federativos com o governo federal.
Um dos pilares da proposta é o de dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública, criado em 2018 por lei ordinária. A fim de desburocratizar procedimentos que, no formato atual, dificultam a ação das autoridades, está prevista uma maior integração entre União e entes federados para elaborar e executar as políticas voltadas à segurança pública.
Para tanto, prevê a padronização de protocolos, informações e dados estatísticos, em um contexto em que, com 27 unidades federativas, acaba-se tendo 27 certidões de antecedentes criminais distintas, 27 possibilidades de boletins de ocorrências e 27 formatos de mandados de prisão.
A pílula única também foi eficaz em prevenir eventos cardiovasculares por um período de até sete anos durante o acompanhamento do estudo
POR ANA BOTTALLO
FOLHAPRESS
Um estudo inédito com centros em 12 países, incluindo o Brasil, mostrou que uma pílula única contendo três medicamentos antihipertensivos em doses baixas reduziu em 39% o risco de um AVC (acidente vascular cerebral) recorrente e em 60% o risco de hemorragia cerebral em pacientes que já haviam sofrido um acidente hemorrágico.
A pílula única também foi eficaz em prevenir eventos cardiovasculares por um período de até sete anos durante o acompanhamento do estudo. Não houve diferença significativa entre os efeitos colaterais adversos no grupo medicado em comparação ao grupo placebo.
Os achados foram publicados na última quinta-feira (23) na revista médica NEJM (The New England Journal of Medicine), uma das mais respeitadas da área.
O ensaio clínico, que teve início em 2017 e acompanhou pacientes até 2024, foi liderado pelo do Instituto George para Saúde Global, na Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) e parcialmente financiado pelo Ministério da Saúde brasileiro. No Brasil, dez centros participaram da pesquisa, em cidades como Botucatu, Curitiba, Fortaleza, Joinville, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Rio Preto, Salvador e São Paulo.
Para avaliar a combinação das drogas -batizada de GMRx2 e composta por telmisartan 20 mg, amlodipina 2,5 mg e indapamida 1,25 mg –, os participantes tinham histórico de hemorragia cerebral e pressão arterial sistólica de 130 mm/Hg a 160 mm/Hg.
Ao todo, 1.670 pacientes em 61 centros distribuídos em 12 países -Austrália, Brasil, Geórgia, Holanda, Malásia, Nigéria, Reino Unido, Singapura, Sri Lanka, Suíça, Taiwan e Vietnã- foram incluídos na pesquisa. A idade média dos pacientes era de 58 anos.
Os pacientes receberam, por duas semanas, a pílula combinada em baixa dosagem. Em seguida, foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um continuou com o tratamento e o outro recebeu um placebo visualmente idêntico.
No grupo tratado, foram registrados 38 casos de AVC, ou 4,6% dos participantes, contra 62 casos, ou 7,4%, no grupo placebo -uma redução de risco relativa de 39%. O efeito foi ainda mais expressivo para o AVC hemorrágico recorrente, com redução de risco de 60%.
O tratamento com a pílula única também mostrou queda nos eventos cardiovasculares maiores –como infarto e morte de causa cardiovascular– de 9,8% para 6,6%.
Embora seja o menos frequente, o AVC hemorrágico é mais letal e tem menos opções de tratamento.
Cerca de 80% dos casos de AVC são isquêmicos, causados por entupimentos de veias.
Segundo Craig Anderson, primeiro autor do estudo, a proposta surgiu de uma lacuna importante na evidência clínica. “Nosso estudo parte de uma ideia de mostrar diretamente que pacientes cujo prognóstico, após um AVC, é ruim porque eles têm uma pressão elevada possuem propostas terapêuticas limitadas -e todas são antihipertensivos”, diz.
Os resultados surpreenderam até mesmo o pesquisador, que teve um processo de mais de uma década de acompanhamento. “É difícil manter estudos clínicos por tanto tempo, os pacientes ficam cansados, os centros médicos acabam saindo, os fundos acabam. Então ficamos bem contentes com os resultados após esse longo período.”
Além de avaliar a pressão, o estudo trouxe uma nova abordagem terapêutica. A combinação das três drogas em uma única pílula é fabricada e comercializada pela startup George Medicines, do Instituto George para Saúde Global, e teve aprovação do FDA, agência reguladora americana, em maio do ano passado. Os três medicamentos, no entanto, já existem e são amplamente disponíveis no mercado separadamente.
“É uma forma mais simples e potencialmente mais eficiente de tratar”, afirma Anderson. Para ele, a combinação em dose baixa oferece o benefício terapêutico das três classes com menor risco de eventos colaterais, além da melhor adesão dos pacientes.
