Ao povo do Tocantins e a cada homem e mulher que acredita num país melhor.
Agora começamos uma nova campanha.
E para quem participou de tantas campanhas como eu, entendo que nenhuma eleição é fácil.
Assim como nenhuma conquista do povo brasileiro veio sem luta.
Poucas histórias representam isso tão bem quanto a história do nosso presidente Lula. Um menino pobre e nordestino, criado sem pai, mas com a presença de uma mãe forte e corajosa que educou Lula e sete irmãos com dignidade.
Um torneiro mecânico, que se tornou líder sindical e enfrentou os mais poderosos para defender a classe trabalhadora.
Um homem que conheceu a fome, enfrentou perdas e atravessou algumas das maiores dores que a vida pode impor a alguém.

Lula tentou ser presidente e perdeu uma, duas, três vezes.
Poderia ter desistido.
Mas não desistiu. Levantou, persistiu e venceu.
É dessa força que precisamos agora.
Porque chegamos a uma das batalhas mais importantes da história do Brasil.
Para quem acredita neste projeto, é uma batalha para garantir as conquistas sociais nos últimos 20 anos. Entre o Brasil que queremos construir e deixar como legado para as próximas gerações e o Brasil do atraso e da discórdia.
Não é hora de divisão.
Não é hora de abandonar ninguém pelo caminho.
É hora de buscar quem se afastou, abraçar quem está cansado, conversar com quem ainda tem dúvida e ampliar nossa força.
Cada voto importa.
Cada voz importa.
Cada coração importa.
Se Lula nos ensinou alguma coisa durante toda a sua vida, foi que um desafio não pode nos derrotar.
A vitória vem da união, da dedicação, da força e da perseverança.
E nós estamos de pé, prontos para superar mais esse desafio.
Hoje, às 14 horas, em Brasília, participo da reunião nacional da coordenação da campanha do presidente Lula para conhecer as estratégias para o segundo turno. Depois, serão traçados os próximos passos da nossa caminhada no Tocantins.
Então, prepare o coração. Chame os amigos, reúna a família, vista-se de esperança.
O Brasil está nos chamando mais uma vez para construirmos a nossa história.
E quando nossos filhos e netos perguntarem onde estávamos neste momento, que possamos responder: nós estávamos juntos, nós estávamos de pé, nós estávamos lutando pelo Brasil que acreditamos.
Agora é a hora.
Vamos à luta.
KÁTIA ABREU
Ex-senadora e coordenadora da Campanha de Lula no Tocantins
Por Edson Rodrigues
O segundo turno no Tocantins começa a produzir uma situação política que merece ser observada com lupa. De um lado, a candidata ao Governo Professora Dorinha Seabra, que nesta segunda-feira esteve ao lado do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de outras lideranças da sua aliança em uma conversa por vídeo com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Na conversa, Flávio agradeceu a votação recebida no Tocantins e confirmou o alinhamento com a candidatura de Dorinha. Eduardo Gomes fez questão de reforçar um pedido: a presença de Flávio no Estado durante o segundo turno para participar da campanha e fortalecer o palanque da candidata.
Do outro lado, poucas horas depois, o candidato Vicentinho Júnior também deixou claro que não pretende abrir mão da identidade política que construiu ao longo dos últimos anos. Questionado pela imprensa sobre o apoio a Flávio Bolsonaro, Vicentinho afirmou que votou nele no primeiro turno e que repetirá o voto no segundo. Mais do que isso, fez questão de lembrar sua trajetória de apoio ao bolsonarismo, citando sua posição em 2018 e o apoio à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.
Está formado, portanto, um dos fatos mais curiosos desta eleição: Dorinha fará palanque para Flávio Bolsonaro. Vicentinho também fará palanque para Flávio Bolsonaro. E é exatamente aí que começa o novo capítulo da disputa pelo Palácio Araguaia.
O MESMO PRESIDENTE, DOIS PROJETOS PARA O TOCANTINS

