Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O processo sucessório das eleições estaduais em Tocantins caminha para um segundo turno inevitável, assim como a disputa presidencial. Nesse cenário, a senadora e candidata ao governo do Estado, Prof. Dorinha Seabra, enfrenta um dilema político que pode definir os rumos de sua campanha.
RESULTADOS DAS PESQUISAS NO TOCANTINS

Outro grande imbróglio dos diversos institutos de pesquisas de intenção de votos para presidente da República em território tocantinense é a divergência nos resultados. A maioria aponta para o presidenciável Flávio Bolsonaro uma pequena frente, enquanto outros dão ao presidente Lula, candidato à reeleição, uma vantagem mínima. Os dois estão tecnicamente empatados no Estado. Tomar uma decisão errada pode custar as chances de vitória no segundo turno.
APOIO DA DIREITA BOLSONARISTA

De um lado, Dorinha conta com o apoio de parlamentares e lideranças ligadas à direita bolsonarista, como o senador Eduardo Gomes, presidente do PL tocantinense e ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso, o deputado federal Eli Borges, identificado como político 100% bolsonarista, além do deputado Felipe Martins e prefeitos e empresários do agronegócio. Todos esses nomes defendem abertamente a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que aparece tecnicamente empatado no primeiro turno e com vantagem projetada no segundo.
LIGAÇÃO HISTÓRICA COM O PT

Por outro lado, Dorinha também possui vínculos históricos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi vice-líder no Senado. Em Tocantins, o PT mantém forte presença, com a ex-senadora Kátia Abreu atuando como coordenadora política da campanha de Dorinha, o ex-deputado estadual Paulo Mourão disputando o Senado com apoio direto de Lula, além de outros nomes tradicionais do partido, como o ex-deputado federal Célio Moura. Em um movimento inesperado, o PT tocantinense declarou apoio à candidatura ao governo de Laurez Moreira, criando um casamento político repentino que pode influenciar decisivamente o segundo turno.
ENTRE DOIS CAMINHOS

Nesse contexto, Dorinha terá de escolher entre duas caravanas presidenciais: Flávio Bolsonaro e a direita bolsonarista ou Lula e o PT. A decisão terá um preço político e consequências diretas em sua campanha, já que não há espaço para neutralidade quando o jogo é simultaneamente estadual e presidencial.
COMISSÃO DE CRISE E DECISÃO ESTRATÉGICA

