Bolsa caiu 18,1% após eleições, preocupações fiscais e políticas monetárias; resultado só foi superado por quedas registradas nas crises de 1997, 2008 e 2020
Por Caio Barcellos
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (30) com uma queda de 0,75%, a 167.921,80 pontos. Com isso, as perdas na semana foram a ampliadas para 18,12%, a maior desde março de 2020, quando o início da pandemia de Covid-19 provocou uma onda de perdas nos mercados financeiros mundiais.
A desvalorização ocorreu principalmente em meio à reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25), que ampliou as preocupações do mercado com a trajetória das contas públicas e a condução da política econômica nos próximos quatro anos.
O movimento foi mais intenso na segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação, quando o Ibovespa recuou 13,88%, na maior queda diária desde março de 2020. Durante a sessão, a Bolsa precisou interromper temporariamente as negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker, utilizado para conter oscilações extremas.
As maiores quedas semanais da história
Um levantamento feito com base em dados da Bloomberg identificou três semanas desde o plano real em que o Ibovespa havia registrado perdas superiores a 18,1%.
Texto terminou adiado depois de oposição tentar incluir redução da maioridade penal na proposta antes do 2º turno; Lula promete criar ministério após aprovação
Por Victor Schneider
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou para terça-feira (3) a análise em plenário da principal bandeira do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o combate ao crime organizado, a chamada PEC da Segurança Pública.
A proposta de emenda à Constituição quase foi votada antes do segundo turno. Alcolumbre, porém, terminou adiando a sessão para salvar a base do governo do constrangimento de ter que votá-la junto com a redução da maioridade penal, em uma articulação capitaneada pelo líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN).
Marinho tentou apensar à PEC uma emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. Assim, a oposição encurralaria o governo às vésperas da eleição com um tema de alto apelo popular para ajudar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Governistas terminaram divididos entre rejeitar a ideia por completo ou apoiar a saída proposta por Camilo Santana (PT-CE): aceitar a redução para 16 anos somente para crimes hediondos. Terminou vitoriosa a ala que preferiu debater o tema em outro momento. Qualquer alteração de conteúdo também forçaria a proposta a voltar para a Câmara dos Deputados.
Uma das promessas de Lula é criar, tão logo promulgada a PEC, o Ministério da Segurança Pública, hoje fundido ao Ministério da Justiça. A pasta tende a ter grande destaque no quarto governo lulista em um esforço para dar espaço à esquerda na bandeira do combate ao crime.
Na terça (27), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), já havia dito ao SBT News que a PEC estava pronta para ir a plenário.
Para ser aprovado, o texto precisa do voto de 308 senadores em dois turnos de votação. Como o interstício já foi quebrado, ambos podem ser realizados já na terça.
Entre as medidas previstas estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição, a ampliação das competências da União na área de segurança pública e o fortalecimento da atuação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no enfrentamento a facções criminosas.
O Globo
O senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado e ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, destacou o papel dos governadores na reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao GLOBO, apontou Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo, como uma das principais lideranças do campo político e evitou garantir que Flávio conseguirá comandar a oposição dos Estados Unidos.
— Temos um número muito grande de senadores, de deputados federais. Isso vai ser processado dentro do partido, dentro da capacidade de trabalho de cada um, também com os governadores. Os governadores são fundamentais nesse debate — afirmou Gomes.
Para o senador, os governadores, principalmente os seis eleitos pelo PL, terão papel central na articulação da oposição. Gomes destacou a força política de Tarcísio, que já admitiu a possibilidade de disputar a Presidência em 2030, mas evitou avaliar uma eventual nova candidatura de Flávio, afirmando que ainda é necessário ouvi-lo sobre seus próximos passos.
Leia a entrevista completa.
Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos, enquanto o PL precisa se reorganizar no Brasil. O senhor acha que ele conseguirá liderar a oposição à distância?
É como se a gente estivesse preparado para ter uma discussão sobre uma dinâmica que não foi colocada em prática. Não sabemos o que vai acontecer. Temos um número muito grande de senadores e deputados federais. Isso será processado dentro do partido, dentro da capacidade de trabalho de cada um, também com os governadores, que são fundamentais.
Quem pode assumir esse protagonismo na oposição?
Desde o primeiro turno, desde o final do mandato passado, há um líder nessas discussões, nas escolhas, no trabalho e no legado do governo, que é o presidente Jair Messias Bolsonaro. Ele não está na atividade política, mas o presidente Valdemar, os presidentes dos partidos, os parlamentares, inclusive de outras legendas, e os governadores têm papéis de liderança muito significativos.
