Imagem foi feita no início de 2025, durante uma viagem à Finlândia para ver a aurora boreal

 

 

COM FOLHAPRESS

 

 

Fotografias obtidas pela revista Veja mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), a bordo de um jato executivo fretado ao lado da lobista Roberta Luchsinger. Os dois são investigados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

 

De acordo com a revista, a imagem foi feita no início de 2025, durante uma viagem à Finlândia para ver a aurora boreal. A aeronave era um Embraer Praetor 600, modelo cujo exemplar novo custa mais de US$ 20 milhões. Em outro registro, o grupo posa diante do avião, numa pista coberta de neve.

 

As fotos estavam no armazenamento em nuvem do celular de Roberta, segundo a Veja, que publicou o material nesta quarta-feira (21).

 

Procurado pela revista, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou irregularidades e disse que as viagens decorrem de uma forte amizade entre o cliente e a empresária. Ele também questionou a divulgação das imagens às vésperas da eleição. “Essa suposta estratégia de atribuir responsabilidade à Roberta não procede. É especulação. É uma tentativa sórdida de criar uma intriga entre amigos”, afirmou à Veja.

 

 

Lulinha e Roberta são alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), abertos a partir de buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A PF suspeita que os dois mantinham uma sociedade oculta. Segundo essa linha de investigação, ela atrairia empresas interessadas em contratos públicos, e ele usaria o nome e o acesso ao Palácio do Planalto para encaminhar as demandas. A defesa dos dois nega irregularidades.

 

O caso virou um dos principais focos de desgaste da campanha de Lula à reeleição. No debate da Band, no domingo (18), Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno, cobrou explicações sobre Lulinha. Lula respondeu que o filho havia autorizado a PF a acessar seus dados bancários e telefônicos.

 

Nos dias seguintes, o presidente formalizou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a proposta de abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e da família, incluindo Lulinha. A abertura, porém, só vale se Flávio fizer o mesmo.

 

Outro registro é do réveillon na mansão que Roberta alugava em Brasília. Na foto, Lulinha aparece ao lado de Swedenberger Barbosa, hoje chefe-adjunto do gabinete pessoal da Presidência. Segundo a Veja, a lobista arcava com o imóvel, cuja manutenção passava de R$ 100 mil por mês, e a casa serviu por mais de um ano como ponto de reuniões com integrantes do governo e de festas.

 

Como a Folha de S. Paulo mostrou, a investigação da PF indica que Roberta mandou seu motorista fazer pagamentos em espécie a integrantes da cúpula do ministério de Wellington Dias. Os beneficiários seriam Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto da pasta, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial. A apuração também aponta que ela guardava dinheiro vivo em malas em casa.

 

Lulinha vive desde junho de 2025 em Madri, em um condomínio de luxo onde o aluguel médio gira em torno de 5.000 euros (cerca de R$ 28 mil). Segundo o advogado, ele se mantém com trabalho de consultoria e governança.

 

À Veja, Roberta disse que pessoas ligadas à empresa presidida por Amauri Rodrigues Pinha, ex-vizinho de Lulinha em São Paulo, ajudariam o filho do presidente a pagar as contas na Espanha. Pinha preside o conselho da Empresa Construtora Brasil, do grupo Mota-Engil, que venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá e assinou recentemente um contrato de R$ 4 bilhões com a Petrobras.

 

A lobista rompeu publicamente com o presidente depois que Lula, em entrevista ao Jornal Nacional em 27 de agosto, disse não conhecê-la e a chamou de “pilantra”. Segundo a revista, ela afirmou ter recebido ligações de vários ministros depois disso. “Todo mundo com medo, né? Medo de eu abrir minha boca. Porque, se eu abrir a minha boca, ele [Lula] perde a eleição”, disse.

 

No último sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, Roberta anunciou que pretende fazer delação premiada. “Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente”, disse.

 

Em nota sobre a entrevista, Lula afirmou que “jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas” e que não há contrato do governo federal com a lobista. O presidente também disse estranhar que as declarações tenham surgido às vésperas do segundo turno.

