Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Um movimento político começa a se consolidar em torno da pré-candidatura da senadora e professora Dorinha Seabra ao governo do Tocantins. Prefeitos alinhados à base governista têm sinalizado apoio à candidatura, conforme relatou o presidente da Associação Tocantinense de Municípios (ATM), Big Jow, prefeito de Cristalândia. Segundo ele, em reunião realizada em uma churrascaria da capital, diversos prefeitos se encontraram com Dorinha, reforçando o entendimento de que cada região deve organizar grupos de gestores municipais para coordenar ações de apoio à pré-candidata.
ORGANIZAÇÃO REGIONAL DOS PREFEITOS

Em março em encontro político com prefeitos na ATM, com apoio de Wanderlei Barbosa, Professora Dorinha se consolida como pré-candidata ao Governo do Tocantins
O Observatório Político do Paralelo13 destacou que Dorinha já afirma contar com o apoio de mais de 100 prefeitos e prefeitas. O desafio, no entanto, é transformar esse apoio em movimentos políticos concretos, envolvendo vereadores e lideranças locais. A estratégia é que cada grupo de prefeitos coordene as mobilizações em suas respectivas regiões, fortalecendo a chapa majoritária governista.
ENCRENCA À VISTA
Apesar do avanço, há um obstáculo significativo: os prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do estado — Palmas (210 mil eleitores), Araguaína (118 mil eleitores), Gurupi (62 mil eleitores), Porto Nacional (47 mil eleitores) e Paraíso (52 mil eleitores) — mantêm compromissos políticos com o senador Irajá Abreu, que destinou milhões em emendas parlamentares para seus municípios. Esse vínculo cria um dilema, já que Irajá integra a chapa oposicionista liderada por Laurez Moreira (PSD/PDT), adversário direto da base governista. A situação ficou ainda mais evidente quando o prefeito de Paraíso, Celso Morais, gravou um vídeo ao lado de Irajá declarando apoio à sua reeleição. (Assista ao vídeo)
UNIÃO DA CHAPA OFICIAL

Em gesto de unidade, Dorinha Seabra se apresentou ao lado dos candidatos ao Senado Eduardo Gomes e Carlos Gaguim, compondo a chapa oficial da base palaciana. No entanto, analistas apontam que será necessário muito esforço político — e talvez até “um milagre” — para harmonizar os interesses divergentes dentro da aliança, especialmente diante da candidatura de Eli Borges ao Senado pelo Republicanos, partido presidido no estado pelo governador Wanderlei Barbosa. Nos bastidores, comenta-se que o governador pode enfrentar dificuldades até mesmo para indicar o vice na chapa.
PÓS-CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS
O cenário tende a se fragmentar ainda mais após as convenções partidárias. O Observatório Político relembra que já havia alertado, em abril, que as eleições estaduais não seriam “casadas”. A declaração recente do prefeito de Paraíso, apoiando Irajá Abreu e, por consequência, Laurez Moreira, reforça a previsão de que cada grupo seguirá seu próprio caminho. Como resume a análise: “Será cada qual para si e Deus para todos”.

Esse quadro mostra como a disputa pelo governo do Tocantins se desenha em meio a alianças frágeis, compromissos cruzados e pressões regionais. A candidatura de Dorinha Seabra, embora respaldada por dezenas de prefeitos, terá de enfrentar o desafio de conciliar interesses divergentes dentro da própria base e superar a força política construída pela oposição.
Pra quem ainda não se atinou, “o jacaré tem dentes, e morde”!