Candidatos também apresentaram propostas para educação, infraestrutura e programas sociais em encontro marcado por críticas à economia e acusações de corrupção

 

 

Por Marina Verenicz

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram propostas para renegociar dívidas, ampliar investimentos em saúde, melhorar a segurança pública e fortalecer programas sociais no último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro foi realizado nesta sexta-feira (23), pela TV Globo, a dois dias da votação.

 

O debate começou com discussões sobre infraestrutura e desenvolvimento regional, passou por temas como salário mínimo, educação e endividamento das famílias e terminou com uma série de acusações sobre corrupção e patrimônio.

 

Lula concentrou suas intervenções na defesa dos programas implementados durante seu governo e prometeu ampliar iniciativas de transferência de renda, educação e crédito. Flávio apresentou compromissos voltados à redução de impostos, renegociação de dívidas, endurecimento das penas e maior participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura.

 

Dívida de 100% do PIB: o risco fiscal que espera Lula ou Flávio em 2027

 

Economista vê risco de deterioração das contas públicas e avalia que propostas de Lula e Flávio Bolsonaro ainda não enfrentam o crescimento das despesas obrigatórias

 

Apesar das diferenças, os candidatos assumiram compromissos semelhantes em alguns pontos. Ambos defenderam reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação e concordaram com a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana.

 

Renegociação de dívidas e economia

 

 

O endividamento dos brasileiros foi um dos temas mais explorados pelos candidatos. Lula defendeu uma nova etapa do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, e afirmou que o governo pretende realizar leilões para adquirir débitos bancários com descontos que, segundo ele, podem chegar a 95%.

 

O presidente disse que a iniciativa poderá movimentar até R$ 150 bilhões e destacou medidas de renegociação e perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, prometeu transformar a Caixa Econômica Federal no chamado Banco da Prosperidade. A proposta prevê a compra de dívidas de pessoas físicas e empresas para refinanciamento em condições mais favoráveis.

 

O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027

 

O senador também prometeu suspender temporariamente os pagamentos em até seis meses para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas. Segundo ele, a redução dos juros permitiria diminuir o valor das parcelas e recuperar a capacidade de consumo.

 

Na discussão sobre as contas públicas, Flávio criticou o crescimento da dívida e prometeu reduzir despesas e impostos. Lula defendeu a expansão da atividade econômica como caminho para diminuir o peso do endividamento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Segurança pública

 

Na segurança, Flávio reafirmou a proposta de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas.

 

O candidato também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, chegando a 14 anos em casos como estupro. Prometeu endurecer as penas para crimes patrimoniais, estabelecer punições mais severas para integrantes de facções e adotar a castração química para condenados por crimes sexuais.

 

Lula ou Flávio: quais são as propostas para tirar os brasileiros das dívidas?

Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério específico para a área. O presidente afirmou que pretende fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal e ampliar a coordenação das ações de combate ao crime organizado.

Os dois também divergiram sobre a atuação policial e as estratégias para recuperar territórios controlados por facções e milícias.

Saúde e SUS

O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) provocou outro confronto. Lula questionou se um eventual governo Flávio reduziria os investimentos federais na saúde. O senador negou a intenção de privatizar o sistema e prometeu manter os recursos públicos, com mudanças na gestão.

 

Flávio anunciou que pretende atualizar a tabela de remuneração dos procedimentos do SUS, ampliar a capacidade de atendimento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e refinanciar dívidas das Santas Casas.

Também defendeu investimentos em equipamentos para preservação de órgãos destinados a transplantes e medidas para reduzir as filas de consultas, cirurgias e tratamentos especializados.

 

Lula destacou o papel do SUS no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e defendeu os investimentos realizados durante seus governos.

 

Educação: ensino integral e auxílio-creche

 

Na educação, Lula prometeu ampliar o ensino integral até alcançar 100% das escolas até o ensino médio. O presidente também anunciou a intenção de universalizar o Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio e estender o benefício ao ensino superior.

 

Flávio garantiu que manterá o Pé-de-Meia e apresentou uma proposta de auxílio-creche para famílias que não conseguirem vagas na rede pública. O benefício permitiria custear matrículas em instituições particulares.

 

O senador também prometeu ampliar a formação técnica no contraturno escolar, com disciplinas voltadas a inteligência artificial, desenvolvimento de aplicativos e programação. Outra proposta é ampliar parcerias entre escolas e empresas e retomar os Jogos Estudantis Brasileiros, incluindo competições de esportes eletrônicos.