Hoje temos governadores de grandes estados, como Tarcísio, reeleito em primeiro turno, Sérgio Moro (Paraná), Jorginho Mello (Santa Catarina) e Cleitinho (Minas Gerais), que apoiou Flávio. Tem uma ansiedade muito grande por entender como é que vai ser o processo de acomodação das forças políticas depois de uma eleição tão disputada, mas há coisas que só vão ficar mais claras quando todos conversarem.
Tarcísio afirmou que pode colocar seu nome à disposição para disputar a Presidência em 2030. Como o senhor vê essa possibilidade?
Ele é um líder inconteste nesse campo político no Brasil. Governa o maior estado do país, chegou à reeleição, elegeu os dois senadores da sua chapa e a grande maioria das bancadas federal e estadual de São Paulo. É um político de perfil diferente, mas que tem o respeito das forças políticas, assim como outros governadores que tiveram a sua reeleição consagrada que vão ter um novo passo político.
E Flávio? O senhor acha que ele pode voltar a disputar a Presidência em 2030?
É um julgamento que quase ninguém consegue fazer, porque houve uma saída dele do país e ainda não houve uma fala dele sobre esse assunto. Acho que o momento está muito mais dramático. Todo mundo está analisando com muita tristeza tudo o que aconteceu no segundo turno, as brigas que ocorreram. Isso ele vai dizer. Tem que dizer.
O senhor conseguiu identificar os erros que levaram à derrota de Flávio? Houve falta de mobilização ou salto alto no segundo turno?
Acho que ainda não conseguimos fazer uma autocrítica, a não ser sobre aquilo que as pessoas estão vivendo do questionamento da pauta da eleição no segundo turno, que foi muito para a questão econômica, as promessas e os compromissos de mudança dos programas de governo. Ainda está muito cedo para discutirmos onde erramos.
Como o senhor recebeu a carta em que Flávio se declarou presidente eleito e levantou suspeitas de fraude? O partido ainda pretende discutir o resultado eleitoral?
O que se sabe até agora é que, na própria confecção da carta, os erros ocorridos foram corrigidos pelo próprio autor. E o que se viu de fraude, uso do poder econômico ou qualquer outra coisa, será fruto de debate ainda. Houve, ao mesmo tempo, o reconhecimento do resultado da eleição do ponto de vista do resultado final.
Acho que esse debate está acontecendo agora e vai acontecer nos próximos dias. Mas há também uma consciência de que é preciso reconhecer o momento, tomar posse nos mandatos que a população designou à bancada da centro-direita e pensar também na governabilidade.
O PL elegeu uma bancada expressiva no Congresso, mas partidos que apoiaram Flávio podem negociar espaço no governo Lula. Será possível manter essa aliança na oposição?
Acho que existe, sim, uma sintonia. Mas também existem parlamentares desses grupos políticos que tiveram apoio do presidente Lula. É o caso, por exemplo, do MDB, que teve 17 diretórios apoiando Flávio e dez apoiando Lula.
Como será a disputa pela presidência do Senado? O PL poderá apoiar Davi Alcolumbre ou deve escolher entre Rogério Marinho e Tereza Cristina?
Estamos conhecendo a bancada que será apresentada agora. Na próxima semana, teremos uma reunião. O senador Rogério colocou sua candidatura, assim como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra do presidente Bolsonaro e revelou o desejo de disputar a presidência do Senado.
Ainda está muito cedo. Acho que, a partir da próxima semana, as articulações vão acontecer, assim como no campo do governo, com a candidatura de Davi Alcolumbre.
O PL poderia eventualmente apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre?
Não, isso não foi discutido. O primeiro passo será uma reunião interna do PL na próxima quarta-feira. Mas não será apenas do PL. É uma reunião que também contará com senadores de outros partidos.
Como será a relação do PL com o novo governo Lula? Haverá espaço para diálogo?
O PL é o partido que atua no campo da oposição. Fez isso durante os últimos quatro anos. Mas, em alguns momentos importantes, como na Lei Geral do Saneamento, não houve oposição de lado a lado, o Arcabouço Fiscal acabou tendo boa parte de sua aprovação com apoio das bancadas.
Existe espaço no Parlamento para matérias de Estado que nem sempre refletem a divisão existente no campo político.
Existe espaço para uma revisão das regras das emendas parlamentares no governo Lula?
Acho que tem, porque foram feitas algumas modificações no semestre passado e não foram suficientes. Isso será discutido com certeza. Não apenas isso, mas outras matérias também devem sofrer revisão.
