Ministro atendeu a pedido de Fachin e tornou público procedimento que trata de movimentações financeiras do Master
Por Victor Schneider
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo de mais um processo relativo à investigação nesta segunda-feira (14), atendendo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
A petição 15.645, dentro da Operação Compliance Zero, contém o histórico de pagamentos feitos e recebidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Há relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e outros dados sobre transações que envolveram o Banco Master.
A publicização do procedimento havia sido solicitada no domingo (13) por Moraes. Até o momento, 53 processos já foram tornados públicos: 15 na quinta (10) e mais 38 na sexta (11). O ministro não detalhou no pedido qual era o assunto de investigação relativo à petição, mas disse que o processo continha "elementos essenciais" para o julgamento.
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A eleição municipal de Palmas será apenas em 2028. Mas quem imagina que a sucessão do Paço Municipal começará somente daqui a dois anos está olhando para o calendário e esquecendo de olhar para a política. O primeiro grande termômetro de 2028 pode estar justamente dentro da Câmara Municipal de Palmas.
A sucessão da Mesa Diretora da Casa de Leis coloca em movimento interesses que vão muito além da escolha de quem comandará sessões, administrará o Legislativo e representará institucionalmente os 23 vereadores.
O que está em jogo é poder. É articulação. É território político. E, sobretudo, a montagem das forças que pretendem disputar o comando do maior colégio eleitoral do Tocantins em 2028.
A Câmara é atualmente presidida pelo vereador Marilon Barbosa, eleito para o biênio 2025/2026. Na eleição realizada em janeiro de 2025, Marilon derrotou José do Lago Folha Filho. Aquilo já demonstrava uma Casa dividida. Agora, a sucessão promete colocar novamente à prova os 23 votos do Legislativo palmense.
E desta vez existe um ingrediente adicional: 2028 já entrou na sala. É nesse cenário que reaparece com força o nome do vereador Folha. Ex-presidente da Câmara, Folha conhece como poucos os corredores da Casa e já demonstrou que possui capacidade de articulação interna.
Não custa lembrar: ele perdeu a última eleição para Marilon Barbosa por apenas um voto. Foi 12 a 11.
Agora, segundo apurado pelo Observatório Político de O Paralelo 13, Folha trabalha novamente para chegar à Presidência e demonstra confiança de que poderá reunir maioria no momento da votação.
Nos bastidores, o vereador aposta que apoios serão explicitados na hora certa. Mas política tem uma regra antiga: apoio prometido não é voto depositado e Folha sabe disso melhor do que ninguém.
Há ainda um componente importante nessa movimentação. Folha é considerado um vereador da inteira confiança do prefeito Eduardo Siqueira Campos, embora, até o momento, o chefe do Executivo não tenha feito qualquer gesto público de apoio à sua candidatura à Presidência da Câmara. A proximidade entre os dois, porém, continua evidente. Neste último sábado, Eduardo e Folha estiveram juntos em Tocantinópolis e fizeram a viagem no mesmo veículo. O episódio, por si só, não representa declaração de apoio, mas, em política, movimentos como esse naturalmente entram no radar dos observadores.
PROFESSORA IOLANDA ENTRA NO JOGO
Mas Folha não está sozinho. A vereadora Professora Iolanda Castro confirmou publicamente sua candidatura à Presidência da Câmara. Sua entrada altera o tabuleiro.
Iolanda possui trajetória própria dentro do Legislativo e, ao colocar o nome oficialmente na disputa, impede que a eleição seja tratada antecipadamente como um confronto de apenas dois grupos. Uma candidatura à Presidência da Câmara começa com um nome, mas somente se torna competitiva quando consegue transformar relações políticas em votos. É isso que precisará ser observado nas próximas semanas.
O GRUPO BARBOSA NÃO PODE SER IGNORADO
Existe ainda um componente político impossível de retirar dessa equação. O atual presidente da Câmara, Marilon Barbosa, é irmão do governador Wanderlei Barbosa e filho de Fenelon Barbosa, primeiro prefeito de Palmas. A história política da família Barbosa está profundamente ligada à Capital.
Marilon Barbosa, por sua vez, também está em campo e trabalha pela reeleição à Presidência da Câmara. Neste sábado, o vereador reuniu parlamentares de Palmas com a candidata ao Governo, Professora Dorinha Seabra, em um encontro voltado à definição de estratégias para a reta final da campanha estadual. O movimento demonstra que Marilon continua articulando politicamente a Casa e mantém interlocução direta com o grupo que hoje reúne importantes forças da política tocantinense. Em uma disputa pela Mesa em que cada voto pode ser decisivo, quem consegue reunir vereadores também demonstra capacidade de articulação.

Wanderlei passou pela Câmara Municipal antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao Governo do Estado. Seu filho, Léo Barbosa, também construiu importante base eleitoral em Palmas.
Portanto, imaginar que o grupo político do governador será indiferente à formação do próximo comando da Câmara seria ingenuidade.
