Deysi Cioccari afirma em entrevista à CNN que PL está extremamente fortalecido, o que pode ser fundamental para a tentativa de reeleição de Bolsonaro
Por Ludmila Candalda
Os partidos de centro podem ter papel fundamental na eleição presidencial deste ano, o que fortalece a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda busca conseguir apoio dessas legendas para formar sua coalizão. A análise dos últimos desdobramentos da política brasileira foi feita pela cientista política Deysi Cioccari, em entrevista à CNN neste sábado (16).
“O apoio do Centrão é um fator decisivo entre as duas campanhas favoritas, de Lula e Bolsonaro”, disse.
Segundo ela, na política atual, os personagens têm mais força dos que partidos, mas apoio partidário ainda é necessário para que o próximo mandatário consiga realizar um governo sólido.
“O que o Bolsonaro tanto rechaçou no passado, hoje pode ser a força dele. O PL está extremamente fortalecido, e o ex-presidente Lula ainda está tentando formar suas coalizões”, afirmou.
Cioccari pontuou que nomes como João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB), Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União Brasil) carecem de apoio partidário, o que dificulta a competitividade de suas candidaturas, além da falta de apoio popular.
“O presidente Bolsonaro sai na frente em uma disputa eleitoral pelo próprio apoio de partidos que ele tem. Isso nos estados vai refletir muito forte”, analisou.
Operação do Ministério da Justiça e Segurança Pública apreendeu neste sábado (16) a balsa de garimpeiros que invadiu na quarta-feira (13) o território indígena Xipaya, no Pará. Cinco adultos e dois adolescentes estavam a bordo.
POR NICOLA PAMPLONA
A operação foi iniciada nesta sexta (15), com equipes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança Pública, do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e da Funai (Fundação Nacional do Índio).
A invasão foi denunciada pela indígena Juma Xipaia, cacique da aldeia Karimaa. Em relato nas redes sociais, ela disse que os invasores usaram de violência contra o seu pai, que registrava a movimentação com um celular.
"Houve muita dificuldade para localizar a balsa, que não podia ser vista com facilidade do alto por helicópteros", disse, em nota, o chefe do Serviço de Repressão a Crimes Contra Comunidades Indígenas, o delegado da PF Paulo Teixeira.
"Foi necessário fazer varreduras com lanchas pelos afluentes do rio Iriri, e por isso é uma vitória termos feito o achado em praticamente um dia", completou. A embarcação estava atracada em um lugar conhecido como Riozinho do Anfrísio, na zona rural de Altamira.
Os adolescentes que estava a bordo foram apreendidos e estão sob os cuidados da Justiça, disse o ministério. Já os adultos foram levados para prestar esclarecimentos na delegacia da Polícia Federal de Itaituba.
"A balsa apreendida não será destruída. Nós vamos adotar os procedimentos legais para que o equipamento seja destinado a ações de fiscalização ambiental do ICMBio", disse Teixeira.
Após a denúncia da invasão, homens da Força Nacional e da PF foram deslocados por via aérea até a aldeia Karimã para reforçar a segurança da tribo, pois havia suspeitas de que os garimpeiros estariam armados.
O território Xipaya possui cerca de 179 mil hectares de extensão e fica localizado a 400 km da cidade de Altamira, região sudeste do Pará. As aldeias localizadas em sua zona de abrangência abrigam cerca de 200 pessoas.
Em suas redes sociais, Juma disse após a invasão que os moradores da aldeia estavam com medo dos invasores. "Entraram com uma balsa supergigante. Agiram com violência com meu pai. Tentaram pegar o celular dele, porque estava filmando. Guerreiros estão descendo para pedir que saiam do território", afirmou.
Reserva teria sido invadida para a prática de crimes ambientais
Por Agência Brasil
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou que deflagrou nesta sexta-feira (15) uma operação para proteger o Território Indígena Xipaia, no município de Altarmia (PA), que foi invadido por criminosos que estariam cometendo crimes ambientais nessa região.
“Recebemos a denúncia na noite de ontem [14] e imediatamente começamos os preparativos ainda de madrugada para o envio das equipes que protegerão essa área em que está a aldeia Karimãa, da etnia Xipaia”, informou o chefe do Serviço de Repressão a Crimes Contra Comunidades Indígenas, Paulo Teixeira, que é delegado da Polícia Federal (PF). A operação conta com o envolvimento de agentes da PF e da Força Nacional de Segurança.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a cacica Juma Xipaia relatou que uma balsa de garimpo ilegal teria descido o Rio Iriri em direção à reserva. “Guerreiros das outras aldeias estão descendo com o objetivo de tentar um diálogo, para que eles [os invasores] saiam do território, mas nós estamos com medo”, relatou a líder.
O delegado da PF informou que, ao menos até agora, não há relatos de conflitos graves entre índios e forasteiros.
A assessoria da Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que sua unidade na região acompanha a situação e que está em permanente contato com as forças de segurança.
O território Xipaia possui cerca de 179 mil hectares de extensão e fica localizado a 400 km da sede do município de Altamira, no sudoeste do Pará. As aldeias localizadas em sua zona de abrangência abrigam cerca de 200 pessoas.
Jornalista segue internado em estado grave, porém estável; dupla disse que saiu para fazer roubos e não levou celular da vítima com medo de ser rastreada por meio do GPS
Por Iander Porcella
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu na noite desta sexta-feira, 15, o segundo suspeito de esfaquear o jornalista Gabriel Luiz, de 28 anos, repórter da TV Globo em Brasília. Ele foi encaminhado à 3ª Delegacia de Polícia, no Cruzeiro, que investiga o caso. O primeiro suspeito, um adolescente, havia sido apreendido mais cedo. A polícia trata o caso como tentativa de roubo e descartou, no momento, outras linhas de investigação.
