Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado
Com Estadão Conteúdo
A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos e a utilização de uma empresa de fachada.
A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. Até a publicação deste texto, o Estadão buscou contato com os advogados de Costa, mas sem sucesso. Este espaço segue aberto.
Segundo a PF, “as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.”
Especificamente sobre o BRB, a PF apontou “prática de corrupção explícita” pelo ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.
O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.
Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi então que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.
Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.
O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.
A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com “trâmite frequentemente acelerado”, contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao Conselho de Administração”, segundos os relatórios da PF.
“Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master”, diz a PF.
A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília.
Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).
A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referente a créditos supostamente originados pela Tirreno.
Em sua terra natal, candidato é recebido por praça lotada, relembra sua trajetória no município e aponta caminhos para saúde, infraestrutura e desenvolvimento
Da Assessoria
Milhares de pessoas lotaram, na noite desta sexta-feira, 11, a Praça do Centenário, em Porto Nacional, para acompanhar a grande reunião de Vicentinho Júnior. Depois de percorrer as ruas da cidade em caminhada pela manhã, o candidato ao Governo do Tocantins encerrou a agenda em sua terra natal em uma noite que reuniu força popular, memória, serviços prestados e compromissos com o futuro da cidade.
Nascido e criado em Porto Nacional, Vicentinho falou de um lugar que se confunde com sua própria trajetória. Relembrou a infância, a família, as escolas onde estudou, professores e espaços que marcaram sua formação. Diante da praça tomada pela população, transformou essas lembranças em uma mensagem sobre pertencimento e responsabilidade com o município.
“Aqui é minha casa. Uma cidade e uma casa que me conhecem desde sempre”, afirmou. “Cada vez que eu abraço vocês, vocês me recarregam para continuar seguindo e fazer uma linda caminhada.”
Hospital mais forte e atendimento perto de casa
A saúde ocupou espaço central nos compromissos apresentados durante o encontro. A chapa defendeu ampliar a capacidade do hospital de Porto Nacional, fortalecendo o município como referência regional e evitando que pacientes precisem se deslocar para Palmas em busca de atendimentos de maior complexidade.

Amélio Cayres defendeu a implantação de UTIs clínica, cirúrgica e pediátrica. A proposta está alinhada ao projeto de descentralização da saúde defendido pela chapa, com serviços especializados mais próximos da população.
“Nós precisamos melhorar Porto Nacional, melhorar o hospital, melhorar o porte do hospital de Porto, colocar aqui não só UTI clínica, mas UTI cirúrgica e UTI pediátrica, para que o nosso povo portoense não precise ir até o Hospital Geral”, afirmou Amélio.
BR-010 e desenvolvimento
A duplicação da BR-010, especialmente na ligação entre Porto Nacional e Palmas, também foi defendida durante a reunião. Amélio afirmou que, caso a União não execute a obra após a federalização da rodovia, a proposta é buscar novamente sua estadualização para que o Governo do Tocantins possa realizar o investimento.
A melhoria da ligação rodoviária foi tratada também como parte de uma estratégia de desenvolvimento para Porto Nacional, município que se destaca pela produção agropecuária, pela atividade empresarial e pela posição estratégica no centro do Estado.
A chapa defendeu ainda maior rigor na execução das obras rodoviárias, com responsabilização das empresas pela qualidade e manutenção do pavimento nos primeiros anos após a entrega.
Mais de R$ 57 milhões para Porto Nacional

A relação de Vicentinho com Porto Nacional também aparece nos investimentos destinados ao município durante sua atuação parlamentar. O levantamento registra mais de R$ 57,1 milhões em recursos, dos quais mais de R$ 52,2 milhões foram empenhados, contemplando educação, saúde, infraestrutura, segurança, assistência social, esporte, cultura, tecnologia e zona rural.
São investimentos que alcançaram escolas e creches, pavimentação, estradas vicinais, pontes, unidades de saúde, Guarda Municipal, IFTO, UFT, rodoviária e os distritos do município, incluindo Luzimangues. Vicentinho também lembrou a implantação da Cidade Digital e os recursos destinados ao longo dos anos para fortalecer a Guarda Municipal.
Somente entre os recursos indicados para 2026 estão R$ 570 mil para a reforma do CRAS, R$ 796.187 para a saúde e R$ 3 milhões para a reforma do Centro Histórico, além de outros investimentos destinados ao município.
