PANORAMA POLÍTICO
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Às vésperas das eleições de 2026, muitos candidatos proporcionais e majoritários se lançaram na disputa embalados por pesquisas de intenção de votos e planilhas que, em grande parte, não refletem a realidade. A falta de humildade e a crença de que dinheiro e números artificiais garantem vitória podem resultar em surpresas desagradáveis. Grande parte dessas candidaturas se isolou em bolhas onde todas as notícias eram positivas, ignorando vozes críticas e a realidade das ruas.
PESQUISAS E O TRACKING

O uso indiscriminado de medições diárias de intenção de votos, chamados de tracking (em vez de entrevistar milhares de pessoas de uma só vez, o instituto entrevista um grupo menor de participantes todos os dias (por exemplo, 300 a 400 entrevistas por dia ). Geralmente, os trackings são contratados privadamente por partidos e coordenações de campanha para ajustar discursos e estratégias de última hora. Por isso, a maior parte deles não foi divulgada ao público), se multiplicou como praga no processo sucessório. Embora existam profissionais sérios e institutos respeitados, muitos resultados foram moldados para agradar candidatos, criando cenários irreais. Separar o joio do trigo tornou-se tarefa quase impossível, e os justos acabam pagando pelos pecadores. A crença de que liderar pesquisas e investir milhões em campanhas comprando apoios resolveria tudo não combinou com os eleitores.
A REALIDADE DAS DÍVIDAS

Os números mostram um Tocantins marcado pelo endividamento e pela fragilidade financeira da população. Segundo levantamento, 82,7% das famílias estão endividadas, acima da média nacional de 81,6%. Destas, 31% têm contas em atraso e 7,6% simplesmente não conseguem pagar suas dívidas. No Serasa, mais de 668 mil pessoas estão negativadas, representando 57,12% da população adulta.
As principais dívidas vêm de bancos e cartões (27,3%), financeiras (18%), varejo (16,4%) e contas de serviços (14%). Esse cenário revela uma população sufocada por compromissos financeiros, que dificilmente se deixa seduzir por promessas políticas vazias.
Entre os servidores públicos, a situação também é preocupante: 70% possuem empréstimo consignado ativo, com valor médio de R$ 6.984, prazo médio de 18 meses e margem consignável de 35%. Embora a inadimplência entre servidores seja relativamente baixa (2,6%), o alto índice de endividamento mostra que até quem tem estabilidade recorre ao crédito para sobreviver.
SILÊNCIO QUE FALA ALTO
Nos últimos dias, o silêncio das ruas tem chamado atenção. Fora das bolhas políticas, a massa de trabalhadores endividados, desempregados, profissionais liberais e servidores públicos estaduais e municipais demonstra um comportamento estranho: não há entusiasmo, não há engajamento. Esse silêncio pode se traduzir em um resultado fúnebre para candidaturas que terceirizaram suas campanhas, confiando em acordos secretos com prefeitos e vereadores, mas esquecendo que o voto é individual e secreto.
VOTO LIVRE E CONSCIENTE

No próximo dia 4 de outubro, o eleitor tocantinense terá a oportunidade de mostrar que não se vende por promessas ou acordos de bastidores. O voto é livre e secreto. É preciso votar com consciência, inclusive nas duas vagas ao Senado. O eleitor deve lembrar que sua escolha não pode ser negociada por líderes que recebem benefícios, mas não repassam nada à população que realmente precisa.