Empresária afirmou à CNN Brasil neste sábado (17) que poderia acrescentar às investigações em curso “detalhes” que não constam das mensagens trocadas por ela no WhatsApp
Por Débora Bergamasco, Iuri Pitta e Lucas Schroeder, da CNN Brasil, São Paulo
A empresária e lobista Roberta Luchsinger manifestou, em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17), o desejo de firmar um acordo de delação premiada que, segundo ela, não poupará o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A PF (Polícia Federal) investiga Roberta e Lulinha por suposto tráfico de influência no governo federal. A empresária de 41 anos, diretora da RL Consultoria e Intermediações, foi alvo nos últimos meses de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
"[A Polícia Federal] vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade", disse Roberta.
Luchsinger diz à CNN que Lulinha sentou "inúmeras vezes" com ministros
Questionada sobre o que teria a acrescentar às investigações em curso, a empresária mencionou “detalhes” que não constam das mensagens trocadas por ela no WhatsApp.
"O que eu teria a acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu", descreveu.
Ao longo da entrevista exclusiva à CNN, Roberta reiterou a intenção de firmar um acordo de colaboração premiada e alegou que a “máquina pública” está sendo voltada contra si.
"No momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe uma trâmite legal para isso, eu estarei lá, pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimenada em cima de mim", acrescentou.
A CNN Brasil entrou em contato com o Palácio do Planalto e com a defesa de Fábio Luís Lula da Silva para que se manifestem sobre as falas de Roberta Luchsinger. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado assim que houver retorno.
Lula chamou Roberta de "pilantra" e "Vorcaro feminino"
Em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto, e ao Flow Podcast no início deste mês, o presidente Lula se referiu a Roberta como "pilantra" e a comparou com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
"Pelo o que eu sei, ela é uma pilantra muito grande. Ela muito se assemelha ao Vorcaro, porque o Vorcaro conseguiu enganar um monte de gente e ela também parece que enganou um monte de gente. Deve ser o Vorcaro feminino, porque ela conseguiu passar por muita gente, conversar com muita gente", destacou Lula na ocasião.
Na entrevista deste sábado, Roberta criticou Lula e observou que o mandatário age com “mau-caratismo” e “canalhice” ao chamá-la de “pilantra” em rede nacional.
“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário”, concluiu.
Em nota, a equipe de comunicação do presidente Lula afirma que ele "desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger". "Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", continua.
"Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores."
Em nota enviada à CNN, a defesa de Fábio Luís, o Lulinha, também negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e que sua relação com qualquer ministro sempre foi de natureza pessoal. Ele afirmou ainda que as acusações de Roberta “são incompatíveis com seu depoimento às autoridades” e que “comprovará sua inocência nos autos”.
Leia a íntegra da nota abaixo:
Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano.
As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral.
Quanto às investigações abertas, tudo até o momento indica manipulação, direcionamento e pescaria probatória: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na investigação do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís de anos antes de Roberta sequer conhecer Antônio Camilo, até os reiterados vazamentos ilegais.
Assim como fez em diversas acusações anteriores, inclusive na operação do INSS em que não foi nem sequer indiciado, Fábio Luís comprovará sua inocência nos autos, após ter contato com dados e provas concretas.
Jorginho Mello, Sergio Moro e Luciano Zucco participaram de motociata em Florianópolis e reforçaram o apoio a Flávio Bolsonaro, com críticas ao PT e convocação de apoiadores para buscar votos
Por Marci Páz - DN mais
A motociata em apoio a Flávio Bolsonaro reuniu neste sábado (17), em Florianópolis, lideranças políticas da região Sul que reforçaram publicamente o apoio ao candidato e fizeram críticas ao PT. O governador reeleito de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), e o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), participaram do ato e destacaram a mobilização dos apoiadores.
Durante as manifestações, os três defenderam a união política da região Sul e projetaram a participação do grupo na campanha eleitoral. O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, também discursou e convocou os presentes a ampliar o apoio ao candidato.
