Com o tema “Ciência Delas”, evento começa nesta terça-feira, 13, e reúne palestras, oficinas, apresentações de pesquisas e atividades abertas ao público até 16 de outubro

 

 

Texto: Andréia Fernandes/Dicom Unitins

 

 

Entre os dias 13 e 16 de outubro, Palmas será palco de quatro dias dedicados à ciência, à tecnologia, à inovação e à extensão universitária. A Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) realiza a 4ª Semana de Ciência, Tecnologia, Inovação e Extensão, com uma programação diversificada que reúne estudantes, professores, pesquisadores e comunidade no Câmpus Palmas. O evento conta com atividades que valorizam a produção científica e aproximam o conhecimento acadêmico da sociedade.

 

A programação completa está disponível no site unitinscti.com.br/2026. Integrada à 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a edição deste ano tem como tema “Ciência Delas”, destacando o protagonismo de mulheres e meninas na produção científica e no desenvolvimento tecnológico. A iniciativa também busca ampliar a visibilidade das pesquisadoras e incentivar a participação feminina nas diferentes áreas do conhecimento.

 

Abertura oficial terá palestra sobre tecnologias emergentes

A solenidade de abertura será realizada nesta terça-feira, 13, às 19h, no Auditório Central da Unitins, no Câmpus Palmas. Na sequência, às 19h30, a programação (aqui) terá como destaque a palestra magna “Tecnologias Emergentes e a Cultura de Dados na Educação”, ministrada por Zaika dos Santos.

 

Especialista em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, professora, pesquisadora, engenheira de prompts e criptoartista, Zaika abordará as transformações provocadas pelas novas tecnologias e pelo uso de dados no campo educacional. A palestra propõe reflexões sobre os desafios e as possibilidades dessas ferramentas nos processos de ensino e aprendizagem.

 

Pesquisas, oficinas e experiências científicas

Ao longo dos quatro dias, a programação contempla atividades voltadas à divulgação científica, à troca de experiências e ao incentivo à inovação. Entre os destaques estão a XXXIII Jornada de Iniciação Científica e o X Colóquio de Extensão em que acadêmicos apresentarão cerca de 250 pesquisas e projetos desenvolvidos no ambiente acadêmico.

 

Outro destaque é a exposição do Museu José Hidasi, que reúne animais taxidermizados e integra o acervo da Unitins. A visitação estará aberta ao público durante o evento, das 8h30 às 18h, oferecendo uma oportunidade de contato com a diversidade da fauna e de aproximação com o conhecimento científico.

 

O público também poderá participar de oficinas práticas, visitas guiadas aos laboratórios por meio da Mostra de Ciências da Vida, atividades do Fórum Interdisciplinar de Saúde Integral e do V Circuito de Inovação. A programação inclui ainda a V Semana Acadêmica do curso de Engenharia Agronômica, a Jornada dos cursos de Tecnologia e o TocaInovAgro Unitins, ampliando as oportunidades de integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação.

 

Com uma programação que articula diferentes áreas do conhecimento, a 4ª Semana de Ciência, Tecnologia, Inovação e Extensão reafirma o papel da Unitins na produção e na divulgação científica, no incentivo à pesquisa e na promoção de iniciativas que contribuem para o desenvolvimento do Tocantins.

 

O evento é aberto ao público e totalmente gratuito.

 

 

 

 

Posted On Terça, 13 Outubro 2026 05:58 Escrito por

Magistrados ou familiares teriam ligação direta ou indireta com o banqueiro; PF pediu reunião com Fachin para esta terça (13) para apresentar levantamento

 

 

Por Túlio Amâncio com SBT

 

 

A Polícia Federal (PF) deve apresentar nesta terça-feira (13) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um levantamento que reúne referências a pelo menos seis dos dez ministros da Corte nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

 

Segundo fontes ouvidas pela coluna, os magistrados aparecem direta ou indiretamente no material analisado pelos investigadores, seja por relações pessoais, encontros, contratos profissionais ou negócios envolvendo familiares.

 

A própria Polícia Federal solicitou a reunião com Fachin para apresentar as informações que haviam sido solicitadas pelo presidente do STF. O encontro está previsto para esta terça-feira, quando o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, deverá colocar à disposição do presidente do Supremo os dados encontrados durante as investigações.