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
As eleições de 2026 deixaram um alerta aceso para parte das legendas brasileiras. Partidos e federações que não conseguiram cumprir os critérios da cláusula de desempenho, também conhecida como cláusula de barreira, deverão perder o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão a partir da próxima legislatura, que começa em 2027.
Entre os atingidos estão o PDT, o Avante, o Missão e a federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. A federação PSOL/Rede também apareceu inicialmente abaixo dos requisitos estabelecidos pela legislação eleitoral, embora ainda exista discussão jurídica sobre o resultado.
A perspectiva de perder acesso aos recursos públicos destinados à manutenção das estruturas partidárias desencadeou uma intensa movimentação nos bastidores da política nacional. Dirigentes e parlamentares passaram a discutir federações, fusões, incorporações e até a migração de quadros para outras siglas em busca de sobrevivência política.
O QUE É A CLÁUSULA DE DESEMPENHO

Criada como uma forma de reduzir a fragmentação partidária no país, a cláusula de desempenho estabelece requisitos mínimos para que partidos políticos tenham acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Nas eleições de 2026, a regra exigiu que partidos ou federações cumprissem pelo menos um dos seguintes critérios:
• Eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos por pelo menos nove estados ou pelo Distrito Federal;
• Obter 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, alcançando no mínimo 1,5% dos votos válidos em pelo menos nove unidades da Federação.
Segundo especialistas ouvidos pelo JOTA, a intenção da regra é impedir que legendas sem representatividade nacional sobrevivam exclusivamente com recursos públicos e utilizem tempo de propaganda como moeda de negociação política.
PARTIDOS QUE FICARAM ABAIXO DA BARREIRA

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cinco agremiações não conseguiram cumprir os requisitos exigidos pela legislação eleitoral.
O PDT obteve 1,64% dos votos válidos nacionais para deputado federal e elegeu apenas seis parlamentares, ficando abaixo dos dois critérios.
O Avante registrou 1,59% dos votos válidos e conquistou cinco cadeiras na Câmara dos Deputados, desempenho insuficiente para superar a barreira.
Já o Missão, partido criado em 2025 e ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), alcançou 1,08% dos votos válidos nacionais e elegeu apenas um deputado federal.
A federação Renovação Solidária, composta por PRD e Solidariedade, conquistou sete deputados federais e também não atingiu o percentual mínimo de votos exigido pela legislação.
O caso mais emblemático envolve a federação PSOL/Rede. Embora tenha alcançado 4,89% dos votos válidos nacionais e eleito 15 deputados federais, a federação cumpriu o percentual mínimo em apenas oito unidades da Federação. No Espírito Santo, faltaram apenas 185 votos para atingir o índice necessário e completar a exigência de abrangência nacional.
O QUE AS LEGENDAS PERDEM NA PRÁTICA

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ficar abaixo da cláusula de desempenho não implica perda de mandato nem extinção automática do partido. Os deputados eleitos tomam posse normalmente e continuam exercendo suas funções parlamentares.
A principal consequência é a perda do acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.
É importante destacar uma diferença relevante: a restrição recai sobre o Fundo Partidário, utilizado para custear o funcionamento das legendas. Segundo o entendimento atual da Justiça Eleitoral, ficar abaixo da cláusula de desempenho não elimina automaticamente o acesso ao Fundo Eleitoral, destinado ao financiamento das campanhas eleitorais.
FUSÕES, INCORPORAÇÕES E FEDERAÇÕES ENTRAM NO RADAR
Diante da perspectiva de perda de recursos e de espaço político, dirigentes partidários avaliam alternativas para driblar os efeitos da cláusula.
Conforme especialistas ouvidos pelo JOTA, uma das possibilidades é a realização de fusões ou incorporações partidárias, que permitem somar resultados eleitorais e fortalecer a representação institucional das legendas.
Outra hipótese em discussão envolve a formação de federações partidárias. No entanto, ainda não existe entendimento consolidado da Justiça Eleitoral sobre a possibilidade de federações formadas após a eleição serem consideradas para efeito de cumprimento retroativo da cláusula de desempenho. A indefinição jurídica aumenta a pressão sobre as negociações políticas em curso.
Além disso, parlamentares eleitos por partidos que ficaram abaixo da cláusula podem migrar para outras siglas sem perder o mandato, conforme entendimento já reconhecido pelo TSE.
PDT: futuro em risco com pior resultado da história recente
Entre os partidos atingidos, o caso do PDT chama atenção pelo peso histórico da legenda fundada por lideranças como Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.
Segundo dirigentes pedetistas, o partido discute uma possível federação com Avante e Solidariedade como alternativa para preservar força política e representação nacional. A avaliação interna é que a legenda sofreu desgaste eleitoral após a aproximação com o campo liderado pelo PT, sem conseguir converter essa estratégia em crescimento nas urnas.