A situação não deixa de ser politicamente singular. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno no Tocantins à frente de Lula, com 469.321 votos, 50,44% dos votos válidos, contra 404.009 votos, 43,42%, obtidos pelo petista. Uma diferença de 65.312 votos. Esse resultado transformou a votação presidencial em um ativo político que nenhum dos dois candidatos ao Governo pode ignorar.
E os dois sabem disso.
Dorinha tem agora a possibilidade de aproximar seu palanque estadual do candidato presidencial que venceu no Tocantins. A articulação feita nesta segunda-feira mostra que o grupo governista pretende explorar essa conexão, inclusive com a possibilidade de uma visita de Flávio ao Estado durante a campanha.
Vicentinho, por sua vez, tenta deixar claro que não chegou agora ao campo bolsonarista. Sua argumentação é a de quem quer apresentar o apoio a Flávio como continuidade de uma trajetória política, e não como uma movimentação circunstancial provocada pelo segundo turno.
É uma diferença de narrativa importante. Dorinha apresenta o apoio como uma composição política para a nova etapa eleitoral. Vicentinho apresenta o apoio como coerência com sua história. E o eleitor será chamado a avaliar essas duas narrativas.
FLÁVIO AGORA TEM DOIS PALANQUES NO TOCANTINS

A questão que se coloca é simples, mas politicamente complexa: como funcionará uma campanha presidencial que terá dois palanques na mesma eleição estadual? Flávio Bolsonaro poderá ter espaço tanto ao lado de Dorinha quanto ao lado de Vicentinho. Poderá ser recebido por grupos políticos diferentes, poderá aparecer em agendas diferentes, poderá ser utilizado como símbolo de identificação política pelas duas campanhas.
E isso cria uma situação pouco comum.
No segundo turno presidencial, o eleitor tocantinense escolherá entre Flávio e Lula. No segundo turno estadual, escolherá entre Dorinha e Vicentinho. Mas não existe uma combinação eleitoral obrigatória.
O eleitor pode votar em Flávio para presidente e em Dorinha para governadora. Pode votar em Flávio e em Vicentinho. Pode escolher Lula e Dorinha. Pode escolher Lula e Vicentinho. A urna permite todas essas combinações.
Por isso, qualquer tentativa de transformar o apoio presidencial em transferência automática de votos seria simplificar demais o comportamento do eleitor.
GOMES NO CENTRO DA ARTICULAÇÃO

A movimentação desta segunda-feira também recoloca Eduardo Gomes no centro das articulações. Reeleito senador pelo Tocantins e uma das principais lideranças do PL no Estado, Gomes participou diretamente da conversa com Flávio e fez questão de solicitar a presença do presidenciável na campanha de Dorinha. A articulação reforça a proximidade entre o senador, o governador Wanderlei Barbosa e a candidatura da senadora ao Governo.
É uma demonstração de que o segundo turno não será apenas uma disputa entre duas candidaturas. Será também uma disputa pela capacidade de cada grupo de montar um palanque politicamente forte, ampliar alianças e transformar seus apoios nacionais e estaduais em presença efetiva nos municípios.
E, nesse ponto, a presença de Flávio poderá se tornar um dos elementos mais disputados da campanha.
VICENTINHO NÃO QUER ENTREGAR O CAMPO BOLSONARISTA

A reação de Vicentinho também precisa ser compreendida dentro desse novo desenho. Ao afirmar publicamente que votou em Flávio no primeiro turno e que continuará votando nele, o candidato sinaliza que pretende disputar também o eleitorado identificado com a direita e com o bolsonarismo.
Mais do que isso, ao lembrar sua posição em 2018 e em 2022, Vicentinho procura estabelecer uma diferença de trajetória. A mensagem é clara: não se trata de uma adesão de ocasião, mas de uma posição que ele afirma carregar há anos.
A campanha de Dorinha, naturalmente, tem outra narrativa. Ela passa a contar com o apoio explícito do grupo liderado por Eduardo Gomes e com a articulação para aproximar Flávio de sua candidatura ao Governo. É justamente nesse cruzamento que o segundo turno tocantinense começa a ganhar uma característica própria.
O ELEITOR DE DIREITA SERÁ DISPUTADO PELOS DOIS

