Levantamento mostra rejeição em todas as áreas; o controle dos gastos públicos é o setor que causa maior insatisfação entre os brasileiros hoje
Com Agência Estado
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é mal avaliada em todas as áreas de atuação, aponta pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta segunda-feira (21/9). O levantamento mostra que o petista tem mais menções negativas do que positivas em todos os quesitos analisados.
O controle de gastos públicos é a área com pior avaliação. Para 24% dos entrevistados, a gestão é ótima ou boa no assunto, enquanto 54% a consideram ruim ou péssima.
O combate à inflação é visto de forma positiva por 25% das pessoas, enquanto 51% avaliam a atuação do presidente como ruim ou péssima. Índices semelhantes foram registrados na avaliação da segurança pública.
A educação é a área mais bem avaliada do governo, com 35% dos entrevistados a considerando ótima ou boa. Ainda assim, 41% julgam o setor como ruim ou péssimo. Em seguida, o combate à fome e à pobreza registra o segundo melhor índice, com 34% de ótimo ou bom e 43% de ruim ou péssimo.
Na avaliação geral, o governo Lula é tido como ruim ou péssimo por 43% dos entrevistados. Outros 33% o avaliam como ótimo ou bom, e para 23%, a gestão federal é regular.
As áreas de combate ao desemprego, meio ambiente e política externa registraram as maiores quedas na avaliação em relação à pesquisa anterior, de junho. Nos três quesitos, a percepção negativa cresceu cinco pontos percentuais.
Já o controle dos gastos públicos, pior índice da gestão, teve uma melhora. Houve um crescimento de 4% entre os que consideram a atuação do governo boa ou ótima no tema.
A pesquisa Ipsos/Ipec realizou 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios do país entre os dias 9 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%.
Mudança pode elevar alíquota e base de cálculo do ITCMD, mas especialistas alertam para riscos de antecipar a sucessão patrimonial
Com Exame.com
A reforma tributária poderá mexer com o bolso das famílias de alta renda. Isso porque há a expectativa que o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) — aquele cobrado sobre doações e herança — fique mais caro. Neste sentido, as famílias estão correndo contra o tempo para doar imóveis, pelo menos é o que mostram os números do Colégio Notarial do Brasil (CNB).
Em 2023, haviam 160.860 registros de doações de propriedades, enquanto em 2024 esse número saltou para 174.493. Em 2025, recorde da série histórica, haviam 185.861 registros, um crescimento de 15%. “Muitas famílias que já pensavam em organizar seus bens decidiram antecipar a doação por receio de que o imposto fique mais caro”, diz Letícia Faria, diretora do CNB de São Paulo.
Neste ano, porém, até 1º de setembro haviam 99.688. “Não acho que o medo tenha acabado”, afirma Faria. Segundo ela, uma parte das famílias antecipou a decisão e fez a doação no ano passado. Outra parte está esperando para entender como os estados vão definir as novas alíquotas. “Além disso, ainda é cedo para afirmar que 2026 não terá um novo recorde, porque muitos atos costumam acontecer no segundo semestre”, continua.
Entram em jogo as gestoras de patrimônio. Com cerca de R$ 1,7 bilhões sob gestão de 60 famílias, a Reach Capital diz atuar na “linha de frente” com esse público de alta renda — com patrimônio acima de R$ 30 milhões.
“A gente faz aqui, para todo cliente, um processo de entender o que ele tem fora da carteira de investimentos. Muitas pessoas têm lá X dinheiro para investir no banco, mas às vezes têm 10X em participações societárias, em imóveis, em outras coisas”, diz Thiago Picanço, sócio e head de Wealth Management da Reach Capital.
Neste sentido, o que a casa tem percebido é que, sim, há uma preocupação com o aumento do imposto. “O investidor vê no jornal que está mudando o ITCMD. Se a gente ainda não falou com ele, ele vem falar com a gente. Então, estamos vendo muito movimento nessa frente para tentar reduzir as alíquotas de imposto. Ninguém gosta de pagar imposto”, comenta.
O imposto de herança vai aumentar?
O ITCMD é um imposto estadual (estados e Distrito Federal) que incide sobre duas situações: a transmissão causa mortis (herança, ou seja, o patrimônio que a pessoa deixa ao morrer) e a doação de quaisquer bens ou direitos. Ou seja: quem recebe um bem por herança ou doação paga o imposto (em regra, o contribuinte é o herdeiro ou o donatário).
Hoje, cada estado legisla de forma própria, dentro de um limite máximo definido pelo Senado Federal, que é de 8%. Há estados em que a alíquota é fixa, como São Paulo (4%), e há outros que a alíquota pode ser progressiva, de acordo com o valor do quinhão, do legado ou da doação, como o caso do Rio de Janeiro.
“Outra característica relevante do regime atual é que a base de cálculo varia muito. Em muitos estados, imóveis eram tributados pelo valor venal de referência (aquele usado para o IPTU, quase sempre abaixo do valor real de mercado), e participações societárias pelo valor patrimonial contábil’, explica Raul Iberê Malagó, sócio do M&A/Law.