O próprio Eduardo Siqueira já reconheceu publicamente que Wanderlei teria legitimidade para disputar a Prefeitura de Palmas no próximo pleito, embora tenha dito desconhecer os planos eleitorais do governador.
Aqui está um dos pontos mais interessantes do tabuleiro.
Hoje existem convergências políticas entre grupos que amanhã poderão estar em lados diferentes na disputa pela Capital.
DORINHA ESTÁ NO MEIO DESSE TABULEIRO
A eleição estadual de 2026 acrescenta outra camada a essa história. Eduardo Siqueira Campos está no palanque de Professora Dorinha Seabra na disputa pelo Governo. O prefeito transformou Palmas numa das principais bases políticas da candidata e já vinculou publicamente seu projeto político à vitória dela.
Wanderlei Barbosa também está politicamente alinhado à candidatura de Dorinha. Hoje, portanto, esses interesses podem caminhar juntos na eleição estadual.
Mas 2028 é outra história.
Se Dorinha vencer a eleição para o Governo, poderá chegar à sucessão de Palmas diante de aliados com projetos potencialmente concorrentes.
De um lado, Eduardo Siqueira Campos, já declarado candidato à reeleição. Do outro, o grupo político de Wanderlei Barbosa, cuja força histórica e eleitoral na Capital ninguém pode desprezar. E ainda existirão outros atores procurando espaço.
É por isso que a eleição da Câmara merece atenção.
Ela poderá revelar, com dois anos de antecedência, onde estão as pontes e onde começam as rachaduras.
CINTHIA RIBEIRO E JÚNIOR GEO TAMBÉM ESTÃO NO RADAR
Há ainda outro campo político que não pode ser esquecido. A ex-prefeita Cinthia Ribeiro continua sendo um nome conhecido do eleitor palmense e governou a Capital até o fim de 2024.
O deputado estadual Júnior Geo também possui patrimônio eleitoral em Palmas. Isso não significa afirmar hoje que qualquer um deles será candidato em 2028. É reconhecer que uma eleição municipal em Palmas dificilmente será construída apenas entre dois grupos.
Se o cenário estadual produzir uma vitória de Vicentinho Júnior, por exemplo, novas composições poderão surgir.
Ainda há muita água para passar debaixo dessa ponte.
JANAD VALCARI TAMBÉM É PEÇA IMPORTANTE
Não se pode analisar a sucessão municipal de Palmas em 2028 sem colocar nesse tabuleiro o nome da deputada estadual Janad Valcari. Candidata a deputada federal em 2026, Janad chega à eleição buscando ampliar ainda mais seu patrimônio eleitoral na Capital e, caso confirme uma votação expressiva em Palmas, sairá das urnas com musculatura política para participar diretamente das articulações para a próxima sucessão municipal.
Janad já demonstrou força eleitoral em Palmas e, independentemente de uma eventual candidatura própria à Prefeitura em 2028, seu apoio poderá ter peso importante na construção de qualquer projeto que pretenda disputar o Paço Municipal. Se decidir novamente colocar o próprio nome na corrida, será uma das lideranças a serem consideradas; se optar por apoiar outro candidato, levará para a mesa de negociação um capital político que ninguém interessado na sucessão da Capital poderá simplesmente ignorar.
Fato é que Janad Valcari também estará nesse jogo.
A CÂMARA É O PRIMEIRO TESTE
É justamente por isso que o Observatório Político de O Paralelo 13 chama atenção para a eleição da Mesa Diretora. À primeira vista, são 23 vereadores escolhendo quem comandará a Câmara. Politicamente, pode ser muito mais. Pode ser o primeiro teste da capacidade de articulação de Eduardo Siqueira para a segunda metade de seu mandato.
Pode medir a força do grupo Barbosa dentro do Legislativo. Revelar o tamanho real da candidatura de Folha. Mostrar até onde Professora Iolanda consegue construir uma alternativa dentro da própria Casa.
E pode, principalmente, revelar vereadores que já estão fazendo suas contas para 2028.
UM VOTO PODE MUDAR TUDO
A eleição anterior deixou uma lição que ninguém deveria esquecer. Marilon Barbosa: 12. Folha: 11. Um voto.
Foi essa a diferença entre comandar e não comandar a Câmara Municipal de Palmas.
Por isso, não adianta contabilizar fotografia. Não adianta somar declaração. Não adianta dizer que determinado grupo possui maioria antes de a maioria efetivamente aparecer.
Na Câmara, assim como numa eleição popular, voto prometido não é voto apurado.
Até a votação, haverá conversa. Pressão, convencimento, composição e muita política.
O Observatório Político de O Paralelo 13 estará de olho, porque, em política, muitas vezes a próxima eleição começa muito antes de o eleitor perceber.
Ministros vão analisar relatório da PF que reúne mensagens de Vorcaro a Moraes e decidir se há elementos para abertura de investigação contra magistrado
Da Assessoria
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai transmitir ao vivo na próxima terça-feira (15), a partir das 10h, a sessão que pode definir o futuro do ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte.
