Partido solicita investigação sobre possível vazamento de informações da Polícia Federal e apresenta medidas cautelares contra Marco Aurélio Santana Ribeiro
Por João Victor Rodrigues
O Partido Liberal (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que sejam quebrados os sigilos bancário e fiscal de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O requerimento foi encaminhado ao ministro André Mendonça pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e busca apurar a suspeita de um eventual vazamento de informações sigilosas da Polícia Federal envolvendo investigações em andamento.
Além da quebra de sigilo, o partido também pediu a realização de busca e apreensão contra o ex-assessor para preservar possíveis provas. Entre as solicitações encaminhadas ao STF estão o acesso aos registros de entrada e saída do Palácio do Planalto, do Palácio da Alvorada e do gabinete presidencial nos últimos 30 dias, além de informações sobre encontros entre o presidente Lula e o diretor-geral da Polícia Federal entre janeiro e julho de 2026.
O pedido foi apresentado após a divulgação de que Marcola recebeu R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e apontada como sócia de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Luchsinger também mantém relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que é alvo de investigações por suspeitas de tráfico de influência. O PL pretende esclarecer se integrantes do governo tiveram acesso antecipado às apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Em nota, Marco Aurélio confirmou ter recebido recursos da empresária, mas afirmou que os valores correspondiam a um empréstimo de natureza pessoal, posteriormente quitado, negando qualquer irregularidade. Após a repercussão do caso, ele deixou a coordenação da campanha à reeleição de Lula e informou que passaria a concentrar esforços em sua defesa perante as investigações.
Primeiro inquérito foi concluído em julho, com o indiciamento de 48 pessoas
Por Anita Prado
A Polícia Federal concluiu mais um inquérito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O foco desta etapa da investigação foi a atuação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
O relatório final foi enviado nesta semana ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao todo, seis pessoas foram indiciadas pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações e organização criminosa. São elas: Aristides Vieira, Edjane Rodrigues, Thaisa Daiane, o ex-diretor de Benefícios do INSS André Paulo Félix Fidelis, o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
Em julho, a Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas.
Em nota, a defesa de Alessandro Stefanutto afirmou não ter acesso aos autos do inquérito nem à íntegra da manifestação da Polícia Federal, o que, segundo os advogados, torna inviável qualquer posicionamento neste momento. A defesa acrescentou que, assim que tiver acesso ao conteúdo, irá se pronunciar.
O ex-assessor de Lula disse, em nota, que quitou R$ 249 mil de um “empréstimo” contraído com a empresária, mas não explicou quando fez o pagamento e para que pediu o dinheiro.
Com Estadão
Em reunião com dirigentes do PSOL e da Rede, nesta quarta-feira, 5, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que no seu governo a Polícia Federal tem autonomia para investigar quem quer que seja, mas defendeu seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola.
“Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”, perguntou Lula, de acordo com três participantes do encontro, no Palácio da Alvorada. Marcola deixou a coordenação da campanha de Lula depois que a Polícia Federal descobriu repasses feitos a ele pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista em negócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
O ex-assessor de Lula disse, em nota, que quitou R$ 249 mil de um “empréstimo” contraído com a empresária, mas não explicou quando fez o pagamento e para que pediu o dinheiro.
Diante dos aliados, o presidente afirmou que, ao longo da história, a direita fez uso político de denúncias de corrupção não comprovadas, na tentativa de derrubar governos, fazendo referência às gestões de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Foi nesse momento que citou a explicação dada por Marcola para os pagamentos recebidos.
Apesar da defesa do ex-auxiliar, Lula assegurou não haver privilégio para ninguém no governo, nem mesmo para o seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Amigo de Roberta Luchsinger, Lulinha responde a três inquéritos abertos pela Polícia Federal, acusado de tráfico de influência.
Roberta, por sua vez, chegou a ser alvo de mandado de busca e apreensão, no fim de 2025, na esteira das investigações que apuram desvios de aposentadorias do INSS. A empresária também é suspeita de atuar no Ministério da Saúde, juntamente com Lulinha, com o objetivo de obter autorização para que uma empresa ligada ao “Careca do INSS” comercializasse produtos à base de cannabis medicinal.
Durante uma hora de reunião na qual entraram em cena assuntos de campanha, projetos empacados no Senado, como o fim da escala 6×1, e até as brigas com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, Lula reiterou aos dirigentes dos partidos que quem é alvo de denúncias precisa se explicar. “Quem errou, que pague”, insistiu ele.
Mesmo assim, afirmou ter ficado “triste” com a saída de Marcola, que o acompanhava há aproximadamente 11 anos. Disse, porém, que ele terá todo o tempo necessário para se defender.
O encontro também contou com a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que é do PSOL, e do presidente do PT, Edinho Silva, coordenador da campanha de Lula.
Os dirigentes da federação PSOL-Rede apresentaram a Lula um documento com propostas para o programa de governo de um eventual quarto mandato do petista. Um dos parágrafos do texto, intitulado “Carta ao Lula”, diz que a vigorosa ação da Polícia Federal contra a “gangsterização da política”, sem proteger nem perseguir ninguém, precisa continuar, “doa a quem doer”.
Presidente soube antes das mensagens entre Marcola e Roberta
Marcola trabalhava no terceiro andar do Palácio do Planalto, ao lado de Lula. Ele deixou a chefia de gabinete no último dia 21 para integrar a coordenação da campanha do presidente. À época, interlocutores de Lula afirmaram que Marcola faria a “ponte” da campanha com o Planalto.
Na prática, porém, o presidente já havia sido informado da relação de Marcola com Roberta, uma vez que o sigilo do celular da lobista fora quebrado e o aparelho continha troca de mensagens entre os dois sobre pagamentos.