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 14:47 Escrito por

Em petição protocolada nesta quarta-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revidou o desafio de Lula (PT) para que ele abrisse o sigilo bancário de suas contas e exigiu que o petista também divulgue os gastos com cartões corporativos da Presidência da República

 

 

Por Malu Gaspar - O Globo

 

 

O candidato do PL também quer o levantamento do sigilo bancário e telemático do Instituto Lula, do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e suas empresas, do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da agenda da primeira-dama Rosângela Janja da Silva e dos registros de entrada do banqueiro Daniel Vorcaro e de “seus intermediários”, como o ex-ministro Guido Mantega no Palácio do Planalto e no da Alvorada.

 

A campanha do PL também cobrou a lista de visitantes que o dono do Banco Master recebeu durante o período em que ficou detido na superintendência da PF em Brasília, que foi colocada sob sigilo pela corporação. Exigiu ainda a divulgação da lista completa de passageiros do jatinho de Vorcaro entre 10 de novembro e 20 de novembro de 2025, o que abrange o período da época de sua primeira prisão, determinada pela Justiça Federal de Brasília no dia 17 daquele mês.

 

Flávio desafiou o governo Lula a informar os registros de entrada e saída da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, nos Palácios da Alvorada e do Planalto, além da relação completa de reuniões em órgãos do governo federal de que ela tenha participado e dos voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) nos quais ela tenha sido passageira.

 

Conforme informou a equipe do blog, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) se recusou a informar os registros de acesso da lobista Roberta Luchsinger no Palácio da Alvorada, sob a alegação de que a divulgação das visitas ao presidente Lula “gera risco à segurança de instituições ou altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares”.

 

A resposta de Flávio é uma reação à ofensiva de Lula, que apresentou ao TSE, na terça-feira (20), uma petição na qual autorizou a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, com a condição de que Flávio fizesse o mesmo. Além de Janja, a autorização também seria válida para seus cinco filhos: Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio.

 

Neste caso, Flávio teria que levantar o sigilo em relação ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sua mãe, Rogéria Bolsonaro, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, além de seus irmãos: o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) e o deputado federal eleito Jair Renan (PL-SC).

 

A proposta de Lula foi divulgada no debate da Band, no último domingo (18), em resposta às acusações de Flávio relacionadas à corrupção. O objetivo, segundo o presidente, seria “ver quem de fato é bandido”.

 

‘Últimas consequências’

Em resposta à provocação de Lula, a campanha de Flávio informou ao TSE que “não se limita a aceitar o desafio, mas o leva às suas últimas consequências”.

 

“De toda forma, para evitar que o candidato adversário se valha de mais uma promessa vazia às custas do eleitorado, de mais uma mentira feita apenas para exista enganar o povo brasileiro, como é do seu feitio, o aceite ao desafio é manifestado com uma única condição: a de que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em exercício de honestidade para com a população brasileira, acrescente à sua autorização todas as informações que há muito clamam pelo melhor desinfetante: a luz solar”, afirma o time jurídico do candidato do PL à Presidência.

 

“Que se abram, então, todas as gavetas, inclusive aquelas que o candidato adversário mantém deliberadamente trancadas no Governo, para que o povo brasileiro, conhecendo a verdade, se liberte e decida livremente. Para tanto, deverá o candidato adversário cumprir as condições que seguem. Elas acompanham os dois tempos desta história, o passado e o presente.”

 

Na petição, o senador também chama o desafio de Lula de “promessa vazia” a fim de “ludibriar o eleitorado”, já que a “abertura proposta não mostraria nada”. A campanha de Flávio acusa o petista de que eventuais irregularidades em seu patrimônio estariam “escondidas” em sigilos de terceiros. Em relação ao sigilo telefônico, a campanha de Flávio ressalta ainda que Lula não possui aparelho celular, o que tornaria inócua qualquer medida nesse sentido.

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 06:28 Escrito por

Por Marina Finelli

 

 

A quarta sondagem da Futura Inteligência sobre o segundo turno, cujos resultados vieram a público nesta quarta-feira (21). Nesse sentido, registra 48,9% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro (PL) e 46,1% para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.

 

Entre os entrevistados, 2,0% optaram por voto branco ou nulo e outros 2,3% não responderam ou disseram não saber.