 

Segundo fontes, o levantamento reúne informações extraídas de mensagens, documentos e outros registros apreendidos no âmbito do caso Master. Também foram identificadas referências a integrantes de outros tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

O objetivo é permitir que Fachin tenha conhecimento do alcance das citações e avalie quais providências poderão ser adotadas.

 

A iniciativa ocorre em meio ao desgaste provocado pelas revelações sobre as relações de Vorcaro com integrantes do Judiciário. A presença dos nomes no material, porém, não significa necessariamente que os ministros sejam investigados ou tenham cometido irregularidades.

 

O que já veio à tona sobre os seis ministros

Ao longo dos últimos meses, reportagens revelaram informações envolvendo Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça.

 

As situações são diferentes e variam de encontros com o banqueiro a contratos milionários e relações profissionais mantidas por familiares.

 

Alexandre de Moraes

 

O ministro teve o nome associado a mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o banqueiro teria procurado Moraes pouco antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025.

 

Também veio à tona um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Reportagens revelaram ainda viagens do casal em aeronaves de empresas ligadas ao banqueiro.

 

Moraes nega ter mantido as conversas atribuídas a ele. O escritório de Viviane afirma que as viagens foram contratadas como serviços de táxi aéreo.

 

Dias Toffoli

 

O ministro deixou a relatoria do caso Master após a Polícia Federal apresentar informações sobre movimentações financeiras envolvendo a Maridt, empresa de sua família, e fundos ligados ao banco.

 

A empresa tinha participação no resort Tayayá, no Paraná. Também foram reveladas viagens de Toffoli em aeronave de uma empresa que tinha Vorcaro como sócio.

 

O ministro defende a legalidade de suas atividades empresariais e nega irregularidades.

 

Kassio Nunes Marques

 

Mensagens de Vorcaro mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados a Kevin Marques, filho do ministro, por intermédio de uma consultoria.

 

Kevin confirmou ter recebido R$ 281,6 mil por serviços jurídicos tributários, mas negou relação profissional com o Banco Master.

 

Também surgiram conversas sobre o custeio de uma mansão no Rio de Janeiro para hospedar um ministro identificado pelas iniciais "KN", além de despesas de hotel supostamente solicitadas em nome de Kassio.

 

O ministro nega ter pedido benefícios ou mantido contato com Vorcaro.

 

Luiz Fux

 

Mensagens recuperadas pela PF mostram a proximidade entre Vorcaro e Rodrigo Fux, advogado e filho do ministro.

 

Outras conversas indicam que empresas com relações comerciais com o banqueiro participaram do custeio de despesas ligadas a uma viagem de Fux a Nova York e a um evento da revista Forbes em homenagem ao magistrado.

 

Fux afirma que nunca teve relação com Vorcaro e que participou do evento a convite da revista. O escritório de Rodrigo nega ter prestado serviços ou recebido pagamentos do banqueiro.

 

Gilmar Mendes

 

O nome do ministro aparece indiretamente em conversas envolvendo Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho, ex-cunhado de Gilmar, contratado por uma empresa investigada por suspeitas de realizar pagamentos ligados a Vorcaro.

 

As mensagens tratavam de interesses no setor de educação, incluindo a abertura de cursos de medicina, tema de processos relatados por Gilmar no STF.

 

Outra ligação envolve a advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição da qual Gilmar é sócio. Ela recebeu R$ 33 milhões do Master e foi descrita como sócia do ministro em uma mensagem de um executivo do banco.

 

Gilmar nega ter tratado de interesses de Vorcaro com o ex-cunhado e afirma que nunca manteve sociedade com a advogada.

 

André Mendonça

 

Mendonça, que conduziu as investigações do Banco Master antes de mudanças na relatoria, confirmou ter se encontrado com Vorcaro em março de 2025, em São Paulo.

 

Segundo o ministro, a reunião durou entre 20 e 30 minutos e tratou de precatórios relacionados ao banco. Mensagens encontradas pela PF também mostram convites feitos ao banqueiro para eventos do Instituto Iter, fundado por Mendonça.

 

Não há confirmação de que Vorcaro tenha participado desses eventos. O ministro nega irregularidades.

 

Fachin terá de avaliar encaminhamentos

Segundo fontes, a apresentação do levantamento busca dar ao presidente do Supremo uma visão abrangente das referências a integrantes da Corte encontradas durante as investigações.

