Animais vítimas de violência e negligência receberam cuidados e foram adotados por meio do trabalho da Prefeitura de Palmas; outros, como a cadelinha Baronesa, ainda esperam por uma oportunidade
Texto: Fernanda Leme
O medo de pessoas, as marcas de agressões e a falta de cuidados fazem parte do passado de muitos cães e gatos que hoje vivem cercados de carinho. Somente em 2026, 138 animais vítimas de maus-tratos ganharam uma nova família por meio do trabalho da Prefeitura de Palmas, realizado pela Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal (Sebem).
Entre os animais adotados estão cães e gatos que precisaram de atendimento veterinário, alimentação adequada e tempo para se recuperar. Alguns chegaram debilitados, outros apresentavam ferimentos ou sinais de abandono. Hoje, fazem parte de famílias que decidiram oferecer a eles uma vida diferente daquela que conheceram.
A diretora de Educação e Proteção Animal da Sebem, Keyla Farias, destaca a importância dessas adoções. “A gente conhece a história de cada um e sabe o quanto alguns sofreram. Quando recebemos uma foto deles brincando ou recebendo carinho na nova casa, temos a certeza de que todo o esforço valeu a pena. São 138 animais que tiveram a oportunidade de recomeçar”, afirma.
O caso da cadelinha Baronesa
Se para 138 animais a espera chegou ao fim, Baronesa ainda aguarda sua oportunidade. Vítima de maus-tratos, a cadelinha teve água fervente jogada sobre o corpo, sofrendo queimaduras que deixaram marcas. Apesar da violência, continua dócil, carinhosa, inteligente e adestrada. Diagnosticada com leishmaniose, condição que exige acompanhamento veterinário, ela enfrenta mais um desafio para conseguir uma família.
Baronesa não precisa de pena, mas de alguém disposto a enxergar além das cicatrizes. Assim como ela, outros animais adultos ou com condições especiais de saúde continuam esperando por um lar. A Sebem reforça que a adoção responsável é fundamental para mudar essas histórias e garantir que mais cães e gatos tenham uma vida longe da violência.
Como adotar ou denunciar maus-tratos
Os interessados em adotar Baronesa ou outros animais podem procurar a Central de Adoção da Sebem pelo WhatsApp (63) 9225-9310. Casos de maus-tratos podem ser denunciados pelo telefone 153, da Guarda Metropolitana de Palmas, ou pelo 0800 6464 156, da Ouvidoria Municipal. Sempre que possível, é importante apresentar fotos, vídeos e informações que auxiliem na apuração.
Capacitação reúne especialistas para discutir aspectos técnicos, contratuais e de governança relacionados à execução da parceria público-privada
Por Adrielly Cavalini
A Companhia Imobiliária de Participações, Investimentos e Parcerias (Tocantins Parcerias) promoveu, nesta segunda e terça-feira, 26 e 27 de outubro, em parceria com a Opy Health, o Workshop Gestão de Contrato de PPP do Hospital da Mulher e Maternidade Estadual do Tocantins. A iniciativa reuniu gestores, profissionais e especialistas para aprofundar conhecimentos sobre os principais aspectos envolvidos na gestão e no acompanhamento do contrato da parceria público-privada.
A abertura do encontro foi realizada pelo presidente da Tocantins Parcerias, Aleandro Lacerda, que destacou a importância da capacitação e da integração entre os diferentes órgãos envolvidos na implementação do projeto. “A Tocantins Parcerias realiza este workshop reunindo os servidores envolvidos na implementação do novo Hospital da Mulher, promovendo dois dias de capacitação, diálogo e troca de experiências. É um momento importante para que gestores de diferentes áreas possam discutir e aprender com experiências nacionais, se preparando para as próximas etapas do projeto e contribuindo para uma saúde cada vez melhor no Tocantins”, destacou o presidente.
Ao longo dos dois dias, o workshop abordou temas que envolvem diferentes etapas da gestão da PPP, desde o funcionamento da parceria e o recebimento da obra e dos equipamentos até a implantação dos serviços, financiamento, fiscalização, comunicação pública e institucional, indicadores de desempenho, contraprestação mensal, equilíbrio econômico-financeiro, sanções e governança.
