Decisão aponta ausência de informações sobre bairros e perfil real dos entrevistados e proíbe nova divulgação do levantamento
Com Assessoria
A Justiça Eleitoral determinou nesta sexta-feira, 25, a suspensão imediata de novas divulgações da pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo do Tocantins. A decisão foi proferida pela desembargadora Silvana Maria Parfieniuk, juíza auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), após representação apresentada pela coligação Pra Cima Tocantins. O levantamento havia sido divulgado na terça-feira, 23, pela TV Anhanguera.
Registrada sob o número TO-00371/2026, a pesquisa foi realizada pela Quaest e contratada pelo Centro Norte de Comunicação, responsável pela TV Anhanguera, pelo valor de R$ 117.384. Foram realizadas 804 entrevistas entre os dias 19 e 22 de setembro.
Falhas impedem auditoria
Ao analisar o pedido, a magistrada identificou duas desconformidades objetivas no levantamento. A Quaest não apresentou a composição sociodemográfica real das pessoas efetivamente entrevistadas, restringindo-se, segundo a decisão, a reapresentar a estrutura do plano amostral ponderado. Também deixou de informar os bairros correspondentes a 26 dos 134 setores censitários apresentados.
Para a Justiça, essas falhas comprometem um elemento essencial de qualquer pesquisa eleitoral: a possibilidade de fiscalização. A decisão afirma que a ausência dos dados impediu que a coligação autora, os demais candidatos e o próprio Ministério Público pudessem auditar o levantamento, comprometendo a transparência exigida pela legislação eleitoral.
Risco de induzir eleitor a erro
A decisão também chama atenção para os efeitos que pesquisas podem produzir na reta final da eleição. Ao justificar a necessidade de intervenção imediata, a magistrada afirma que levantamentos divulgados às vésperas do pleito possuem poder indutor e persuasivo sobre o eleitorado e podem interferir na formação do chamado voto útil e na própria dinâmica das campanhas.
Segundo a fundamentação, a fiscalização rigorosa existe justamente para impedir que a circulação de dados estatísticos “opacos, viciados ou matematicamente inconsistentes” possa desequilibrar a disputa ou induzir o cidadão a erro. Diante do risco de novas reproduções dos resultados, a Justiça determinou a suspensão de novas divulgações da pesquisa.
Divulgação suspensa e multa de R$ 20 mil
Com a liminar, Quaest e TV Anhanguera ficam impedidas de fazer qualquer nova divulgação, publicação, reprodução ou veiculação dos resultados da pesquisa, seja em televisão, rádio, jornais, portais de notícias ou redes sociais, até o julgamento final da representação.
Em caso de descumprimento ou nova veiculação, a Justiça estabeleceu multa diária de R$ 20 mil para cada uma das representadas, limitada a R$ 200 mil. Quaest e TV Anhanguera poderão apresentar defesa antes do julgamento definitivo da representação.
Na data em que foi eleito para o comando da Casa, em fevereiro de 2025, Vorcaro parabenizou Alcolumbre, chamando-o de amigo, desejando os “melhores anos” e sucesso na “empreitada”
POR ANA POMPEU, ANNA JÚLIA LOPES E ISADORA ALBERNAZ
Mensagens extraídas pela Polícia Federal mostram que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve uma relação de amizade com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, segundo informações publicadas pela revista Veja e confirmadas pela Folha nesta quinta-feira (24).
Na data em que foi eleito para o comando da Casa, em fevereiro de 2025, Vorcaro parabenizou Alcolumbre, chamando-o de amigo, desejando os “melhores anos” e sucesso na “empreitada”. O senador, então, respondeu: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão!”.
“Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”, completou o presidente do Senado, segundo a publicação. Vorcaro retornou com corações e correspondeu às declarações de amizade: “E eu seu [irmão]. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. O ex-banqueiro enviou também uma sequência com cinco emojis de coração.
A reportagem procurou, por mensagem, a assessoria de imprensa de Davi Alcolumbre nesta quinta para obter um posicionamento. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Menções a Alcolumbre também aparecem em conversas de outubro de 2023 em que Vorcaro, o ex-ministro das Comunicações do governo de Jair Bolsonaro (PL) Fábio Faria e outros interlocutores falam sobre festas em um grupo nomeado “Macallan”, em referência ao uísque, de acordo com as mensagens divulgadas pela Veja.
“Foda que o Davi aprendeu a falar pelo Google tradutor e pode assustar a menina”, diz Faria após o ex-banqueiro afirmar que “Aquela de 3 metros” estaria lá, em uma possível referência às mulheres que eram chamadas para suas festas. “Kkkkkk. Bonde do tigrão”, respondeu Vorcaro ao ex-ministro. “Davi falou q está com dança nova”, afirma ainda Faria.