 

Salário mínimo, aposentadorias e Bolsa Família

 

Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo, com reajustes superiores à inflação, e afirmou que pretende manter os ganhos reais para trabalhadores e beneficiários da Previdência.

 

Flávio assumiu compromisso semelhante, garantindo que reajustará o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação. Também afirmou que não pretende privatizar Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou Petrobras.

 

Os candidatos concordaram ainda com a gratuidade do transporte público aos fins de semana. Lula apresentou a medida como forma de garantir lazer aos trabalhadores, enquanto Flávio declarou apoio à proposta.

 

No Bolsa Família, o senador prometeu reajustar os pagamentos e permitir que beneficiários mantenham temporariamente o auxílio mesmo após conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. Também defendeu mecanismos para facilitar o retorno ao programa em caso de perda de renda.

 

Infraestrutura e desenvolvimento regional

 

A infraestrutura abriu o debate, com Flávio questionando Lula sobre a quantidade de obras paralisadas no país. O senador prometeu concluir a Transnordestina e as ferrovias de integração Leste-Oeste e Centro-Oeste, além de ampliar concessões rodoviárias e portuárias. Defendeu ainda a isenção de pedágio para motociclistas nas novas concessões federais.

 

Lula respondeu destacando os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo o presidente, o programa prevê R$ 1,7 trilhão em investimentos, dos quais quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados.

 

O petista citou obras ferroviárias, rodoviárias, portuárias e de mobilidade urbana, incluindo a Transnordestina, a BR-319 e o túnel Santos-Guarujá.

 

Para o Norte, Flávio prometeu ampliar o saneamento básico, apoiar a pavimentação da Transamazônica e preservar a Zona Franca de Manaus, com a possibilidade de atrair investimentos em data centers e fertilizantes.

 

No Nordeste, anunciou a intenção de construir uma ligação ferroviária entre Salvador e São Luís, passando por capitais da região, para estimular o turismo.

 

Lula destacou os investimentos em universidades, institutos federais, hospitais e infraestrutura no Nordeste. Na pauta ambiental, defendeu a economia verde, a preservação da floresta amazônica e a atuação do Fundo Amazônia.

 

Acusações e corrupção marcaram a reta final

A parte final do debate teve menos espaço para propostas e foi dominada por acusações recíprocas envolvendo patrimônio, relações com empresários e o Banco Master.

 

Lula questionou Flávio sobre suas relações com pessoas associadas ao banco e mencionou uma disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O senador negou irregularidades e devolveu as acusações, cobrando explicações sobre o patrimônio do presidente e de seus familiares.

 

Os dois também discutiram o financiamento de produções audiovisuais, supostos benefícios concedidos a empresários e a divulgação de informações patrimoniais.

 

Lula propôs que ambos apresentassem suas contas bancárias e documentos financeiros à Justiça. Flávio afirmou que não tem patrimônio oculto e cobrou a abertura de informações sobre despesas da Presidência.

 

O debate encerrou a série de confrontos televisionados entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação de domingo (25), quando os brasileiros escolherão o presidente da República para o mandato de 2027 a 2030.

 

 

 

Posted On Sábado, 24 Outubro 2026 06:06 Escrito por O Paralelo 13

Cenário é de empate numérico entre os candidatos; na última Flávio marcava 52% e Lula, 48%

 

 

Com SBT - TV

 

 

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 50% das intenções de voto contra 50% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenário de segundo turno das eleições de 2026, mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22). A situação é de empate técnico dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Na rodada anterior, publicada em 8 de outubro, ambos estavam tecnicamente empatados: o senador tinha 52% ante 48% do mandatário. Brancos, nulos e votos em nenhum candidato registram 5% (eram 6%), enquanto 2% se declaram indecisos (era 2%).

Na contagem de votos totais, em que são considerados os brancos, nulos e indecisos, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega a 47% (eram 47%) e o petista atinge 46% (eram 45%).

 

Segundo turno: votos gerais

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 47% (eram 47%);

Lula (PT): 46% (eram 45%);

Brancos, nulos e nenhum candidato: 5% (eram 6%);

Indecisos: 2% (eram 2%).

Segundo turno: votos válidos

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): 50% (eram 52%);

Lula (PT): 50% (eram 48%).

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-09709/2026 e encomendada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, a pesquisa Datafolha entrevistou 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de outubro. O nível de confiança da margem de erro é estimado em 95%.

 

O último levantamento do instituto sobre as eleições presidenciais será divulgado no sábado (24), véspera do segundo turno.

