ELEIÇÃO DE 2026 SERÁ DECIDIDA POR UMA FATIA RESTRITA DO ELEITORADO
Em entrevista ao Jornal da Globo, o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador e CEO da Quaest, afirmou que a disputa presidencial de 2026 não está sendo travada no centro do eleitorado, mas nas bordas mais móveis do sistema político. Segundo ele, o foco real da corrida eleitoral está em cerca de 10% do eleitorado brasileiro, grupo decisivo para o desfecho da eleição.
De acordo com Felipe Nunes, o país está hoje dividido em cinco grandes blocos políticos. Os lulistas representam aproximadamente 19%, enquanto a esquerda não lulista soma cerca de 14%, formando um campo relativamente estável de 33%. No outro polo, a direita não bolsonarista aparece com 21%, e os bolsonaristas mais fiéis com 12%, totalizando outros 33%.
O dado central, porém, está nos 32% de eleitores independentes. A maioria desse grupo, segundo as pesquisas analisadas pela Quaest, encontra-se desmotivada, apática e distante do processo eleitoral. Apenas cerca de 10% desses independentes demonstram disposição real para votar, o que os coloca no centro da disputa de 2026.
NA PERCEPÇÃO DO ELEITOR, DOIS CENÁRIOS ELEITORAIS BEM DEFINIDOS

À jornalista Renata Lo Prete, Felipe Nunes explicou que, quando estimulados a projetar cenários eleitorais, os eleitores brasileiros constroem dois roteiros bastante claros. Em um eventual confronto entre o presidente Lula e um candidato da família Bolsonaro, a percepção majoritária é de uma vitória confortável do atual presidente.
Já em um cenário em que Lula enfrenta um nome da oposição não bolsonarista, a avaliação muda significativamente. A disputa passa a ser vista como apertada, com projeções próximas de um empate técnico, na casa de 45% a 43%.
Para o CEO da Quaest, esse comportamento revela que o eleitor mais politizado — aquele que acompanha pesquisas, análises, redes sociais e noticiário — já diferencia, mentalmente, o que seria uma eleição “fácil” de uma eleição “difícil” para Lula.
O MOMENTO ATUAL É DE EXPECTATIVA DE PODER, NÃO DE DECISÃO DE VOTO

Na avaliação de Felipe Nunes, o que está em jogo neste momento não é propriamente o voto, mas a expectativa de vitória. A pergunta central do eleitor ainda não é “em quem vou votar?”, mas sim “quem parece capaz de ganhar a eleição?”.
Segundo ele, o processo eleitoral ainda está em seu “primeiro tempo”, restrito à elite política, às lideranças partidárias e aos formadores de opinião. A população observa à distância, mas envia um recado claro:
Esse sinal, destacou Nunes na entrevista a Renata Lo Prete, tem impacto direto nas estratégias partidárias, na formação de alianças e nas decisões sobre candidaturas. Em política, concluiu, a percepção da maré importa — e ignorá-la pode custar caro antes mesmo da largada.
CANDIDATURA DE DORINHA PRECISA DE BÚSSOLA POLÍTICA
Até 2025, a senadora Professora Dorinha Seabra cumpriu o roteiro esperado de uma pré-candidata ao Governo do Tocantins. Circulou pelo estado, consolidou presença institucional e manteve diálogo com diferentes segmentos políticos. O dever de casa, como se diz nos bastidores, foi feito.
A partir de agora, no entanto, o cenário muda de escala. A pré-campanha entra em uma fase mais complexa, em que não basta estar presente, é preciso direção. A sucessão estadual exige leitura fina do tabuleiro, decisões estratégicas e, sobretudo, capacidade de articulação real.
Sem uma bússola política bem calibrada, o risco é a candidatura perder tempo, espaço e narrativa, enquanto adversários se organizam com mais clareza de objetivos.
TERÇA-FEIRA SERÁ “DIA D” NO PSDB TOCANTINENSE