 

A entrega do material ocorre em um momento de divergências internas no tribunal sobre os desdobramentos do caso Master e os limites das apurações que envolvem magistrados.

 

Em manifestação anterior, Fachin afirmou que os fatos relevantes devem ser rigorosamente investigados, sem exceções, respeitando as atribuições das instituições responsáveis pelas apurações.

 

A expectativa é que o encontro desta terça-feira ajude a definir os próximos passos. Entre as possibilidades está a elaboração de relatórios individualizados, caso sejam considerados necessários.

 

Segundo fontes, o material a ser apresentado não representa, por si só, uma acusação formal contra os seis ministros. A avaliação sobre eventuais irregularidades dependerá da análise dos documentos e dos encaminhamentos adotados pelas autoridades competentes.

 

 

 

Posted On Terça, 13 Outubro 2026 05:53 Escrito por

Senador ficou fora do roteiro no primeiro turno, mas planeja visitar o estado na próxima semana para ampliar sua votação

 

 

Por Camila Xavier - Metrópoles

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) planeja visitar o Tocantins na próxima semana. O estado ficou fora do roteiro do candidato no primeiro turno, mas é visto por aliados como estratégico para ampliar sua votação na segunda etapa da disputa.

 

No primeiro turno, Flávio venceu no Tocantins, com 50,44% dos votos, contra 43,42% obtidos pelo presidente Lula (PT). O estado está entre os seis que também terão segundo turno para a escolha do governador. Disputam o cargo a professora Dorinha Seabra (União), que recebeu 45,52% dos votos, e Vicentinho Júnior (PSDB), que somou 43,94%.

 

Flávio Bolsonaro

Embora Flávio tenha declarado apoio a Dorinha, Vicentinho também anunciou voto no senador e afirmou que manterá o apoio ao candidato à Presidência no segundo turno.

Retomada das viagens

Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro têm demonstrado cautela diante do clima de “já ganhou” após o senador terminar o primeiro turno à frente de Lula.

A avaliação interna é de que o excesso de confiança pode prejudicar a campanha. A orientação, portanto, é intensificar os esforços nos estados para ampliar a votação e consolidar a vantagem na disputa pelo Palácio do Planalto.

A estratégia prevê a presença do candidato em grandes cidades e centros urbanos nos quais Lula obteve mais votos, como Salvador e Porto Alegre.

 

Flávio já tem compromissos previstos nas duas capitais: na quarta-feira (14/10), deve participar de um evento em Porto Alegre; no sábado seguinte (17/10), a agenda será em Salvador.

 

 

Posted On Terça, 13 Outubro 2026 05:47 Escrito por

Diante da falta de coragem para responsabilizar o presidente, sobrou para Edinho Silva, Sidônio Palmeira e Rosângela da Silva

 

 

Da Assessoria 

 

 

A derrota do presidente Lula para o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição deste ano reacendeu o fogo amigo no PT e no governo. Como não têm coragem de responsabilizar o chefe, que toca uma gestão sem rumo, reprovada pela maioria do eleitorado e desconectada da realidade da população, petistas, aliados e assessores palacianos elegeram três culpados pelo resultado das urnas.

Um deles é Edinho Silva, comandante do PT e coordenador da campanha à reeleição. Nos bastidores, havia muita reclamação sobre o fato de ele centralizar demais os trabalhos, o que dificultaria a busca de votos nas diferentes regiões do país. Numa reunião após a votação de domingo 4, o próprio Lula, padrinho da ascensão de Edinho Silva à direção da legenda, externou a sua insatisfação.

“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada de que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, afirmou o presidente. No primeiro turno, Lula teve 3,38 milhões de votos a menos do que na rodada inicial de 2022.

Mesmo nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste, que são estratégicos para suas pretensões eleitorais, ele perdeu pouco mais de 230 000 votos. Diante da situação, o candidato à reeleição decidiu reforçar a coordenação de campanha com Camilo Santana, senador e ex-governador do Ceará, Rui Costa, ex-governador e senador eleito pela Bahia, e Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí.
Sempre a comunicação

Outro alvo de reclamações foi o ministro de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira. Ele não deixou o cargo para se envolver diretamente na eleição, mas colocou seu sócio Raul Rabelo como marqueteiro da campanha. O resultado não agradou a Lula e estrelas petistas.

