A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB

 

 

Com Estadão

 

 

A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na operação de venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal. Além deles, outras 13 pessoas envolvidas na transação, incluindo ex-diretores dos dois bancos, também foram indiciadas.

 

A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB, principalmente por causa da produção de carteiras falsas de crédito consignado. As defesas dos indicados não haviam se manifestado até a noite de ontem.

 

Nos depoimentos que prestaram à PF na semana passada, Vorcaro e Paulo Henrique afirmaram que a operação entre os bancos não causou prejuízos e seria benéfica para ambos.

 

Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, por induzir a erro investidor de operação financeira, fraudar fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Esses crimes somados têm penas que vão de 12 a 41 anos. A situação de Vorcaro ainda deve ser agravada porque ele é apontado como líder da organização criminosa. Já Paulo Henrique foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

 

“A versão apresentada (por Daniel Vorcaro) em oitiva, entretanto, contrasta frontalmente com os elementos expostos neste relatório, os quais demonstram que as operações bilionárias foram estruturadas e executadas sem a observância de procedimentos elementares de diligência, validação de lastros, governança, conformidade e gestão de riscos exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional”, escreveu a PF.

 

O relatório final da PF apontou ainda que a cessão de créditos do Master ao BRB foi maior do que o calculado inicialmente e que continuou ocorrendo mesmo depois que o Banco Central barrou a venda da instituição de Vorcaro ao banco público do DF.

 

A PF diz que o Master cedeu ao BRB um total de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito – que incluíam operações de crédito consignado, empréstimo pessoal, crédito rotativo, parcelamento de faturas e outros – entre julho de 2024 e outubro de 2025, tendo continuado um mês depois que o BC barrou as operações.

 

O relatório diz que o BRB driblou mecanismos de governança e aprovou investimentos apresentados sem lastro, com documentação preparada em planilhas de Excel com dados suspeitos de falsificação, como revelou anteriormente o Estadão.

 

Além disso, pelo relatório da PF, Paulo Henrique Costa manteve tratativas com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) enquanto praticava fraudes com Vocaro. Ibaneis não foi alvo da PF e foi apenas citado no material.

 

INICIAL

 

Esse é o primeiro indiciamento de Vorcaro na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado para apurar um conjunto de suspeitas de crimes relacionados ao seu banco. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), e também indicia por crimes financeiros os diretores do Master e do BRB que tiveram participação nas operações.

 

Entre eles, estão Augusto Lima (ex-sócio do Master), Ângelo Ribeiro (ex-diretor financeiro), Luiz Antônio Bull (ex-diretor de compliance), Alberto Félix de Oliveira (ex-superintendente financeiro) e também o advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para Vorcaro.

 

O documento deve ser encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para avaliar se há provas suficientes para apresentar denúncia contra os envolvidos, o primeiro passo para que Vorcaro se torne réu pelos crimes dos quais é acusado.

 

O banqueiro ficou preso por 11 dias em novembro do ano passado e, depois que a investigação subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ser detido em março deste ano. Já Paulo Henrique Costa está preso desde abril.

 

A PF apontou que Vorcaro teve ação direta na venda das carteiras de crédito consignado do Master que não tinham lastro e haviam sido falsificadas por meio de uma empresa com ligações ao próprio banco, a Tirreno. No relatório, a PF também descreve a responsabilidade dos diretores dos dois bancos nesses fatos e afirma que eles tiveram participação nas operações.

 

As investigações da Compliance Zero começaram com foco nas vendas do Master ao BRB, mas ampliaram o foco após a obtenção de um grande volume de provas no telefone celular do banqueiro. Também estão em estágio avançado o inquérito sobre a cooptação de ex-servidores do Banco Central e a investigação de obstrução de Justiça e ameaças a adversários.

 

 

 

Posted On Quinta, 29 Outubro 2026 05:25 Escrito por

Foram analisados dois arquivos em PDF divulgados por aliados e atribuídos a Flávio, além das versões original e editada de uma publicação no X (ex-Twitter) do próprio senador

 

 

POR LAURA INTRIERI

 

 

A divulgação da carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) contesta a derrota na eleição foi marcada por uma sequência de alterações nesta quarta-feira (28). A Folha identificou ao menos quatro versões, com troca de brasão e mudanças na forma como ele se apresenta, de “presidente eleito” a “líder do Brasil”.

 

Flávio foi derrotado pelo presidente Lula (PT) no domingo (25) e deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. Na carta, afirma que pretende liderar a oposição do exterior e repete alegações sem provas de fraude na eleição.

