Unidades das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino foram atingidas
Por Bernardo Yoneshigue
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de alguns lotes das fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, todas da Nestlé, devido ao risco de contaminação com cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus.
A medida, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, veta a comercialização, distribuição e uso das unidades. "O consumo de alimento contaminado por essa toxina pode causar vômito persistente, diarreia ou letargia, que é a sonolência excessiva, lentidão de movimentos e raciocínio, e incapacidade de reagir e expressar emoções", alerta a agência.
A proibição tem caráter preventivo, até o momento não foram registrados casos de intoxicação ligados aos produtos em nenhum lugar do mundo. A Nestlé deu início a um recolhimento voluntário global após detectar a toxina em itens de uma das fábricas da empresa na Holanda."Foi identificado que a toxina estava presente em um ingrediente proveniente de um fornecedor global de óleos terceirizados. Dessa forma, a empresa indicou a necessidade de um recolhimento", diz a Anvisa. Mais de 30 países fazem parte do recall.
Em nota, a Nestlé disse que a cereulide foi detectada durante análises periódicas de qualidade e que o fornecedor do ingrediente foi notificado. Além disso, a companhia afirma que está atuando "em estreita cooperação com as autoridades responsáveis" com "agilidade para evitar ou reduzir qualquer tipo de impacto ao consumidor".
"Comumente encontrado em matérias-primas e ocasionalmente em alimentos, como leite e produtos lácteos, o Bacillus cereus é um microrganismo que, normalmente, não tem impacto na segurança alimentar. No entanto, ele tem o potencial de produzir substâncias, como a cereulide, que pode causar reações adversas em alguns casos", diz. As queixas podem surgir até 6 horas após o consumo.
Orientações a pais e responsáveis
A Anvisa orienta que, em caso de uso de uma das marcas citadas, pais e responsáveis devem verificar o número do lote impresso no rótulo da fórmula. Se ela pertencer a um dos lotes recolhidos, não deve ser utilizada ou oferecida para consumo. Os demais lotes não foram afetados.
Os consumidores que tiverem produtos dos lotes citados devem entrar em contato com a área de Atendimento ao Consumidor da Nestlé para a devolução do item e reembolso integral por meio dos canais Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou 0800 761 2500, com atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Já se a criança apresentar sintomas compatíveis com decorrentes do consumo de um item contaminado, a Anvisa orienta a busca imediata por atendimento médico. No local, é importante informar o alimento que foi consumido, se possível com uma amostra da embalagem.
Advogado Paulo Cunha Bueno criticou o ministro do STF por negar a ida imediata de Bolsonaro ao hospital para realizar exames depois de queda
Por Poliana Santos, da CNN Brasil
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou nesta terça-feira (6) como violação de direitos a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de negar a transferência do ex-mandatário ao hospital para a realização de exames após uma queda que teria causado um traumatismo craniano leve.
“A defesa está tomando as medidas legais cabíveis, e não esmorecerá diante de um estado de coisas que fere de morte o princípio da dignidade da pessoa humana, tão caro na legislação ocidental e onipresente no cuidado pelas Cortes Internacionais”, disse.
Segundo o advogado, a decisão não se justifica, já que um trauma craniano “demanda investigação laboratorial, não sendo prudente limitar-se à investigação clínica nas dependências da Polícia Federal”.
A defesa também destacou a idade de Bolsonaro e comparou seu quadro clínico ao do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que atualmente cumpre prisão domiciliar.
É válido lembrar que os advogados já apresentaram ao menos três pedidos formais de prisão domiciliar, todos negados por Alexandre de Moraes.
“Indeferir a internação do presidente Bolsonaro — septuagenário e com sabidos problemas médicos, bem mais graves do que aqueles que garantiram ao presidente Collor de Mello a prisão domiciliar, onde se encontra hodiernamente — é medida que viola direitos fundamentais do cidadão, que, ademais disso, é idoso e, portanto, credor de cuidados mais atentos”, afirmou a defesa.