A reunião será veiculada na Rádio e TV Justiça e no canal oficial da Corte no YouTube.
No plenário, ministros vão analisar o relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para Moraes e decidir se as informações tornadas públicas pelo ministro André Mendonça podem ser utilizadas.
Só então a Corte vai decidir se há elementos suficientes para abrir uma investigação formal contra Moraes ou se o material deve ser arquivado.
A Procuradoria-Geral da República já se manifestou pela nulidade do relatório, argumentando que um ministro não pode ordenar apuração contra outro e que Mendonça extrapolou limites de sua competência ao pedir diligências sem pedido do Ministério Público ou da própria PF na fase pré-processual do caso.
Vale lembrar que o chefe da PGR, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, também são mencionados em algumas conversas de Vorcaro com interlocutores.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, assumiu nesse sábado (12) a relatoria do caso Vorcaro-Moraes e marcou para 23 de setembro uma sessão para analisar supostas irregularidades da PF na investigação das fraudes do Banco Master e alegações de abuso de autoridade atribuídas a Mendonça.
Outra decisão tomada por Fachin ontem foi a paralisação dos casos Master e INSS, que seguem sob relatoria de Mendonça. O magistrado determinou remessa à presidência da Corte dos processos relacionados a essas duas investigações.
Na prática, Mendonça não poderá tomar decisões em ambos os casos sem anuência de Fachin.
A decisão foi tomada em 24 de julho a partir de um pedido feito pela Procuradoria-Geral da República em 19 de junho
Com Jornal de Brasília
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o bloqueio de mais de R$ 1,9 bilhão em bens no exterior de propriedade do Banco Master e de empresas pertencentes ao grupo. Entre os objetos listados, estão obras de arte, mansões nos Estados Unidos, embarcações e automóveis de luxo. Também foram alvo da medida R$ 21,4 bilhões em ativos das instituições financeiras liquidadas e imóveis ligados às empresas.
Foram listados no processo 18 bens no exterior que, somados, foram avaliados em R$ 1,9 bilhão. Quatro itens não foram avaliados, o que eleva a estimativa total dos bens para mais de R$ 2 bilhões. Nem todos os bens e ativos foram localizados pelos investigadores.
O rol de bens inclui um apartamento duplex na Florida, uma casa de veraneio com residência para visitas no mesmo Estado dos EUA, uma fazenda de luxo com residência no Colorado, um iate, outras embarcações de luxo, uma Mercedes-Benz e um Ford Bronco. Também está na lista R$ 280 milhões decorrente da venda de uma aeronave
No campo das artes, o grupo de Daniel Vorcaro é dono de duas pinturas de Jean-Michel Basquiat avaliadas em R$ 25 milhões e R$ 27,5 milhões, respectivamente. Há ainda um Picasso avaliado em R$ 40 milhões e pinturas de Andy Warhol, Yayoi Kusama e Frederic Anderson de valores não estimados.
A decisão foi tomada em 24 de julho a partir de um pedido feito pela Procuradoria-Geral da República em 19 de junho. Segundo a PGR, “o sequestro de todos os ativos acessados pelas liquidações extrajudiciais é a única medida capaz de garantir a correta destinação do patrimônio em sua ordem legal e o valor de mercado dos bens arrecadados”. Ainda de acordo com o pedido, a medida “servirá apenas para impedir a dispersão precoce do patrimônio levantado”.
A PGR explicou que, “além de danos diretos e evidentes à Fazenda Pública, o expressivo prejuízo suportado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve ser considerado”. E que, “embora seja entidade privada, o FGC é custeado, em grande parte, por bancos e instituições públicas, que foram indiretamente (e significativamente) lesadas pelos delitos, sendo cabível e necessária a imposição da medida”.
Na decisão, Mendonça determinou o sequestro sobre os ativos das seguintes instituições: Banco Master; Banco Master de Investimento; Banco Letsbank; Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; Will Financeira Crédito, Financiamento e Investimento; Banco Pleno; Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários; e Banco Master Múltiplo.
A decisão foi tornada pública a partir da determinação do presidente do STF, Edson Fachin, para que Mendonça levantasse o sigilo das investigações sobre as fraudes do Banco Master.
Estadão Conteúdo
Repasse de R$ 35 milhões, revelado em fevereiro último, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, segundo relatório
Do Estadão Conteúdo
Um relatório da PF (Polícia Federal) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O documento da PF foi mantido em sigilo por sete meses sob a relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e revelado pela revista Piauí nessa quinta-feira (10).
Ainda segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I.
O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou recebido valores dele. Procurado pela reportagem na manhã desta sexta-feira (11), Toffoli ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior.
O relatório afirma que o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário. O empreendimento acabou assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu Toffoli transferiu ativos para o paraíso fiscal no Caribe.
“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, afirma o relatório revelado pela revista.
Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.