A disputa pelo eleitorado de direita pode se transformar em uma das principais frentes desta segunda etapa. Não porque todo eleitor que votou em Flávio escolherá automaticamente um dos dois candidatos ao Governo. Mas porque a votação presidencial mostrou que existe no Tocantins um contingente eleitoral expressivo que se identificou com o candidato do PL. Esse eleitor agora será cortejado pelas duas campanhas.
A ELEIÇÃO ESTADUAL NÃO SERÁ RESOLVIDA EM BRASÍLIA
Mas existe uma ressalva fundamental. A eleição é no Tocantins. E quem decide é o eleitor tocantinense. O apoio de uma liderança nacional pode aumentar a visibilidade de uma candidatura. Pode produzir mobilização. Pode gerar imagens, eventos, carreatas e discursos.
Mas não substitui a campanha estadual. Dorinha continuará precisando conversar com o eleitor sobre Tocantins. Vicentinho também. As duas campanhas terão de apresentar suas propostas, defender seus projetos e enfrentar os problemas concretos do Estado.
Porque, no fim das contas, Flávio estará na disputa presidencial. Dorinha e Vicentinho estarão disputando o Palácio Araguaia. São duas eleições acontecendo simultaneamente, ainda que os palanques possam se cruzar.
ALIANÇAS
Mas, como política não é uma ciência exata, nesse processo sucessório desaguando no segundo turno no Tocantins, pode ser chegar a uma vitória seguindo outras equações, que necessariamente não vem de Brasília.
Segundo o CEO da Quaest, Felipe Nunes, o segundo turno no Tocantins pode sim, ser decidido, por quem conseguir acordos e apoios dos demais candidatos ao governo do Estado, derrotados em 4 de outubro. Os votos deles, conforme declarou o cientista político que preside esse instituto de pesquisa, serão decisivos para a vitória no próximo dia 25.
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A urna de 4 de outubro não escolheu o governador do Tocantins. Escolheu os dois nomes que terão de voltar às ruas, aos municípios, aos palanques e, principalmente, ao eleitor para disputar os últimos votos de uma eleição que terminou o primeiro turno com uma diferença pequena demais para permitir comemoração antecipada.

De um lado, a senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil). Do outro, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB). Dorinha terminou a primeira etapa na frente, com 369.181 votos, 45,75% dos votos válidos. Vicentinho chegou logo atrás, com 352.739 votos, 43,72%. Entre os dois, apenas 16.442 votos, uma diferença de 2,03 pontos percentuais.
É pouco.
Muito pouco para uma eleição majoritária que agora começa uma segunda etapa completamente diferente. A partir de agora, não existe mais o terceiro colocado, não existe mais a divisão dos palanques do primeiro turno e não existe espaço para campanha burocrática. Existem dois nomes, duas estruturas, dois projetos e uma pergunta que permanecerá aberta até o último voto ser contado: quem conseguirá transformar apoio político em voto?
É aí que começa a verdadeira disputa.
Porque segundo turno não se ganha com fotografia. Ganha-se com movimento. As engrenagens políticas de cada candidatura serão testadas até o limite. Prefeitos, deputados, vereadores, lideranças regionais, partidos, grupos empresariais, movimentos sociais e militâncias terão de mostrar, na prática, quanto de sua força política consegue chegar à urna. E, quando a diferença é de pouco mais de 16 mil votos, qualquer movimento pode fazer diferença.
Uma adesão pode alterar o rumo de uma região. Um debate pode mudar a percepção de milhares de eleitores. Um erro pode custar caro. Uma estratégia bem executada pode produzir uma virada. O segundo turno não é continuação do primeiro. É outra eleição.
DORINHA TEM A FRENTE, A ESTRUTURA E O DESAFIO DE NÃO DEIXAR A VANTAGEM ESCAPAR