A programação contou com profissionais da Pezco, Opy Health, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Houer e Demarest, proporcionando uma abordagem multidisciplinar e a troca de experiências sobre diferentes aspectos da gestão contratual.
Durante o encontro, o diretor-geral de Operações da Opy, Thiago Python, destacou o recebimento da obra e dos equipamentos e o Plano de Implantação dos Serviços. Na oportunidade, ressaltou a importância de integrar as boas práticas e experiências do setor às características e necessidades locais, tanto na construção quanto na futura operação da unidade.
“Para que o hospital esteja preparado para atender às expectativas da população tocantinense, é fundamental compreender as características locais e integrá-las às melhores práticas, tanto na construção quanto na futura operação. Uma PPP não pode seguir uma receita pronta. O sucesso acontece quando poder público e parceiro privado deixam de pensar de forma separada e passam a pensar no hospital como um todo, criando as condições necessárias para que a equipe assistencial possa fazer o que faz de melhor: cuidar das pessoas”, destacou Thiago Python.
Gestão e acompanhamento
No primeiro dia, a programação contemplou discussões sobre o funcionamento da PPP, o financiamento do BNDES às parcerias público-privadas no setor de saúde, fiscalização e responsabilidades na execução contratual, além dos aspectos relacionados à comunicação pública e institucional.
Já na terça, os debates avançaram sobre indicadores de desempenho e o papel do Verificador Independente, medição e cálculo da contraprestação mensal, situações que podem gerar reequilíbrio econômico-financeiro, aditivos, sanções e mecanismos de governança.
A realização do workshop integra o processo de preparação e fortalecimento da gestão da PPP do Hospital da Mulher e Maternidade Estadual do Tocantins, promovendo maior alinhamento entre os agentes envolvidos e contribuindo para o acompanhamento técnico e eficiente do contrato.
Primeiro levantamento da Conab aponta crescimento de 4,9% na área cultivada e de 2,9% na produção, com destaque para soja, milho e arroz
Da Assessoria
O Tocantins poderá, pela primeira vez, superar a marca de 10 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/2027. De acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em outubro, a produção estadual está estimada em 10,03 milhões de toneladas, crescimento de 2,9% em relação ao ciclo anterior, o equivalente a aproximadamente 286 mil toneladas adicionais. A perspectiva reforça a importância do setor agropecuário para a economia estadual e das ações de fortalecimento das cadeias produtivas desenvolvidas pelo Governo do Tocantins, por meio da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro).
A área cultivada deverá alcançar 2,63 milhões de hectares, expansão de 4,9%, equivalente a 123,2 mil hectares a mais que na safra 2025/2026. Os resultados refletem as intenções iniciais de plantio, impulsionadas pela incorporação de novas áreas agrícolas, conversão de pastagens e investimentos em tecnologia e produtividade.
Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, a projeção representa uma perspectiva importante para a economia estadual. “Estamos diante da possibilidade de alcançar uma marca histórica para a produção de grãos do Tocantins, com reflexos na geração de emprego e renda. O Governo do Estado segue trabalhando para fortalecer as cadeias produtivas, incentivar a produção sustentável e ampliar a competitividade da nossa agropecuária”, destacou.
Soja e milho lideram produção

Engenheiro agrônomo da Seagro, Thadeu Teixeira Júnior, destaca a importância do planejamento agrícola diante das condições climáticas previstas para a safra 2026/2027
Principal cultura agrícola do estado, a soja deverá ocupar aproximadamente 1,72 milhão de hectares, crescimento de 4,3% em relação à safra anterior. A produção está estimada em 5,95 milhões de toneladas, correspondendo a 59,3% de toda a produção estadual de grãos. Apesar do aumento da área, a projeção indica redução de 0,8% na produção, em razão da expectativa inicial de menor produtividade.
O milho apresenta perspectivas de crescimento mais acentuadas, com área estimada em 572,6 mil hectares, expansão de 14,9%, e produção projetada em 3,05 milhões de toneladas, aumento de 12,2%. O destaque é o milho de primeira safra, cuja área deverá crescer 32,1%, alcançando aproximadamente 101,7 mil hectares, impulsionada pela maior previsibilidade dos preços, pela demanda da indústria de etanol de milho e pelo fortalecimento das cadeias de proteína animal.
