TSE decide suspender campanha de Deltan DallagnolPlacar ficou em 5 a 2; candidato ao Senado pelo Paraná acusa relator de ter proximidade com Alexandre de Moraes
Por Carla Araújo, Vicklin Moraes
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta segunda-feira (21), manter suspensos os atos de campanha de Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná.
A maioria acompanhou o voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques. Também votaram pela manutenção da suspensão os ministros Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Sebastião Reis.
O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e o ministro André Mendonça foram os únicos a votar contra a suspensão. O placar ficou em 5 a 2.
O julgamento ocorre em sessão extraordinária do plenário virtual, com encerramento previsto para a meia-noite.
No sábado (19), Floriano de Azevedo Marques determinou, em decisão liminar, a suspensão da campanha de Dallagnol ao Senado pelo Paraná. A medida vale até o julgamento do recurso apresentado pela Coligação Paraná Para Todos e pela Federação Brasil da Esperança.
A decisão impede Dallagnol de realizar atos de campanha, participar de debates, veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e utilizar recursos públicos de campanha.
O recurso contesta decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que, em votação apertada, havia confirmado o registro de candidatura de Dallagnol ao Senado.
Floriano apontou a ausência de fatos novos capazes de justificar uma conclusão diferente da adotada pelo TSE em 2023, quando a Corte cassou o registro de candidatura do ex-procurador.
Naquele julgamento, o TSE entendeu que Dallagnol havia pedido exoneração do cargo de procurador da República, em novembro de 2021, para evitar a incidência de uma causa de inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa.
A norma estabelece inelegibilidade de oito anos para quem pede exoneração ou aposentadoria voluntária enquanto responde a processo administrativo disciplinar. Segundo o entendimento adotado pelo TSE à época, a saída antecipada de Dallagnol impediu que 15 procedimentos em tramitação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) evoluíssem para processos que poderiam resultar em demissão ou aposentadoria compulsória.
No julgamento do registro para as eleições de 2026, porém, a maioria do TRE-PR entendeu que a decisão de 2023 não se aplicava à eleição atual.
Em entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, nesta segunda-feira (21), Dallagnol criticou a decisão de Floriano e afirmou que a suspensão de sua campanha estaria relacionada à suposta proximidade do ministro com Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Essa decisão foi uma violência jurídica, uma aberração. Eu sou o único com candidatura registrada e, ao mesmo tempo, estou proibido de fazer campanha. E quem é Floriano? Floriano é amigo, desde 1986, de Alexandre de Moraes. Ele foi indicado ao TSE com todo o apoio de Alexandre de Moraes. O próprio Moraes foi quem anunciou a escolha de Floriano para o Lula, não foi nem o Lula”, afirmou Dallagnol.
As alegações sobre a relação entre os ministros foram feitas pelo candidato e não alteram, por si só, o andamento do julgamento no TSE.
Moraes também tem negado que tenha sido o destinatário das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um número no WhatsApp atribuído ao ministro
Com Estadão Conteúdo
O vídeo que mostra Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando de uma aeronave que pertencia à empresa Prime You, ligada a Daniel Vorcaro, contradiz declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no início do ano. Em 31 de março, Moraes afirmou, em nota, “jamais ter voado” em aeronaves do ex-dono do Banco Master.
A gravação que mostra o desembarque do casal foi revelada pelo jornal O Globo. Em nota, o escritório de advocacia Barci de Moraes afirmou neste domingo, 20, “que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation”, mas que a contratação “segue critérios operacionais”.
A empresa disse ainda que em “em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)”. “Nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório”, completa a nota.
O escritório de Viviane não se manifestou especificamente sobre o vídeo do desembarque. O gabinete do ministro foi procurado neste domingo e aguarda retorno.
Em 22 de agosto de 2025, no mesmo dia em que o vídeo teria sido gravado, Moraes participou de um fórum organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), entidade que reúne executivos de grandes empresas, no Rio. Imagens registradas durante a conferência mostram o ministro e a esposa com roupas parecidas às registradas na gravação obtida pelo Globo. Moraes está de terno preto e Viviane, com um conjunto bege.