Apesar da vantagem nos números, a disputa segue tecnicamente empatada. A explicação está na margem de erro de 2,2 pontos percentuais, tanto para mais quanto para menos, que posiciona os dois concorrentes dentro do mesmo intervalo estatístico.

 

Como os números mudaram desde segunda-feira

Frente ao estudo divulgado na segunda-feira (19), as duas extremidades registraram variação. Flávio Bolsonaro avançou 0,6 ponto, partindo dos 48,3% que marcava anteriormente. Já Lula recuou 0,7 ponto no mesmo período.

 

Olhando somente para os votos válidos, o candidato do PL avançou de 50,4% para 51,1%; Lula, nesse mesmo recorte, oscilou dos 49,6% para 48,9%.

Na forma espontânea, que não apresenta ao entrevistado os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro avançou de 46,5% para 47,2%, ao passo que Lula permaneceu com 46,1%.

 

Dentro dessa simulação, 0,5% lembrou de outros nomes, 2,3% optaram por branco ou nulo e 3,9% não deram resposta.

Como a pesquisa foi feita

Conduzido pela Futura Inteligência em conjunto com a 100% Cidades, o estudo entrevistou 2.000 eleitores com 16 anos ou mais. A coleta foi feita por telefone entre segunda (19) e terça-feira (20), abrangendo os 26 estados e o Distrito Federal.

 

O índice de confiança apontado é de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06614/2026.

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 06:10 Escrito por

Penúltima pesquisa do instituto mostra novo empate técnico entre candidatos; na rodada anterior, senador tinha 46% ante 44% do presidente

 

 

Por Felipe Moraes

 

 

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 45% das intenções de voto contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenário de segundo turno das eleições de 2026, mostra pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). A situação é de empate técnico dentro da margem de erro, estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Brancos, nulos e eleitores que não vão votar representam 9%, enquanto indecisos chegam a 2%. Em relação à rodada anterior do levantamento, o senador perdeu um ponto (tinha 46%) e o petista ficou estável em 44%. Indecisos subiram de 1% para 2%.

Segundo turno: votos gerais

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 45% (eram 46%);

Lula (PT): 44% (eram 44%);

Brancos, nulos e não vão votar: 9% (eram 9%);

Indecisos: 2% (era 1%).

No voto espontâneo, em que não são informados nomes de candidatos, Flávio e Lula empatam com 40% cada um. Indecisos aumentaram de 7% para 14% e brancos e nulos saíram de 8% para 6%.

 

Rejeição, decisão de voto e expectativa de vitória

A rejeição de eleitores a ambos os candidatos caiu na comparação com a última amostra. A de Lula desceu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio Bolsonaro desacelerou de 54% a 52%.

 

Pesquisadores também perguntaram sobre a decisão de voto de eleitores: 90% dizem ser definitiva e 10% acham que podem mudar de opinião.

 

Entre apoiadores de Lula, 90% consideram o voto decidido e 9% consideram alterar. Entre seguidores de Flávio, os números são 93% e 7%, respectivamente.

 

O levantamento ainda pediu opinião do eleitorado sobre expectativa de vitória: 54% acreditam no triunfo do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno na dianteira, e 37% apontam que o mandatário petista conseguirá se reeleger para um quarto mandato.

 

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-08535/2026 e encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa Quaest entrevistou 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro. O nível de confiança da margem de erro é avaliado em 95%.

 

O próximo e último levantamento do instituto sobre a eleição presidencial de 2026 será divulgado no sábado (24), véspera do segundo turno.

 

 

 

Posted On Quarta, 21 Outubro 2026 15:01 Escrito por

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) articulou a operação do BRB (Banco de Brasília) com o Banco Master em conjunto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mostram mensagens extraídas pela PF (Polícia Federal)

 

 

Por Natália Portinari, Cézar Feitoza, Fabio Serapião

 

 

Os diálogos, obtidos pelo UOL, mostram que Ibaneis acompanhou todas as etapas da tentativa de aquisição do banco, aumento de capital do BRB e venda de carteiras.

 

As mensagens também mostram que, ao menos em dez ocasiões, o motorista de Vorcaro entregou encomendas ao "Léo" ou "Dr. Léo", que a PF suspeita se tratar do empresário Leonardo Valverde, braço direito de Ibaneis Rocha.