Trabalho independente de posição política
Ao recordar sua atuação em Porto Nacional, Vicentinho reforçou uma das linhas que pretende levar para o Governo do Estado: atender os municípios independentemente da posição política de seus gestores.
“Eu nunca perguntei para o prefeito se ele me apoiou ou se vai me apoiar para fazer o que é da minha obrigação”, afirmou.
Para Vicentinho, a relação construída com Porto Nacional representa o modelo de respeito que pretende estabelecer com os 139 municípios, sem condicionar investimentos públicos a alianças eleitorais.
No encerramento, diante de milhares de pessoas, voltou ao ponto mais pessoal de seu discurso. “Não tem forma mais apropriada de você dar um bom exemplo fora de casa do que dar um bom exemplo mostrando a nossa casa. A minha casa é Porto Nacional”, concluiu.
Nesta sexta-feira, 11, equipes da Prefeitura de Palmas atuam na implantação de galerias no trecho entre as quadras ACSO 80 e 90
Texto: Alcione Luz
As obras de drenagem e infraestrutura da Avenida LO-21, em Palmas, chegaram à região sudoeste do Plano Diretor e já ultrapassaram a Avenida Siqueira Campos. Nesta sexta-feira, 11, as equipes atuam na implantação de galerias para o escoamento das águas pluviais no trecho entre as quadras ACSO 80 e 90 (801 e 901 Sul). No local, estão sendo instaladas aduelas de concreto pré-moldado, com dimensões de 2,5 por 2,5 metros, que formam a estrutura da galeria de macrodrenagem responsável por conduzir as águas das chuvas.
Na parte sudeste da avenida, outro trecho da obra já conta com as estruturas de drenagem implantadas. As bocas de lobo foram instaladas no trecho da LO-21 entre a Avenida NS-10 e a Avenida Siqueira Campos, permitindo o direcionamento e o escoamento das águas pluviais pela nova rede.
A obra contempla a implantação de infraestrutura no trecho entre a marginal da TO-050 e a Avenida NS-05. A intervenção busca solucionar problemas de acúmulo de água, que há décadas provocam transtornos aos moradores, especialmente durante o período chuvoso.
Frentes de trabalho
Nesta sexta-feira, as equipes atuam simultaneamente em outras frentes, com a construção de calçadas com acessibilidade no cruzamento com a Avenida Siqueira Campos e escavações para instalação da rede de drenagem no acesso à Avenida NS-05.
“Essa obra de macrodrenagem representa um importante investimento em infraestrutura urbana para Palmas, principalmente porque estamos enfrentando um problema antigo de escoamento das águas das chuvas. A implantação dessa rede vai permitir dar uma solução estruturante para uma região que há décadas convive com pontos de acúmulo de água”, enfatizou o secretário municipal de Infraestrutura e Habitação de Palmas, Paulo Cezar Monteiro.
Por Igor Gielow
A primeira pesquisa do Datafolha realizada sob o impacto pleno da crise do Supremo Tribunal Federal mostra uma situação de estabilidade na corrida ao Planalto, com o presidente Lula (PT) marcando 39% e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 35% no primeiro turno.
Augusto Cury (Avante) tem 6%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barao (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1%. Dizem votar voto branco ou nulo 6%, e 4% se dizem indecisos.
Há uma semana, Lula marcava 38%, ante 33% de Flávio. Já Cury havia subido seis pontos, chegando a 8%.
O resultado é estável para a dupla à frente, mas a distância numérica entre eles é a menor desde maio, tendo passado de 10 para 4 pontos percentuais —o que sugere empate no limite máximo da margem de erro de dois pontos para mais ou menos, com maior probabilidade de Lula estar à frente.
À esquerda, homem de cabelos brancos e barba, vestido com terno azul e faixa presidencial verde e amarela, faz gesto de positivo com as duas mãos. À direita, homem de cabelos curtos e escuros, veste camiseta amarela com verde e jaqueta preta, com a mão direita sobre o peito, em ambiente externo.
Na votação espontânea, quando o eleitor não vê a list de candidatos, Lula segue sendo o mais lembrado, passando de 31% para 33% ante a rodada anterior. Flávio foi de 22% para 25% e Cury oscilou de 5% para 3%. Os indecisos estão em 23%, nível mais baixo até aqui.