Jorginho Mello afirma que a população já decidiu
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, afirmou que não considera os debates decisivos para uma eleição, mas avaliou que eles podem abrir espaço para Flávio Bolsonaro questionar as propostas e as ações do PT.
“É mais uma oportunidade para o Flávio mostrar as contradições do PT”, declarou. Jorginho também criticou anúncios e propostas apresentados durante a campanha, citando promessas relacionadas ao transporte de ônibus e ao Bolsa Família.
Na avaliação do governador, os eleitores já teriam definido sua escolha. “Mas a população já decidiu”, afirmou.
Sergio Moro fala em união dos estados do Sul
Sergio Moro elogiou a mobilização em Florianópolis e classificou o ato como possivelmente a maior motociata da história, ressaltando o apoio demonstrado pelos participantes.
Moro também fez críticas ao governo do PT e afirmou acreditar na derrota de Lula na eleição. “Nós fizemos um pacto, os governadores da região Sul e os senadores, nós vamos ajudar a salvar o Brasil”, declarou.
O político ainda mencionou a realização de um evento em Curitiba e destacou a intenção de demonstrar a união de lideranças sulistas em torno de um projeto político nacional.

Luciano Zucco agradeceu a Jorginho Mello pela organização do evento e celebrou a mobilização dos apoiadores em Florianópolis. Ele também mencionou a participação de lideranças em atos realizados em outras cidades da região Sul.
“Nós não podemos mais errar. Mas o brasileiro acordou e é Flávio Bolsonaro no dia 25 e 22”, disse Zucco, em referência ao candidato e ao número associado a ele na urna.
Durante o discurso, o governador gaúcho também criticou o que chamou de mentiras e notícias falsas na campanha de Lula.
Ao mencionar o Rio Grande do Sul, agradeceu o apoio recebido de Santa Catarina em momentos de necessidade e declarou: “Nós amamos SC”.
Em outro momento, Zucco afirmou que gostaria de ver Jair Bolsonaro voltar a subir a rampa do Palácio do Planalto. A fala foi acompanhada por gritos de “mito” de participantes do ato.
Prefeito de Florianópolis convoca apoiadores
O prefeito Topázio Neto saudou os governadores e elogiou Jorginho Mello, a quem chamou de parceiro da capital catarinense. Ele também criticou o nível da campanha eleitoral e pediu que os apoiadores atuassem para ampliar os votos em Flávio Bolsonaro.
“A partir de hoje, cada um vira um voto, cada um busca mais um voto”, afirmou. Ao encerrar o discurso, convocou os presentes a se unirem em torno da candidatura.
O PL (Partido Liberal) chegará à Câmara dos Deputados em 2027 com a maior bancada eleita por um partido desde a Constituição de 1988. Mas a sigla do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que disputará o segundo turno contra Lula (PT), está longe de ser formada só por novatos da onda bolsonarista
Por Dhiego Maia
Dos 121 eleitos em 4 de outubro, 111 (91,7%) já ocuparam algum cargo eletivo —só 8,3% são totalmente novatos. E 93 (76,9%) passaram por outras siglas antes de chegar ao partido presidido por Valdemar Costa Neto. Entre eles, há ex-filiados a legendas que vão do União Brasil ao PCdoB, passando pelo PT.
A bancada é majoritariamente masculina (81,8%) e branca (86,8%). Reúne policiais, militares, lideranças religiosas e parentes de políticos.
O levantamento do UOL cruzou dados das candidaturas, votos e bens declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2026 com o histórico eleitoral, biografias oficiais e informações publicadas na imprensa sobre cada eleito.
Dois puxadores de votos

Os 121 eleitos somaram 20,6 milhões de votos, média de 170,7 mil por deputado.
Os dois mais votados, Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP), responderam por 29,8% dos votos. Ajudaram a eleger 21 deputados em Minas e 19 em São Paulo, respectivamente.