Paulo Cunha Bueno relembrou ainda que os procedimentos cirúrgicos recentes de Bolsonaro foram realizados no Hospital DF Star, em Brasília, local onde ele seria submetido aos exames após a queda. Segundo o advogado, durante a internação, o ex-presidente não apresentou “qualquer indicação de intento de fuga”.
Bolsonaro teria caído durante a madrugada desta terça-feira (6), batendo a cabeça em um móvel da cela na Superintendência da PF em Brasília.
O ministro Alexandre de Moraes negou a transferência imediata ao hospital e determinou que a Polícia Federal encaminhesse ao STF o laudo médico elaborado pelos profissionais da corporação.
De acordo com o documento da PF, o ex-presidente apresentou indícios de ter caído da cama durante a noite. O relatório descreve uma lesão superficial no rosto e a presença de sangue.
Agora, caberá ao ministro deliberar se autoriza ou não a liberação de Bolsonaro para a realização de exames médicos em ambiente hospitalar.
Presidente do Ibama afirma que líquido liberado é biodegradável e sem risco de contaminação
Por Marina Demori
O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, afirmou ao SBT News nesta terça-feira(6) que o órgão foi notificado pela Petrobras sobre um incidente durante a perfuração na Foz do Amazonas. Segundo ele, equipes técnicas foram acionadas e nenhuma situação de risco foi identificada. A perfuração está temporariamente paralisada.
“Não houve vazamento de petróleo”, disse Agostinho. De acordo com o presidente do Ibama, o material liberado foi um fluido utilizado na refrigeração da broca do equipamento de perfuração. Ele ressaltou que o fluido é biodegradável e não oferece risco de contaminação ambiental.
A expectativa, segundo o Ibama, é de que os reparos sejam concluídos nos próximos dias, o que deve permitir o avanço da perfuração até o ponto de extração do petróleo até o fim de fevereiro.
Em nota, a Petrobras informou que, no domingo (4), foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Segundo a empresa, a perda foi “imediatamente contida e isolada”.
A estatal afirmou ainda que não há problemas com a sonda nem com o poço, que permanecem em condições seguras, e que a ocorrência não oferece riscos à segurança da operação. A Petrobras informou também que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes.
Confira o posicionamento da Petrobras na íntegra
"A Petrobras informa que, neste domingo (04/01), foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo.
Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração.
A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas."
Processo procura verificar documentos do processo que determinou liquidação extrajudicial do banco
Por Gabriela Vieira
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a realização de uma inspeção imediata no Banco Central (BC), com "máxima urgência", para investigar possíveis falhas e omissões na supervisão do Banco Master, em meio ao processo que envolve a liquidação extrajudicial da instituição.
"A fiscalização inclui a verificação da legalidade, legitimidade e economicidade dos atos de gestão pública, sem prejuízo da autonomia técnica e decisória do Banco Central", disse o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU.
Segundo o magistrado, a atuação do órgão regulador pode ter carecido de uma "reação tempestiva" diante de sinais claros de degradação financeira da instituição nos anos anteriores. Em despacho obtido pelo SBT News, o ministro não descarta dar uma decisão cautelar para evitar a dilapidação do patrimônio da instituição e a inviabilização do pagamento de credores.
"É inerente ao regime de liquidação extrajudicial a prática de atos com potencial de difícil reversão, notadamente os relacionados a alienação, oneração, transferência ou desmobilização de ativos relevantes no processo decisório ou no tratamento de alternativas", disse o ministro.
A auditoria procura reconstruir todo o fluxo de supervisão entre 2019 e 2025. O TCU investigará se o Banco Central ignorou alertas sobre a estratégia de captação agressiva do Master, que oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remunerações significativamente superiores às praticadas pelo mercado.
No documento, o ministro deixou claro que o BC defende que o processo de liquidação do Banco Master não foi um "ato precipitado". "Mas desfecho de processo de supervisão, reputando-se inevitável diante de crise de liquidez, descumprimentos normativos relevantes e achados de irregularidades em operações, com remissão às bases legais correspondentes", acrescentou.
