Por Edson Rodrigues
Enquanto o calendário eleitoral de 2026 avança no horizonte, uma decisão parada em Brasília mantém em suspenso o futuro político de dezenas de nomes, inclusive no Tocantins. Nas mãos da ministra Cármen Lúcia está o julgamento que pode redefinir quem entra ou fica de fora da disputa nas urnas.
Há quatro meses, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7781 aguarda despacho no Supremo Tribunal Federal. O processo questiona mudanças recentes na Lei da Ficha Limpa que flexibilizaram regras de inelegibilidade e abriram brechas para a volta de políticos condenados.
No plano nacional, nomes como Eduardo Cunha, Anthony Garotinho e José Roberto Arruda simbolizam o alcance da medida. Mas os reflexos não param por aí chegam com força aos estados, onde a disputa costuma ser ainda mais sensível às decisões judiciais.
No Tocantins, o tema é acompanhado com atenção nos bastidores. Com um histórico político marcado por disputas acirradas, cassações e reconfigurações frequentes de poder, a eventual flexibilização da Ficha Limpa pode redesenhar o tabuleiro eleitoral. Há lideranças e grupos políticos que, embora não apareçam publicamente, sabem que o desfecho no STF pode abrir caminhos antes fechados ou selar de vez projetos eleitorais.

Nos corredores da política tocantinense, a leitura é de que parte da classe política está, literalmente, “na mão” de Cármen Lúcia. A decisão da ministra pode liberar candidaturas hoje inviáveis ou reafirmar o rigor da legislação, mantendo fora da disputa nomes atingidos por condenações.
A ação foi apresentada pela Rede Sustentabilidade, que pede a suspensão da lei aprovada pelo Congresso, argumentando risco à integridade do processo eleitoral às vésperas de 2026. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou a favor da derrubada dos trechos que flexibilizam a norma.
Apesar da relevância e da urgência, o processo segue sem movimentação desde janeiro. A demora reforça críticas recorrentes à ministra, conhecida por decisões cautelosas e por manter casos sensíveis em análise prolongada.
No Tocantins, onde alianças são voláteis e a memória política recente ainda ecoa, o relógio da Justiça corre junto com o da política. E, até que o STF se pronuncie, o jogo segue indefinido.