Direto da Redação
Dissecar os elementos anatômicos da cultura da secular Porto Nacional é preciso: graduação em povo, ter um relacionamento comunitário com a terra batida das periferias e suas manifestações; sentir o pulsar da sua musicalidade, na voz, nos tambores, nas violas, violões e guitarras de poetas e cantadores das ruas, becos, ruelas e bares; e ter ciência do movimento cativante das mãos dos artesãos que nos retratam e nos favorecem em madeira e barro, num solitário cotidiano de vivências sociais.
É assim, ao adentrar com profundidade a alma da cultura de Porto Nacional, sabendo que seu caminhar se iniciou no Castelo Medieval de São Maximim, no norte da França, no século XI, de onde vieram os Frades Dominicanos e aqui chegaram em outubro de 1886 para contribuir com essa coletividade na construção dos seus pilares definitivos da educação, da filosofia, das ciências, do humanismo, das línguas, das artes, da arquitetura, da engenharia e, principalmente, da fé cristã.
Fazer cultura em Porto Nacional, que desde o período do abandono e opressão exercido pelos grilhões que nos prendiam ao Sul opressor de Goiás, é ter consciência de que essa cidade já era intitulada a “Capital da Cultura do Norte Goiano”. Isso nos impõe compromisso administrativo, profissionalismo, responsabilidade, investimentos e respeito para com a trajetória dessa sociedade que atravessou a linha do tempo sendo altiva, soberana e definitiva. Ao contrário disso, é tratar a secular trajetória dessa centenária coletividade como estorvo cultural.

Insensível, a atual administração agride a história do povo portuense, criando factoides, desenhando sombras descaracterizadas, inventando normas enviesadas. Prova disso foi criar e veicular uma logo em que se lê: “Capital do Agronegócio e Cultura”. Trata-se de uma irresponsabilidade gritante, já que tentam apagar a história cultural da centenária cidade portuense que, ainda nos idos de Goiás, era oficialmente chamada Capital da Cultura do Norte Goiano.
Nada contra o agronegócio, que é uma das forças propulsoras da economia do nosso município, e isso se fortalece ainda mais com a potência do setor de serviços e a capacidade de gerar renda e riqueza oriundas do crescente polo de educação superior que a cidade abriga. Porto Nacional ganhou força econômica com esses setores e hoje é um polo de desenvolvimento. Mas isso não autoriza ninguém a tentar apagar as conquistas de um rico passado que serve de pilar e baliza para fortalecer esse presente na preparação de um futuro promissor e próspero.
É sabido que o prefeito de Porto Nacional tem seus acordos políticos na formação da sua equipe, mas isso não lhe dá o direito de “jogar merda no ventilador da cultura portuense”.
Em nenhum momento ele respeitou essa área, sempre desconhecendo a competência, a capacidade e, acima de tudo, a vivência e a profundidade da relação com o lugar dos filhos de Porto Nacional, o mais respeitado berço cultural do Tocantins, para dirigir essa área que é reconhecida em toda a Região Norte do país como fermentadora do “berço da intelectualidade”, com nomes dessas terras de Félix Camoa se destacando em várias áreas no Brasil e no exterior.
Essa política nefasta da atual gestão de Porto Nacional garante que suas nomeações para ocupar a Secretaria da Cultura do município, tão importante cargo na consolidação da trajetória histórica portuense, têm que atender tão somente a critérios políticos, aliadas a visões caolhas e distorcidas para a execução de políticas culturais para nossa gente.
Ele e seus nomeados acreditam que a cultura de Porto Nacional é um estorvo administrativo e se resume à execução dos projetos milionários do Carnaval e do período das praias de Porto Real e de Luzimangues. Só como parâmetro: no Carnaval 2026, quase um milhão e oitocentos mil reais saíram do município em direção ao mundo. E isso com o Museu Municipal desmoronando, a Biblioteca entregue às traças, o Centro Histórico da cidade em total abandono, com ruas esburacadas e entregue ao mato e ao descarte de lixo.
A atual titular da pasta da Cultura da municipalidade, festejada nas redes como amiga do poder e da governança estadual, ainda não entendeu nada. Apegou-se à organização da folia. Fazer Carnaval pagando cachê a bandas acima de 700 mil reais e empregando mais de um milhão de reais só em infraestrutura é fácil, pois não requer compromisso com um processo que envolve o conjunto complexo e dinâmico dos saberes, das crenças, das tradições e costumes nossos e de todos.
Fazer impulsionar a cultura de Porto Nacional requer mais do que currículo, mais do que amizade com poderosos; mais do que milhões oriundos dos nossos tributos, que nesse caso foram pessimamente empregados.
Certamente, impulsionar a cultura no município portuense, antes de tudo, exige capacidade criativa, comprometimento, valorização artística e, acima de tudo, conhecimento dos nossos valores coletivos e de cidadania.
Cultura não permite amadorismo nem submissão político-partidária.
Fica o aviso!
Família Paralelo 13
Edivaldo Rodrigues e Edson Rodrigues