Com o argumento de preservar a privacidade do empresário, sua defesa não deu detalhes sobre as atividades econômicas exercidas por Lulinha na Europa

 

 

POR BRUNO RIBEIRO E JÚLIA BARBON

 

 

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), afirma que a empresa que ele abriu em Madri, na Espanha, em janeiro de 2026 é legítima, mas não está em operação. A abertura ocorreu quando as investigações sobre a fraude no INSS já estavam em curso.

 

Com o argumento de preservar a privacidade do empresário, sua defesa não deu detalhes sobre as atividades econômicas exercidas por Lulinha na Europa. Questionada sobre como ele se mantém no exterior, a defesa afirmou que ele trabalha e recebe renda como pessoa física, mas sem expor com quem ou em que tipo de contrato. Suas empresas no Brasil estão inativas e a nova companhia ainda não opera.

 

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori, que defendem Lulinha, afirmaram também que o registro da companhia ocorreu em total acordo com a legislação espanhola, mas que ela faz parte de um projeto futuro de o filho de Lula empreender no país.

 

Carvalho disse que a mudança de Lulinha para o exterior não trará consequências para a investigação das fraudes no INSS e que, caso o ministro do STF André Mendonça, relator do caso, entenda que o empresário precisa dar esclarecimentos, ele virá ao Brasil.

 

“Não há nenhuma irregularidade, o Fábio deixou o Brasil com o objetivo de viver em Madri, onde está criando seus filhos, matriculou-os numa escola, e vive uma vida absolutamente tranquila”, disse.

 

Carvalho disse que Lulinha “não pretende dar esclarecimentos sobre a prestação de serviços que ele tem com o escritório de advocacia”. “Não nos surpreende alguém ter ido lá perguntar [sobre Lulinha]. Quem disse que ele trabalha lá? Uma coisa é trabalhar com esse escritório, outra é trabalhar naquela unidade”, complementou.

 

O escritório Monereo Meyer Abogados é especializado em assessorar empresas estrangeiras na Espanha. O endereço registrado da Synapta SL, nome da firma aberta por Lulinha em janeiro de 2026, é o mesmo do escritório, que tem procuração para representar a empresa.

 

O advogado afirmou que a busca pela privacidade de Lulinha é resultado de feridas que persistem, decorrentes de fatos como a perda da mãe, Letícia Maria, e de um sobrinho durante a Operação Lava Jato, que resultou na prisão do presidente Lula -decisão posteriormente anulada pelo STF.

 

Poucas semanas antes de abrir a empresa em Madri, Lulinha transferiu a administração de suas empresas no Brasil para a mulher, Renata de Abreu Moreira. Carvalho afirmou que a transferência foi uma questão “meramente operacional, exatamente porque, agora, ele está desenvolvendo outra atividade”, e que a mudança foi feita seguindo os trâmites legais.

As empresas no Brasil não estão em funcionamento, segundo Carvalho, mas seguem abertas porque têm créditos a receber que estão sob discussão judicial.

 

 

 

 

Posted On Quarta, 18 Março 2026 07:22 Escrito por

Executiva Nacional reage ao crescimento da oposição nas pesquisas de intenção de voto e diz que eleitor vai “comparar projetos”

 

Por Eduardo Gayer

 

 

O PT reagiu ao crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto e aprovou a primeira resolução política da Executiva Nacional com críticas nominais ao pré-candidato à Presidência da República da oposição. No texto, o partido tenta associar Flávio — que deve ser o principal adversário nas urnas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — ao Caso Master.

 

A resolução diz que, nas eleições, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) representará um projeto “neoliberal” e que “trata a economia como instrumento para proteger privilégios”. “O escândalo do Banco Master é o retrato desse modelo. O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades”, afirma a Executiva Nacional. Procurada, a assessoria de imprensa de Flávio disse que não comentaria.

 

Há menos de uma semana, pesquisa Meio/Ideia mostrou que 21,3% da população associa o escândalo em torno do banqueiro Daniel Vorcaro ao governo federal, percentual superior às menções ao Congresso (17,9%) e inferior apenas às citações ao STF (35%). O Palácio do Planalto assustou-se com o resultado e vai reforçar o movimento de jogar o escândalo no colo da oposição, em linha com a postura assumida pelo PT.

 

“O banco manteve relações estreitas com setores da direita brasileira e com governos alinhados ao bolsonarismo”, argumenta a resolução. “Não se trata de um episódio isolado, mas de um sistema de relações promíscuas entre operadores políticos”.

 

O documento repete o discurso palaciano de que o Caso Master foi descoberto pelo próprio governo Lula em virtude da autonomia das instituições de controle. O dono do Master, Daniel Vorcaro, está preso preventivamente por determinação do STF e a instituição foi liquidada pelo Banco Central.