A distância para o terceiro colocado é grande: André Fernandes (CE) teve 684.372 votos. Na ponta inferior, Júnior Betão (AC) se elegeu com 13.732 apoios.
Quase metade foi eleita no Sudeste (57), região que têm 34,9% das cadeiras da Câmara (179).
No Nordeste, única região em que Lula liderou em todos os estados no primeiro turno, o PL elegeu 19 deputados em seis estados. Não conquistou cadeiras em Alagoas, Piauí e Sergipe.
Estreantes são 36,4%
Dos 121 eleitos, 63 (52,1%) já haviam sido vitoriosos como deputados federais em 2022. Outros 14 passaram pela Câmara em mandatos anteriores, e 44 (36,4%) chegam à Casa pela primeira vez. A proporção de estreantes é próxima à da Câmara inteira: 183 deputados (35,67%), a menor em quatro eleições.
Entre os que retornam, estão Alfredo Nascimento (AM), Wladimir Garotinho (RJ), Izalci Lucas (DF) e Delegado Francischini (PR).
Francischini foi o primeiro parlamentar cassado pelo TSE por desinformação contra as urnas eletrônicas. Em 2021, perdeu o mandato de deputado estadual e ficou inelegível por oito anos, prazo que terminou em 7 de outubro de 2026, três dias depois da eleição —seu registro aparece como "deferido com recurso" na base consultada, ou seja, há uma decisão favorável ainda sujeita a revisão.
Estreantes, mas não novatos
Estrear na Câmara não significa começar na política. Dos 44 que chegam pela primeira vez, 34 já ocuparam cargo eletivo —mais de um, em alguns casos.
Pavanato (SP) é vereador em São Paulo. Jair Renan Bolsonaro (SC), filho do ex-presidente, ocupa o mesmo cargo, mas em Balneário Camboriú (SC). Gil Diniz (SP) está no segundo mandato na Assembleia paulista.
Para dez eleitos, não foram identificados mandatos anteriores:
Doutora Raissa Soares (BA)
Fred Rodrigues (GO)
Rodrigo Tavares (MG)
Thiago Ganem (MG)
Vinicius Diniz (MG)
Thiago Boava Hey Roy (MT)
Julia de Castro (RJ)
Daniel Trindade (RR)
Perondi (RS)
Wesley Cezar Lelinho (SP)
Thiago Boava Hey Roy é viúvo da deputada Amália Barros (PL-MT), morta em maio de 2024. Sua campanha teve o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal.
Outras trajetórias iniciaram décadas antes do bolsonarismo. Bibo Nunes (RS) ingressou na política como secretário de Turismo de Cruz Alta em 1980; Alfredo Nascimento foi secretário extraordinário da Prefeitura de Manaus em 1983; Osmar Terra (RS) começou como superintendente do antigo Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) em Porto Alegre em 1986; e Joaquim Passarinho (PA) foi vereador em Belém a partir de 1989.
Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, foi eleito em São Paulo com 379.312 votos. Antes, concorreu em nove eleições desde 1994, por sete partidos diferentes (PPR, PPB, PFL, PTB, PSL, PR e PL). Venceu apenas a de 1996, para vereador de Praia Grande (SP), pelo PMDB. A derrota mais recente foi em 2024, quando ficou em segundo lugar para prefeito de Registro (SP).
Uma bancada de ex-filiados
Dos 116 eleitos que foram candidatos antes, apenas 23 concorreram sempre pelo PL. Ou seja, 93 já passaram por outras legendas.
A mais frequente, com 24 deputados, é o PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente em 2018 —ele se filiou ao PL em 2021. Depois aparecem União Brasil (20), PSDB (16), MDB (15), PTB (13), PSD (13), DEM (12, incluindo o antigo PFL) e PDT (11). As contagens se sobrepõem: um mesmo deputado pode ter passado por várias dessas legendas
Considerando apenas a eleição de 2022, 87 dos 116 (75%) já estavam no PL. Os outros 29 vieram principalmente de União Brasil (6), PSDB (5) e MDB (3). Estão nesse grupo o Sargento Fahur, do Paraná, eleito pelo PSD, e Coronel Assis, de Mato Grosso, pelo União Brasil.
Ex-filiados à esquerda
Uma das principais bandeiras do PL é o antipetismo, mas parte dos eleitos já passou por partidos de esquerda no passado. Veja exemplos:
PT - Altineu Côrtes (RJ)
PCdoB - Dr. Orlando (MA), Thiago Surfista (SP) e Osmar Terra (RS)
PDT - Giovani Cherini (RS), Subtenente Gonzaga (MG), Jefferson Campos (SP), Bibo Nunes (RS), Ricardo Arruda (PR), Nina (RN), Wesley Cezar Lelinho (SP), Mara Caseiro (MS), Soraya Santos (RJ) e Zé Vitor (MG), PSB - Jefferson Campos (SP), Emidinho Madeira (MG), Rosana Valle (SP), Capitão Augusto (SP), Rosângela Reis (MG) e Daniel Trindade (RR)
PV - Rosângela Reis (MG) e Fabinho Ramalho (MG)
Ex-ministro de Lula e Dilma
Também há deputados eleitos que já integraram governos petistas. É o caso de Alfredo Nascimento (AM), que comandou o Ministério dos Transportes entre 2004 e 2011, nos dois primeiros mandatos de Lula e no início do governo Dilma Rousseff (PT).
O PL, ao qual Nascimento já era filiado, fez parte da coligação que elegeu Lula em 2002. O vice-presidente, José de Alencar, era do partido.
Outro que atuou no governo Lula é Thiago Martins Milhim, o Thiago Ganem (MG), que foi secretário nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social em 2023.
Fabiana Vilar (MA) foi secretária de Agricultura do Maranhão de 2019 a 2020, na gestão de Flávio Dino, então no PCdoB.
Farda e púlpito
Policiais, militares e bombeiros estão entre os eleitos, e muitos levaram a patente ou o cargo no nome de urna.
É o caso de General Pazuello (RJ), ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, General Girão (RN), Coronel Chrisóstomo (RO), Coronel Fernanda (MT), Delegado Paulo Bilynskyj (SP) e Sargento Fahur (PR).
Na ocupação declarada ao TSE, 38 se apresentam como deputados, 16 como empresários, 12 como advogados, dez como vereadores e oito como médicos. O campo não abrange todas as atividades já exercidas.
Entre os pastores estão Sóstenes Cavalcante (RJ), Marco Feliciano (SP) e Lincoln Portela (MG). Sóstenes é líder do PL na Câmara e ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica.
Fábio Sousa (GO) é bispo da Igreja Fonte da Vida. No campo católico, Eros Biondini (MG) integra a Renovação Carismática, e Chris Tonietto (RJ) é ligada ao Centro Dom Bosco.
Herdeiros e sobrenomes
Dani Cunha (RJ) é filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que também concorreu, mas perdeu.
Wladimir Garotinho (RJ) é filho dos ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Matheus.
Rosangela Moro (PR) é mulher do senador e ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná.
Outros parentes de políticos são Rogerio Barra (PA), Vinicius Diniz (MG), Matheus Noronha (CE), Marcelo Moraes (RS), George Morais (PB), Lafayette Andrada (MG), Roberta Roma (BA), Dr. Jaziel (CE), Aldir Júnior (MA) e Fabiana Vilar (MA).
Patrimônio
Os bens declarados pelos eleitos somam R$ 329,4 milhões. Os maiores são:
Magda Mofatto (GO): R$ 62,9 milhões
Fabinho Ramalho (MG): R$ 20 milhões
João Bacelar (BA): R$ 13,5 milhões
Rodolfo Nogueira (MS): R$ 13,4 milhões
Julia de Castro (RJ), de 24 anos, não tem bens registrados. Thiago Medina (PE) declarou R$ 17,5 mil, e Lucas Pavanato, R$ 43,7 mil.
Os valores são autodeclarados; a falta de registros não comprova ausência de patrimônio.
Dos movimentos às bandeiras
Parte dos eleitos chegou à política por movimentos de direita. Nikolas Ferreira coordenou o Direita Minas. Lucas Pavanato integrou o MBL, antes de romper com o grupo e se aproximar do bolsonarismo. Zé Trovão (SC) foi um dos líderes da mobilização de caminhoneiros pró-Bolsonaro de setembro de 2021, marcada por bloqueios de rodovias e ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Uma das principais bandeiras dos eleitos é a segurança pública, com propostas como redução da maioridade penal e aumento de penas.
Na pauta de costumes, se posicionam contra a linguagem neutra e o aborto, inclusive nos casos hoje legalizados (estupro, anencefalia do feto e risco à vida da mãe).
Pesquisa mostra redução da diferença entre os candidatos; na intenção de voto estimulada, senador registra 48%, contra 46% do presidente
Por Victor Schneider
O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, tem 51,2% dos votos válidos, contra 48,8% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, segundo pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado (17) sobre o segundo turno das eleições.
A diferença entre os candidatos é de 2,4 pontos percentuais. Considerando a margem de erro de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado configura empate técnico. Os votos válidos excluem os votos em branco, os nulos e os eleitores indecisos.
No levantamento anterior, divulgado em 10 de outubro, Flávio tinha 52,7% dos votos válidos, enquanto Lula registrava 47,3%. Na comparação entre as duas rodadas, o senador oscilou 1,5 ponto percentual para baixo, e o presidente, 1,5 ponto para cima.
Intenção de voto espontânea e estimulada
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados previamente, Flávio Bolsonaro aparece com 47% das citações, enquanto Lula tem 44%. Na rodada anterior, os percentuais eram de 48% e 43%, respectivamente.
Já 3% disseram não escolher nenhum dos candidatos, votar em branco ou anular o voto, enquanto 5% não souberam ou não responderam.
Na pesquisa estimulada, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos como opções de resposta, Flávio registra 48% das intenções de voto, contra 46% de Lula. No levantamento anterior, o senador tinha 49%, e o presidente, 44%.
O levantamento também registra 3% de eleitores que afirmam não votar em nenhum dos candidatos, votar em branco ou anular o voto. Outros 3% não souberam ou não responderam.
Metodologia
A pesquisa Ipespe/Abrapel entrevistou 1.500 eleitores de todo o país entre os dias 13 e 15 de outubro. O intervalo de confiança é de 95,45%.
O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00223/2026.
Candidato do PL afirmou que mudou de posição sobre o tema após ouvir trabalhadores durante viagens pelo Brasil
Por André Barbeiro
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (16), durante sabatina na TV Globo, que mudou de posição sobre o fim da escala de trabalho 6x1 após ouvir trabalhadores durante viagens pelo Brasil. O parlamentar também declarou que não pretende tentar reverter o fim do modelo.
“Resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou Flávio, ao explicar o motivo da mudança de posicionamento.
Segundo o senador, as conversas que teve ao longo de suas viagens pelo país mostraram apoio ao encerramento da jornada que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Ele afirmou que sempre defendeu maior liberdade nas relações trabalhistas e citou como exemplo a situação de mães solo que enfrentam dificuldades para conciliar o emprego com os cuidados dos filhos.
“Com essa escala 6x1 engessada, não conseguia um emprego”, disse, ao mencionar as dificuldades de quem não tem com quem deixar as crianças.
Apesar de defender o fim da escala, Flávio ponderou que a redução dos dias trabalhados não resolveria, por si só, outros problemas enfrentados pelos brasileiros. Durante a sabatina, ele mencionou a insegurança no transporte público e as dificuldades financeiras de trabalhadores que não conseguem fazer o salário durar até o fim do mês.
“Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais”, declarou.
Na sequência, questionou se um dia adicional de folga seria suficiente para mudar a realidade de quem enfrenta assaltos no transporte público e chega ao fim do mês sem dinheiro.