Ex-deputado federal foi detido pelo ICE por questões migratórias. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira. As razões que levaram à soltura não foram divulgadas pelas autoridades americanas
Com Agêmcias
Após dois dias detidos, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixou a prisão nos Estados Unidos nesta quarta-feira (15/04). Ele havia sido preso na segunda-feirapelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos, e levado a um centro de detenção no estado da Flórida.
Segundo a Polícia Federal (PF), ele foi detido por questões migratórias. O nome do ex-parlamentar não consta mais nos registros de presos da região nem no sistema do ICE. De acordo com informações da TV Globo obtidas pela polícia local que Ramagem foi liberado às 14h52, no horário local (15h52, em Brasília).
As razões que levaram à soltura de Ramagem não foram divulgadas pelas autoridades americanas. Ramagem é alvo de um pedido de extradição feito pelo governo brasileiro às autoridades dos Estados Unidos.
Segundo o portal UOL, o empresário Paulo Figueiredo, que auxilia na defesa de Ramagem nos EUA, afirmou que o ex-deputado já havia solicitado asilo político e que, por isso seria solto, para esperar em liberdade a decisão sobre o pedido.
O ex-diretor da Abin no governo de Jair Bolsonaro é considerado foragido da Justiça brasileira, depois de deixar o país e fugir para os EUA. Ele havia sido condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da trama golpista.
Fuga
Em setembro do ano passado, Ramagem fugiu do país para evitar o cumprimento da pena de 16 anos de prisão pela trama golpista ocorrida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante a investigação sobre a trama golpista, ele foi proibido pelo STF de sair do país. Segundo a Polícia Federal, Ramagem fugiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.
No final do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a cassação do mandato de Ramagem. A Constituição determina que a Casa declare a perda do mandato de parlamentar em função de condenação criminal.
Trajetória política
Ramagem ingressou na Polícia Federal em 2005, mas ganhou notoriedade ao se tornar o chefe da equipe de segurança de Jair Bolsonaro após o atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em 2018 em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral.
Após ser eleito, Bolsonaro o indicou para a chefia da Abin. Ramagem acabaria sendo acusado de usar a agência para vigiar ilegalmente adversários políticos de Bolsonaro, na chamada "Abin paralela".
Em 2020, Bolsonaro indicou Ramagem para ser diretor-geral da PF, mas Moraes impediu a nomeação em razão de sua proximidade com a família do presidente. Dois anos depois, ele se elegeu deputado federal pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, mas acabou tendo mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro do ano passado, juntamente com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente que também se encontra em solo americano.
Em 2024, Ramagem disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, terminando a disputa em segundo lugar.