Um levantamento do jornal Folha de S.Paulo mostrou que Moraes e Viviane pegaram ao menos oito voos ligados às empresas de Vorcaro entre maio e outubro de 2025. O cruzamento levou em conta somente os trajetos cuja origem foi o Aeroporto de Brasília. Na ocasião, Moraes afirmou ao jornal “jamais” ter voado em aeronaves de Vorcaro e chamou a reportagem de “fantasiosa”.
“As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel (cunhado de Daniel Vorcaro), a quem nem conhece”, disse o gabinete de Moraes.
Troca de mensagens
Moraes também tem negado que tenha sido o destinatário das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um número no WhatsApp atribuído ao ministro. Segundo o magistrado, o método utilizado pela Polícia Federal para atribuir as mensagens a ele não garante a autenticidade dos diálogos.
Vorcaro chegou a elaborar um contrato de R$ 50 milhões para ceder cotas de suas aeronaves à esposa do magistrado. O escritório dela alega que essa proposta jamais foi assinada, sendo extinta com a liquidação do Banco Master.
Além do acordo de cessão de cotas das aeronaves, a esposa do ministro detinha um contrato de R$ 131 milhões com o Master para a prestação de serviços jurídicos. Os valores previstos no contrato estão muito acima do que é cobrado pela média do mercado. A Polícia Federal constatou que documento foi editado por Moraes.
Segundo O Globo, a aeronave que aparece na gravação tem o prefixo PP-NLR. De acordo com a Polícia Federal, na véspera da gravação obtida pelo jornal, Daniel Vorcaro conversou com um contato denominado “Thatiane Prime”, que, segundo as investigações, era uma funcionária responsável pelo agenciamento de viagens do banqueiro.
Vorcaro pediu informações sobre o fretamento de um voo de Brasília a Roraima. Thatiana, em resposta, encaminha mensagens de um contato não identificado.
A mensagem encaminhada afirma que o fretamento do voo seria possível com a aeronave de prefixo PP-NLR, porém, no dia seguinte, esse mesmo avião já estava comprometido com outro trajeto. “Temos o voo da Barci no PP-NLR, decolando do Catarina às 13:00”, afirmou o contato. Catarina, possivelmente, refere-se ao Aeroporto Executivo São Paulo Catarina, em São Roque, no interior de São Paulo. Em resposta, Vorcaro pediu prioridade para o voo marcado. “Não deixe de atender Barci.”
Veja a nota na íntegra do Barci de Moraes:
O escritório Barci de Moraes informa que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, cujos serviços foram utilizados em determinadas ocasiões.
Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation.
O escritório Barci de Moraes reitera que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation, tampouco realizou qualquer aquisição de cotas da empresa.
Procurador-geral da República participou de evento, em Londres, promovido pelo Banco Master em abril de 2024
Por Janaína Camelo, da CNN
Material extraído pela PF (Polícia Federal) do celular de Daniel Vorcaro mostra uma imagem do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do hoje ex-banqueiro durante uma festa em Londres, no Reino Unido. A imagem foi divulgada pelo jornal O Globo e teve a autenticidade confirmada à CNN pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
A foto teria sido encaminhada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares. Na imagem, o PGR aparece com um charuto nas mãos, enquanto Vorcaro aparece sentado na sua frente. Ambos estão sorrindo para a foto, ao lado de mais duas pessoas e rodeados por copos de bebidas alcoólicas.
A assessoria da PGR afirmou que a foto é de um evento realizado em abril de 2024 com participação de diversas autoridades e que o procurador-geral já admitiu publicamente ter comparecido. Gonet tomou posse como chefe da PGR em dezembro de 2023.
Na última terça-feira (15), durante sessão do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) voltada à discussão da validade de um relatório da Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Gonet disse que não teve um relacionamento de proximidade com Vorcaro e que a única ligação com o ex-banqueiro foi “brevíssima e banal”.