Para Sheila Martins, neurologista fundadora da Rede Brasil AVC e chefe de neurologia no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que coordenou a participação brasileira, a nova combinação terapêutica pode ser uma opção para o SUS (Sistema Único de Saúde).
“A hipertensão é o principal fator de risco para o AVC hemorrágico, mas ainda é muito mal controlada. O Ministério da Saúde entendeu a importância de fazer esse estudo e nos ajudou com financiamento. Por isso, acreditamos que pode mudar diretrizes de tratamento no país”, diz.
A médica afirma que a única estratégia que existe atualmente para prevenção de AVC hemorrágico é controlar rigorosamente a pressão arterial. “Se conseguirmos fazer isso de forma mais simples e eficaz, o impacto em saúde pública será enorme”, conclui.
Polícia Federal investiga esquema em contratos de R$ 200 milhões ligados a programa de castração e esterilização de animais
Por Anita Prado
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (12), uma operação para investigar um suposto esquema de fraude em contratos de castração e esterilização de animais ligados à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro (SEAPA). Entre os alvos da ação está o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), conhecido no estado pela atuação em defesa da causa animal.
Agentes da PF cumprem mandados relacionados ao parlamentar em endereços no Rio de Janeiro. Queiroz foi abordado por agentes no Aeroporto Santos Dumont, quando tentava embarcar para Brasília, e teve o celular apreendido.
Ao todo, a operação realiza 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. As diligências ocorrem nos municípios de Itaocara, Macaé, Niterói e na capital fluminense, além de São Roque e Mairinque, em São Paulo.
De acordo com as investigações, há indícios de direcionamento de licitação, superfaturamento e fraudes em contratos firmados entre o governo estadual e uma empresa privada responsável por serviços de castração animal. Queiroz era secretário da SEAPA à época. A soma dos contratos sob suspeita chega a R$ 200 milhões.
A PF informou que o grupo investigado também pode responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e frustração do caráter competitivo de licitação. Novos crimes ainda podem ser identificados no decorrer da investigação.
Marcelo Queiroz foi nomeado secretário municipal de Administração do Rio de Janeiro em agosto de 2025. Antes disso, foi no governo de Cláudio Castro.
Em nota, a defesa do deputado disse que "a tentativa de vincular a imagem do deputado federal Marcelo Queiroz a problemas do Governo do Estado se originou com alegações infundadas no período eleitoral da sua candidatura a prefeito em 2024, quando não aceitou apoiar o candidato do ex- governador do estado do Rio de Janeiro.
A defesa do deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) reitera o total respeito às instituições e ao processo legal, e ressalta que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos."
Pessoas próximas à equipe descrevem Lopes como alguém da estrita confiança de Flávio e com influência nas decisões da pré-campanha
Com Estadão Conteúdo
Amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o empresário Marcello Lopes vai coordenar a comunicação de sua campanha à Presidência da República. A definição foi feita na semana passada.
Conhecido como Marcelão, ele já integrava a equipe da pré-campanha, ao lado do senador e coordenador-geral, Rogério Marinho (PL-RN), Eduardo Cury (programa de governo), Vicente Santini (agenda), Nelson Santini (logística e tesouraria), Marcos Carvalho (comunicação digital), Fernando Pessoa (redes sociais), Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet (jurídico)
Pessoas próximas à equipe descrevem Lopes como alguém da estrita confiança de Flávio e com influência nas decisões da pré-campanha. Ele tem viajado com o senador, inclusive na ida que fizeram a Israel em janeiro. Procurado pelo Estadão, ele não quis se manifestar.
Lopes deve levar para a campanha um time para reforçar a comunicação, entre eles Toninho Neto, ex-diretor global de criação da Bates Worldwide, Walter Longo, ex-presidente do Grupo Abril, e Alexandre Oltramari, ex-diretor da revista Veja
O coordenador está em conversas avançadas também com o diretor de jornalismo da Record, Roberto Munhoz, para a área de imprensa Munhoz esteve no QG da campanha, no Lago Sul de Brasília, na última sexta-feira, 8, para uma reunião com Lopes.
Algumas declarações de Flávio mirando recortes nas redes sociais nasceram da equipe de Lopes. Em fevereiro, por exemplo, o pré-candidato começou a comparar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um “Opala velho” para sugerir que está ultrapassado. Ele também tem usado o termo “produto vencido” para defini-lo.