 

“Quando o povo brasileiro puder comparar de forma concreta esses dois projetos, o projeto democrático, popular e soberano liderado pelo presidente Lula e o projeto autoritário, neoliberal e subordinado da extrema direita, não temos dúvidas de qual caminho será escolhido”, sustenta ainda o partido do presidente da República, pré-candidato à reeleição.

 

Em uma longa resolução, o PT ainda compara entregas econômicas do governo Lula com o de Bolsonaro e defende o pacote de redução do preço do diesel, anunciado na semana passada como forma de amortecer os impactos da guerra no Irã.

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Posted On Terça, 17 Março 2026 13:33 Escrito por

Bianca Medeiros é irmã da esposa de Hugo Motta, Luana Motta

 

 

POR LUCAS MARCHESINI  (FOLHAPRESS)

 

 

A cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões com o Banco Master em março de 2024. O valor foi utilizado para comprar o terreno de uma antiga fábrica de cimento em João Pessoa (PB) que será loteado e transformado em um novo bairro.

 

Bianca Medeiros é irmã da esposa de Hugo Motta, Luana Motta. Em 8 de março de 2024, ela comprou todas as cotas da ETC Participações, cujo capital social era R$ 100 mil, de acordo com documentos da Junta Comercial de São Paulo.

 

Uma semana depois, em 15 de março, Bianca assinou um contrato de empréstimo com o banco de Daniel Vorcaro, dando as cotas da ETC como garantia. O último documento público da empresa, registrado na Junta Comercial da Paraíba em dezembro de 2024, listava o empréstimo a ser pago.

 

O crédito serviu para comprar, em abril de 2024, um terreno de mais de 400 hectares de uma fábrica de cimento desativada em João Pessoa, informou Bianca à reportagem por mensagem de texto. O espaço é quase o triplo do parque Ibirapuera, em São Paulo, e abrigará um novo bairro da capital paraíbana.

 

O valor pago pelo terreno foi de R$ 45 milhões, mas o valor fiscal dele é de R$ 101 milhões, de acordo com as matrículas do imóvel. O valor fiscal é calculado pela prefeitura e é utilizado para pagamento de impostos. Em outros casos verificados pela reportagem, essa cifra costuma ser menor do que o valor de mercado.

 

Os terrenos estão divididos em cinco matrículas. Uma delas foi comprada por uma subsidiária da ETC, que tem Bianca como única sócia, ao custo de R$ 14,8 milhões. As outras quatro tiveram valores pagos por outra empresa, a AJC, da qual Bianca tem 25% por meio da ETC.

Essa é a primeira conexão financeira entre uma pessoa ligada à família do presidente da Câmara e o Banco Master.

A cunhada de Hugo Motta disse, por meio de sua assessoria, que “o contrato de crédito mencionado pela reportagem foi celebrado em condições usuais de mercado, mediante garantias fiduciárias compatíveis com o valor da operação e com previsão de quitação no curso normal do contrato, conforme as cláusulas pactuadas entre as partes”.

 

Questionada, ela não informou o valor ou as condições de quitação.

 

“A escolha da instituição financeira decorreu exclusivamente de condições negociais e operacionais apresentadas à época da contratação”, acrescentou. “A operação foi realizada por empresa regularmente constituída e que não possui qualquer relação societária, comercial ou de gestão com o deputado Hugo Motta”.

 

Ela disse também “que integra família com décadas de atuação empresarial no estado da Paraíba, com investimentos realizados ao longo dos anos em diferentes setores da economia”.

 

Motta afirmou que “não possui nenhuma associação financeira direta com o Banco Master”. Ele acrescentou que não tem nenhuma relação societária com a ETC. A reportagem procurou a assessoria de comunicação de Vorcaro por mensagem de texto e por email, mas não houve resposta.

 

Bianca foi indicada por Hugo Motta para cargos comissionados no extinto Ministério da Cidadania na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na época, o presidente da Câmara era líder do Republicanos.

 

Ela foi assessora na Secretaria Nacional de Inclusão Social e Produtiva entre abril de 2021 e agosto de 2022, com salário de R$ 9.900. Depois disso, foi assessora no gabinete do ministro entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, com vencimentos de R$ 12 mil.

 

A pasta era comandada por João Roma, que era do mesmo partido de Motta. Ele deixou a sigla para entrar no PL em março de 2022 e concorrer ao governo da Bahia. No seu lugar ficou Ronaldo Bento, também filiado ao Republicanos.

 

De acordo com o currículo enviado por Bianca para o ministério à época, ela é formada em gestão hoteleira, com um MBA em gestão empresarial.

 

Antes de assumir o cargo na pasta, ela tinha como experiência cinco meses como supervisora de hospedagem no Vila Galé de Angra dos Reis e sete anos como analista administrativa na Fronteira Indústria e Comércio de Minerais. Bianca é sócia da Fronteira com Luana Motta, a esposa de Hugo Motta.