"E eu gostaria de deixar isso claro até para evitar mal entendidos, ser objetivos, não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o seu Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024 a única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal", disse Gonet.
No mesmo dia, em ofício enviado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, Gonet disse se considerar “juridicamente plenamente apto para a atuação desinibida e livre nos procedimentos envolvendo o Banco Master”.
Como a CNN mostrou, em relatório divulgado pela PF no início do mês, a corporação aponta que Ciro Soares teria intermediado conversas entre Gonet e Vorcaro. Em diálogos entre ele e Vorcaro, de 14 de abril de 2024, o advogado diz que "Gonet é firme" e que "amizade é tudo".
Decisão atende a pedido da AGU e afasta questionamento sobre a legalidade da medida em ano eleitoral
Com SBT
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu nesta sexta-feira (18) a validade do decreto que autoriza o reajuste de 15% dos benefícios do Bolsa Família. A decisão foi tomada a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo Mendes, a medida não afronta as regras eleitorais e se limita à atualização dos valores do programa, sem criação de novo benefício, alteração nos critérios de elegibilidade ou ampliação do número de beneficiários. “Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária”, afirmou.
O reajuste foi anunciado pelo governo federal na quinta-feira (17) e passa a valer a partir de 1º de outubro. Com a mudança, o valor mínimo do benefício ficará em R$ 691, e o valor médio pago chegará a R$ 777.
Na petição enviada ao STF, a AGU argumentou que o reajuste está de acordo com a legislação eleitoral e não representa a criação de um novo benefício.
Os registros também mencionam pagamentos de R$ 40 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Com Estadão Conteúdo
O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em 2024, segundo documentos de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação com a instituição financeira, encontrados pela Polícia Federal (PF).
Os registros também mencionam pagamentos de R$ 40 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Procurada, a assessoria de Dalide afirmou, em nota enviada ao Estadão, que ela “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.
“Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”, acrescentou.
Dalide tem 67 anos e é natural de Cansanção, no interior da Bahia. É graduada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e pós-graduada em Direito Tributário, Direito Constitucional e Direito Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual.
Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal. Depois, trabalhou como assessora jurídica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, procuradora-geral na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no STF.
Em 2010, Dalide abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, onde atua como advogada-sócia administradora. Naquele mesmo ano, começou a trabalhar como diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), onde ficou por sete anos.
A instituição de ensino foi fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Os dois se conheceram na época em que ele era advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso e ela trabalhava na Caixa. No entanto, se afastaram em 2017, após desentendimentos sobre a gestão do IDP.
Procurada, a assessoria de Mendes não quis se manifestar sobre o assunto. A interlocutores, o ministro afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do IDP e que não mantém relação de proximidade com ela.
Em 2022, a advogada estava na lista de candidatos como suplente de João Campos, que concorreu pelo Republicanos ao Senado em Goiás, mas não foi eleito. Na época, declarou R$ 88,5 milhões em bens, entre imóveis, terrenos, joias e outros itens.
Dalide foi citada em diálogos de diretores do Master obtidos pela PF. Em conversas sobre despesas, o diretor da área financeira do banco, Ângelo Ribeiro, deu ordens ao superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, para o pagamento ao escritório de Dalide e argumentou que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem mencionar o que isso significaria.
Ainda não foram realizadas diligências sobre esse contrato e, por isso, a PF não produziu nenhuma avaliação sobre a legalidade da prestação dos serviços.
Não foram encontradas, nesses diálogos, menções a Mendes nem a qualquer outro ministro do STF. Eles também não foram alvos de diligências ou medidas de investigação na Operação Compliance Zero.
Os contratos de Vorcaro com escritórios de advocacia ligados a ministros do STF geraram uma crise nos bastidores da Corte, depois que o Estadão revelou detalhes do relatório da PF sobre menções a Moraes no celular do banqueiro.