“Ele (Lula) é aquele produto vencido. Se comparar o Lula a um carro, ele é aquele Opala velhão, câmbio manual, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba”, declarou Flávio durante o evento CEO Conference, do BTG Pactual
O comentário incomodou Lula, que chegou a rebatê-lo, ao dizer que Flávio “fala isso porque o Opala é o pai dele, que está no desmanche”, durante a participação na abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro, em Niterói.
O termo “meu amigo Flávio”, que rendeu uma música satírica, e o jingle do “vamos entrar com o pé direito”, lançado neste fim de semana, são outros exemplos de formulações da equipe de Lopes.
O empresário é ex-policial civil e CEO da Cálix Propaganda, fundada em 2003 e que tem como clientes Sebrae do Distrito Federal, BRB, CEB, Caesb, Metrô e outras empresas. Além da sede em Brasília, a agência tem uma filial no Rio de Janeiro.
Flávio tem optado por uma comunicação digital profissionalizada, em contraste com o que fez seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na campanha de 2018. Na época, suas redes digitais eram comandadas pelo filho e então vereador do Rio Carlos Bolsonaro de forma espontânea, informal e por vezes precária.
A comunicação direta, sem retoques e roteiro, ajudou a conquistar o eleitorado que queria algo mais próximo do “brasileiro comum” – e ajudou a vender Bolsonaro como um candidato que lutava sozinho contra o sistema, disposto de poucas armas e recursos.
A equipe da pré-campanha
Marinho é hoje o homem forte da pré-campanha. Ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro, ele pretendia se lançar candidato ao governo do Rio Grande do Norte neste ano, mas acatou o pedido para coordenar a campanha bolsonarista para a eleição presidencial de outubro. Ele já havia ficado responsável pela montagem das chapas nas municipais de 2024.
Os irmãos Santini também detêm prestígio com a família Bolsonaro Vicente trabalhou como assessor especial no gabinete do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e foi secretário nacional da Justiça no Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro.
Fernando Pessoa faz parte do gabinete de Flávio no Senado, enquanto Cury tem coordenado as propostas que o presidenciável divulgará ao público com a consultoria GO Associados, de Gesner Oliveira.
Ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bucchianeri rende para a equipe experiência e proximidade com o Tribunal para fortalecer o pleito de Flávio durante a campanha. Em 2022, aliados de Bolsonaro se queixaram das diversas peças de redes sociais derrubadas por infringirem a legislação eleitoral, a pedido da campanha do PT.
Carvalho, por sua vez, já trabalhou para os dois lados. Esteve tanto na campanha de Lula em 2022 quanto na de Bolsonaro em 2018 Ele é sócio da agência de marketing AM4, que coordenou o marketing eleitoral e a captação financeira para a campanha do PSL naquele ano.
Pesquisa da CNC mostrou que mais de 80% das famílias possuem alguma dívida; cenário é pressionado pela alta do petróleo
Por Camila Stucaluc
O número de brasileiros com dívidas a pagar registrou um novo recorde em abril. É o que mostra a pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que contabilizou 80,9% de endividados no mês – maior patamar desde 2010, início da série histórica.
O novo recorde ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que vem impulsionando o aumento do preço do petróleo. Somado aos juros altos (Selic), a alta dos preços do diesel e combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas.
Segundo o levantamento, o endividamento cresceu em todas as faixas salariais, mas a pressão sobre o orçamento é mais nítida nas camadas de menor renda. Enquanto famílias que ganham até três salários registram 83,6% de endividamento, aqueles com renda superior a 10 salários mínimos somam 70,8%.
Entre as principais modalidades de dívidas, o cartão de crédito, com os maiores juros da economia brasileira, segue liderando o ranking. Em seguida, aparecem os carnês de loja, o crédito pessoal e os financiamentos de casa e de carro.
Inadimplência
Apesar do volume recorde de endividados, os índices de inadimplência apresentaram sinais de estabilização: o percentual de dívidas em atraso variou para 29,7% em abril, ante 29,6% registrado em março. O número, contudo, está acima dos 28,1% de abril de 2025, evidenciando o efeito negativo do ciclo de alta da Selic na maior parte do ano passado.
Dentro dessa estatística, o grupo que declara não ter condições de pagar as contas atrasadas se manteve em 12,3%. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,5%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira.
Previsão para os próximos meses
As projeções da pesquisa apontam para a continuação da elevação do endividamento no próximo mês, condicionada à evolução da renda e ao comportamento da inflação em itens essenciais como energia e combustíveis. Outro ponto que deve impulsionar o cenário é a Selic, que pode aumentar conforme o conflito no Oriente Médio.
“O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil. A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo”, pontua o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.