 

As entregas ocorreram na casa de Vorcaro em Brasília, entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Em dezembro de 2024, o motorista avisou ao banqueiro que Léo tinha ligado para buscar "todas as encomendas".

 

A defesa de Ibaneis afirmou que não vai falar sobre uma "delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova". Os fatos "demonstram a verdade daquilo que o governador diz desde o início: ele dava plena liberdade para o presidente do BRB fazer o que julgasse necessário", afirma o advogado do ex-govenardor, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Segundo ele, Ibaneis não tinha participação nas decisões do banco público.

 

Procurado, Valverde não respondeu.

 

O que diz a delação

Na sua proposta de delação premiada, Daniel Vorcaro disse que Ibaneis exigiu propina para concretizar o negócio logo depois do primeiro encontro entre os dois.

 

Segundo o relato, o acerto foi feito na casa de Vorcaro em Brasília em setembro de 2024, em uma conversa entre ele e Valverde. O acordo previa o pagamento de R$ 400 milhões após a fusão dos bancos.

Metade do valor seria pago em dinheiro em espécie e metade num contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo governador. Ibaneis também ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada, diz Vorcaro.

 

Em outubro de 2024, Valverde enviou a Vorcaro uma proposta, um documento de CNPJ e os dados bancários de uma empresa de que ele próprio é administrador, segundo a Receita Federal.

"Segue as empresas!", escreveu. No dia seguinte, ativou as mensagens temporárias na conversa.

 

O banqueiro afirma ter adiantado cerca de R$ 80 milhões em espécie, entregues em Brasília pelo seu motorista a Valverde. Vorcaro diz na proposta de delação que as provas dos repasses estavam em mensagens em seu celular.

 

O contrato com o escritório, segundo ele, nunca chegou a ser pago, porque o BC (Banco Central) vetou a operação em setembro de 2025.

 

Contatos em 2024

O contato entre o governador e Daniel Vorcaro começou em 18 de setembro de 2024, num almoço na casa de Vorcaro em Brasília. No dia seguinte, Ibaneis escreveu a Vorcaro pela primeira vez, agradecendo pelo "excelente almoço".

 

O encontro foi organizado por Thiago Claudino, ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Claudino mandou ao banqueiro a lista de quem iria ao almoço.

 

Além de Ibaneis, estavam lá o filho dele, Caio Rocha, o secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, e William Guimarães, a quem Claudino se referiu como "sócio do gov". Também estava Leonardo Valverde, descrito como "braço direito do gov".

 

Uma semana depois, o governador voltou à casa de Vorcaro para um jantar com o mesmo grupo. Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília, compareceu também ao jantar, a convite do governador.

 

Costa e Vorcaro já se conheciam. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, tinha intermediado um encontro entre eles em julho de 2024. Desde então, os executivos vinham trocando mensagens sobre o aumento de capital do BRB, do qual o Master planejava participar.

 

A ideia era que o Master ajudasse o BRB a se capitalizar e, em troca, fizesse negócios de venda de ativos para o banco, especialmente carteiras de crédito consignado. Essas operações começaram já no segundo semestre.

 

No dia do jantar com Vorcaro e Paulo Henrique, Ibaneis autorizou o BRB a seguir com um aumento de capital de R$ 500 milhões. Seria o primeiro passo, segundo o governador, para vender o banco público ao Master.

Essa, ao menos, é a versão do encontro relatada por fontes ouvidas pelo UOL, que Vorcaro também reforça em sua tentativa de delação premiada.

 

Em outubro, o valor subiu para R$ 750 milhões, com aval do governador. Fundos ligados ao Master entraram no capital do BRB, e o banco público passou a comprar carteiras de crédito do Master, num total de R$ 9,5 bilhões até fevereiro de 2025.

 

O Master enfrentava uma crise de liquidez. No fim de 2024, o BC tentou uma solução de mercado, e o BTG Pactual ofereceu R$ 1 pelo banco, mas os bancos integrantes do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) resistiam à ideia.

 

Enquanto isso, a negociação com o BRB avançava. No Natal, Paulo Henrique escreveu a Vorcaro sobre o "novo caminho" que o banqueiro tinha sugerido, uma "narrativa melhor - de aquisição". Em vez de os dois bancos se fundirem, o BRB passaria a comprar o Master.

