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Investigação sobre Banco Master racha STF com críticas e aplausos a Toffoli e Moraes

Posted On Quinta, 15 Janeiro 2026 05:11
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Análise

Parte dos ministros considera conduta de ambos ameaça à credibilidade do tribunal, mas há quem acredite em ataque coordenado à Corte

 

 

Por Carolina Brígido*

 

 

O avanço nas investigações sobre as fraudes do Banco Master rachou o Supremo Tribunal Federal (STF). No epicentro do caso, Dias Toffoli se destaca como o relator salpicado pelo escândalo. Alexandre de Moraes também faz uma ponta no caso. Nos bastidores, ministros da Corte de dividem entre críticas e aplausos à dupla.

 

Em caráter reservado, um ministro avalia que condutas adotadas por Toffoli comprometem a credibilidade do tribunal. O relator impôs elevado grau de sigilo à apuração, pegou carona em um voo particular com um advogado da causa, determinou acareação de investigados durante o recesso e mandou entregar itens apreendidos no STF.

A participação indireta de Moraes também incomoda uma ala do Supremo. A esposa do ministro, Viviane de Moraes, mantém contrato milionário com o Master. O presidente da Corte, Edson Fachin, está no time dos cautelosos. Observa à distância, mas de forma atenta, o comportamento dos colegas.

 

De outro lado, ministros mais próximos de Toffoli e de Moraes acreditam que as notícias sobre a dupla possam fazer parte de um movimento maior de pressão contra o Supremo. Uma espécie de “operação abafa” para conter a investigação.

 

No domingo, 11, o Estadão revelou que empresas ligadas a irmãos do ministro tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado aos negócios do Master. Três dias depois, Toffoli mostrou que não está disposto a retroceder e autorizou 42 buscas e apreensões em endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares.

 

Ao mesmo tempo, cresce no Congresso Nacional a ideia de uma CPMI para investigar relações de ministros do STF com a trama.

 

No dia anterior à segunda fase da operação da Polícia Federal, um ministro do tribunal disse à coluna que estaria preocupado não com a pressão ao STF, mas com eventual revanche dos colegas contra o suposto vazamento de informações.

 

Circulou entre ministros do STF a informação que Moraes mandara investigar se a Receita Federal e o Coaf haviam divulgado de forma ilegal dados sigilosos de parentes de ministros do Supremo. Moraes não comunicou nada aos colegas. A assessoria de imprensa do tribunal não confirmou nem desmentiu o fato.

 

Outro ministro da Corte ouvido pela coluna considera importante averiguar se houve vazamento de dados de familiares de integrantes do STF. Até agora, os ministros não deram declarações públicas sobre o Master. Sabem que qualquer vírgula fora do lugar pode deixar o tribunal ainda mais vulnerável a ataques.

 

No fim de 2025, a aposta em Brasília era que o recesso esfriaria a pressão política decorrente das investigações do caso Master. É mais garantido apostar que, com ou sem recesso, o escândalo vai continuar alimentando a tensão entre os Poderes.

 

*Carolina Brígido

Escreve sobre Poder Judiciário, com ênfase no STF, desde 2001. Trabalhou no UOL, na CNN, no jornal O GLOBO e na revista Época. É formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília.

 

 

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