Professora Dorinha chega à segunda etapa com aquilo que todo candidato deseja ter ao começar uma decisão: a dianteira. Mas chega também sabendo que os 16.442 votos de vantagem não permitem acomodação. A candidatura reúne uma estrutura política expressiva e conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de uma ampla rede de lideranças que saiu das urnas com peso político renovado. O grupo governista também terá à disposição uma bancada expressiva no Legislativo, resultado que amplia sua capacidade de articulação para esta segunda etapa.
Mas existe uma velha verdade da política que volta a aparecer neste momento: estrutura ajuda. Liderança ajuda. Apoio ajuda. Voto, porém, precisa ser conquistado. Nenhum prefeito carrega uma urna no bolso. Nenhum deputado consegue entregar ao candidato um pacote fechado de votos. Nenhuma liderança controla integralmente a vontade de seus eleitores.
O eleitor pode ouvir o líder e escolher diferente. Pode seguir o partido ou escolher outro caminho. Pode mudar de opinião. E é exatamente esse eleitor, muitas vezes silencioso, que passa a ser o personagem mais importante desta segunda etapa.
FLÁVIO BOLSONARO ENTRA NO TABULEIRO TOCANTINENSE

A decisão de Professora Dorinha de apoiar nacionalmente Flávio Bolsonaro (PL) acrescenta uma nova variável à disputa estadual. No Tocantins, Flávio terminou o primeiro turno com 469.321 votos, 50,44% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 404.009 votos, 43,42%. Uma diferença de 65.312 votos, ou 7,02 pontos percentuais. Agora, os dois estarão novamente frente a frente no segundo turno presidencial. E essa coincidência cria uma equação política que merece ser observada com lupa. Dorinha estará disputando o Governo do Estado ao mesmo tempo em que Flávio Bolsonaro disputará a Presidência da República.
Os dois palanques poderão se encontrar em determinados momentos. Poderão compartilhar lideranças, agendas e estruturas. Poderão também produzir efeitos cruzados sobre o eleitorado.
Mas política não é matemática simples. O eleitor pode votar em Flávio para presidente e escolher Vicentinho para governador. Pode votar em Lula e Dorinha. Pode combinar qualquer uma das duas escolhas. É justamente essa liberdade que torna a eleição imprevisível.
VICENTINHO JÚNIOR CHEGA AO SEGUNDO TURNO COM A CHANCE REAL DE VIRAR O JOGO

Vicentinho Júnior fez algo que, politicamente, não pode ser minimizado: chegou ao segundo turno. E chegou muito perto. A diferença de 16.442 votos transforma sua candidatura em uma força competitiva e coloca sobre seus ombros uma tarefa objetiva: buscar votos onde Dorinha não conseguiu chegar e preservar os votos que já conquistou.
Sua candidatura chega acompanhada do deputado estadual Amélio Cayres, candidato a vice, e de uma composição política que inclui Alexandre Guimarães, eleito senador, além dos candidatos proporcionais e das lideranças que caminharam com o projeto.
O chamado “trio parada dura” chega ao segundo turno com um ativo importante: não perdeu peças fundamentais durante a caminhada. A candidatura atravessou a pré-campanha e o primeiro turno sem uma ruptura capaz de desmontar sua estrutura.
Agora, porém, o desafio é maior. Não basta comemorar a chegada ao segundo turno. É preciso transformar a chegada em vitória. E para isso será necessário conversar com quem não estava no palanque, buscar os votos dos candidatos que ficaram pelo caminho e, principalmente, convencer o eleitor de que a mudança é possível.
AS PESQUISAS TOMARAM UM BANHO DE REALIDADE