O material obtido pela revista, com teor confirmado pela Folha de S. Paulo, aponta que, em 28 de março de 2024, Vorcaro enviou mensagens para Faria tratando da contratação de mulheres para um evento paralelo a um fórum para discutir o cenário jurídico no Brasil, que seria realizado em Londres, em abril. O ex-banqueiro admitiu na conversa que estava preocupado com a discrição do evento e que parte dos convidados estaria lá apenas por conta das mulheres.
“To achando que não vai dar pra fazer off la viu. To com receio. Foda que tem nego que ta indo so pra isso ne kkkk”, diz Vorcaro, ao que Faria responde: “Daquele jeito da. Fazemos pros caras e ficamos de boa. E depois vamos pra um menor. Pegar uma suíte em outro hotel. Deixa umas quatro lá”. O ex-ministro completa dizendo que faria um pacto com Alcolumbre para que apenas o “careca” soubesse.
Embora o “careca” não tenha sido citado nominalmente na conversa, diálogos anteriores de Vorcaro e Faria mostram que era dessa forma que ambos se referiam ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Além de Alcolumbre, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também aparece nos diálogos com Vorcaro.
Uma das mensagens é de julho de 2025, quando o Banco Central vetou a venda do Master para o BRB. Na conversa, o então banqueiro diz que havia tentado contato com Alcolumbre, mas que o presidente do Senado não tinha informações sobre a negociação.
Na ocasião, Motta respondeu afirmando que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia combinado de ir até a casa de Alcolumbre após uma reunião.
“Galípolo ficou de ir lá para casa de Davi quando encerrasse a reunião”, diz o presidente da Câmara. “Eu tava (sic) decolando quando o Davi me ligou para dizer isso”, acrescentou.
As mensagens reveladas não dão mais detalhes sobre como foi a reunião entre Alcolumbre e Galípolo, e nem sobre o que o presidente do Banco Central tinha para conversar com o senador.
A reportagem também procurou, por mensagem, Fábio Faria, Hugo Motta e Gabriel Galípolo para se manifestarem, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Ministro dá prazo de 10 dias para Alcolumbre fornecer registros de entrada e saída de oito pessoas, entre elas o ex-banqueiro e a esposa do ministro do STF
Por André Barbeiro , José Matheus Santos
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu nesta quarta-feira (23) prazo de 10 dias para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preste informações sobre registros de entrada e saída de pessoas nas dependências da Casa.
A determinação foi tomada em um mandado de segurança apresentado pelo Guilherme Kilter (Novo), vereador de Curitiba, contra o presidente do Senado. Fux afirmou que, “por ora”, não identifica violação da intimidade ou de informações pessoais no pedido.
Entre os nomes sobre os quais o ministro pediu informações estão o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de José Ferreira da Silva (Frei Chico), irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente; e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
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A lista também inclui Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Américo Monte Junior. O despacho determina que o Senado informe especificamente sobre eventuais registros de entrada e saída dessas oito pessoas desde 1º de fevereiro de 2019, conforme solicitado na ação.
O Senado deverá apresentar as informações diretamente ao relator no prazo de 10 dias. Depois disso, Fux determinou que o Ministério Público seja ouvido, também em prazo improrrogável de 10 dias.
Em reunião com advogados, candidata defendeu prerrogativas da categoria, discutiu a implantação da advocacia dativa no Tocantins, e falou sobre a presença das mulheres nas instituições
Texto: Cidiane Carvalho
A candidata ao Governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil), defendeu nesta terça-feira, 22, a ampliação das prerrogativas e dos espaços de atuação da advocacia durante encontro com profissionais da categoria. Ela destacou projetos apresentados ao longo de seus mandatos sobre sustentação oral, honorários e condições de trabalho e afirmou que o Estado não pode criar obstáculos ao exercício profissional. “Não podemos fechar o espaço de trabalho para os advogados e advogadas”, declarou. A fala da candidata foi em uma reunião com cerca de 300 advogados e advogadas, realizado nesta terça-feira, no Jacinta Buffet, em Palmas.
No encontro, Dorinha também recebeu uma carta sobre a implantação da advocacia dativa no Tocantins. A proposta busca ampliar a assistência jurídica a pessoas que não podem pagar, sobretudo em municípios onde a Defensoria Pública não está presente. A candidata assumiu o compromisso de discutir a proposta tecnicamente, em conjunto com a OAB-TO (Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins) e a Defensoria Pública.