Será fundamental que a senadora crie uma comissão de crise para avaliar sua posição e definir a estratégia no segundo turno. A escolha entre apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro pode ser o ponto decisivo para consolidar sua candidatura ou, ao contrário, naufragar sua trajetória política. Até o momento, nenhum dos principais candidatos ao governo aparece com chances reais de vitória no primeiro turno, e alimentar a militância com essa expectativa pode gerar frustração e clima de derrota caso o resultado não se confirme.
Cantor estava a bordo da aeronave com o empresário Bruno Avelar; equipes de busca foram mobilizadas na região de Urubici
Por Aline Teixeira
O cantor Rick, da dupla sertaneja Rick & Renner, está desaparecido após o helicóptero em que viajava perder contato nesta segunda-feira (21), na região de Urubici, na Serra de Santa Catarina. O artista estava acompanhado do empresário e palestrante Bruno Avelar. A informação foi confirmada pela assessoria do cantor ao portal Leo Dias.
Segundo informações divulgadas até o momento, a aeronave seguia viagem quando perdeu o sinal e o contato por rádio. O último ponto informado fica na região de Vacas Gordas, em Urubici. Equipes de busca e salvamento foram mobilizadas para localizar o helicóptero e os ocupantes.
Informações divulgadas por veículos locais apontam que a aeronave teria decolado de Balneário Camboriú com destino a São Joaquim. O helicóptero é associado à JTA Empreendimentos e Urbanismo, empresa relacionada ao projeto Ecossistema Neymar Jr.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a localização da aeronave ou sobre o estado de saúde dos ocupantes. Também não está confirmado que tenha ocorrido uma queda. As circunstâncias do desaparecimento ainda são apuradas pelas autoridades.
A região da Serra catarinense registrou condições meteorológicas adversas nesta segunda-feira, com chuva forte. No entanto, ainda não há confirmação de que o mau tempo tenha relação com o desaparecimento da aeronave.
Levantamento mostra rejeição em todas as áreas; o controle dos gastos públicos é o setor que causa maior insatisfação entre os brasileiros hoje
Com Agência Estado
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é mal avaliada em todas as áreas de atuação, aponta pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta segunda-feira (21/9). O levantamento mostra que o petista tem mais menções negativas do que positivas em todos os quesitos analisados.
O controle de gastos públicos é a área com pior avaliação. Para 24% dos entrevistados, a gestão é ótima ou boa no assunto, enquanto 54% a consideram ruim ou péssima.
O combate à inflação é visto de forma positiva por 25% das pessoas, enquanto 51% avaliam a atuação do presidente como ruim ou péssima. Índices semelhantes foram registrados na avaliação da segurança pública.
A educação é a área mais bem avaliada do governo, com 35% dos entrevistados a considerando ótima ou boa. Ainda assim, 41% julgam o setor como ruim ou péssimo. Em seguida, o combate à fome e à pobreza registra o segundo melhor índice, com 34% de ótimo ou bom e 43% de ruim ou péssimo.
Na avaliação geral, o governo Lula é tido como ruim ou péssimo por 43% dos entrevistados. Outros 33% o avaliam como ótimo ou bom, e para 23%, a gestão federal é regular.
As áreas de combate ao desemprego, meio ambiente e política externa registraram as maiores quedas na avaliação em relação à pesquisa anterior, de junho. Nos três quesitos, a percepção negativa cresceu cinco pontos percentuais.
Já o controle dos gastos públicos, pior índice da gestão, teve uma melhora. Houve um crescimento de 4% entre os que consideram a atuação do governo boa ou ótima no tema.
A pesquisa Ipsos/Ipec realizou 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios do país entre os dias 9 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%.
Mudança pode elevar alíquota e base de cálculo do ITCMD, mas especialistas alertam para riscos de antecipar a sucessão patrimonial
Com Exame.com
A reforma tributária poderá mexer com o bolso das famílias de alta renda. Isso porque há a expectativa que o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) — aquele cobrado sobre doações e herança — fique mais caro. Neste sentido, as famílias estão correndo contra o tempo para doar imóveis, pelo menos é o que mostram os números do Colégio Notarial do Brasil (CNB).
Em 2023, haviam 160.860 registros de doações de propriedades, enquanto em 2024 esse número saltou para 174.493. Em 2025, recorde da série histórica, haviam 185.861 registros, um crescimento de 15%. “Muitas famílias que já pensavam em organizar seus bens decidiram antecipar a doação por receio de que o imposto fique mais caro”, diz Letícia Faria, diretora do CNB de São Paulo.
Neste ano, porém, até 1º de setembro haviam 99.688. “Não acho que o medo tenha acabado”, afirma Faria. Segundo ela, uma parte das famílias antecipou a decisão e fez a doação no ano passado. Outra parte está esperando para entender como os estados vão definir as novas alíquotas. “Além disso, ainda é cedo para afirmar que 2026 não terá um novo recorde, porque muitos atos costumam acontecer no segundo semestre”, continua.
Entram em jogo as gestoras de patrimônio. Com cerca de R$ 1,7 bilhões sob gestão de 60 famílias, a Reach Capital diz atuar na “linha de frente” com esse público de alta renda — com patrimônio acima de R$ 30 milhões.
“A gente faz aqui, para todo cliente, um processo de entender o que ele tem fora da carteira de investimentos. Muitas pessoas têm lá X dinheiro para investir no banco, mas às vezes têm 10X em participações societárias, em imóveis, em outras coisas”, diz Thiago Picanço, sócio e head de Wealth Management da Reach Capital.
Neste sentido, o que a casa tem percebido é que, sim, há uma preocupação com o aumento do imposto. “O investidor vê no jornal que está mudando o ITCMD. Se a gente ainda não falou com ele, ele vem falar com a gente. Então, estamos vendo muito movimento nessa frente para tentar reduzir as alíquotas de imposto. Ninguém gosta de pagar imposto”, comenta.
O imposto de herança vai aumentar?
O ITCMD é um imposto estadual (estados e Distrito Federal) que incide sobre duas situações: a transmissão causa mortis (herança, ou seja, o patrimônio que a pessoa deixa ao morrer) e a doação de quaisquer bens ou direitos. Ou seja: quem recebe um bem por herança ou doação paga o imposto (em regra, o contribuinte é o herdeiro ou o donatário).