Prova disso é que passou a circular o boato de que o presidente poderia recontratar os serviços de João Santana, que cuidou de sua campanha vitoriosa em 2006 e — também das campanhas exitosas de Dilma Rousseff. Autor de uma delação que reforçou suspeitas de corrupção em gestões petistas, Santana não foi convocado, mas a campanha ganhou o reforço de marqueteiros indicados por políticos que conquistaram boas votações este ano.

Aconselhado pelos novos colaboradores, Lula deu uma guinada na estratégia nas redes sociais. Ele deixou de lado o formalismo e passou a falar menos de sua biografia e de temas como democracia e soberania. Agora, aposta as fichas principalmente na desconstrução da imagem de Flávio Bolsonaro, adotando o estilo despojado e direto que tanto sucesso faz no universo digital

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O presidente está finalmente interagindo com um aparelho celular. Numa de suas postagens, ele sugere que a promessa de Flávio Bolsonaro de promover um “tesouraço” resultará em cortes em programas sociais, na construção de moradias e até na merenda escolar. Em outra, afirma que o oposicionista — ao prometer que dará continuidade ao legado do pai — entregará desemprego, aumento da pobreza e falta de vacinas.

Sempre ela

Na busca por culpados, sobrou também para a primeira-dama Rosângela da Silva, que desde o início do mandato incomoda governistas em razão de sua alegada busca por protagonismo. Janja força a barra para aparecer demais, dizem seus críticos. Isso já seria ruim, mas ganharia contornos piores porque ela, conforme os críticos, têm imagem desgastada no eleitorado. Ou seja: não agregaria, mas tiraria votos.

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A ex-senadora Kátia Abreu, por exemplo, defendeu “menos Janja e mais Alckmin” no segundo turno, diante da necessidade do presidente de conquistar votos fora da bolha da esquerda. A crítica tem teto. Do desempenho do marido da primeira-dama ninguém fala. É lei no PT: Lula nunca erra, mesmo quando os fatos dizem o contrário.

 

 

Posted On Segunda, 12 Outubro 2026 11:06 Escrito por

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O primeiro turno das eleições de 2026 deixou lições que merecem ser examinadas com atenção. Uma delas diz respeito aos institutos de pesquisa eleitoral, à responsabilidade de quem contrata e interpreta seus levantamentos e à maneira como os números divulgados antes das urnas podem influenciar o comportamento de candidatos, coordenadores de campanha e lideranças políticas.

 

Outra lição envolve o encerramento de um ciclo de governo. O governador Wanderlei Barbosa ainda tem responsabilidades administrativas a cumprir, independentemente de quem vencerá o segundo turno para o comando do Palácio Araguaia. Os últimos meses de uma gestão exigem atenção redobrada às contas públicas, aos atos administrativos e à prestação de contas perante os órgãos de controle.

 

São assuntos diferentes, mas que se encontram em um mesmo ponto: na política, expectativas não substituem resultados, popularidade não dispensa responsabilidade e nenhum mandato afasta o dever de prestar contas.

 

PESQUISAS ELEITORAIS

 

A Associação dos Veículos de Comunicação do Estado do Tocantins (AVECOM) divulgou nota parabenizando o Portal Stylo, O Girassol e Folha Capital pelo trabalho de divulgação de pesquisas eleitorais durante o primeiro turno.

 

A entidade identificou os responsáveis pelos levantamentos: Instituto ProMotion/Stylo, WS Editora Girassol Ltda. e IPEX, respectivamente. Na avaliação apresentada pela associação, os resultados divulgados por esses veículos foram compatíveis com o cenário posteriormente verificado nas urnas, consideradas as respectivas margens de erro.

 

A AVECOM também defendeu a valorização das empresas tocantinenses, destacando a capacidade técnica dos profissionais que conhecem a realidade política, econômica e social do Estado.

 

O reconhecimento é importante para o mercado regional de comunicação. Mas o debate sobre pesquisas eleitorais precisa ir além da valorização institucional e alcançar a responsabilidade de todos os envolvidos na produção, contratação, divulgação e interpretação dos levantamentos.

 

Durante a campanha, pesquisas de diferentes institutos apresentaram cenários distintos. Alguns levantamentos locais se aproximaram mais do resultado das urnas, enquanto outros, inclusive de institutos nacionais, indicaram a possibilidade de vitória de Professora Dorinha Seabra ainda no primeiro turno.