 

O governador foi convencido de que seria uma ideia melhor, e Vorcaro e Paulo Henrique tentaram colocar de pé a operação.

 

Em janeiro de 2025, Ibaneis pediu uma reunião com Vorcaro. Os dois se encontraram para jantar em Zurique, na Suíça, com Paulo Henrique e Valverde, em um evento do grupo Lide, e negociaram a possibilidade de comprar o Master.

 

Em fevereiro, a direção do BRB formalizou o "Projeto Vértice", nome interno da compra do Master.

 

O negócio quase caiu no mesmo mês. Paulo Henrique contou a Vorcaro que o governador tinha ligado "querendo dar para trás" depois de ouvir que o BC via a operação com maus olhos.

 

Em março, segundo Paulo Henrique informa a Vorcaro, Ibaneis estava "impaciente com o prazo". No dia 20, o governador marcou um novo encontro com Vorcaro e Paulo Henrique. Oito dias depois, o BRB anunciou a compra de 58% do Master.

 

No dia do anúncio, Ibaneis ligou para Vorcaro. Em agosto, voltou a ligar três vezes na semana em que a CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) votou a operação. Ele também encaminhou ao banqueiro uma decisão liminar sobre o negócio e a edição do Diário Oficial com a lei aprovada.

 

Conversas com Paulo Henrique

Em outubro de 2024, o executivo contou a Vorcaro que Ibaneis "autorizou seguir com os R$ 750 milhões" do aumento de capital do banco público. No mesmo mês, disse que a "consolidação" dos dois bancos estaria pronta em três meses.

Em fevereiro de 2025, quando o negócio quase caiu, Paulo Henrique agradeceu a "intervenção" de Vorcaro, e o banqueiro respondeu que tinham feito "uma aliança" e que "se for pra cair vamos cair juntos".

 

O plano era que Paulo Henrique comandasse o novo conglomerado. Segundo a PF, o executivo escolheu seis apartamentos de alto padrão, avaliados em R$ 146,6 milhões, que o Master comprou.

 

Ele iria morar em um deles. A PF aponta que as transações imobiliárias eram uma forma de propina para o ex-chefe do BRB.

 

A carteira da Tirreno

Os problemas apareceram um mês depois do anúncio da compra. Em abril de 2025, a equipe do BRB foi ao Master conferir as carteiras de consignado que tinha comprado e não conseguiu acesso aos dados das operações originadas por associações.

 

Segundo Paulo Henrique, o Master alegou que a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) impedia a consulta. Em maio, o executivo avisou a Vorcaro que não faria novas compras sem os comprovantes de que os empréstimos estavam registrados na folha dos clientes.

As carteiras tinham sido vendidas ao Master pela Tirreno, uma promotora de crédito. Segundo a PF, parte delas não existia, porque nenhum cliente havia tomado aqueles empréstimos.

 

"Precisamos demonstrar que essas carteiras existem, Daniel", escreveu Paulo Henrique em 30 de junho, quando o caso já estava no BC. Vorcaro respondeu que "nada que fizermos ou entregarmos vai nos tirar desse corner".

 

O BRB passou a trocar as carteiras da Tirreno por outros ativos do Master. Em setembro, ainda faltavam R$ 2,1 bilhões. "O que me chateia, Daniel, é que tudo isso decorre da Tirreno", escreveu o executivo. "Nós compramos aquelas carteiras de boa fé."

 

Tentativa de salvar o negócio

Ibaneis acompanhou essa fase de perto, segundo as mensagens. Em julho, Paulo Henrique relatou que o governador estava "sem paciência" com a demora do BC.

 

Depois que o BC vetou a operação, em setembro, o executivo contou a Vorcaro que Ibaneis não se opunha a um plano B, um acordo operacional entre os bancos no lugar da compra. O governador também concordou com um novo aumento de capital do BRB, com imóveis do DF.

No fim de setembro, Paulo Henrique escreveu que "até o Gov" o estava cobrando por documentos do Master. Em novembro, o BC liquidou o banco, e Vorcaro foi preso.

 

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

 

 

 

Posted On Quarta, 21 Outubro 2026 10:57 Escrito por
Página 8 de 1130