Hoje, cada estado legisla de forma própria, dentro de um limite máximo definido pelo Senado Federal, que é de 8%. Há estados em que a alíquota é fixa, como São Paulo (4%), e há outros que a alíquota pode ser progressiva, de acordo com o valor do quinhão, do legado ou da doação, como o caso do Rio de Janeiro.
“Outra característica relevante do regime atual é que a base de cálculo varia muito. Em muitos estados, imóveis eram tributados pelo valor venal de referência (aquele usado para o IPTU, quase sempre abaixo do valor real de mercado), e participações societárias pelo valor patrimonial contábil’, explica Raul Iberê Malagó, sócio do M&A/Law.
Meu pai faleceu e sua 'companheira' forjou documentos para ficar com a casa. E agora?
Esse é um dos pontos que mais mudam. Com a reforma tributária, o imposto passará a ser calculado sobre o valor de mercado. Como exemplo, um imóvel no Rio de Janeiro com o valor venal de R$ 700 mil, mas o valor de mercado de R$ 2 milhões, agora contará este último. “Hoje, tributado pela base venal, o imposto seria menor; com a base a mercado, ele pagará mais e, dependendo da faixa, a alíquota aplicada também sobe.”
Participações societárias também entram na regra: quotas e ações de empresas fechadas eram frequentemente tributadas pelo valor patrimonial contábil (patrimônio líquido). A lei agora exige avaliação a valor de mercado, admitindo metodologias como fluxo de caixa descontado. Uma empresa com R$ 2 milhões de patrimônio contábil, mas com geração de caixa que justifique R$ 8 milhões de valor de mercado, tem a base multiplicada por quatro.
Para além disso, a alíquota também pode subir, já que agora haverá a obrigatoriedade da progressividade até o teto de 8%, em vez de alíquotas fixas.
“Como funciona na prática: o imposto passa a ser calculado por faixas, no modelo do Imposto de Renda. A Lei prevê expressamente que o valor da base de cálculo é enquadrado na faixa inicial e, 'naquilo que exceder', nas faixas subsequentes. As faixas e os percentuais de cada estado, porém, serão definidos por Lei estadual”, comenta Malagó.
Há ainda o efeito combinado: nos estados progressivos, a base maior também "empurra" o contribuinte para faixas de alíquota mais altas. O aumento do imposto é duplo: mais base e percentual maior. Entram na nova regra imóveis, veículos, joias, obras de artes, participações societárias, dinheiro, aplicações financeiras, ou sejam “quaisquer bens e direitos”.
A aplicação das novas regras, porém, ainda depende de cada estado. Os governos estaduais terão de adaptar suas leis para definir como será a cobrança do imposto, incluindo as faixas de alíquotas e as isenções. Essas mudanças também precisam respeitar um prazo mínimo de 90 dias e, em regra, só podem começar a valer no ano seguinte à aprovação. Na prática, portanto, as novas regras devem começar a ter impacto para os contribuintes a partir de 2027.
Antecipar ou não a doação de imóveis?
Roberto Freitas, sócio e head da área de Wealth Planning da G5 Partners, com R$ 45 bilhões sob gestão, conta que há uma demanda muito grande por parte do público de alta renda para entender o que pode mudar. “Não necessariamente para partir para a implementação, mas para entender: ‘Essa alteração iminente do ITCMD, eu tenho algo a fazer aqui?’”, diz.
Em consenso, os especialistas ouvidos pela Exame respondem: depende. “Se você fizer uma conta puramente matemática, essa antecipação faz todo sentido”, destaca Picanço. Entretanto, segundo Freitas, a economia tributária não pode ser o único fator na decisão de seguir ou não com uma doação. “O planejamento patrimonial precisa de outros elementos para ficar de pé. A eficiência tributária é só um deles.”
Para Mari Emmanouilides, sócia-diretora de Wealth Management da Galapagos Capital, enfatiza: tudo depende. Uma família que tem filhos menores de idade, por exemplo, pensar em fazer o planejamento sucessório agora, talvez não faça sentido. “Pode sair mais caro lá na frente? Pode. Mas tudo é muito dinâmico. Agora, para quem está numa faixa etária de 60 anos ou mais, já pensamos que faz sentido.”
Outra questão a ser analisada é a liquidez. Antecipar o imposto agora significa retirar do dinheiro disponível um valor que não estava previsto e que, dependendo, pode ser necessário. “É muito complicado pegar, por exemplo, uma família em que 90% do patrimônio são imóveis. A conta do imposto vai ser tão grande que compromete toda a liquidez da família”, ressalta Picanço.
Uma família que tem um imóvel de R$ 10 milhões, pagaria agora, em São Paulo, R$ 400 mil. Caso a alíquota progressiva chegue a 8%, esse imposto dobraria. Sendo assim, antecipar a doação parece a escolha ideal, porém “as pessoas não querem tirar do bolso o dinheiro que têm na conta para pagar um imposto que elas têm a opção de não pagar hoje”, diz Picanço — e a regra pode mudar. “Problema para o futuro”, afirma o especialista.
Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (21/9) aponta Lula com 40% no primeiro turno e 46% no segundo, enquanto Flávio registra 37% e 45%, respectivamente
Por João Victor Rodrigues
A 15ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (21/9), indica um cenário de equilíbrio na corrida presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) tanto no primeiro quanto no segundo turno, mas as diferenças estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula tem 40% das intenções de voto, contra 37% de Flávio.
Na simulação de segundo turno entre os dois, o petista soma 46%, enquanto o senador alcança 45%. O resultado também configura empate técnico. Na rodada anterior, divulgada em 14 de setembro, Flávio tinha 46% e Lula, 47%. O levantamento atual ainda mostra empate entre Lula e Augusto Cury (Avante), com 45% para o presidente e 43% para o escritor, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) avançou quatro pontos e chegou a 45%, mesmo percentual de Lula.
Nas demais disputas de segundo turno, Lula aparece com 47% contra 41% de Romeu Zema (Novo) e com 47% diante de 39% de Renan Santos (Missão). No primeiro turno, Augusto Cury mantém 6% e ocupa a terceira colocação, enquanto Caiado aparece com 5%. Os números fazem parte de uma sequência recente de levantamentos da BTG/Nexus que tem registrado oscilações pequenas entre os principais nomes da disputa.
Encomendada pelo BTG Pactual e realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, da FSB Holding, a pesquisa entrevistou 2.006 eleitores por telefone entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00485/2026.