Meu pai faleceu e sua 'companheira' forjou documentos para ficar com a casa. E agora?
Esse é um dos pontos que mais mudam. Com a reforma tributária, o imposto passará a ser calculado sobre o valor de mercado. Como exemplo, um imóvel no Rio de Janeiro com o valor venal de R$ 700 mil, mas o valor de mercado de R$ 2 milhões, agora contará este último. “Hoje, tributado pela base venal, o imposto seria menor; com a base a mercado, ele pagará mais e, dependendo da faixa, a alíquota aplicada também sobe.”
Participações societárias também entram na regra: quotas e ações de empresas fechadas eram frequentemente tributadas pelo valor patrimonial contábil (patrimônio líquido). A lei agora exige avaliação a valor de mercado, admitindo metodologias como fluxo de caixa descontado. Uma empresa com R$ 2 milhões de patrimônio contábil, mas com geração de caixa que justifique R$ 8 milhões de valor de mercado, tem a base multiplicada por quatro.
Para além disso, a alíquota também pode subir, já que agora haverá a obrigatoriedade da progressividade até o teto de 8%, em vez de alíquotas fixas.
“Como funciona na prática: o imposto passa a ser calculado por faixas, no modelo do Imposto de Renda. A Lei prevê expressamente que o valor da base de cálculo é enquadrado na faixa inicial e, 'naquilo que exceder', nas faixas subsequentes. As faixas e os percentuais de cada estado, porém, serão definidos por Lei estadual”, comenta Malagó.
Há ainda o efeito combinado: nos estados progressivos, a base maior também "empurra" o contribuinte para faixas de alíquota mais altas. O aumento do imposto é duplo: mais base e percentual maior. Entram na nova regra imóveis, veículos, joias, obras de artes, participações societárias, dinheiro, aplicações financeiras, ou sejam “quaisquer bens e direitos”.
A aplicação das novas regras, porém, ainda depende de cada estado. Os governos estaduais terão de adaptar suas leis para definir como será a cobrança do imposto, incluindo as faixas de alíquotas e as isenções. Essas mudanças também precisam respeitar um prazo mínimo de 90 dias e, em regra, só podem começar a valer no ano seguinte à aprovação. Na prática, portanto, as novas regras devem começar a ter impacto para os contribuintes a partir de 2027.
Antecipar ou não a doação de imóveis?
Roberto Freitas, sócio e head da área de Wealth Planning da G5 Partners, com R$ 45 bilhões sob gestão, conta que há uma demanda muito grande por parte do público de alta renda para entender o que pode mudar. “Não necessariamente para partir para a implementação, mas para entender: ‘Essa alteração iminente do ITCMD, eu tenho algo a fazer aqui?’”, diz.
Em consenso, os especialistas ouvidos pela Exame respondem: depende. “Se você fizer uma conta puramente matemática, essa antecipação faz todo sentido”, destaca Picanço. Entretanto, segundo Freitas, a economia tributária não pode ser o único fator na decisão de seguir ou não com uma doação. “O planejamento patrimonial precisa de outros elementos para ficar de pé. A eficiência tributária é só um deles.”
Para Mari Emmanouilides, sócia-diretora de Wealth Management da Galapagos Capital, enfatiza: tudo depende. Uma família que tem filhos menores de idade, por exemplo, pensar em fazer o planejamento sucessório agora, talvez não faça sentido. “Pode sair mais caro lá na frente? Pode. Mas tudo é muito dinâmico. Agora, para quem está numa faixa etária de 60 anos ou mais, já pensamos que faz sentido.”
Outra questão a ser analisada é a liquidez. Antecipar o imposto agora significa retirar do dinheiro disponível um valor que não estava previsto e que, dependendo, pode ser necessário. “É muito complicado pegar, por exemplo, uma família em que 90% do patrimônio são imóveis. A conta do imposto vai ser tão grande que compromete toda a liquidez da família”, ressalta Picanço.
Uma família que tem um imóvel de R$ 10 milhões, pagaria agora, em São Paulo, R$ 400 mil. Caso a alíquota progressiva chegue a 8%, esse imposto dobraria. Sendo assim, antecipar a doação parece a escolha ideal, porém “as pessoas não querem tirar do bolso o dinheiro que têm na conta para pagar um imposto que elas têm a opção de não pagar hoje”, diz Picanço — e a regra pode mudar. “Problema para o futuro”, afirma o especialista.
Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (21/9) aponta Lula com 40% no primeiro turno e 46% no segundo, enquanto Flávio registra 37% e 45%, respectivamente
Por João Victor Rodrigues
A 15ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (21/9), indica um cenário de equilíbrio na corrida presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) tanto no primeiro quanto no segundo turno, mas as diferenças estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula tem 40% das intenções de voto, contra 37% de Flávio.