Dorinha afirmou que sua relação com a advocacia vem de muitos anos e lembrou propostas que chegaram ao seu mandato por sugestão de profissionais da área. Também defendeu a manutenção do Exame da Ordem, que considera parte da valorização da formação, e o respeito às prerrogativas de quem atua na defesa de direitos. “Tenho projetos para garantir que o advogado possa fazer a defesa oral em qualquer fase processual”, pontuou.
Representatividade feminina
A candidata destacou ainda a representatividade das mulheres na profissão. Ao citar a paridade na OAB, afirmou que a presença feminina nos espaços de decisão precisa ter peso real. “Nós não queremos compor lista só para fazer de conta. Estamos preparadas. Não precisam nos proteger. Nos respeitem”, declarou.
A presidente da Comissão Estadual da OAB Mulher no Tocantins, Débora Mesquita, falou sobre a importância da paridade de gênero para que as advogadas tenham voz nos espaços de decisão. Ela lembrou que muitas profissionais conciliam a carreira com a família e outras responsabilidades. “Nós, mulheres, conciliamos a vida profissional, a carreira, muitas vezes com a família e tantas outras responsabilidades. Por isso, a paridade é muito importante e a Professora Dorinha é grande defensora dessa causa”, afirmou.
Advogado há 27 anos, Marcelo Wallace lembrou a atuação de Dorinha ao lado da categoria em debates sobre o Exame da Ordem e o direito às férias. Ele também defendeu a implantação da advocacia dativa para ampliar o atendimento a pessoas que enfrentam demora no acesso à Justiça. “Sei da luta da professora Dorinha desde o seu primeiro mandato. Quando o Exame da Ordem foi atacado, ela esteve ao lado da advocacia”, afirmou.
TSE decide suspender campanha de Deltan DallagnolPlacar ficou em 5 a 2; candidato ao Senado pelo Paraná acusa relator de ter proximidade com Alexandre de Moraes
Por Carla Araújo, Vicklin Moraes
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta segunda-feira (21), manter suspensos os atos de campanha de Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná.
A maioria acompanhou o voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques. Também votaram pela manutenção da suspensão os ministros Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Sebastião Reis.
O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e o ministro André Mendonça foram os únicos a votar contra a suspensão. O placar ficou em 5 a 2.
O julgamento ocorre em sessão extraordinária do plenário virtual, com encerramento previsto para a meia-noite.
No sábado (19), Floriano de Azevedo Marques determinou, em decisão liminar, a suspensão da campanha de Dallagnol ao Senado pelo Paraná. A medida vale até o julgamento do recurso apresentado pela Coligação Paraná Para Todos e pela Federação Brasil da Esperança.
A decisão impede Dallagnol de realizar atos de campanha, participar de debates, veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e utilizar recursos públicos de campanha.
O recurso contesta decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que, em votação apertada, havia confirmado o registro de candidatura de Dallagnol ao Senado.
Floriano apontou a ausência de fatos novos capazes de justificar uma conclusão diferente da adotada pelo TSE em 2023, quando a Corte cassou o registro de candidatura do ex-procurador.
Naquele julgamento, o TSE entendeu que Dallagnol havia pedido exoneração do cargo de procurador da República, em novembro de 2021, para evitar a incidência de uma causa de inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa.
A norma estabelece inelegibilidade de oito anos para quem pede exoneração ou aposentadoria voluntária enquanto responde a processo administrativo disciplinar. Segundo o entendimento adotado pelo TSE à época, a saída antecipada de Dallagnol impediu que 15 procedimentos em tramitação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) evoluíssem para processos que poderiam resultar em demissão ou aposentadoria compulsória.
No julgamento do registro para as eleições de 2026, porém, a maioria do TRE-PR entendeu que a decisão de 2023 não se aplicava à eleição atual.
Em entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, nesta segunda-feira (21), Dallagnol criticou a decisão de Floriano e afirmou que a suspensão de sua campanha estaria relacionada à suposta proximidade do ministro com Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Essa decisão foi uma violência jurídica, uma aberração. Eu sou o único com candidatura registrada e, ao mesmo tempo, estou proibido de fazer campanha. E quem é Floriano? Floriano é amigo, desde 1986, de Alexandre de Moraes. Ele foi indicado ao TSE com todo o apoio de Alexandre de Moraes. O próprio Moraes foi quem anunciou a escolha de Floriano para o Lula, não foi nem o Lula”, afirmou Dallagnol.
As alegações sobre a relação entre os ministros foram feitas pelo candidato e não alteram, por si só, o andamento do julgamento no TSE.