Na noite de quinta-feira, 14, Gabriel foi atacado por uma dupla. Eles desferiram golpes de faca em várias partes do corpo da vítima. O jovem foi internado no Hospital de Base do Distrito Federal e transferido nesta sexta para um hospital particular. Seu estado é grave, mas estável.
O primeiro suspeito, de 17 anos, foi apreendido à tarde e levado para a Delegacia da Criança e Adolescente, por ser menor de idade. O segundo suspeito, levado para a 3ª Delegacia, tem 19 anos. Em depoimentos, ambos confessaram o crime. A dupla disse que havia combinado de realizar assaltos na noite de quinta e viram em Gabriel um alvo potencial, de acordo com os delegados Petter Ranquetat, da 3ª Delegacia de Polícia, e Douglas Fernandes.
"O fato trata-se de uma tentativa de latrocínio, isso restou notório para nós, é importante colocar aqui. Houve a subtração da carteira, havia valores em reais, muito provavelmente 250 reais, que teriam sido subtraídos pelos autores, descartando-se, com isso, as outras linhas de investigação", afirmou a jornalistas.
Segundo relatos da família e amigos, Gabriel saiu de casa para ir a um comércio próximo na noite de quinta. Em imagens de câmeras de segurança veiculadas pelo G1, é possível observar o jornalista caminhando por volta de 23h, seguido, logo depois, por dois suspeitos. Conforme informações da emissora, o ataque teria acontecido um pouco mais à frente e, em seguida, os suspeitos fugiram correndo.
Gabriel foi atingido no abdômen, na perna, no tórax, no pescoço e no braço. Ele foi socorrido após pedir ajuda a vizinhos e deu entrada no hospital consciente. Nesta manhã, parentes e amigos do jornalista informaram que ele passou por cirurgias durante a madrugada e o início da manhã e todas foram bem sucedidas.
Os delegados classificaram o crime como "brutal", mas atribuíram a violência ao uso de drogas pelos autores. "Um dos indivíduos deu um mata-leão na vítima, enquanto o outro desferiu diversas facadas. Enquanto um estava dando as facadas, o outro conseguiu subtrair a carteira e o celular", disse o delegado Ranquetat. De acordo com ele, os suspeitos disseram que descartaram o celular da vítima por temerem ser localizados por GPS.
Segundo os delegados, o suspeito maior de idade, preso em flagrante por tentativa de latrocínio, passará por audiência de custódia com um juiz, que vai decidir se transforma a prisão em flagrante em prisão preventiva. A pena para o crime de latrocínio é de até 30 anos. No entanto, pode haver redução legal pelo fato de o autor ter confessado, o que depende de decisão do Judiciário.
De acordo com Ranquetat, o adolescente levou uma facada do próprio companheiro durante o crime. Após ser levado a um hospital, prestou queixa em uma delegacia, afirmando que havia sido assaltado. No entanto, os policiais identificaram diversas inconsistências no depoimento dele. Por fim, o menor confessou que havia participado do ataque contra o jornalista e foi, então, apreendido.
Dados se referem ao período de 3 a 9 de abril
Por Léo Rodrigues
O boletim Infogripe, divulgado semanalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), traz um alerta para o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças.
A nova edição, disponibilizada hoje (13), no Rio de Janeiro, aponta que as ocorrências estão ligadas majoritariamente ao vírus sincicial respiratório (VSR) na faixa etária 0 a 4 anos. Já entre as crianças de 5 a 11 anos, os casos decorrem principalmente da covid-19 e das infecções com o rinovírus.A Síndrome Respiratória é uma complicação associada muitas vezes ao agravamento de alguma infecção viral. O paciente pode apresentar desconforto respiratório e queda no nível de saturação de oxigênio, entre outros sintomas.
O novo boletim reúne dados da semana epidemiológica que vai do dia 3 ao dia 9 de abril. O levantamento leva em conta notificações registradas no Sivep-gripe, sistema de informação mantido pelo Ministério de Saúde e alimentado por estados e municípios.
Segundo a Fiocruz, as ocorrências em crianças estão com sinal de ascensão significativa em diversos estados desde fevereiro. No entanto, a curva de casos indica a possível formação de um platô, isto é, um quadro de estabilização dos níveis altos.
Expansão
As notificações de SRAG no país aumentaram nos últimos anos em decorrência da pandemia de covid-19. Em 2020, a disseminação da doença chegou a responder por 97% dos casos com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Esse percentual atualmente é menor: em 2022, 86,1% das ocorrências estão associadas à covid-19.
No recorte das últimas quatro semanas, a covid-19 foi relacionada com 41,6% das notificações. Nesse mesmo período, o VSR contribuiu com 36,7% dos casos. No entanto, quando se observa apenas os quadros que evoluíram para óbito nessas quatro semanas, 83,4% estão relacionados com a covid-19 e apenas 7,4% com o VSR.
Ao todo, foram registradas 22.645 mortes associadas a casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2022. O número de ocorrências no ano é de 112.087. Deste total, 55,7% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. A íntegra do boletim está disponibilizado no portal da Fiocruz.
Estados
O levantamento ainda traz uma análise para as próximas três semanas (curto prazo) e para as próximas seis semanas (longo prazo). Das 27 unidades federativas, nove registram sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Acre, Amapá, Espírito Santo, Maranhão, Piauí, Paraná, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os demais apresentam sinal de queda ou de estabilidade.
"Em todas as localidades que apresentam algum sinal de crescimento, os dados por faixa etária sugerem tratar-se de cenário restrito à população infantil (0 a 11 anos)", afirma a Fiocruz. Mesmo nos estados onde não há sinal de crescimento para a população em geral, é possível observar um aumento de casos entre crianças.