PALÁCIO E PAÇO: REFORMA, ULTIMATOS E MUSCULATURA POLÍTICA

Posted On Quarta, 04 Março 2026 09:53
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A exatamente um mês do dia 4 de abril, março se consolida como um período de alta voltagem política. O prazo final para a desincompatibilização de auxiliares que pretendem disputar as eleições estaduais de 2026 se aproxima e já provoca movimentações tanto no Palácio Araguaia quanto no Paço Municipal de Palmas.

 

Reformas administrativas, ajustes no primeiro escalão e redefinição de espaços de poder entram no radar. O ambiente é de cálculo minucioso, leitura de cenário e reorganização de forças para o embate eleitoral que se avizinha.

 

MUSCULATURA POLÍTICA EM CONSTRUÇÃO

 

 

 

Os Executivos estadual e municipal entram em modo eleitoral. A gestão do governador Wanderlei Barbosa e o Paço comandado pelo prefeito Eduardo Siqueira Campos buscam, a partir de agora, fortalecer suas bases para alcançar êxito na sucessão estadual, emplacando o maior número possível de aliados vitoriosos em 2026.

 

A disputa deixou de ser silenciosa.

 

 

 

O governador Wanderlei Barbosa atravessa um momento delicado. A sucessão estadual já não é uma hipótese futura é realidade concreta dentro da própria base. O presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo, Amélio Cayres, teria sido direto ao governador, em conversa telefônica presenciada por parlamentares: “Não abro mão da minha candidatura a governador. Não tenho interesse em ser vice da Dorinha, muito menos senador. Para viabilizar minha candidatura no Republicanos, preciso ser o presidente do partido, e isso precisa ser decidido até a próxima sexta-feira. Do contrário, vou procurar meu caminho em outro partido que nos dê segurança partidária.”

 

O recado foi claro. Wanderlei foi “trucado” e terá que mostrar as cartas. O Observatório Político de O Paralelo 13 avalia que a forma do ultimato, via telefone e diante de testemunhas, marcou uma inflexão na relação. Já não se trata de aliados conversando, mas de forças medindo território.

 

REPUBLICANOS: RESPOSTA VEIO DE BRASÍLIA

 

 

 

Fontes em Brasília confirmaram que o governador levou a questão ao presidente nacional do Republicanos, o deputado Marcos Pereira. Mas para o presidente nacional da sigla o Wanderlei Barbosa deve continuar no comando do Republicanos. “Nosso relacionamento de confiança é com você, governador. O comando do Republicanos continuará com você. Ponto final.”

 

Agora caberá ao governador transmitir oficialmente essa decisão ao presidente da Assembleia. E a partir daí, o tabuleiro pode mudar de configuração.

 

AJUSTES NO PALÁCIO

 

 

De volta de viagem a São Paulo, onde realiza exames de saúde, Wanderlei Barbosa deverá reunir seus principais aliados políticos e, posteriormente, a equipe de governo. Com a base dividida ou “rachada”, como definem interlocutores, ajustes políticos e administrativos são esperados. Mudanças em cargos no interior, especialmente na região Norte e no Bico do Papagaio, não estão descartadas.

 

O momento exige definição. Como dizia Antônio Carlos Magalhães, “os muristas são os traidores”. E como ensinava Pedro Ludovico Teixeira: “Cada qual por si, e Deus cuida de todos.”

 

Sob a lógica já consagrada na política que define espaço para os aliados, rigor institucional para os adversários caberá ao governador exercer comando firme tanto sobre sua base quanto sobre a engrenagem administrativa do Estado. Mais do que nunca, será necessário consolidar autoridade interna, alinhar discursos e manter controle efetivo da máquina pública diante de um cenário de disputa aberta.

 

EDUARDO SIQUEIRA: NOMINATAS E ALIANÇAS

 

 

 

No Paço Palmense, o foco é político e administrativo. O prefeito Eduardo Siqueira trabalha na formatação das nominatas do Podemos, legenda que lhe deu abrigo para a vitória em Palmas. A missão foi confiada pela presidente nacional da sigla, a deputada Renata Abreu. Eduardo busca estruturar chapas competitivas e colaborar na construção do projeto estadual, incluindo as duas vagas ao Senado.

 

Politicamente, Eduarda Siqueira já fez sua escolha e declarou apoio a senadora Professora Dorinha Seabra para o governo do Tocantins. Foi o primeiro prefeito do Estado a declarar apoio à sua pré-candidatura, ainda em 2025. Para o Senado, um dos nomes apoiados é o do senador Eduardo Gomes, vice-presidente do Senado e aliado da gestão municipal. Nos próximos dias de março, o prefeito concentrará esforços na filiação de nomes competitivos para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados.

 

REFORMA NO PAÇO?

 

Do ponto de vista administrativo, 2026 começa praticamente com orçamento “virgem”. A desincompatibilização de auxiliares que disputarão mandato exigirá substituições e pode provocar reforma no primeiro escalão. E, claro, os pactos políticos firmados na construção das chapas proporcionais deverão pesar nas escolhas.

 

SEM MURO

 

O cenário está definido e neutralidade virou risco. No Palácio e no Paço, a política entra em fase de consolidação de trincheiras. Cada movimento, cada nomeação, cada exoneração terá leitura eleitoral.

 

Março certamente será um mês de grandes articulações e muitas tensões. Abril começa com decisões.

 

Este final de semana promete.

 

Até os próximos capítulos.

 

 

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