Já na simulação de segundo turno, o petista teria 46% e o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, 44%. Na rodada anterior, os números eram os mesmo, indicando um empate técnico.
Lula também empata tecnicamente com Augusto Cury, que não havia sido testado ainda num segundo turno. Segundo o Datafolha, o presidente marca 45% e o escritor, 43%. Já o petista triunfa sobre Caiado (46% a 41%), Zema (48% a 39%) e Renan (48% a 37%).
Em termos de herança potencial, o Datafolha aferiu que 39% dos eleitores de Cury votariam em Flávio num segundo turno e 37%, em Lula. Entre aqueles que não se dizem nem petistas, nem bolsonaristas, nova divisão: 34% para o presidente, 38% para o senador.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores de terça-feira (8) a quinta (10) em 125 municípios. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
Não houve alterações significativas em termos de perfil de eleitorado, embora Flávio tenha novamente invertido o sinal com Lula no Sudeste, região mais populosa com 42% da amostra do Datafolha. Nela, o senador marca 37%, ante 35% do petista; há uma semana, o bolsonarista tinha 34% e o presidente, 36%.
Nos grandes estratos, Lula segue com boa vantagem entre os 28% menos instruídos (52% a 24%), os 49% mais pobres (47% a 27%), os 27% de nordestinos (53% a 25%) e os 50% de católicos (46% a 29%).
Flávio, por sua vez, lidera com mais vantagens entre os 47% com ensino médio (40% a 35%) e os 25% com diploma superior (37% a 30%). Na classe média que ganha de 2 a 5 salários mínimos, 33% da população, bate Lula por 42% a 31%, taxa que sobe acompanhando a renda. Vence entre os 15% de sulistas (40% a 29%), nos 18% moradores do Norte/Centro-Oeste (40% a 32%) e nos 28% de evangélicos (50% a 22%).
A pesquisa foi realizada sob o impacto da crise do STF. Ela foi encerrada, contudo, antes da revelação nesta sexta (11) de que Flávio é investigado no inquérito do caso "Dark Horse" e a determinação do fim do sigilo sobre os dados da apuração.
A crise começou com a revelação, pelo ministro André Mendonça, de relatório sigiloso a que Alexandre de Moraes teve acesso no qual são reveladas relações próximas do colega com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso sob acusação de comandar a maior fraude financeira da história brasileira.
Moraes revidou questionando os atos do colega formalmente. Mendonça, por sua vez, reagiu determinando o afastamento do chefe da Polícia Federal e do diretor de inteligência do órgão. O presidente da corte, Edson Fachin, buscou ganhar tempo e acalmar ânimos suspendendo todas as medidas.
Ele também marcou para a terça que vem (15) uma sessão para debater a abertura ou não de investigação sobre Moraes, a quem removeu do polêmico inquérito das fake news, que desde 2019 era conduzido pelo ministro.
Flávio adotou já no evento do 7 de Setembro a estratégia de associar Lula a Moraes, que comandou o julgamento que condenou seu pai a 27 anos e três meses de cadeia por tentativa de golpe de Estado e manteve aliança tática com o petista ao longo do terceiro mandato do presidente.
Lula, por sua vez, viu seu ex-ministro da Justiça Flávio Dino, hoje no Supremo, recolocar em foco as relações do senador fluminense com Vorcaro.
Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo dinheiro ao então banqueiro já em apuros, o chamando de "meu irmão" e prometendo lealdade.
A verba, quase R$ 70 milhões, se destinaria, segundo o senador, para bancar o filme "Dark Horse" (azarão, em inglês), sobre a carreira de seu pai. Só que Flávio não apresentou as contas e disse se tratar de uma empreitada privada, quando houve dinheiro da prefeitura paulistana envolvido.
Dino abriu o capítulo ao autorizar ação da PF para verificar o uso de verbas parlamentares no financiamento, atingindo o deputado bolsonarista Mário Frias (PL-SP). O eventual impacto desse evento na pesquisa está prejudicado, dado que o trabalho dos entrevistadores já estava avançado.
Por fim, o fim do sigilo sobre o caso no Supremo mostrou que Flávio é investigado, mas a pesquisa já havia sido encerrada.