Somadas, soja e milho deverão representar aproximadamente 90% da produção estadual de grãos.
Segundo o diretor de Agricultura, Pecuária e Agronegócio da Seagro, José Américo Vasconcelos, a expansão do milho acompanha a ampliação da demanda industrial. “O crescimento projetado demonstra como o fortalecimento das cadeias agroindustriais pode impulsionar a agricultura. O Tocantins possui condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado, especialmente com a demanda da indústria de biocombustíveis e do setor de proteína animal”, ressaltou.
Arroz apresenta recuperação
O arroz também apresenta perspectivas positivas, com a retomada de crescimento em área e produção, estimando em 679,5 mil toneladas, avanço de 6,7%, e área cultivada de aproximadamente 110,3 mil hectares, elevação de 2,7%. A cultura possui importância estratégica para o Tocantins, especialmente nas regiões de várzeas tropicais, onde os sistemas irrigados contribuem para a estabilidade produtiva e o abastecimento nacional.
Entre as demais culturas, o gergelim apresenta expectativa de produção de 22,8 mil toneladas, aumento de 6,6%. Já o feijão e o sorgo registram projeções de redução, com produções estimadas em 115,9 mil e 165,7 mil toneladas, respectivamente, refletindo ajustes nas áreas de cultivo e nas expectativas de produtividade.
Clima e mercado exigem atenção

Secretário da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, destaca a importância da produção de grãos para o desenvolvimento econômico do Tocantins
O comportamento das chuvas será determinante para o desempenho da safra. Conforme os prognósticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apresentados pela Conab, o trimestre de outubro a dezembro de 2026 poderá registrar precipitações abaixo da média histórica em grande parte do Tocantins, especialmente nas regiões norte e central.
O engenheiro agrônomo da Seagro, Thadeu Teixeira Júnior, ressalta a importância do planejamento agrícola para reduzir os riscos produtivos. “Estamos no início da safra e o comportamento climático será decisivo para os resultados. É fundamental que os produtores acompanhem as previsões meteorológicas, façam a escolha adequada das cultivares e adotem práticas de manejo conservacionista do solo para reduzir os riscos e preservar a produtividade”, tornando a tomada de decisão fator de grande importância para o setor produtivo, explicou.
Além do clima, os preços agrícolas e os custos de produção influenciam as decisões dos produtores. Em setembro de 2026, a soja foi comercializada, em média, a R$ 139,44 por saca, alta de 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O milho alcançou R$ 58,30 por saca, valorização de 8%, enquanto o arroz atingiu R$ 119,25 por saca, crescimento de 57,4%, influenciado principalmente pela redução da oferta no ciclo anterior.
Por se tratar do primeiro levantamento da safra 2026/2027, as projeções ainda poderão sofrer alterações conforme a evolução do plantio, as condições climáticas e o comportamento dos mercados.
Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — Acompanhamento da Safra de Grãos no Tocantins, 1º Levantamento da Safra 2026/2027, outubro de 2026.
Encontro discutiu o modelo de doação do Siaa, a autonomia tecnológica do Estado e a confiabilidade dos dados exigidos pela sentença que protege a bacia. Governo e associações têm 10 dias úteis para complementar informações
Da Assessoria
O controle da água utilizada pelos grandes projetos de irrigação da Bacia do Rio Formoso voltou ao centro da atuação do Ministério Público do Tocantins (MPTO). Em audiência pública realizada nesta segunda-feira, 26, em Palmas, a instituição cobrou esclarecimentos sobre a autonomia do Estado, a confiabilidade dos dados e a regularidade da implantação do novo sistema de monitoramento da região.
O objetivo é assegurar que a fiscalização da retirada de água seja efetiva e independente, conforme determina uma sentença judicial obtida pelo MPTO após a grave crise hídrica que atingiu a bacia em 2016. Na ocasião, os rios Formoso e Urubu chegaram a secar durante a estiagem, comprometendo a disponibilidade de água na região. A situação levou o MPTO a ingressar com uma Ação Civil Pública que resultou na obrigação judicial do Estado manter regras de rodízio, monitoramento e fiscalização do uso dos recursos hídricos.
Agora, o foco está no Sistema Integrado de Automonitoramento das Águas (Siaa), ferramenta digital que registra os volumes captados pelos projetos de irrigação, cruza as medições com os limites autorizados nas outorgas e emite alertas para a fiscalização.
A audiência, conduzida pelo promotor de Justiça Jorge José Maria Neto, da Promotoria de Justiça Regional Ambiental da Bacia do Alto e Médio Araguaia, reuniu representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Procuradoria-Geral do Estado, Agência de Tecnologia da Informação (ATI), associações de irrigantes, empresas de telemetria, pesquisadores e técnicos.
Autonomia do Estado sobre o sistema
Um dos principais pontos debatidos na Audiência foi a necessidade de garantir que o Estado tenha domínio efetivo sobre o sistema responsável por monitorar a captação de água na bacia.
Entre 2019 e 2026, o monitoramento foi realizado pelo Sistema de Gestão de Alto Nível (GAN), desenvolvido no âmbito de um projeto de extensão da Universidade Federal do Tocantins. Pioneiro na coleta de dados em tempo real, o sistema teve desenvolvimento por empresa privada e foi custeado por três associações de irrigantes antes de ser doado ao Estado.
Em 2025 e 2026, o governo tocantinense iniciou a transição para o Siaa, que cruza as medições com os limites das outorgas e emite alertas para a fiscalização.
O modelo adotado levantou questionamentos encaminhados ao MPTO e ao Tribunal de Contas do Estado sobre a forma de contratação, a titularidade do software e o risco de dependência tecnológica. Também foi levantada a possibilidade de conflito de interesses decorrente do financiamento de um sistema de fiscalização pelos próprios usuários de água submetidos ao controle.
Diante dessas questões, a atuação do Ministério Público passou a abranger, além da proteção ambiental, a regularidade dos procedimentos e a defesa do patrimônio público.
Durante a audiência, a ATI informou que o código-fonte do Siaa já foi entregue e está sob custódia do Estado. Segundo o órgão, a equipe estadual possui autonomia para realizar ajustes e a transferência do sistema para a infraestrutura tecnológica do governo está em fase final, o que permitirá desvinculá-lo dos servidores da empresa desenvolvedora.
Os representantes das associações de irrigantes afirmaram que o investimento teve como finalidade acelerar o cumprimento das exigências judiciais, sem intenção de interferir no controle ambiental.
Confiabilidade dos dados
Outro ponto central da audiência foi a confiabilidade dos dados transmitidos pelo sistema. O MPTO reforçou que as informações digitais precisam corresponder ao volume de água efetivamente retirado dos rios.
Entre julho e agosto, equipes do Ministério Público, da Semarh, do Naturatins e do Batalhão de Polícia Militar Ambiental realizaram três campanhas conjuntas de auditoria hidrométrica na bacia. O trabalho incluiu medições em campo, comparação com os dados enviados pelos sensores instalados nas bombas e vistorias nas barragens.
Os resultados apresentados indicaram proximidade entre os volumes medidos diretamente pelas equipes e os registrados pelos equipamentos. As informações ainda serão consolidadas em relatório técnico da Semarh.
“Sempre que houver dúvida, o caminho é puxar a régua e medir lá na ponta”, afirmou o promotor Jorge José Maria Neto, ao defender a verificação prática das informações e o acompanhamento permanente do sistema.
Em sua exposição, o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caoma) do MPTO resgatou a trajetória técnica do monitoramento desde o GAN. O Caoma defendeu que qualquer sistema adotado esteja sob domínio do Estado, como código, dados, hospedagem e capacidade de evolução, e propôs tornar a auditoria conjunta uma rotina periódica de qualidade.
Próximos passos
Ao final, o promotor concedeu 10 dias úteis para que o governo estadual e as associações apresentem documentos complementares sobre o funcionamento e o controle público do Siaa. Ele classificou a audiência como “o espaço da democracia deliberativa dos órgãos públicos”, por permitir resolver divergências que não se resolveriam apenas com a troca de documentos.
As informações da audiência e os documentos entregues no prazo vão compor um relatório conclusivo. O relatório será enviado à 22ª e à 28ª Promotorias de Justiça da Capital, que apuram a regularidade jurídica da doação do software. Também será juntado ao processo judicial em tramitação na comarca de Cristalândia, como subsídio para a audiência judicial marcada para 2 de dezembro.