O PSDB do Tocantins vive uma semana decisiva. Nesta terça-feira, Vicentinho Júnior e Cinthia Ribeiro se encontram em Brasília para uma reunião com o presidente nacional da sigla, Aécio Neves. A expectativa é de que a Executiva Nacional dê um desfecho ao impasse que divide o partido no estado.
Nos bastidores, tanto Vicentinho quanto Cinthia demonstram confiança absoluta na vitória. Mas, como bem sabem os tucanos mais experientes, nesse jogo não existe empate. A decisão passa pela correlação de forças, influência nacional e capacidade de sustentar o comando político do partido no Tocantins.
Fato é fato: alguém sairá fortalecido e alguém sai derrotado.
CARLOS AMASTHA DEVE DEIXAR O PSB

Nos corredores da política tocantinense em Brasília, já é tratada como certa a saída do vereador e ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha, do PSB. O movimento, segundo apurado pelo Observatório Político de O Paralelo 13, está juridicamente bem fundamentado para garantir a manutenção do mandato.
Amastha teria sido surpreendido com um completo esvaziamento político dentro da legenda, marcado por desprestígio junto à cúpula nacional do partido. O clima, dizem aliados, tornou-se insustentável.
Sem ambiente político e sem diálogo, a permanência no PSB perdeu sentido. A troca de legenda agora é vista não como ruptura, mas como sobrevivência política.
AMÉLIO CAYRES EM BRASÍLIA: ALMOÇO, FUTEBOL… E SUCESSÃO?

Informações do Observatório Político de O Paralelo 13 dão conta de um encontro no mínimo curioso em Brasília. O presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao Governo do Tocantins, deputado Amélio Cayres, teria almoçado com o também deputado e pré-candidato Vicentinho Júnior.
Na sequência, os dois seguiram para o estádio para assistir ao clássico Flamengo x Corinthians. Amélio estava acompanhado dos dois filhos e de um irmão, o que adiciona um tom quase familiar ao encontro.
Fica a pergunta que ecoa nos bastidores:
falaram sobre a sucessão estadual…
ou apenas sobre futebol e o sexo dos anjos?
Na política, convenhamos, coincidência raramente acontece.
A BÚSSOLA PASSA PELA UNIDADE DAS PRINCIPAIS LIDERANÇAS

Essa bússola tem nomes e sobrenomes. O governador Wanderlei Barbosa, o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, à frente do maior colégio eleitoral do estado e a própria Dorinha precisam sentar à mesa, alinhar interesses e transformar intenção em planejamento.
A equação é simples, mas decisiva de uma unidade política, discurso afinado e pré-campanha estruturada. Sem isso, o campo governista corre o risco de abrir espaço para que a oposição ocupe o salão antes mesmo da largada oficial.
Na política, especialmente em eleições majoritárias, vácuo não existe. Se não for ocupado por quem está no jogo, será preenchido por quem espera a primeira brecha.
PF APERTA O CERCO AO CRIME ORGANIZADO NAS ELEIÇÕES DE 2026

A Polícia Federal e o Tribunal Superior Eleitoral já tratam as eleições de 2026 como um campo sensível de enfrentamento ao crime organizado. Após a apreensão recorde de quase R$ 30 milhões em dinheiro vivo nas eleições municipais de 2024, as autoridades decidiram antecipar e reforçar o monitoramento do processo eleitoral.
O plano inclui uso intensivo de tecnologia, cruzamento de dados do TSE, investigações financeiras aprofundadas e operações permanentes, inclusive fora do período oficial de campanha. A lógica é atacar a raiz financeira das práticas ilícitas.
COMPRA DE VOTOS, ABUSO ECONÔMICO E DESINFORMAÇÃO NO RADAR

Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, crimes como compra de votos, abuso de poder econômico e disseminação de desinformação estão diretamente ligados à atuação de facções e organizações criminosas. Por isso, o combate eleitoral passou a ser integrado à estratégia de asfixia financeira desses grupos.
Em 2024, só no primeiro turno, foram registrados 3.089 crimes eleitorais, incluindo boca de urna, corrupção eleitoral e propaganda irregular. Houve 536 prisões, entre elas de 23 candidatos.
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, foi direta ao afirmar que o objetivo é proteger a liberdade de escolha do eleitor e impedir qualquer tipo de captura do processo democrático, seja por dinheiro, pressão ou tecnologia.
Com auditorias reforçadas, testes nas urnas e audiências públicas já marcadas para fevereiro, o recado é de que em 2026, o jogo será mais vigiado, e as regras, mais duras.