 

 

 

 

Posted On Sexta, 23 Outubro 2026 06:12 Escrito por O Paralelo 13

Acordo foi assinado na sede do TSE e prevê a disponibilização pública das informações até o fim desta quinta-feira

 

 

POR CAIO SPECHOTO, MARIANA BRASIL E LUÍSA MARTINS

 

 

Os candidatos à Presidência da República Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo pela quebra mútua de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O acerto também envolve parentes de ambos os candidatos.

 

Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos no domingo (18), durante o debate da Band. O candidato bolsonarista não aceitou a princípio. Depois, colocou condições para aceitar o acordo. A campanha petista vinha pressionando o adversário publicamente.

 

O acordo foi assinado na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e prevê a disponibilização pública das informações até o fim desta quinta-feira. Flávio foi representado na assinatura por sua equipe jurídica.

 

“O presidente Lula assinou, e o [compromisso] do candidato Flávio Bolsonaro foi assinado por procuração por sua advogada. O do presidente Lula foi assinado por ele próprio porque ele sempre defendeu a transparência de seus dados”, disse o presidente do PT, Edinho Silva.

 

As campanhas demonstravam divergências em relação ao tema pouco antes da assinatura. A advogada da área eleitoral de Flávio Bolsonaro, Maria Claudia Bucchianeri, por exemplo, pediu que as quebras de sigilo abrangessem um período mais longo do que o previsto na petição inicial de Lula, que cita oito anos.

 

“Lula está no poder há quase 20 anos, então a gente precisa saber se nesse período ele e sua família e empresas enriqueceram”, disse ela antes da assinatura. A advogada também afirmou que eram necessárias informações sobre entrada e saída dos palácios da Alvorada e do Planalto, e do telefone do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

 

Ela também afirmou que a análise seria feita com ajuda do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que foi procurador da Operação Lava Jato.

 

A advogada também declarou que só mostrará os documentos de seu candidato depois de checar os de Lula. “Primeiro eu vou ver se ele vai trazer tudo o que pedimos. Se a gente confirmar que tudo o que comprometeu ele trouxe, a gente traz imediatamente”, declarou. Apesar da assinatura do acordo, aliados do presidente da República ainda duvidam que Flávio Bolsonaro vá abrir suas informações.

 

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que a campanha bolsonarista tenta avocar para si competências da Polícia Federal, da Receita Federal e dos tribunais superiores ao dizer que só entrega as informações depois do petista. “As alegações da campanha de Flávio são inacreditáveis”, disse.

 

“Flávio não tem condições de assumir e de cumprir o desafio, e é exatamente por isso que, em uma tática diversionista, tenta provocar obstáculos para que a abertura de seus dados seja de conhecimento público”, disse o advogado.

 

Os aliados de Lula afirmam que Flávio Bolsonaro tentou deixar fora da abertura de sigilo uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz com a qual ele teria relação. Amigo de Flávio, Willer tem sido alvo de investigações.

 

“Infelizmente nós tivemos um embate agora para que a empresa, ou a relação com o Willer Tomaz, não ficasse de fora desse gesto de transparência. Eles acataram depois de nós não cedermos e nós colocamos como condicionante que eles acatassem”, disse Edinho Silva. Ele estava acompanhado do senador Camilo Santana e do ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) na entrevista a jornalistas após a assinatura do termo.

 

“Agora, mesmo depois de eles terem feito chicana, demorado, tiveram que assinar. Aceitaram as condições colocadas pelo presidente Lula. E daqui a até domingo a nossa expectativa é que o Brasil vai saber quem é o ladrão e quem é honesto”, disse Boulos.

 

Um integrante da campanha de Flávio relatou à Folha de S.Paulo que a advogada se sentiu encurralada e assinou a petição sem concordar com todas as medidas propostas, já que a não-adesão poderia surtir efeito negativo para a candidatura de Flávio e passar a impressão de que ele teria algo a esconder.

 

A advogada não descarta peticionar no TSE para rever alguns pontos do acordo e levantar um debate sobre a necessidade ou não de autorização judicial do ministro André Mendonça para que os candidatos abram seus respectivos sigilos.

 

Depois da assinatura, aliados do candidato do PL criticaram o presidente. “Mais uma vez Lula frustrou e descumpriu sua promessa. Lula não entregou documentos. O que basicamente apresentou foi mais uma petição, mais um pedido para que tudo seja entregue por todo mundo, que já estava nos autos”, disse Deltan Dallagnol.