Se existe uma lição que o primeiro turno deixa para a política tocantinense, ela está nas pesquisas. Os números oscilaram. Os cenários mudaram. Alguns levantamentos apontaram vantagens confortáveis. Outros mostraram empate técnico. Houve pesquisas que colocaram as candidaturas em posições bastante diferentes daquilo que as urnas finalmente apresentaram. E a urna, como sempre, não conversa com ninguém antes de responder. Ela simplesmente responde.
Por isso, o primeiro turno deixa uma frase que deveria estar escrita na porta de todos os comitês: pesquisa é fotografia. Urna é resultado.
Não se trata de demonizar os institutos ou dizer que toda pesquisa é imprestável. Pesquisas medem momentos, metodologias e comportamentos eleitorais que podem mudar até o dia da votação. Mas o que aconteceu no Tocantins mostra que não existe espaço para transformar pesquisa em certeza.
A urna é soberana.
E a urna de 4 de outubro mostrou uma disputa muito mais apertada do que algumas projeções faziam imaginar.
Agora nos resta observar os cenários e entender quem vai aderir a quem, quem vai mudar de lado, quem vai permanecer onde está e, principalmente, quem conseguirá levar o eleitor até a urna.
PT TOCANTINENSE: UMA NOVA EQUAÇÃO