 

Foram analisados dois arquivos em PDF divulgados por aliados e atribuídos a Flávio, além das versões original e editada de uma publicação no X (ex-Twitter) do próprio senador.

Um dos PDFs registra criação às 16h38, no horário de Brasília. Nele, Flávio se apresenta como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

O brasão no alto da página traz a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, que remete à antiga denominação do país, adotada com a Proclamação da República, em 1889. A substituição da inscrição no brasão por “República Federativa do Brasil” foi determinada por uma lei de 1968.

 

“Brazil”, com z, era uma grafia usada em documentos oficiais do início da República. Um decreto de 1931 já determinava a escrita “Brasil”, com s, nas publicações oficiais.

 

O PDF também traz uma credencial digital da OpenAI, com assinatura validada, que registra o uso do ChatGPT, mas não esclarece se a ferramenta escreveu o discurso ou apenas montou o arquivo com um texto pronto.

 

O outro PDF mantém o mesmo texto, mas traz um brasão com a inscrição “República Federativa do Brasil”. A análise do arquivo feita pela Folha mostra que o brasão anterior foi coberto por um retângulo, sobre o qual foi colocado o novo.

 

Não foi identificado registro de data de criação ou de modificação desse arquivo.

 

A publicação original de Flávio no X foi feita às 17h19, cerca de 41 minutos após o horário de criação registrado no PDF com “Brazil” no brasão.

 

Na abertura da carta publicada na rede social, Flávio se apresenta como “verdadeiro presidente do Brasil”, sem a palavra “eleito”. Mais adiante no mesmo documento, porém, permanece a frase “eu sou o presidente eleito”. O brasão já traz a inscrição “República Federativa do Brasil”.

 

O post foi editado às 17h41, cerca de 22 minutos depois. Na abertura, Flávio passou a se apresentar como “líder do Brasil”. No outro trecho, “eu sou o presidente eleito” foi substituído por “eu sou o líder”.

 

Também mudou a formatação do nome do senador ao final da carta: antes centralizado e em negrito, passou a aparecer alinhado à esquerda, sem destaque.

 

Aliados de Flávio, por sua vez, se distanciaram das alegações de fraude. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha, classificou a carta como um “desabafo” e afirmou que nem ele nem o PL poderiam sustentar que houve fraude na eleição, por falta de provas.

 

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse compreender a indignação de Flávio, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, afirmou.

 

 

 

Posted On Quinta, 29 Outubro 2026 05:23 Escrito por

Flávio Bolsonaro negou em vídeo que tinha planos de deixar o Brasil, mas a fuga do senador já estava traçada semanas antes de ser executada

 

 

Por Bela Megale - O Globo

 

 

A possibilidade de ir para os Estados Unidos com a família era considerada em caso de derrota do candidato do PL, cenário que foi praticamente descartado por Flávio, aliados e integrantes de sua família após ele chegar à frente de Lula no primeiro turno.

 

Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde o ano passado, foi o principal articulador da fuga do irmão. Ele e o ex-apresentador da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, vinham mantendo conversas com autoridades do governo Donald Trump sobre a necessidade de receber Flávio no cenário de derrota. Para eles, qualquer resultado que não fosse a vitória alimentaria a teoria conspiratória de que houve fraude, o que nunca ocorreu.

 

O roteiro planejado para o senador deixar o país, segundo aliados da família, foi via Venezuela. Essa rota, porém, ainda não foi confirmada. A Polícia Federal, porém, ainda não conseguiu confirmar o caminho feito pelo senador. A PF teve dificuldades para confirmar a chegada de Flávio a Miami, que segundo pessoas ligadas a família teria acotecido na terça-feira (27). O governo dos EUA não permitiu o envio de um oficial brasileiro à cidade após os EUA ordenarem a saída do último policial que ocupou o posto.

 

O Departamento de Estado dos EUA confirmou oficialmente que Flávio e seus familiares receberão vistos de permanência no país. Desde que Lula foi declarado vencedor da eleição, Trump passou a dar declarações contestando, sem provas, a lisura das eleições brasileiras.

 

Pessoas ligadas a Eduardo afirmam que ele viajou com a esposa e os filhos para a Flórida para receber o irmão. A ideia é que Flávio faça uma live falando sobre os motivos da fuga ainda nesta semana.

