Conflito entre os magistrados se intensificou após investigações ligadas ao caso Banco Master e gerou pedidos mútuos de apuração.
Com Jornal de Brasília
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) aponta que 37% dos brasileiros avaliam que o ministro André Mendonça age de forma correta na disputa interna no Supremo Tribunal Federal, contra 16% que apoiam Alexandre de Moraes.
O levantamento mostra ainda que 20% dos participantes consideram que nenhum dos dois magistrados tem atuado corretamente no conflito, enquanto 25% não souberam responder. A soma dos que reprovam ambos e dos indecisos atinge 45% do total de entrevistados.
A crise entre os integrantes da Corte se intensificou após desdobramentos ligados ao caso Banco Master. O Supremo pautou para esta terça-feira (15) a deliberação sobre abertura de apuração contra Moraes, motivada por relatório da Polícia Federal divulgado por Mendonça sobre conversas do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro antes da prisão do executivo, em 2025.
Em reação, Moraes solicitou uma investigação interna contra Mendonça sob acusação de suposto abuso de autoridade na condução dos procedimentos sobre a instituição financeira. O presidente do tribunal, Edson Fachin, marcou a análise desse requerimento para a semana seguinte.
O embate repercutiu no cenário político, levando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se afastar de Moraes e a criticar Mendonça. No campo oposicionista, o senador Flávio Bolsonaro passou a defender a saída de Moraes da Corte e buscou aproximação com Mendonça.
Contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo, a pesquisa ouviu 2.004 pessoas em municípios de todo o país entre 10 e 13 de setembro. O estudo tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob a identificação BR-03607/2026.
Pesquisa simulou, também, um 2° turno entre os dois candidatos, no qual Tarcísio aparece com 57% e Haddad, com 38%
Com R7
Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a disputa pelo Governo do Estado de São Paulo com 53% das intenções de voto, de acordo com a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (14). Fernando Haddad (PT) aparece em segundo lugar, com 36%. A diferença entre os dois é de 17 pontos percentuais.
Segundo o levantamento, outros candidatos somam 2%, enquanto 5% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou nulo e 4% não souberam ou não responderam.
Os números são referentes ao cenário estimulado, quando uma lista de candidatos é apresentada aos entrevistados. Veja o resultado:
Tarcísio de Freitas (Republicanos): 52%
Fernando Haddad (PT): 35%
Nulo/Branco: 5%
Não sabe/Não respondeu: 4 %
Outros: 2%
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores, Tarcísio também aparece à frente, com 28% das intenções de voto, contra 15% de Haddad. Outros nomes somam 3%, enquanto 47% dos entrevistados disseram não saber em quem votariam ou preferiram não responder.
Segundo turno
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois principais adversários, Tarcísio alcança 57% das intenções de voto, enquanto Haddad registra 38%. Brancos e nulos somam 3%, e 2% dos entrevistados não souberam responder.
Metodologia
A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores do estado de São Paulo entre os dias 9 e 12 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número SP-02794/2026.
Da Assessoria
O senador Eduardo Gomes (PL-TO) anunciou neste sábado (12) que assinou o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao justificar a decisão, o parlamentar afirmou que acompanhará de perto a apuração dos fatos relacionados à crise institucional que envolve a Corte.
Para Eduardo Gomes, o momento exige firmeza, transparência e respeito aos princípios democráticos. O senador defendeu que as instituições brasileiras sejam fortalecidas por meio da apuração responsável dos fatos, com a garantia do devido processo legal e da integridade dos Poderes da República.
“Assinei o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e acompanharemos de perto todo o processo. Nosso posicionamento é firme e permanece coerente com o que defendemos nas discussões sobre a anistia e a dosimetria. O Brasil precisa de instituições fortes, íntegras e que estejam à altura da confiança da população”, afirmou Eduardo Gomes.
O senador ressaltou ainda que sua posição está alinhada ao compromisso assumido com os tocantinenses e com o povo brasileiro. Segundo ele, o mandato continuará atuando em defesa do equilíbrio entre os Poderes, da segurança jurídica e de um país no qual todas as autoridades estejam submetidas à Constituição e às leis.
Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado
Com Estadão Conteúdo
A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos e a utilização de uma empresa de fachada.
A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. Até a publicação deste texto, o Estadão buscou contato com os advogados de Costa, mas sem sucesso. Este espaço segue aberto.
Segundo a PF, “as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.”
Especificamente sobre o BRB, a PF apontou “prática de corrupção explícita” pelo ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.
O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.
Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi então que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.
Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.
O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.
A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com “trâmite frequentemente acelerado”, contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao Conselho de Administração”, segundos os relatórios da PF.
“Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master”, diz a PF.
A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília.
Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).
A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referente a créditos supostamente originados pela Tirreno.
Por Igor Gielow
A primeira pesquisa do Datafolha realizada sob o impacto pleno da crise do Supremo Tribunal Federal mostra uma situação de estabilidade na corrida ao Planalto, com o presidente Lula (PT) marcando 39% e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 35% no primeiro turno.
Augusto Cury (Avante) tem 6%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barao (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1%. Dizem votar voto branco ou nulo 6%, e 4% se dizem indecisos.