 

A diferença entre a expectativa e o resultado oficial mostrou que os números precisam ser lidos com cautela. Uma pesquisa representa um retrato de determinado momento, dentro de uma metodologia, de uma amostra e de uma margem de erro. Não é garantia de resultado eleitoral.

 

QUANDO A PESQUISA VIRA CERTEZA, A POLÍTICA PODE PERDER O CHÃO

 

O problema começa quando números favoráveis deixam de ser tratados como indicadores e passam a ser encarados como confirmação antecipada da vitória.

 

No caso da campanha governista, a expectativa de uma vitória de Dorinha Seabra no primeiro turno foi acompanhada, segundo relatos de bastidores, por um ambiente de confiança excessiva entre parte dos aliados. O próprio governador Wanderlei Barbosa teria demonstrado acreditar na possibilidade de encerramento da disputa já na primeira votação.

 

A leitura política que se pode fazer desse cenário é que a confiança nos levantamentos pode ter influenciado a postura de setores da campanha. Em política, porém, acreditar que a vitória está garantida é diferente de trabalhar para conquistá-la.

 

O resultado oficial impediu a definição da eleição no primeiro turno. Dorinha e Vicentinho Júnior voltaram à disputa em uma nova etapa, com a necessidade de reconstruir alianças, ampliar o diálogo com o eleitor e conquistar votos.

 

É nesse ponto que cabe uma reflexão: campanhas eleitorais não podem permitir que a euforia dos números substitua o contato com a realidade. Nenhum candidato deve confundir liderança em pesquisa com vitória consumada. Nenhum coordenador pode considerar dispensável o trabalho de convencimento porque um levantamento aponta vantagem.

 

A urna não conhece o salto alto. Conhece o voto.

 

INSTITUTOS PRECISAM PRESTAR CONTAS À SOCIEDADE

 

O desempenho das pesquisas em 2026 também abre espaço para uma discussão sobre metodologia, transparência e credibilidade. Institutos locais e nacionais precisam demonstrar como seus levantamentos são realizados, apresentar adequadamente as informações técnicas e permitir que a sociedade compreenda o alcance e as limitações de cada resultado.

 

Quando uma pesquisa se distancia significativamente do resultado oficial, é legítimo questionar os fatores que podem ter contribuído para a diferença. Isso não significa presumir fraude ou desonestidade. Significa exigir transparência, rigor metodológico e responsabilidade na comunicação dos dados.

 

Da mesma forma, quando um levantamento se aproxima do resultado, é necessário reconhecer o desempenho sem transformar um acerto em garantia de infalibilidade. O eleitor merece respeito. Não deve ser induzido a acreditar que uma eleição está decidida antes de votar, nem levado a tratar pesquisas como se fossem resultados oficiais.

 

A nota da AVECOM coloca em evidência o trabalho dos veículos tocantinenses e a importância de valorizar o mercado local. O próximo passo é fortalecer o debate sobre a qualidade da informação eleitoral, sem desqualificações generalizadas e sem transformar divergências metodológicas em acusações sem provas.

 

WANDERLEI BARBOSA: POPULARIDADE TAMBÉM EXIGE RESPONSABILIDADE

 

O governador Wanderlei Barbosa construiu uma trajetória política marcada por sucessivas vitórias eleitorais. Desde suas primeiras disputas por mandatos proporcionais até a passagem pela Câmara Municipal de Porto Nacional, a Assembleia Legislativa, vice-governadoria e o Governo do Estado, sua carreira foi acompanhada por uma presença política relevante no Tocantins.

 

Levantamentos divulgados anteriormente chegaram a registrar aprovação de 66,8% de sua gestão. Esse indicador ajuda a dimensionar a força política que o governador construiu, embora não deva ser confundido com uma aprovação superior a 70% sem a identificação de uma pesquisa específica que sustente esse percentual.

 

A trajetória eleitoral de Wanderlei, contudo, não elimina os desafios do encerramento de sua gestão. Pelo contrário: quanto maior a responsabilidade exercida por um agente público, maior a importância da transparência sobre os atos administrativos e a aplicação dos recursos públicos.

 

Nos meses finais do mandato, ele que foi eleito e reeleito, a prioridade precisa ser a conclusão responsável dos compromissos assumidos, a organização das contas e a entrega de uma administração devidamente documentada.

 

A popularidade pode fortalecer uma liderança política. Mas a prestação de contas é uma obrigação institucional que não depende de aprovação popular, resultado eleitoral ou posição ocupada no cenário político.