Na simulação de segundo turno entre os dois, o petista soma 46%, enquanto o senador alcança 45%. O resultado também configura empate técnico. Na rodada anterior, divulgada em 14 de setembro, Flávio tinha 46% e Lula, 47%. O levantamento atual ainda mostra empate entre Lula e Augusto Cury (Avante), com 45% para o presidente e 43% para o escritor, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) avançou quatro pontos e chegou a 45%, mesmo percentual de Lula.
Nas demais disputas de segundo turno, Lula aparece com 47% contra 41% de Romeu Zema (Novo) e com 47% diante de 39% de Renan Santos (Missão). No primeiro turno, Augusto Cury mantém 6% e ocupa a terceira colocação, enquanto Caiado aparece com 5%. Os números fazem parte de uma sequência recente de levantamentos da BTG/Nexus que tem registrado oscilações pequenas entre os principais nomes da disputa.
Encomendada pelo BTG Pactual e realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, da FSB Holding, a pesquisa entrevistou 2.006 eleitores por telefone entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00485/2026.
Vorcaro e o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, falaram sobre o pagamento em dezembro de 2024
COM FOLHAPRESS
A advogada Dalide Corrêa, que recebeu R$ 33 milhões do Banco Master, foi citada em mensagem ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro como “sócia” do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, segundo o jornal O Globo. O ministro diz que a afirmação é falsa.
Ex-diretora do IDP, instituição de ensino que tem o magistrado como sócio, Dalide atuou para o Master em questões relativas ao mercado de precatórios. Gilmar afirmou à Folha que não tem relação pessoal ou profissional com ela, tratando-a apenas como ex-funcionária.
De acordo com a reportagem de O Globo, Vorcaro e o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, falaram sobre o pagamento em dezembro de 2024. A conversa tratava de cobranças da advogada sobre desembolsos não realizados.
“Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse”, teria escrito Rennó a Vorcaro na ocasião, conforme diálogo obtido pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro.
Segundo a publicação, o banqueiro e seu auxiliar discutiam um repasse de R$ 15 milhões para a advogada.
O gabinete do magistrado no STF afirmou que a afirmação atribuída a executivos do Banco Master é falsa e que o magistrado nunca teve qualquer sociedade com a advogada, nem no IDP nem em qualquer outra empresa.
Ainda de acordo com o gabinete, Dalide foi diretora-geral do IDP e deixou o instituto em novembro de 2016, e o decano do STF “não tem conhecimento de atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro”.
O posicionamento registra ainda que Dalide Corrêa nunca tratou do assunto com o magistrado e destaca os votos contrários do ministro “contra o pagamento em todos os processos do setor sucroalcooleiro que julgou, em linha com as teses defendidas pela União. (…) Em nenhum deles o voto foi favorável aos interesses do Banco Master”.
A reportagem também tentou contato com Dalide Corrêa por meio do seu WhatsApp e pelo número do seu escritório de advocacia, mas não houve resposta até a conclusão deste texto.
Gilmar Mendes encontrou Vorcaro no STF, em abril de 2024.
Na ocasião, o banqueiro pediu que o ministro votasse a favor de uma causa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro que o beneficiariam diretamente, mas não foi atendido.
O Master mantinha em carteira bilhões em créditos dessas empresas, em forma de precatórios que perderiam valor caso a Corte não reconhecesse a validade de ações indenizatórias movidas por elas contra a União.
Na época do encontro, Vorcaro mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes. Feitosa foi quem aconselhou o banqueiro a tentar construir uma relação com o ministro.
Por Leticia Moreira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse neste sábado (19), durante agenda em Florianópolis, que o agronegócio deveria "se ajoelhar" para ele diante dos recursos que seu governo destinou ao setor no país.
Na ocasião, Lula chamou Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina, no palanque e sugeriu que ele fizesse uma reunião com "o pessoal do agronegócio" do estado para perguntar "por que eles não gostam" deles.
"Por que eles [agro] não gostam de nós? Porque o problema contra nós, acho que é uma questão de pele, porque sou nordestino ou porque eu sou pobre. Porque se dependesse de dinheiro do governo, eles tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim, porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora", disse o petista nesta manhã.
Em discurso, o chefe do Planalto apresentou números de ações que disse ter feito em prol do setor no estado.
"São 118 mercados que o Lulinha que eles não gostam abriu para eles venderem os produtos deles", disse.
"Por que eles são bolsonaristas? Porque não pode ser pela educação, pela saúde", questionou, criticando a ação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) frente a pandemia de Covid-19.
Durante o evento, o presidente chegou a dizer que quer vencer as eleições neste ano "para manter" Jair Bolsonaro na cadeia.
"A ideia do outro [Flávio Bolsonaro] é "ai eu quero ganhar as eleições pra tirar o meu pai da cadeia', e eu quero ganhar pra manter ele na cadeia", afirmou.
Além de Gelson Merísio, o evento de campanha de Lula contou com a presença da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja; dos candidatos ao Senado por Santa Catarina Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT); e de Angela Albino (PDT), candidata a vice-governadora.