Resultado foi influenciado pela alta nos preços da carne e do feijão; SP registrou a cesta mais cara

 

 

Por Camila Stucaluc

 

 

O valor da cesta básica subiu em 14 das 27 capitais brasileiras em fevereiro. É o que aponta a pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que contabilizou as principais altas Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%).

 

No mês, São Paulo foi a capital onde a cesta básica registrou o maior valor (R$ 852,87), seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98) e Florianópolis (R$ 797,53). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 562,88), Porto Velho (R$ 601,69) e Maceió (R$ 603,92).

 

 

Segundo o levantamento, o aumento no valor da cesta básica foi provocado pela alta nos preços da carne bovina de primeira e do feijão. Os demais itens, como óleo de soja, açúcar, café em pó, arroz e leite integral, registraram queda no período.

 

Cesta básica x salário mínimo

 

Quando comparado o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, verifica-se que o trabalhador comprometeu, em média, 46% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos em fevereiro. O número representa uma pequena queda em relação ao mesmo período de 2025, quando o percentual ficou em 51%.

 

Com base na cesta mais cara, a de São Paulo, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas em fevereiro de 2026 deveria ter sido de R$ 7.164,94ou 4,42 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621. No mesmo período de 2025, quando o piso mínimo era de R$ 1.518, o valor necessário ficou em R$ 7.229,32 ou 4,76 vezes o valor vigente na época.

 

 

Posted On Terça, 10 Março 2026 06:04 Escrito por

 

Presidente e relator da CPI fazem críticas duras ao STF por decisões que, avaliam, são 'absurdas' e visam comprometer investigação parlamentar

 

 

Por Vinícius Valfré e Gustavo Côrtes

 

 

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira, 9, que solicitou à Advocacia do Senado um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro Flávio Dino que anulou a votação do colegiado que aprovou, em 26 de fevereiro, 87 requerimentos de quebras de sigilos e convocações de investigados.

 

Ao estender os efeitos de uma decisão favorável à empresária e lobista Roberta Luchsinger, Dino anulou a aprovação de todas as quebras de sigilo aprovadas pela comissão criada para investigar esquema de fraudes em descontos associativos e consignados.

 

 

Com isso, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não enviou os relatórios de inteligência financeira que mostram transações suspeitas de pessoas e empresas investigadas.

 

Entre os dados bancários que acabaram barrados, os dos empresários Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

A CPI mira empréstimos consignados do Master e a relação de Lulinha e Roberta com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como personagem central do esquema de descontos ilegais a aposentados.

 

O prazo de funcionamento da CPI termina em 28 de março. A suspensão da remessa dos dados de transações financeiras, na avaliação de parlamentares, atrapalha o andamento dos trabalhos.

 

Os depoimentos previstos para a reunião desta segunda-feira foram cancelados depois que as testemunhas apresentaram justificativas de compromissos previamente agendados ou decidiram não comparecer com base no entendimento de que a decisão de Flávio Dino tornou sem efeito os requerimentos aprovados no dia 26 do mês passado.

 

Dino frisou, em decisão do dia 5 de março, que os 87 requerimentos aprovados dias antes não poderiam ter sido votados em bloco como ocorreu. Deveriam ter sido apreciados individualmente.

 

"Essa decisão é um absurdo. É uma decisão que interfere nas prerrogativas do parlamento e das comissões, que há anos votam dessa maneira. Ali não houve nenhuma inovação, nenhuma invenção", afirmou Carlos Viana.

 

O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que o STF tem adotado parâmetros diferentes de entendimentos anteriores sobre os trabalhos de CPIs por medo de as investigações chegarem no que chamou de "antessala do presidente da República".

 

"Vamos deixar claro: a Justiça do Brasil, por meio do Supremo Tribunal Federal, está com uma medida certinha para beneficiar determinadas pessoas".

 

Gaspar também fez referência à revelação de que Moraes trocou mensagens com Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro.

 

"O Brasil está indignado porque vazaram, me desculpe, presidente, uma putaria de Vorcaro. Mas Vorcaro e quem? Não é com ele e a namorada, não. A safadeza está do outro lado. Esse homem (Alexandre de Moraes) que está aqui se transformou em herói no Brasil. Esse homem salvou a democracia, segundo alguns dizem. Esse homem é o juiz mais importante do Brasil. Palmas para ele. Mas, minha gente, uma coisa não tem nada a ver com a outra", complementou.

 

Sem depoimentos, a sessão da CPI virou uma reunião para debates. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que Moraes "deveria estar preso". O vice-presidente da comissão, Duarte Jr. (PSB-MA), disse que "foi descoberto um absurdo" e que quem deveria julgar "está fazendo em nome dos próprios interesses".

 

"Quem deve explicações é quem trocava mensagem e participava de encontros com investigado", disse Duarte.

 

 

Posted On Terça, 10 Março 2026 05:42 Escrito por

Caso as quebras de sigilo levem o caso a Dias Toffoli, caso terá que ser repassado para investigação do STF

 

 

Por Caio César

 

 

 

A Polícia Federal apura supostos crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, cujo familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, foram sócios via empresa Maridt.

 

Para rastrear os possíveis crimes, a PF pretende realizar análises a partir de quebras de sigilo sobre fundos que têm conexão com o Banco Master e, mesmo que indiretas, com o Tayayá. Também serão solicitados Relatórios de Inteligência Financeira ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre eventuais transações atípicas.

 

 

O principal fundo investigado é o Arleen, que está entre os utilizados pelo Master nas fraudes descobertas, foi o comprador da participação de familiares de Toffoli no resort.

A ligação do fundo Arleen vai além. Seu cotista é o fundo Leal, que por sua vez tem como cotista o advogado Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro preso na última quarta-feira (4) ao ser apontado nas investigações como operador do esquema.

 

Toffoli pode ser formalmente investigado?

Por ser um ministro do Supremo, Toffoli não pode ser diretamente investigado pela PF. Caso a organização encontre alguma suspeita de irregularidade que exija aprofundamento, terá que enviar um documento apontando os achados ao ministro André Mendonça, atual relator dos inquéritos envolvendo o Banco Master no STF.

 

Neste caso, a abertura de investigação caberá ao próprio STF com o auxílio da Procuradoria-Geral da República.

 

Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em 12 de fevereiro. O ministro era alvo de um pedido de suspeição, que foi arquivado dias depois, pela proximidade entre familiares e envolvidos na investigação.

 

 

Posted On Segunda, 09 Março 2026 13:56 Escrito por

Ele afirmou ter sido impedido de seguir viagem após ser questionado sobre sua prisão durante da Ditadura Militar

 

 

Com O Antagonista

 

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no governo Lula Franklin Martins (foto, ao centro) afirmou ter sido impedido de seguir viagem para a Guatemala após ser retido por autoridades migratórias no aeroporto da Cidade do Panamá. Segundo ele, o episódio ocorreu na madrugada de 6 de março durante uma conexão aérea.

De acordo com relato divulgado pelo ex-ministro, ele havia deixado o Aeroporto Internacional do Galeão em um voo da Copa Airlines com destino final à Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário na Universidade Rafael Landívar.

 

Martins afirmou que, ao desembarcar no aeroporto panamenho para fazer conexão, por volta das 6h, foi abordado por policiais à paisana que verificavam passaportes dos passageiros. Após entregar o documento, ele disse ter sido conduzido a uma sala reservada para uma entrevista.

Segundo o ex-ministro, no local ele foi orientado a preencher um formulário com dados pessoais e responder perguntas sobre a viagem. Ele afirma que apresentou documentos que comprovavam sua participação no seminário e que também teve fotografias tiradas e impressões digitais coletadas.

 

Durante a entrevista, relatou ter sido questionado sobre uma prisão ocorrida em 1968, em Ibiúna. Martins disse ter informado que a detenção ocorreu durante a ditadura militar brasileira e que se tratava de prisão por motivos políticos.

Após cerca de 20 minutos aguardando sozinho, o ex-ministro afirmou ter sido informado por outro agente de que não poderia seguir viagem para a Guatemala e seria deportado ao Brasil. Segundo ele, as autoridades mencionaram a lei migratória panamenha de 2008, que restringe a entrada ou trânsito de estrangeiros que tenham cometido crimes considerados graves.

 

Martins afirmou ter solicitado contato com a embaixada brasileira, mas disse que o pedido foi negado sob o argumento de que se tratava de uma decisão soberana das autoridades do país.

 

Ele relatou ainda que permaneceu por cerca de quatro horas em uma sala da área de migração do aeroporto até ser conduzido ao portão de embarque de um voo de retorno ao Rio de Janeiro. O passaporte, segundo ele, teria sido entregue à tripulação da aeronave e devolvido apenas após a chegada ao Brasil, quando foi encaminhado a um posto da Polícia Federal no aeroporto.

 

 

Posted On Segunda, 09 Março 2026 04:45 Escrito por

O Datafolha testou cinco cenários para o pleito de primeiro turno e sete para o de segundo. Lula segue à frente em todos, mas sua vantagem está em queda

 

 

Cpm Estadão

 

 

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou no campo oposto ao do presidente Lula (PT) na disputa presidencial deste ano, aponta o Datafolha. O senador fluminense se aproxima do petista nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do rival.

 

Na centro-direita, o governador Ratinho Jr. (PR) é o nome mais bem colocado entre os três lançados pelo PSD de Gilberto Kassab, mas muito distante do pelotão da frente na corrida.

A nova pesquisa é a primeira feita pelo instituto desde que Flávio foi lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a partir da cadeia. Recebida inicialmente com ceticismo, dada a preferência do centrão pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a pré-candidatura se firmou.

 

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

 

A cristalização de Flávio é visível quando o instituto pergunta a intenção de voto espontânea do eleitor, sem apresentar nomes. Ele não era citado na rodada anterior, de dezembro passado, e agora surge com 12%. Lula oscilou de 24% para 25%, e o próximo candidato citado é o inelegível Bolsonaro, com 3%.

O Datafolha testou cinco cenários para o pleito de primeiro turno e sete para o de segundo. Lula segue à frente em todos, mas sua vantagem está em queda.

 

Na primeira rodada, ele marca 38% ou 39% sempre –há um improvável cenário com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) como nome do PT, marcando aí 21% ante 33% de Flávio. O senador do PL-RJ, por sua vez, flutua de 32% a 34% nos embates com Lula. Tarcísio, ainda testado, já escorrega para 21%.

 

No cenário hoje mais provável, Lula tem 38% ante 32% de Flávio. Ratinho Jr. vem a seguir com 7% e o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), com 4%. Depois vêm Renan Santos (Missão, 3%) e Aldo Rebelo (DC, 2%). Rejeitam todos os candidatos 11%, e 3% dizem não saber em quem votar.

 

A jogada de Kassab de unir três postulantes do PSD e escolher um, por ora, não vingou para ameaçar Flávio. Ratinho Jr. vai melhor, de toda forma, que os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).

 

No cenário mais provável, com Flávio e Lula, o presidente mantém uma distribuição homogênea entre os estratos socioeconômicos, repetindo os destaques usuais: nordestinos, católicos, pessoas menos instruídas e que ganham menos –neste segmento, dos que ganham até 2 salários mínimos, tem 42% (margem de erro de três pontos).

 

Já o filho de Bolsonaro se destaca entre evangélicos, sulistas e moradores do Norte/Centro-Oeste, redutos que foram do seu pai. Sua melhor pontuação, 48%, é entre os 28% de evangélicos da amostra, estrato com margem de erro de quatro pontos.

 

Reforçando a polarização há a rejeição. Acumulando quase três mandatos completos, Lula marca 46% de pessoas que dizem que nunca votariam nele. Já Flávio, neófito em disputas nacionais, chega carregando o peso do sobrenome: 45% dizem rejeitá-lo liminarmente.

 

Ambos também são amplamente conhecidos: só 1% nunca ouviu falar de Lula e 7%, do senador. Aqui há alguma boa notícia para Ratinho Jr., que só tem 19% de rejeição e 38% de desconhecimento.

 

Concorrem para o cenário turvo para o petista hoje as nuvens que congestionam o céu da política brasileira. O escândalo do Banco Master por ora tem poupado o núcleo do governo, mas a percepção de corrupção acaba colocada na conta dele.

 

Além disso, o foco no ministro do Supremo Alexandre de Moraes, visto como algoz do ex-presidente por seu papel na investigação e julgamento da trama golpista, favorece Flávio. Mas só até certo ponto, dado que até aqui o entorno de Bolsonaro é mais citado no caso –a começar pelo ex-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP).

 

Outro escândalo, o do INSS, atinge não só o governo em si, mas o presidente: seu filho Fábio Luís está cada vez mais enrolado devido à sua ligação a um personagem central do caso, e os pesquisadores do Datafolha estavam em seu último dia de coleta de dados quando emergiu a movimentação de sua conta bancária.

 

Há incertezas econômicas também, a que se somam as dúvidas em torno do impacto da guerra no Oriente Médio. Ainda que, como se diz proverbialmente em Brasília, “o povo não come PIB”, a perda de fôlego do indicador em 2025 devido às altas taxas de juros pode aumentar o azedume com o governo, particularmente na classe média, cujo consumo das famílias tem caído.

 

Também contribuem fatores mais intangíveis, como a celeuma em torno da homenagem feita pela rebaixada Acadêmicos de Niterói ao presidente no Carnaval.

 

A gordura acumulada no segundo semestre de 2025, oriunda da bem-sucedida campanha pela soberania no embate com Donald Trump, da conquista da simpatia do americano e da prisão de Bolsonaro, secou por ora.

 

 

Posted On Domingo, 08 Março 2026 03:48 Escrito por
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