 

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicaram que o banqueiro e Motta jantaram juntos na residência oficial da Câmara após o parlamentar ser eleito para presidir a Casa, em fevereiro de 2025.

 

No fim de fevereiro deste ano, Motta descartou abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso. Ele também defendeu a atuação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli quando o magistrado era relator do processo.

 

A ETC era sediada em São José dos Campos (SP) na época em que Bianca a adquiriu, mas mudou para João Pessoa em outubro de 2024. Bianca vive na capital paraibana.

 

O nome da empresa vem das iniciais do dono anterior, Eduardo Teixeira Costa, que deixou a companhia após vendê-la para Bianca. Procurado, ele disse que não poderia falar sobre a ETC porque tinha vendido a companhia.

 

Em 14 de agosto de 2025, a ETC injetou R$ 8,6 milhões em outra empresa, a AJC Participações. Com a aplicação, a empresa da cunhada de Hugo Motta passou a deter quase 25% da AJC.

 

O restante é da Santa Helena, empresa sediada em Minas Gerais. O empresário brasiliense Rodrigo Rosa está registrado na Receita Federal como administrador da companhia.

 

Procurado pela Folha de S. Paulo por telefone no dia 4 de março, Rosa atendeu a ligação e pediu para entrar em contato novamente em 30 minutos. Depois disso, não atendeu mais em duas ligações no mesmo dia e mais duas ligações no dia 6 de março. Ele também não respondeu a mensagem enviada em 4 de março

 

 

 

Posted On Terça, 17 Março 2026 05:39 Escrito por

“Não é razoável dizer agora que essa circulação de recursos é ilícita. A gente vai ter que ter mais passos para constatar”, pondera Alessandro Vieira

 

 

Com 247 

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado teve acesso a documentos que indicariam transferências financeiras do Banco Master para contas de familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News.

De acordo com Vieira, os dados foram obtidos a partir da quebra de sigilo bancário das contas do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo o parlamentar, as informações apontam circulação de recursos envolvendo pessoas próximas aos magistrados do STF. O SBT News procurou o Supremo Tribunal Federal e os gabinetes dos ministros citados, mas informou que não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.

 

Durante a entrevista, o senador afirmou que as informações levantadas pela comissão indicariam movimentações financeiras consideradas atípicas. “A gente tem informação que aponta circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação de recursos é ilícita. Moralmente falando, é absolutamente reprovável. Juridicamente falando, a gente vai ter que ter mais passos para constatar”, declarou.

 

Alessandro Vieira também é autor do pedido de criação da chamada CPI Toga Master, proposta destinada a investigar diretamente a relação entre ministros do Supremo e Daniel Vorcaro, além de executivos ligados ao banqueiro.

 

Relações com empresas e contratos

Em manifestações recentes, o ministro Dias Toffoli confirmou participação societária na empresa Maridt Participações, da qual é sócio junto com seus irmãos. Segundo informações já divulgadas, a empresa realizou negócios com o fundo Arleen, administrado pela Reag Investimentos, instituição citada nas investigações envolvendo o Banco Master. Em nota, Toffoli negou qualquer envolvimento nas fraudes investigadas.

 

No caso do ministro Alexandre de Moraes, o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci, reconheceu ter sido contratado para atuar em processos de interesse do Banco Master. O escritório afirmou que a prestação de serviços jurídicos não tem relação com o Supremo Tribunal Federal. Sobre um contrato estimado em R$ 128 milhões, a defesa declarou que 15 advogados participaram das causas envolvendo o banco.

 

Ainda na entrevista, Vieira questionou a natureza da contratação do escritório ligado à esposa de Moraes. “Quando o Master contrata o escritório de advocacia da esposa do Alexandre de Moraes, está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviço correspondente aos valores recebidos? Até o momento, o indicativo é de que não”, afirmou.

 

Sobre o ministro Dias Toffoli, o senador acrescentou: “Sobre Toffoli, nós temos notícias conhecidas de que ele é sócio oculto de um fundo patrimonial e tem cotas no resort”.

 

Relatórios sob sigilo

Os documentos analisados pela CPI permanecem sob sigilo. Segundo Vieira, parte das informações foi obtida por meio de relatórios de inteligência financeira (RIF) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esses relatórios, explicou o parlamentar, não correspondem a extratos bancários completos, mas registram movimentações consideradas incomuns pelo sistema de monitoramento financeiro.

 

“Da Reag tem 200 laudas, do Banco Master tem 80 páginas. São muitas informações de ações e transferências de recursos totalmente atípicas ou suspeitas”, afirmou o relator.

 

Ele também citou situações que, segundo sua avaliação, podem se aproximar de irregularidades. “Quando um grupo de interesse paga uma viagem para um tomador de decisão está muito próximo da configuração da corrupção ativa”, disse.

