VAZAMENTOS DE BASTIDORES COMPLICAM BASE GOVERNISTA E EXPÕEM FISSURAS NA FORMAÇÃO DA CHAPA MAJORITÁRIA

Posted On Segunda, 12 Janeiro 2026 14:14
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Os últimos dias da primeira quinzena de janeiro têm sido marcados por vazamentos de informações sensíveis dos bastidores da base governista, criando um ambiente de apreensão entre os partidos aliados ao Palácio Araguaia e dificultando o processo de costura política para a formação da chapa majoritária das eleições de 2026 no Tocantins.

 

O impacto desses vazamentos é ampliado por um fator central, em que as informações não partiram de rumores, mas foram divulgadas por dois dos principais nomes da comunicação política do Estado, ambos jornalistas de reconhecida credibilidade e confiança, o jornalista Cleber Toledo e o analista político portuense Luiz Armando. O fato de a notícia ter sido publicada por dois comunicadores com amplo acesso aos bastidores reforça que o conteúdo circulou deliberadamente dentro da própria base aliada, em um momento de extrema sensibilidade política.

 

 

Segundo o material divulgado, está em curso uma articulação para que o deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) se filie ao Republicanos, com o objetivo de disputar uma vaga ao Senado na chapa majoritária encabeçada pela senadora Professora Dorinha Seabra, pré-candidata ao governo do Estado.

 

A outra vaga ao Senado ficaria com o PL, assegurando a candidatura à reeleição do vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes. O arranjo resolveria o impasse de o União Brasil ocupar duas vagas na majoritária (Governo e Senado), mas abriu um novo foco de tensão dentro da base governista, justamente por atingir o núcleo de poder do Legislativo estadual.

 

GAGUIM E O DESCONFORTO INTERNO

Até recentemente, o Republicanos considerava ter uma vaga assegurada na majoritária caso o governador Wanderlei Barbosa disputasse o Senado Federal. Com essa hipótese descartada após o afastamento do governador no ano passado, a legenda passou a buscar alternativas para manter protagonismo na chapa, o que abriu espaço para a entrada de Gaguim.

 

A articulação teria sido construída em nível nacional, com participação do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que mantém relação próxima com Gaguim e foi um dos advogados de defesa de Wanderlei Barbosa no habeas corpus que devolveu o governador ao cargo.

 

AMÉLIO CAYRES E RISCO DE RUPTURA

 

 

Quando se fala em Amélio Cayres, fala-se de liderança concreta, não simbólica. Amélio comanda politicamente a maioria da Assembleia Legislativa, exerce influência direta sobre grande parte dos deputados estaduais e é reconhecido, inclusive por aliados e adversários, como o principal articulador do Parlamento tocantinense.

 

Aliado de primeira hora de Wanderlei Barbosa, Amélio era, até o afastamento do governador, o nome declarado do Palácio Araguaia para disputar o governo do Estado. Durante o período mais crítico da crise política, foi ele quem segurou o leme institucional, resistiu a fortes pressões internas para pautar pedidos de impeachment, enfrentou críticas do baixo clero e garantiu estabilidade política ao governo quando o cenário era de absoluto risco.

 

Ignorar esse histórico, minimizar sua força ou tentar afastá-lo das decisões estratégicas da chapa majoritária não é apenas um erro político, mas um movimento de alto risco, capaz de gerar rachaduras reais na base governista, especialmente dentro do Legislativo.

 

O Observatório Político do O Paralelo 13 avalia que nenhuma composição governista será concluída com unidade, força e sucesso se o presidente da Assembleia Legislativa, líder seguido pela maioria dos deputados, não estiver sentado à mesa central de decisões.

 

DORINHA DEFENDE CONSTRUÇÃO COLETIVA

 

Enquanto os bastidores fervem, a senadora Professora Dorinha Seabra tem adotado um discurso público de construção coletiva, sinalizando que a definição da chapa deve ocorrer com diálogo amplo e sob a condução política do governador Wanderlei Barbosa.

 

O problema, segundo aliados, é que setores da própria base, movidos por insegurança eleitoral e ambições individuais, seguem vazando informações desencontradas à imprensa, contaminando um processo que exigiria discrição, maturidade política e unidade.

 

OPOSIÇÃO NÃO ESTÁ MORTA

 

Outro erro de leitura apontado por interlocutores do Palácio Araguaia é subestimar a oposição. Embora hoje fragmentada e sem liderança clara, a oposição não é fraca nem está morta. Há espaço real para reorganização nos próximos 90 dias, especialmente com o retorno pleno das atividades do Judiciário.

 

Investigações da Polícia Federal em curso no Tocantins, com inquéritos e operações ainda sob sigilo, podem gerar desgaste político em integrantes da base governista, alterando o cenário eleitoral e abrindo espaço para novas articulações.

 

No xadrez político, nenhuma candidatura majoritária construída “goela abaixo” tende a prosperar. União, diálogo e, sobretudo, respeito às lideranças reais que sustentaram o governo nos momentos mais difíceis serão decisivos para 2026. O tempo dirá quem soube compreender o momento político e quem apostou alto demais em vazamentos.

 

 

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