 

LISTA DE SIGILOS

 

O documento assinado prevê o levantamento dos sigilos das pessoas listadas na petição inicial, da qual constam, do lado petista:

Luiz Inácio Lula da Silva – presidente da República e candidato à reeleição;

Janja Lula da Silva – primeira-dama;

Lurian Cordeiro Lula da Silva – filha de Lula;

Marcos Cláudio Lula da Silva – filho de Lula;

Fábio Luís Lula da Silva – filho de Lula conhecido nacionalmente como Lulinha;

Sandro Luís Lula da Silva – filho de Lula;

Luís Cláudio Lula da Silva – filho de Lula.

 

Além disso, está na lista a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, da qual Lula é sócio.

 

Do lado bolsonarista, as pessoas listadas na petição inicial são:

Flávio Bolsonaro – senador e candidato a presidente;

Jair Bolsonaro – ex-presidente e pai de Flávio;

Rogéria Bolsonaro – mãe de Flávio;

Carlos Bolsonaro – irmão de Flávio;

Eduardo Bolsonaro – irmão de Flávio;

Jair Renan Bolsonaro – irmão de Flávio;

Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro – mulher de Flávio.

Também estão incluídas na petição quatro empresas que seriam ligadas a Flávio e a Alcazar Holdings, registrada fora do Brasil por Willer Tomaz, com a qual o candidato do PL também teria ligação.

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 16:25 Escrito por O Paralelo 13

Imagem foi feita no início de 2025, durante uma viagem à Finlândia para ver a aurora boreal

 

 

COM FOLHAPRESS

 

 

Fotografias obtidas pela revista Veja mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), a bordo de um jato executivo fretado ao lado da lobista Roberta Luchsinger. Os dois são investigados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

 

De acordo com a revista, a imagem foi feita no início de 2025, durante uma viagem à Finlândia para ver a aurora boreal. A aeronave era um Embraer Praetor 600, modelo cujo exemplar novo custa mais de US$ 20 milhões. Em outro registro, o grupo posa diante do avião, numa pista coberta de neve.

 

As fotos estavam no armazenamento em nuvem do celular de Roberta, segundo a Veja, que publicou o material nesta quarta-feira (21).

 

Procurado pela revista, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou irregularidades e disse que as viagens decorrem de uma forte amizade entre o cliente e a empresária. Ele também questionou a divulgação das imagens às vésperas da eleição. “Essa suposta estratégia de atribuir responsabilidade à Roberta não procede. É especulação. É uma tentativa sórdida de criar uma intriga entre amigos”, afirmou à Veja.

 

 

Lulinha e Roberta são alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), abertos a partir de buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A PF suspeita que os dois mantinham uma sociedade oculta. Segundo essa linha de investigação, ela atrairia empresas interessadas em contratos públicos, e ele usaria o nome e o acesso ao Palácio do Planalto para encaminhar as demandas. A defesa dos dois nega irregularidades.

 

O caso virou um dos principais focos de desgaste da campanha de Lula à reeleição. No debate da Band, no domingo (18), Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno, cobrou explicações sobre Lulinha. Lula respondeu que o filho havia autorizado a PF a acessar seus dados bancários e telefônicos.

 

Nos dias seguintes, o presidente formalizou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a proposta de abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e da família, incluindo Lulinha. A abertura, porém, só vale se Flávio fizer o mesmo.

 

Outro registro é do réveillon na mansão que Roberta alugava em Brasília. Na foto, Lulinha aparece ao lado de Swedenberger Barbosa, hoje chefe-adjunto do gabinete pessoal da Presidência. Segundo a Veja, a lobista arcava com o imóvel, cuja manutenção passava de R$ 100 mil por mês, e a casa serviu por mais de um ano como ponto de reuniões com integrantes do governo e de festas.

 

Como a Folha de S. Paulo mostrou, a investigação da PF indica que Roberta mandou seu motorista fazer pagamentos em espécie a integrantes da cúpula do ministério de Wellington Dias. Os beneficiários seriam Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto da pasta, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial. A apuração também aponta que ela guardava dinheiro vivo em malas em casa.

 

Lulinha vive desde junho de 2025 em Madri, em um condomínio de luxo onde o aluguel médio gira em torno de 5.000 euros (cerca de R$ 28 mil). Segundo o advogado, ele se mantém com trabalho de consultoria e governança.

 

À Veja, Roberta disse que pessoas ligadas à empresa presidida por Amauri Rodrigues Pinha, ex-vizinho de Lulinha em São Paulo, ajudariam o filho do presidente a pagar as contas na Espanha. Pinha preside o conselho da Empresa Construtora Brasil, do grupo Mota-Engil, que venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá e assinou recentemente um contrato de R$ 4 bilhões com a Petrobras.