O resultado interrompe uma longa trajetória de presença consistente da sigla na Câmara dos Deputados e coloca o futuro do partido em um dos momentos mais delicados de sua história recente.
MISSÃO DESCARTA ALIANÇAS

Na contramão das negociações em curso, o Missão afirma que não pretende aderir a fusões, incorporações ou federações.
Criado para servir de instrumento político do Movimento Brasil Livre, o partido defende a manutenção de sua independência ideológica, mesmo diante das dificuldades impostas pela cláusula de desempenho.
Com apenas um deputado federal eleito, a legenda aposta na atuação parlamentar e na mobilização de apoiadores para continuar fortalecendo sua presença nacional, ainda que sem a estrutura proporcionada pelos recursos públicos tradicionais.
A expectativa é que as definições sobre fusões, federações e incorporações avancem até o fim de 2026, antes da instalação da nova legislatura e da definição definitiva sobre o acesso das legendas aos recursos partidários.
Depois do Bradesco, Itaú anuncia a medida nesta quinta-feira (29); juntos, os dois bancos responderam por 41,4% do crédito com recursos da poupança em 2026
Com Exame.com
Os dois maiores bancos privados do crédito imobiliário no país encareceram o financiamento da casa própria em menos de uma semana. Depois do Bradesco, foi a vez do Itaú Unibanco, que elevou sua taxa mínima para 12,95% ao ano a partir desta quinta-feira (29).
Segundo o radar de taxas da MySide, proptech que monitora mensalmente os juros dos principais bancos, o Itaú cobrava a partir de 11,99% ao ano mais Taxa Referencial (TR). A menor taxa acessível acompanhada pela proptech foi para 12,89%. Fora do Private, para todos os outros clientes, a taxa ficou em 12,95%.
"Diferentemente do Bradesco, que surpreendeu o mercado com um aumento de 3,3 pontos percentuais de uma só vez, o Itaú adotou um reajuste mais próximo do padrão que estamos acostumados a acompanhar no financiamento imobiliário", afirmou Paulo Prado, co-founder MySide e especialista em crédito imobiliário.
Em nota, o banco atribuiu o ajuste às "recentes oscilações nas curvas de juros futuros", que subiram após o segundo turno das eleições. A justificativa do Itaú passa pela forma como o crédito habitacional é financiado. Segundo o banco, como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, seus custos estão sujeitos às variações dos juros.
O ajuste, de acordo com a nota, busca "refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações". O banco afirmou ainda que as taxas praticadas variam conforme o perfil e o relacionamento de cada cliente.
A caderneta de poupança, fonte tradicional e mais barata do crédito habitacional, vem perdendo espaço. Ela respondia por 34% do funding do setor em dezembro de 2023 e caiu para 29% em dezembro de 2025, segundo dados do Banco Central.
Sem a poupança, os bancos recorrem a instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujo custo acompanha de perto os juros futuros. Foi esse o mesmo argumento usado pelo Bradesco, que atualizou suas taxas "em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado".
Menor que o do Bradesco, mas acima do teto do SFH
O reajuste do Itaú é bem menor que o do concorrente. No Bradesco, a taxa mínima para a maioria dos clientes saltou 3,3 pontos percentuais de uma só vez, de 11,69% para 15% ao ano mais TR. O piso de 13,6% ficou restrito ao segmento Private.
Com o novo patamar, o Itaú também fica abaixo da Selic, hoje em 13,75% ao ano. A taxa mínima da maioria dos clientes do Bradesco ficou acima dos juros básicos.
Ainda assim, os 12,95% do Itaú ultrapassam o teto legal de 12% ao ano do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Operações acima desse limite ficam fora das regras do sistema, no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as taxas são livremente negociadas.
A diferença pesa para o comprador. O enquadramento no SFH é condição para usar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra ou na amortização das prestações.
Quem pode ser o próximo
O movimento do Itaú tem peso maior que o do Bradesco. De janeiro a agosto, o banco respondeu por 25,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em crédito imobiliário com recursos da poupança, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O Bradesco ficou com 16,2%.
Juntos, os dois somaram R$ 54,9 bilhões no período. À frente deles está apenas a Caixa, com 48,6% do mercado.
A alta do Itaú confirma a expectativa de especialistas ouvidos pela reportagem nesta semana. "O Bradesco foi só o primeiro; todos os outros vão subir a taxa de juros, talvez com exceção dos bancos estatais", disse Fabrício Schveitzer, COO da construtora Dimas e conselheiro do Ecossistema Sienge.