Em 2 de dezembro, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho já havia instaurado uma inspeção no BC para avaliar o processo de liquidação do Master.
A principal linha de investigação na PF apura uma suposta fraude nos balanços do Master, liquidado pelo BC por não conseguir cumprir suas obrigações financeiras. Nessa fraude, a venda para o BRB seria para mascarar o rombo, de acordo com os investigadores, mas a transação foi vetada pela autoridade monetária.
Análise no BC
A inspeção foi solicitada pelos próprios técnicos, interessados em ter acesso aos documentos que embasaram o relatório encaminhado ao TCU sobre todo o histórico do Master. O material abrange desde o início da fiscalização dos problemas econômicos, a identificação de fraudes, as negociações para uma possível venda e, por fim, a liquidação.
Como os documentos não foram anexados ao relatório e estão protegidos por sigilo, eles não podem sair do Banco Central. Por isso, os técnicos do TCU irão até o BC para analisar a documentação no local.
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025. No entanto, o TCU descobriu que, no dia anterior, houve uma reunião em que outras empresas (como o Grupo Fictor) podem ter oferecido propostas para salvar a instituição sem precisar fechá-lo. Agora, o tribunal procura saber se o BC analisou essas propostas com calma ou se tomou uma decisão rápido demais.
Delcy Rodríguez convidou Washington para uma agenda de cooperação baseada na igualdade soberana e na não interferência
Por Camila Stucaluc
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou uma carta aberta na noite de domingo (4) propondo uma agenda de cooperação com os Estados Unidos. No texto, ela defende uma relação equilibrada e respeitosa entre os países, baseada na igualdade soberana e na não interferência.
“Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer uma coexistência comunitária duradoura. Nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra”, escreveu.
Delcy assumiu a presidência interina da Venezuela após o ditador Nicolás Maduro ser capturado por forças norte-americanas na madrugada do dia 3 de janeiro (leia mais abaixo). A operação foi realizada em conjunto com ataques simultâneos em várias áreas do país, incluindo a capital, Caracas.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia dito que Delcy pagaria um “preço ainda maior que Maduro” caso não cooperasse com o país. Isso porque o republicano disse que pretende administrar a Venezuela até que uma transição de governo seja concluída adequadamente, reforçando que petroleiras norte-americanas vão operar no país.
Leia a íntegra da declaração (traduzida para o português):
"Mensagem da Venezuela ao mundo e aos Estados Unidos
A Venezuela reafirma seu compromisso com a paz e a coexistência pacífica. Nosso país aspira a viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói garantindo, primeiro, a paz de cada nação.
Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os Estados Unidos e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo.
Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer uma coexistência comunitária duradoura.
Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra. Essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro e é a de toda a Venezuela neste momento. Essa é a Venezuela em que acredito, à qual dediquei minha vida. Meu sonho é que a Venezuela seja uma grande potência onde todos os venezuelanos de bem estejam unidos.
Maduro capturado
Maduro foi capturado junto da esposa, Cilia Flores, enquanto dormia em um abrigo na Venezuela. Eles foram levados por um helicóptero das Forças Armadas norte-americanas até o Iwo Jima, um dos navios de guerra da Marinha dos Estados Unidos que estavam posicionados no mar do Caribe, de onde seguiram para Nova York.
A captura ocorreu após quatro meses de tensão militar entre Venezuela e Estados Unidos. Em setembro do ano passado, Washington iniciou uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, perto das costas da Venezuela e da Colômbia. O país acusa o líder chavista de comandar cartéis latino-americanos que transportam drogas para o território norte-americano.
Maduro deve ser apresentado à Justiça nesta segunda-feira (5). Segundo a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, o líder chavista foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos.
Outras cinco pessoas foram indiciadas no processo, incluindo Flores e Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como ‘Nicolasito’, filho único do casal. A lista também conta com o Ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín, da mesma pasta, e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero".