Presidente também empata no limite da margem de erro com Ronaldo Caiado ns busca pela reeleição; ele lidera contra Zema e Renan Santos
Por Ighor Nóbrega
Pequisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (3) mostra um empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em eventual disputa de segundo turno nas eleições deste ano para a Presidência da República.
Lula tem 46% das intenções de voto contra 45% de Flávio, o que configura empate técnico dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em relação à pesquisa anterior, divulgada na semana passada, o atual presidente oscilou um ponto para baixo, enquanto o candidato da oposição variou dois para cima. A distância, portanto, passou de quatro para apenas um ponto percentual, a menor observada desde abril pelo instituto.
A pesquisa também testou outros três cenários de segundo turno, todos com Lula. A mais acirrada é contra Ronaldo Caiado (PSD), na qual o petista aparece com 46% contra 42% do ex-governador de Goiás, representando um empate técnico no limite da margem de erro.
O atual presidente só lidera estatisticamente contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) – por 46% x 40% – e contra o candidato do Missão, Renan Santos, com o qual tem 10 p.p. de vantagem: 47% x 37%.
A pesquisa BTG/Nexus foi realizada de 31 de julho a 2 de agosto com 2.002 entrevistados. O nível de confiança é de 95% e o número de registro no TSE é BR-02874/2026.
No cenário de primeiro turno simulado pelo levantamento, Lula tem 41% das intenções de voto, numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, com 37%. Caiado, com 5%, Renan, com 4% e Zema, com 3%, disputam o terceiro posto.
Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP) têm 1% cada. Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU), Heró Bezerra (PRTB) e Edmilson Costa (PCB) não pontuam.
Flávio também encurtou a distância para Lula no primeiro turno. A distância entre os dois era de nove pontos percentuais até a semana passada. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu quatro pontos desde então, enquanto o atual chefe do Executivo variou um para baixo.
O presidente, porém, tem um eleitorado mais fiel. Em busca de seu quarto mandato no Palácio do Planalto, ele acumula 36% de eleitores que o veem como o único candidato a votar. E outros 14% que o tem como um voto possível. O senador Flávio tem 28% de eleitores fidelizados e 19% potenciais.
Por outro lado, a rejeição é igual. Ambos somam 49% de eleitores que não votariam em ambos “de jeito nenhum”. São percentuais elevados em comparação com Renan (28%), Caiado (29%), Zema (31%), mas o trio ainda é desconhecido por mais de um terço da população.
Na rejeição líquida, que considera apenas os entrevistados que conhecem o candidato, Renan Santos lidera com 55%. Flávio tem 51%, Lula soma 50% e Zema, 49%. Caiado é o menos rejeitado, por 45%.
Candidatos oficializados
Lula foi confirmado pelo PT como candidato à Presidência na convenção nacional do partido neste domingo (2). Essa será a sétima campanha eleitoral do petista ao Executivo federal, tendo vencido três. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também foi confirmado como candidato à reeleição na chapa.
Com a oficialização do atual presidente, todos os principais candidatos ao cargo já estão formalizados pelas suas siglas. Assim como Lula, Caiado e Renan Santos já estão com a chapa definida para o pleito de outubro.
Restam as definições dos vices de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. O prazo para a escolha se encerra na quarta-feira (5), como definido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Levantamento realizado após as convenções partidárias aponta empate técnico entre os dois principais candidatos e estabilidade na avaliação do governo federal
Por João Victor Rodrigues
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto, mas viu diminuir a diferença em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (3). O levantamento, o primeiro realizado após as convenções partidárias que oficializaram as candidaturas para as eleições de 2026, indica que os dois estão tecnicamente empatados no primeiro turno, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Na simulação para a primeira etapa da eleição, Lula registra 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 37%. Em comparação com a pesquisa anterior, divulgada em 27 de julho, o presidente recuou um ponto percentual e o senador avançou quatro, reduzindo a diferença de nove para quatro pontos. Segundo a série histórica do instituto, trata-se da menor distância entre os dois desde abril.
Os cenários de segundo turno também mostram uma disputa mais equilibrada. Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 45% de Flávio Bolsonaro, resultado que configura empate técnico. Diante do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o presidente marca 46%, enquanto o adversário soma 42%. Já em um eventual confronto com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), Lula registra 46% contra 40%. Na disputa com Renan Santos, candidato do partido Missão e líder do Movimento Brasil Livre (MBL), o petista tem 47%, enquanto o adversário aparece com 37%.
A pesquisa também avaliou a percepção dos eleitores sobre o governo federal. A aprovação da gestão Lula foi de 47%, enquanto a desaprovação atingiu 48%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Na avaliação qualitativa, 37% classificam o governo como “ótimo” ou “bom”, 43% consideram a administração “ruim” ou “péssima” e 18% a definem como “regular”. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 31 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02874/2026.
Petista defendeu o trabalho feito durante sua gestão e disse ser a última vez que participa da corrida eleitoral
Por Tainá Farfan, da RECORD, em São Paulo, e Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
Ao anunciar sua candidatura à reeleição em São Paulo, neste domingo (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o trabalho feito durante sua gestão e disse ser a última vez que participa da corrida eleitoral.
Segundo ele, caso siga no Planalto, terá “briga com emenda parlamentar” e com o “papel do poder Legislativo”, condenando altos recursos destinados aos fundos partidários.
“Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Porque isso está levando os partidos políticos à promiscuidade. Eu quero que vocês saibam que a minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel do poder Legislativo”, comentou.
Fundo Partidário é um recurso do orçamento do governo federal destinado às despesas cotidianas dos partidos políticos. As verbas são provenientes de multas, penalidades, doações e outros recursos definidos por lei.
Lula chegou a argumentar que existem partidos que ganham até R$ 1 bilhão por ano.
E afirmou que não pretende ser o “Lulinha paz e amor”, mas o “Lulinha porreta” em um eventual quarto mandato. Ele reconheceu os limites de sua gestão e afirmou que nem sempre consegue atender a todas as demandas. “Sei que nem sempre pude entregar tudo que queriam, mas governando não se faz o só que quer.”
Não quer voto de agressor
Durante o discurso, também criticou os índices de violência contra mulher, afirmando que não deseja receber votos de agressores.
“O cara vai ter que escolher. Ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. [...] Duvido que um governo tenha colocado tanto dinheiro nos estados… 99% receberam uma obra ou equipamento do PAC. Temos autoridade moral de defender com orgulho o que nós fizemos, comentou.
Lula terá como aliados em sua coligação os partidos PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, além de PSOL, Rede, PSB e PDT, parte da base de apoio à corrida eleitoral.
Pé-de-Meia e educação
O petista defendeu a criação de programas como Pé-de-Meia e incentivo à indústria, além da retomada da demarcação de terras indígenas e de investimentos nos estados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e na educação, por exemplo.
“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o problema da educação neste país. Eu sou candidato pela quarta vez porque quero pagar a dívida com os idosos. Tenho 80 anos e hoje estou infinitamente melhor do que quando eu tinha 50 anos e estava no meu primeiro mandato.”
Investimento na defesa
Em meio à tensão com os Estados Unidos, Lula defendeu que o Brasil passe a investir na indústria da defesa e esteja “preparado” caso alguém decida invadir o país. Apesar de não ter citado Nicolás Maduro, o petista fez referência à prisão do presidente venezuelano pelo governo de Donald Trump.
“Quero pedir para o pessoal da esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa”, disse. “Quero estar preparado para que ninguém invada este país e leve o presidente, como eles invadiram.”
Planejamento para o Brasil
Em seu discurso, Lula defendeu a definição de prioridades nacionais em um planejamento de longo prazo e afirmou que o país precisa estabelecer um projeto com horizonte de 10 a 15 anos. “Precisamos decidir o que é prioridade no país”, frisou ele.
O presidente também comentou temas ligados à juventude e planejamento familiar, dizendo que uma jovem que tem filhos aos 16 anos “joga o futuro fora”. E defendeu o direito de escolha das mulheres, ao destacar que a mulher “tem que ter filho quando quiser”.
Alckmin ataca descrença nas urnas
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que adversários políticos descrentes no voto popular não deveriam ser candidatos à Presidência.
Ele lembrou, sem mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que a oposição elaborou um golpe de Estado ao perder as eleições de 2022.
“Tinham como projeto assassinar aqueles que foram eleitos pelo povo. Pelo voto popular, não deveriam sequer ter sido candidatos à Presidência”, disse, durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo.
A lista reúne candidaturas próprias, apoios declarados e alianças estaduais, que ainda podem mudar até a próxima quarta (5), quando termina o prazo das convenções.
LAURA INTRIERI - (FOLHAPRESS)
Na reta final das convenções partidárias, o presidente Lula (PT) tem nomes associados a seu campo para os governos nas 27 unidades da Federação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à mesma etapa com cinco estados sem palanque definido ou em que seu partido não lançou candidato nem se aliou a outra chapa: Acre, Alagoas, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco.
A lista reúne candidaturas próprias, apoios declarados e alianças estaduais, que ainda podem mudar até a próxima quarta (5), quando termina o prazo das convenções.
Nos últimos meses, os dois lados barraram candidaturas próprias, administraram disputas internas e priorizaram alianças para ganhar capilaridade nos estados. A montagem das chapas exige conciliar as eleições para governador e para o Senado com os acordos nacionais de cada partido.
Norte
Na região Norte, o campo de Lula reúne Dr. Thor Dantas (PSB), no Acre; Clécio Luís (União Brasil), no Amapá; Omar Aziz (PSD), no Amazonas; Hana Ghassan (MDB), no Pará; Expedito Netto (PT), em Rondônia; Nelita Frank (PT), em Roraima; e Laurez Moreira (PSD), no Tocantins.
Flávio tem nomes identificados em seis estados da região: Maria do Carmo Seffair (PL), no Amazonas; Daniel Santos (Podemos), no Pará; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; Arthur Henrique (PL), em Roraima; Professora Dorinha Seabra (União Brasil), no Tocantins; e Dr.Furlan (PSD), no Amapá.
Nordeste
Lula tem nomes definidos nos nove estados nordestinos: Renan Filho (MDB), em Alagoas; Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; Felipe Camarão (PT), no Maranhão; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; João Campos (PSB), em Pernambuco; Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Cadu Xavier (PT), no Rio Grande do Norte; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe.
Na Bahia, a disputa vai reeditar o confronto de 2022 entre Jerônimo e ACM Neto. O PT trabalha para nacionalizar a campanha e estimular o voto casado no governador e em Lula, enquanto o PL integra a aliança estadual do ex-prefeito de Salvador. ACM Neto, porém, adotou uma estratégia de distanciamento da eleição presidencial e declarou apoio a Ronaldo Caiado, do PSD.
O Nordeste concentra algumas das principais dificuldades de Flávio na montagem dos palanques. Os alinhados a Flávio na região são Efraim Filho (PL), na Paraíba; Joel Rodrigues (PP), no Piauí; Álvaro Dias (PL), no Rio Grande do Norte; e Ricardo Marques (PL), em Sergipe. No Ceará, o partido trabalha por uma aliança estadual com Ciro Gomes, mas o tucano tem sinalizado que não participará da campanha presidencial.
Centro-Oeste
No Distrito Federal, Lula terá dois palanques locais separados, com Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). A governadora Celina Leão (PP) é o nome associado a Flávio. O apoio do PL a Celina vinha sendo articulado nos bastidores, com participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), embora a composição formal ainda dependesse das convenções.
Em Goiás, o PT trabalha com Luís César Bueno para dar palanque a Lula, enquanto Wilder Morais é o candidato do PL. Em Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD) é o nome associado ao presidente e Wellington Fagundes (PL), ao senador.
Em Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT) será o candidato de Lula. O governador Eduardo Riedel (PP) declarou apoio a Flávio.
Sudeste
No Espírito Santo, Helder Salomão (PT) é o candidato ligado a Lula. No campo de Flávio, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou apoio ao senador e negociou uma aliança com o PL.
Em Minas Gerais, o PT definiu Patrus Ananias como candidato ao governo e encerrou a última indefinição na articulação de Lula. Flávio ainda não tem palanque mineiro decidido. O PL aguardava a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas para o governo, mas ainda não confirmou a candidatura.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) é o nome ligado a Lula, e Douglas Ruas (PL), a Flávio. Jane Reis (MDB) integra a chapa de Paes como vice.
Em São Paulo, os dois lados estão consolidados. O PT oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo em convenção com Lula, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenta a reeleição como principal aliado estadual de Flávio.
Sul
No Paraná, Lula terá como palanque Requião Filho (PDT), após o PT fechar uma aliança estadual com o partido. Flávio estará com Sergio Moro (PL), que lançou sua candidatura ao governo ao lado do senador.
No Rio Grande do Sul, o PT apoiará Juliana Brizola (PDT), depois de abrir mão da candidatura de Edegar Pretto em favor da unidade da aliança. Flávio terá Luciano Zucco (PL), que oficializou sua candidatura com a presença do presidenciável.
Em Santa Catarina, o ex-deputado e empresário Gelson Merísio (PSB) diz que pretende oferecer um “palanque sólido” a Lula. O governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, está no campo de Flávio.
Representação do Novo pede investigação por quebra de decoro após divulgação de relatórios da Polícia Federal
Com Jornal de Brasília
A investigação sobre o Banco Master abriu uma nova frente de desgaste para Jaques Wagner (PT-BA) dentro do Senado. O partido Novo levou o caso ao Conselho de Ética e pediu a abertura de um processo para verificar se a conduta do ex-líder do governo Lula configura quebra de decoro parlamentar.
A representação ganhou força após André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, liberar documentos que estavam sob sigilo. O material descreve a proximidade de Wagner com Augusto Ferreira Lima, o “Guga Lima”, e aponta que essa relação teria aproximado o senador de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
A Polícia Federal identificou 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, com duração total de cinco horas e meia. Para os investigadores, os contatos teriam criado um canal para tratar de operações e pautas legislativas de interesse do banco, embora as suspeitas ainda dependam do avanço das apurações.
Outro ponto analisado envolve possíveis vantagens econômicas recebidas pelo parlamentar. Entre os elementos citados está a negociação de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria seguido uma estrutura semelhante à investigada no caso do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18 de junho.
O senador evitou responder diretamente às suspeitas e afirmou seguir a orientação de seus advogados para permanecer em silêncio sobre o mérito do inquérito. Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner disse que a investigação também pode servir para “afastar a culpa”. Agora, além da apuração conduzida pela PF, ele poderá enfrentar um procedimento político no Senado.