 

A lobista rompeu publicamente com o presidente depois que Lula, em entrevista ao Jornal Nacional em 27 de agosto, disse não conhecê-la e a chamou de “pilantra”. Segundo a revista, ela afirmou ter recebido ligações de vários ministros depois disso. “Todo mundo com medo, né? Medo de eu abrir minha boca. Porque, se eu abrir a minha boca, ele [Lula] perde a eleição”, disse.

 

No último sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, Roberta anunciou que pretende fazer delação premiada. “Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente”, disse.

 

Em nota sobre a entrevista, Lula afirmou que “jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas” e que não há contrato do governo federal com a lobista. O presidente também disse estranhar que as declarações tenham surgido às vésperas do segundo turno.

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 14:47 Escrito por O Paralelo 13

Em petição protocolada nesta quarta-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revidou o desafio de Lula (PT) para que ele abrisse o sigilo bancário de suas contas e exigiu que o petista também divulgue os gastos com cartões corporativos da Presidência da República

 

 

Por Malu Gaspar - O Globo

 

 

O candidato do PL também quer o levantamento do sigilo bancário e telemático do Instituto Lula, do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e suas empresas, do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da agenda da primeira-dama Rosângela Janja da Silva e dos registros de entrada do banqueiro Daniel Vorcaro e de “seus intermediários”, como o ex-ministro Guido Mantega no Palácio do Planalto e no da Alvorada.

 

A campanha do PL também cobrou a lista de visitantes que o dono do Banco Master recebeu durante o período em que ficou detido na superintendência da PF em Brasília, que foi colocada sob sigilo pela corporação. Exigiu ainda a divulgação da lista completa de passageiros do jatinho de Vorcaro entre 10 de novembro e 20 de novembro de 2025, o que abrange o período da época de sua primeira prisão, determinada pela Justiça Federal de Brasília no dia 17 daquele mês.

 

Flávio desafiou o governo Lula a informar os registros de entrada e saída da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, nos Palácios da Alvorada e do Planalto, além da relação completa de reuniões em órgãos do governo federal de que ela tenha participado e dos voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) nos quais ela tenha sido passageira.

 

Conforme informou a equipe do blog, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) se recusou a informar os registros de acesso da lobista Roberta Luchsinger no Palácio da Alvorada, sob a alegação de que a divulgação das visitas ao presidente Lula “gera risco à segurança de instituições ou altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares”.

 

A resposta de Flávio é uma reação à ofensiva de Lula, que apresentou ao TSE, na terça-feira (20), uma petição na qual autorizou a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, com a condição de que Flávio fizesse o mesmo. Além de Janja, a autorização também seria válida para seus cinco filhos: Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio.

 

Neste caso, Flávio teria que levantar o sigilo em relação ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sua mãe, Rogéria Bolsonaro, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, além de seus irmãos: o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) e o deputado federal eleito Jair Renan (PL-SC).

 

A proposta de Lula foi divulgada no debate da Band, no último domingo (18), em resposta às acusações de Flávio relacionadas à corrupção. O objetivo, segundo o presidente, seria “ver quem de fato é bandido”.

 

‘Últimas consequências’

Em resposta à provocação de Lula, a campanha de Flávio informou ao TSE que “não se limita a aceitar o desafio, mas o leva às suas últimas consequências”.

 

“De toda forma, para evitar que o candidato adversário se valha de mais uma promessa vazia às custas do eleitorado, de mais uma mentira feita apenas para exista enganar o povo brasileiro, como é do seu feitio, o aceite ao desafio é manifestado com uma única condição: a de que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em exercício de honestidade para com a população brasileira, acrescente à sua autorização todas as informações que há muito clamam pelo melhor desinfetante: a luz solar”, afirma o time jurídico do candidato do PL à Presidência.

 

“Que se abram, então, todas as gavetas, inclusive aquelas que o candidato adversário mantém deliberadamente trancadas no Governo, para que o povo brasileiro, conhecendo a verdade, se liberte e decida livremente. Para tanto, deverá o candidato adversário cumprir as condições que seguem. Elas acompanham os dois tempos desta história, o passado e o presente.”

 

Na petição, o senador também chama o desafio de Lula de “promessa vazia” a fim de “ludibriar o eleitorado”, já que a “abertura proposta não mostraria nada”. A campanha de Flávio acusa o petista de que eventuais irregularidades em seu patrimônio estariam “escondidas” em sigilos de terceiros. Em relação ao sigilo telefônico, a campanha de Flávio ressalta ainda que Lula não possui aparelho celular, o que tornaria inócua qualquer medida nesse sentido.

 

 

Posted On Quinta, 22 Outubro 2026 06:28 Escrito por O Paralelo 13
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