Há uma semana, Lula marcava 38%, ante 33% de Flávio. Já Cury havia subido seis pontos, chegando a 8%.
O resultado é estável para a dupla à frente, mas a distância numérica entre eles é a menor desde maio, tendo passado de 10 para 4 pontos percentuais —o que sugere empate no limite máximo da margem de erro de dois pontos para mais ou menos, com maior probabilidade de Lula estar à frente.
À esquerda, homem de cabelos brancos e barba, vestido com terno azul e faixa presidencial verde e amarela, faz gesto de positivo com as duas mãos. À direita, homem de cabelos curtos e escuros, veste camiseta amarela com verde e jaqueta preta, com a mão direita sobre o peito, em ambiente externo.
Na votação espontânea, quando o eleitor não vê a list de candidatos, Lula segue sendo o mais lembrado, passando de 31% para 33% ante a rodada anterior. Flávio foi de 22% para 25% e Cury oscilou de 5% para 3%. Os indecisos estão em 23%, nível mais baixo até aqui.
Já na simulação de segundo turno, o petista teria 46% e o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, 44%. Na rodada anterior, os números eram os mesmo, indicando um empate técnico.
Lula também empata tecnicamente com Augusto Cury, que não havia sido testado ainda num segundo turno. Segundo o Datafolha, o presidente marca 45% e o escritor, 43%. Já o petista triunfa sobre Caiado (46% a 41%), Zema (48% a 39%) e Renan (48% a 37%).
Em termos de herança potencial, o Datafolha aferiu que 39% dos eleitores de Cury votariam em Flávio num segundo turno e 37%, em Lula. Entre aqueles que não se dizem nem petistas, nem bolsonaristas, nova divisão: 34% para o presidente, 38% para o senador.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores de terça-feira (8) a quinta (10) em 125 municípios. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
Não houve alterações significativas em termos de perfil de eleitorado, embora Flávio tenha novamente invertido o sinal com Lula no Sudeste, região mais populosa com 42% da amostra do Datafolha. Nela, o senador marca 37%, ante 35% do petista; há uma semana, o bolsonarista tinha 34% e o presidente, 36%.
Nos grandes estratos, Lula segue com boa vantagem entre os 28% menos instruídos (52% a 24%), os 49% mais pobres (47% a 27%), os 27% de nordestinos (53% a 25%) e os 50% de católicos (46% a 29%).
Flávio, por sua vez, lidera com mais vantagens entre os 47% com ensino médio (40% a 35%) e os 25% com diploma superior (37% a 30%). Na classe média que ganha de 2 a 5 salários mínimos, 33% da população, bate Lula por 42% a 31%, taxa que sobe acompanhando a renda. Vence entre os 15% de sulistas (40% a 29%), nos 18% moradores do Norte/Centro-Oeste (40% a 32%) e nos 28% de evangélicos (50% a 22%).
A pesquisa foi realizada sob o impacto da crise do STF. Ela foi encerrada, contudo, antes da revelação nesta sexta (11) de que Flávio é investigado no inquérito do caso "Dark Horse" e a determinação do fim do sigilo sobre os dados da apuração.
A crise começou com a revelação, pelo ministro André Mendonça, de relatório sigiloso a que Alexandre de Moraes teve acesso no qual são reveladas relações próximas do colega com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso sob acusação de comandar a maior fraude financeira da história brasileira.
Moraes revidou questionando os atos do colega formalmente. Mendonça, por sua vez, reagiu determinando o afastamento do chefe da Polícia Federal e do diretor de inteligência do órgão. O presidente da corte, Edson Fachin, buscou ganhar tempo e acalmar ânimos suspendendo todas as medidas.
Ele também marcou para a terça que vem (15) uma sessão para debater a abertura ou não de investigação sobre Moraes, a quem removeu do polêmico inquérito das fake news, que desde 2019 era conduzido pelo ministro.
Flávio adotou já no evento do 7 de Setembro a estratégia de associar Lula a Moraes, que comandou o julgamento que condenou seu pai a 27 anos e três meses de cadeia por tentativa de golpe de Estado e manteve aliança tática com o petista ao longo do terceiro mandato do presidente.
Lula, por sua vez, viu seu ex-ministro da Justiça Flávio Dino, hoje no Supremo, recolocar em foco as relações do senador fluminense com Vorcaro.
Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo dinheiro ao então banqueiro já em apuros, o chamando de "meu irmão" e prometendo lealdade.
A verba, quase R$ 70 milhões, se destinaria, segundo o senador, para bancar o filme "Dark Horse" (azarão, em inglês), sobre a carreira de seu pai. Só que Flávio não apresentou as contas e disse se tratar de uma empreitada privada, quando houve dinheiro da prefeitura paulistana envolvido.
Dino abriu o capítulo ao autorizar ação da PF para verificar o uso de verbas parlamentares no financiamento, atingindo o deputado bolsonarista Mário Frias (PL-SP). O eventual impacto desse evento na pesquisa está prejudicado, dado que o trabalho dos entrevistadores já estava avançado.
Por fim, o fim do sigilo sobre o caso no Supremo mostrou que Flávio é investigado, mas a pesquisa já havia sido encerrada.