 

TCU, TCE E AS CONTAS DO GOVERNO

 

O Tribunal de Contas da União (TCU), o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) e a Assembleia Legislativa exercem funções distintas no sistema de controle e fiscalização da administração pública.

 

Por isso, é necessário separar as competências de cada instituição. O TCU fiscaliza a aplicação de recursos federais sujeitos à sua jurisdição. O TCE-TO atua no controle externo das contas e da gestão pública estadual e municipal, conforme suas atribuições constitucionais e legais. Já a Assembleia Legislativa exerce a função de julgamento das contas do governador nos termos da Constituição e do ordenamento aplicável, considerando os pareceres e procedimentos pertinentes.

 

Wanderlei Barbosa precisa conduzir o encerramento de sua gestão com atenção à documentação dos atos administrativos, à regularidade das despesas, aos contratos, às transferências de recursos e às demais obrigações do Estado.

 

A existência de fiscalização não significa que haja irregularidade comprovada. Da mesma forma, a aprovação de contas anteriores não constitui garantia automática de aprovação de exercícios posteriores. Cada período de gestão deve ser examinado conforme seus próprios atos, documentos e resultados.

 

A reflexão do Observatório Político de O Paralelo 13 é direta: o governador não deve permitir que as movimentações políticas do segundo turno desviem a atenção das responsabilidades administrativas que permanecem sob sua condução.

 

O FIM DO MANDATO NÃO ENCERRA AS RESPONSABILIDADES

Em 31 de dezembro de 2026, termina o atual ciclo de governo. A partir daí, os integrantes da administração seguirão seus próprios caminhos, enquanto os órgãos de controle continuarão exercendo suas atribuições sobre os atos praticados durante a gestão, respeitados os prazos e procedimentos legais.

 

É natural que, no ambiente político, alianças mudem e antigos companheiros sigam projetos diferentes. Por isso, a administração pública não pode depender de relações pessoais ou da expectativa de que aliados permaneçam ao lado de um governante depois do mandato.

 

O que protege um gestor é a regularidade dos atos, a documentação adequada, a transparência e o cumprimento da lei. Não se trata de antecipar conclusões sobre contas ainda sujeitas a análise, muito menos de insinuar a prática de crimes sem provas. Trata-se de reconhecer que o encerramento de um governo exige responsabilidade até o último dia e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelas instituições competentes, com respeito ao devido processo legal.

 

A prioridade de Wanderlei Barbosa, nesta reta final, deve ser concluir sua gestão com responsabilidade administrativa, preservar a documentação pública e garantir que as contas sejam apresentadas de forma transparente, independentemente do resultado do segundo turno.

 

UMA REFLEXÃO PARA O DOMINGO

 

As eleições de 2026 deixam duas advertências importantes. A primeira é dirigida aos institutos de pesquisa, às empresas de comunicação, aos partidos e às campanhas: os números precisam ser tratados com rigor, e a divulgação de cenários eleitorais exige responsabilidade. A pesquisa pode orientar uma estratégia, mas não deve substituir a escuta do eleitor nem produzir a ilusão de uma vitória antecipada.

 

A segunda é dirigida ao governador e à sua equipe: a disputa eleitoral tem data para terminar, mas as responsabilidades administrativas não desaparecem com o fim do mandato. O encerramento de uma gestão exige atenção às contas, aos documentos e aos compromissos assumidos com a população.

 

Wanderlei Barbosa chega ao final de seu ciclo de governo com uma trajetória eleitoral expressiva e capital político construído ao longo dos anos. Justamente por isso, a conclusão da gestão merece cuidado especial.

 

O resultado do segundo turno definirá quem comandará o Tocantins a partir de 2027. Não definirá, entretanto, o dever de prestar contas de quem administrou o Estado até o último dia de 2026.

Aos institutos de pesquisa, fica a cobrança por transparência, metodologia e respeito ao eleitor.

Ao governador e aos seus auxiliares, fica o lembrete de que a responsabilidade pública não termina com a última reunião, a última inauguração ou a última fotografia de governo.

 

Na política, a pesquisa não é urna. A popularidade não é salvo-conduto. E o fim do mandato não é o fim da prestação de contas.

 

 

Posted On Domingo, 11 Outubro 2026 03:28 Escrito por
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