Sucessão 2026: quando a vaidade ameaça o interesse do Tocantins

Posted On Quarta, 21 Janeiro 2026 07:03
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A sucessão estadual de 2026 no Tocantins mal começou oficialmente, mas já ocupa o centro do debate político em ritmo acelerado, marcado por conflitos públicos, disputas de poder, rompimentos institucionais e movimentos cada vez mais expostos. O que antes se resolvia nos bastidores agora se transforma em espetáculo, com narrativas emocionais, trocas de acusações e estratégias que parecem priorizar o jogo político em detrimento do interesse coletivo.

 

 

Essa constatação ganhou ainda mais força após uma carta enviada por uma leitora de O Paralelo 13, que acompanha a política tocantinense desde os tempos mais remotos e expressa, com lucidez e preocupação, um sentimento que hoje ecoa em amplos setores da sociedade, de que o personagem principal dessa história, o povo tocantinense, está ficando à margem do debate.

 

Governador, vice, parlamentares, pré-candidatos e lideranças partidárias se movimentam intensamente no tabuleiro eleitoral. É natural que assim seja. A democracia pressupõe disputa, divergência e projetos distintos. O que causa estranhamento e alerta é a antecipação excessiva da sucessão, associada a um clima permanente de confronto, que transforma o Estado em um ringue político e esvazia o debate sobre políticas públicas concretas.

 

Enquanto egos se chocam e vaidades disputam protagonismo, a população segue enfrentando desafios reais e urgentes: uma saúde que precisa funcionar melhor, uma educação que exige investimentos, segurança pública, geração de emprego, infraestrutura e oportunidades. Esses temas, que deveriam estar no centro da agenda, acabam ofuscados pela obsessão eleitoral e pelo cálculo de projetos individuais.

 

 

A política não pode se reduzir a um jogo de egos. Governar não é preparar o terreno para cargos futuros, mas responder às necessidades presentes de uma população que espera soluções, planejamento e estabilidade. Quando a vaidade fala mais alto do que o interesse público, perde-se o senso de prioridade e quem paga essa conta é sempre a coletividade.

 

Não podemos ignorar o impacto desse ambiente de instabilidade política sobre a imagem do Tocantins. Conflitos permanentes, disputas públicas e insegurança institucional afastam investidores, fragilizam a confiança e comprometem o desenvolvimento econômico. Um Estado em constante tensão política deixa de ser atrativo para quem busca previsibilidade, diálogo e projetos de longo prazo.

 

 

Por isso, este editorial faz um chamado à sociedade civil organizada, às entidades classistas, ao setor produtivo e à população em geral. É preciso compreender que a sucessão estadual não pode ser um campo de batalha permanente nem palco das vaidades individuais. O Tocantins não pode se dar ao luxo de transformar seu futuro em um jogo de “mata-mata” político.

 

No fim das contas, é preciso lembrar que quem sente os impactos das decisões ou da falta delas é o povo tocantinense. Qualquer vitória construída apenas sobre projetos pessoais será sempre limitada. Já toda derrota coletiva deixa marcas profundas.

 

 

Ainda há tempo de escolher outro caminho. Um caminho onde o debate de ideias supere o conflito pessoal, onde o projeto de Estado prevaleça sobre projetos individuais e onde a política volte a cumprir sua função maior de servir à sociedade.

 

Saudações,

Família O Paralelo 13

Edson Rodrigues

Edivaldo Rodrigues

 

 

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