 

 

 

Posted On Quarta, 28 Outubro 2026 13:05 Escrito por

Candidato derrotado à presidência saiu do Brasil; caso é investidado pela Polícia Federal

 

 

Com Estadão

 

 

Após deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro já chegou aos Estados Unidos na companhia da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. A informação foi confirmada por pessoas ligadas ao governo americano. A família terá os vistos concedidos pelo governo Donald Trump para entrar e permanecer no país.

"O Departamento de Estado concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos", afirmou uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado à agência de notícias AFP.

Flávio Bolsonaro chega aos EUA com mulher e filhas após derrota nas urnas; governo Trump concederá vistos
A saída para os Estados Unidos teria acontecido via Argentina. Flávio teria atravessado a fronteira para o país vizinho e, de lá, partido para os Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo jornal argentino InfoBae, um dos maiores e dos mais confiados pela população do país.

 

Ontem, em vídeo publicado ⁠em suas redes sociais após ser intimado para entregar seu passaporte em 24 horas, Flávio negou ter a intenção de deixar ‌o Brasil e disse que ‌ficaria no país ⁠para, ⁠segundo ele, organizar a oposição ao governo ⁠do ‌presidente Luiz Inácio ‌Lula da Silva (PT), reeleito no domingo.

 

Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio no âmbito de um inquérito em que o ‌senador é investigado por lavagem de dinheiro juntamente com o advogado ⁠Willer Tomaz, amigo do senador.

 

Diante das notícias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, deputados da bancada do PT entraram com um pedido de prisão preventiva contra o ex-candidato à presidência e solicitaram que seu nome seja incluso na lista de alerta vermelho da Interpol caso a prisão seja decretada.

 

Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Ana Elisa (PT-MG) protocolaram a ação após as notícias da ida de Flávio aos Estados Unidos. (*Com informações do Estadão Conteúdo)

 

 

 

 

Posted On Quarta, 28 Outubro 2026 06:46 Escrito por

Rogério Marinho e Tereza Cristina tentam chegar a nome competitivo para barrar recondução do atual presidente da Casa

 

 

Com CNN - Brasil

 

 

A oposição ao presidente Lula articula uma candidatura única contra a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

 

O líder da oposição no Senado, Rogerio Marinho (PL-RN), e a líder do PP na Casa, Tereza Cristina (MS), devem se reunir nesta terça-feira (27) para tentar um acordo sobre qual nome deverá enfrentar Alcolumbre, que nesta segunda-feira obteve o apoio do presidente Lula para sua recondução.

 

Marinho e Tereza tentam frear a movimentação de Alcolumbre, que articula com partidos do Centrão um anúncio formal de apoio a ele ainda nesta semana.

 

A eleição ocorre no dia 1º de fevereiro e, desde a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula no domingo, lideranças de direita já passaram a mirar a disputa da Mesa do Senado como a próxima entre base e oposição.

A ideia de Marinho e Tereza é verificar qual dos dois tem mais condições de enfrentar Alcolumbre.

 

De um lado, o PL de Marinho tem maioria na nova legislatura, com 29 senadores. Para vencer, são necessários 41 votos dos 81 senadores. De outro lado, Tereza contabiliza poder chegar a 42 votos se o PL lhe assegurar os votos e ela buscar apoios isolados nos demais partidos com senadores que rejeitam a recondução de Alcolumbre.

 

A avaliação entre lideranças da oposição é de que o nome de Tereza pode ser mais palatável na Casa do que o de Marinho para enfrentar Alcolumbre.

 

Como mostrou a CNN na segunda-feira, o presidente do Senado contabiliza 48 votos, número contestado pela oposição, que diz que hoje ele teria 38 votos — três a menos que o necessário para vencer.

 

Um dos problemas que estarão na mesa é o interesse dos presidentes do União Brasil, Antonio de Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, na recondução de Alcolumbre. O presidente do Senado tratou com ambos do assunto e teve sinalização positiva, assim como de outros partidos, como MDB, Republicanos e Podemos.

 

No caso de Ciro Nogueira, há um interesse especial em se reaproximar do Planalto via Alcolumbre para tentar evitar que as investigações do caso Master avancem contra ele.

 

Senadores relataram à CNN que Ciro Nogueira já teria sinalizado apoio a Alcolumbre sem consultar a bancada. Senadores relatam, ainda, que ele deu apoio a Alcolumbre em troca da sinalização de apoio do União Brasil à recondução de Hugo Motta, seu afilhado político, à presidência da Câmara.

 

 

 

Posted On Terça, 27 Outubro 2026 16:08 Escrito por
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