Há ainda uma peça importante que não pode ser retirada deste tabuleiro.
O PT tocantinense.
Com Dorinha declarando apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o campo petista passa a enfrentar uma situação politicamente delicada no segundo turno estadual. No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio no Tocantins por mais de 65 mil votos. Agora, a candidata que disputa o Governo pelo campo governista estará no palanque presidencial de Flávio.
O que fará o PT? Para onde irão suas lideranças? Como se comportarão seus prefeitos, vereadores e dirigentes? E, sobretudo, como reagirá o eleitor petista? São perguntas que não têm respostas prontas. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores incógnitas desta segunda etapa.
O ANDAR DE BAIXO TAMBÉM VAI DECIDIR
A política costuma olhar para cima, para os grandes líderes, governadores, senadores, deputados, prefeitos. Mas eleições majoritárias também são decididas no andar de baixo. Na conversa de família, na fila do supermercado, no grupo de whatsapp, no bairro, na zona rural, na cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo. É ali que o eleitor decide.
E é por isso que nenhuma candidatura pode imaginar que o apoio de uma liderança significa automaticamente a transferência de seus votos.
Apoio se anuncia. Estrutura se organiza. Aliança se constrói. Voto se conquista.
Essa talvez seja a principal regra deste segundo turno.
AGORA, É OLHO NO OLHO
Restam poucos dias. Dorinha tem uma vantagem. Vicentinho tem uma diferença possível de ser alcançada. Dorinha tem estrutura. Vicentinho tem a oportunidade de construir uma virada. E ambos terão de disputar aquilo que nenhuma pesquisa consegue entregar antecipadamente: a confiança do eleitor.
Daqui até 25 de outubro, cada gesto terá peso.
O Tocantins já mostrou que eleição não respeita roteiro pronto. Agora, os dois candidatos terão de escrever o último capítulo dessa história diante de um eleitor que já mostrou que não aceita receber a decisão pronta.
O Observatório Político de O Paralelo 13 estará, nesta semana pós-eleições, nos bastidores da política de Palmas e do interior do Estado, acompanhando as articulações, as adesões, os movimentos, os acordos e, principalmente, os fatos que poderão alterar o rumo desta que promete ser uma das disputas mais apertadas pelo Governo do Tocantins.
A decisão do ex-governador se deu depois de conversa interna com PSD e a legenda optar pela neutralidade na disputa presidencial
Por Júlia Mano
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) declarou nesta segunda-feira (5) que anunciará apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O goiano terminou a disputa ao Palácio do Planalto em quinto, com 2.605.148 votos, equivalente a 2,18%.
Caiado contou à coluna que conversou por telefone com Flávio após uma ligação feita pelo candidato à Presidência, que terminou o primeiro turno da eleição à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio deverá ser feito em evento em Goiânia, na terça-feira (6), às 14h.
No domingo (4), o presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, anunciou que a legenda ficará neutra no segundo turno da disputa presidencial. Dessa forma, os diretórios estaduais e os seus integrantes podem definir individualmente se apoiarão Flávio ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Logo depois de definida a ida da disputa presidencial ao segundo turno, Caiado disse que iria conversar primeiro com Kassab antes de definir seu posicionamento para a próxima etapa do pleito presidencial.
Em reunião com aliados para tentar reverter desvantagem contra Flávio, Lula conclamou esforço conjunto e indicou intenção de comparecer a debates
Por Victor Schneider
Depois de reunião com uma frente de aliados dentre eleitos e derrotados nesta segunda-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou confiança na capacidade de reverter a desvantagem no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O petista fechou o primeiro turno com 45% dos votos, ante 47% do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE), Lula falou sobre a decepção com o resultado, mas avaliou que sua campanha paga o preço da crise de confiança no Supremo Tribunal Federal (STF), cuja relação dos ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro paira sob dúvida e indícios ainda não explorados a fundo.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte depois dessas denúncias", disse Lula, que foi aplaudido pelos presentes.
Além disso, em busca de reverter o cenário adverso, o petista ajustou o discurso político e defendeu que é o único candidato "antissisema" da disputa presidencial. "Só tem um candidato antissistema: eu", disse. Apesar da afirmação, Lula fez diversos acenos aos ministros do Supremo ao longo da campanha, inclusive ao receber integrantes da Corte em reuniões fora da agenda para discutir a crise no Judiciário.
Lula manteve o bom humor ao relembrar a recuperação que teve no segundo turno das eleições de 2006 justamente contra o seu agora vice. Naquele pleito, o petista ganhou 12 milhões de votos entre os turnos, enquanto Alckmin teve uma incomum queda de 2 milhões de votos.
“Eu estou convencido que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República nos segundo turno", afirmou.
A governadores, senadores, deputados e outros líderes do PT e de partidos aliados, Lula indicou que pode passar a focar mais em segurança pública nas próximas semanas ao tentar avançar com a proposta que expande o poder do governo federal no combate ao crime, em um papel que hoje é dos estados.
“A verdade é que ficou claro para todo mundo hoje que o estado sozinho não dá conta da segurança pública. e por que não dá conta? porque a bandidagem cresceu. o crime organizado cresceu, ficaram sofisticados, se transformaram em uma indústria multinacional, entraram no poder judiciário, nos partidos políticos, nos clubes de futebol. Entraram em tudo em quanto é lugar", afirmou.
Outro ponto citado pelo presidente foi a maior abstenção desde 1998, que prejudicou o PT a conseguir repetir resultados que levaram Lula a ser eleito em 2022. Ele avaliou ser preciso compreender a razão pela qual os cerca de 33 milhões de brasileiros abriram mão de ir às urnas e fazer chegar à população o que considera ser o risco de perder para o “herdeiro do fascismo", em referência a Flávio.
"São 30 milhões de pessoas que não foram votar, o que aconteceu com essas pessoas?", questionou. "O que nós temos que fazer é tentar convencer [...] e devolver o interesse no processo eleitoral", emendou.
Ao final, citou que o Partido dos Trabalhadores terá 20 dias para "desnudar" o que está por detrás da preferência por Flávio Bolsonaro.
“É 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora aquilo que a gente devia estar colocando o ano inteiro. Tentando desnudar o que está por detrás da eleição de um possível herdeiro do fascismo nesse país [...] Em 20 dias temos que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio”.