 

Críticas ao Supremo e pressão política

Ao comentar as suspeitas levantadas pela investigação, Vieira fez críticas ao funcionamento da Suprema Corte. “O Supremo Tribunal Federal precisa de uma faxina e um código de ética”, declarou. Em outra passagem da entrevista, acrescentou: “Se fossem ministros de outros tribunais já teriam sido afastados”.

 

O senador também afirmou que a investigação sobre ministros do STF representa uma situação inédita no país. “Em todos poderes, nós já tivemos apurações e punições quando os fatos são comprovados. O que é inédito é fazer apuração no tocante a ministro do Supremo. Mas aquela toga preta não é uma toga de impunidade. Aquela toga preta simboliza na verdade, a justiça. E justiça, na sua essência, ela tem que ser acreditada pela população”.

 

Contexto da investigação

A CPI do Crime Organizado foi instalada em novembro de 2025 com o objetivo de investigar a atuação de facções criminosas no Brasil, incluindo seus mecanismos de financiamento. No entanto, como a investigação de ministros do STF não fazia parte do escopo original da comissão, um grupo de 38 senadores apresentou requerimento para a criação de uma CPI específica voltada a esse tema.

 

As apurações têm intensificado o clima de tensão entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, além de alimentar pressões políticas relacionadas a pedidos de impeachment de ministros da Corte.

 

 

Posted On Segunda, 16 Março 2026 13:50 Escrito por

A Justiça Federal proibiu o governo do Distrito Federal de realizar um aporte no Banco de Brasília (BRB) usando imóveis públicos para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master na instituição

 

 

Por Daniel Weterman

 

 

A decisão atende um pedido de políticos do PSB, incluindo o presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Ricardo Cappelli, e o deputado Rodrigo Rollemberg (DF).

 

O despacho foi assinado pelo juiz Daniel Carnacchioni nesta segunda-feira, 16 e impede a aplicação de trechos centrais do projeto proposto pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) e aprovado pela Câmara Legislativa do DF no dia 3. Procurados, BRB e governo do DF ainda não se manifestaram.

 

Entre as ações impedidas pela decisão, estão o uso de nove imóveis oferecidos pelo governo para reforçar o capital do BRB, com a transferência dos bens para o banco, a oferta dos imóveis como garantia em um empréstimo e a criação de um fundo imobiliário com os terrenos.

 

A decisão não interfere na gestão interna do BRB. O banco mantém o direito de realizar sua assembleia geral, marcada para quarta-feira, 18, e seus órgãos de controle podem continuar propondo estratégias para estancar a crise de liquidez, desde que as medidas não envolvam a execução imediata dos atos previstos na lei.

 

A ação derruba a principal estratégia do governo distrital para cobrir o “buraco” deixado pela crise do Master no BRB, calculado em aproximadamente R$ 8 bilhões. O BRB não conseguiu vender carteiras do banco de Daniel Vorcaro e o uso de imóveis era apontado como o “plano B” pela administração.

 

Os imóveis seriam usados para a constituição de fundo imobiliário e como garantia de um empréstimo de R$ 3,3 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Como a decisão é de primeira instância, o governo poderá recorrer.

 

Juiz entende que oferta de imóveis compromete patrimônio do DF e de estatais

A lei aprovada oferece nove imóveis para serem usados na capitalização do BRB. Como o Estadão mostrou, um dos imóveis tem um problema jurídico e outro está em uma área de preservação ambiental. O governo não apresentou laudos atualizados sobre os valores dos imóveis e nem realizou estudos demonstrando os impactos da medida, e apenas estimou que os imóveis tenham um valor de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.

 

Segundo o juiz, a lei autoriza o desfalque de bens de empresas como Terracap, CEB, Caesb e Novacap - instaladas em terrenos oferecidos para o BRB - sem qualquer estudo prévio de impacto nos serviços públicos que elas prestam. Além disso, o projeto autorizou o Distrito Federal a adotar vários instrumentos para capitalizar o banco “sem qualquer informação precisa sobre a condição econômica e o grau de comprometimento de liquidez da instituição financeira”, disse o magistrado.

 

A Justiça entendeu que a Câmara Legislativa poderia autorizar o Distrito Federal a transferir bens de outras estatais e do próprio DF, de forma complementar, mas não sugerir instrumentos e métodos de capitalização. “A solução para a crise financeira do BRB deveria se originar da própria instituição financeira e não do Parlamento distrital”, afirmou o juiz.

 

Em outro trecho, a decisão diz que “O problema não é a lei em si, mas os efeitos concretos, que poderão lesar o patrimônio público de empresas estatais, com a possível transferência de imóveis de outras entidades estatais para o BRB, para contar crise de liquidez.”

 

 

Posted On Segunda, 16 Março 2026 13:48 Escrito por
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