Ao ser confrontado por integrantes da coordenação da campanha de Lula, o ex-chefe de gabinete admitiu ter aceito que a empresária lhe pagasse contas, mas alegou que a quantia era um “empréstimo”
Ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público em Alagoas, Gaspar se filiou em março ao PL para disputar o Senado
POR CAROLINA LINHARES E THAÍSA OLIVEIRA
O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou que terá como companheiro de chapa o deputado federal Alfredo Gaspar (AL), relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS.
Ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público em Alagoas, Gaspar se filiou em março ao PL para disputar o Senado. Estava antes no União Brasil. A escolha busca acenar para o Nordeste, região em que Flávio está em desvantagem em relação a Lula (PT), e priorizar a segurança pública, área que o senador vem priorizando com um discurso linha-dura.
Como relator da CPMI, Alfredo Gaspar buscou vincular as fraudes a aposentadorias e pensões ao governo Lula, com diversas citações ao petista em seu relatório, enquanto praticamente ignorou a cúpula da gestão anterior.
A chapa formada por homens do PL difere do plano inicial de Flávio de ter como vice uma mulher de um partido aliado e evidencia o isolamento do senador, que não conseguiu viabilizar outros nomes considerados prioritários. Sem uma coligação, o bolsonarista terá 20% menos tempo de TV do que Lula, que conta com outras seis legendas.
A formação de uma aliança esbarrou na recusa de partidos do centrão, como PP, União Brasil e Republicanos, a coligarem com o PL o prazo das convenções partidárias para a definição de alianças termina nesta quarta-feira (5).
Na terça (4), Flávio admitiu que a busca por uma vice havia se tornado “uma novela” e que a escolha poderia se estender até o dia 15, último dia para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. À noite, porém, o PL anunciou que a decisão estava tomada e convidou a imprensa para o anúncio desta manhã.
A preferência de Flávio era por Daniella Marques (Republicanos), presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro. O partido de Daniella, no entanto, decidiu na terça, em convenção nacional, que não apoiará Flávio e se manterá neutro na disputa entre ele e Lula.
Também nesta terça, Flávio fez longos elogios a Daniella, disse que “é público” que “gostaria muito” que ela ocupasse a vice e afirmou que deixou isso claro nas tratativas com o Republicanos.
Na semana passada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, buscou emplacar como vice a senadora Tereza Cristina (PP-MS), sua preferida para o posto. Tereza, que resistia à ideia, chegou a ser convencida por aliados de Flávio e disse a ele que topava a empreitada, mas o PP vetou a aliança.
Tanto no caso do PP como do Republicanos, uma votação dos diretórios estaduais definiu que a maioria preferia a neutralidade.
Integrantes da equipe de Flávio e do PL tinham como objetivo encontrar um vice conhecido nacionalmente, que agregasse votos e que tivesse representatividade em um segmento específico, como evangélicos, Nordeste ou agro. Pesquisas internas, no entanto, revelaram a dificuldade de encontrar um vice ideal.
O próprio Marinho, por exemplo, defendia a escolha de uma mulher nordestina.
Mais do que tudo, Flávio vinha indicando que queria uma vice mulher, na tentativa de reduzir sua rejeição no público feminino. Outra estratégia do senador para conquistar eleitoras foi trazer sua esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, para sua campanha.
A necessidade de acenar para as mulheres se agravou após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ter dito publicamente que Flávio a maltratou. Um mês depois da crise, que eclodiu no fim de junho, o senador e sua madrasta deram sinais de reconciliação ela aceitou um pedido de desculpas público do enteado e prometeu ajudá-lo na campanha.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, políticos do centrão afirmam que a dificuldade de Flávio em formar coligações e uma chapa diversa se deve à falta de diálogo e habilidade de articulação por parte do senador. Já integrantes do PL dizem que a influência e barganha do governo Lula afastaram os partidos do centrão.
Ao PT, ele informou que é decisão política- e não jurídica- que visa blindar o presidente e evitar fogo amigo e disputas internas
Com CNN
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a equipe da campanha de reeleição do petista. A informação foi divulgada pela CNN Brasil e ocorre em meio à repercussão de investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Segundo a reportagem, Marcola decidiu se afastar após vir a público a informação de que recebeu um empréstimo pessoal de R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger. De acordo com pessoas próximas ao presidente, não há, até o momento, indícios de irregularidade na operação financeira.
Ainda conforme interlocutores do governo, a orientação da equipe é manter o princípio da presunção de inocência enquanto as investigações seguem em andamento.
As apurações da Polícia Federal investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Os investigadores apuram se ambos teriam ligação com Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Até o momento, não houve conclusão sobre os fatos investigados.
Segundo a CNN Brasil, Lula determinou que as investigações sejam conduzidas sem interferência e que todos os fatos sejam esclarecidos, independentemente de quem esteja envolvido.
Marcola ocupou a chefia do gabinete pessoal do presidente durante todo o atual mandato e deixou o cargo em 21 de julho deste ano.
Defesa
Após deixar a campanha, Marcola contratou o advogado Georges Abboud para atuar em sua defesa.
Em nota divulgada na terça-feira (4), o ex-assessor afirmou que o empréstimo firmado com Roberta Luchsinger teve caráter exclusivamente pessoal e privado.
Roberta é diretora da empresa RL Consultoria e Intermediações e mantém amizade com Fábio Luís Lula da Silva. O filho mais velho do presidente é alvo de três investigações que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência em diferentes órgãos do governo federal.
A defesa de Lulinha informou que busca acesso aos inquéritos em andamento e afirmou que ele prestará todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
CNN Brasil