Se for adotada, medida só vai começar a valer após eleições municipais
Por Yumi Kuwano
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recomendou, durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta quinta-feira (19), que o governo federal volte a adotar o horário de verão no Brasil — que adianta os relógios em uma hora para economia de energia.
De acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, uma decisão deve ser tomada nos pelo governo nos próximos dez dias. Inicialmente, a expectativa era que a palavra final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse dada ainda nesta semana.
O assunto foi colocado em pauta por causa da seca enfrentada em diversas regiões. Reservatórios de usinas hidrelétricas, que são as principais fontes de energia elétrica do país, já apresentam redução.
No entanto, segundo o ministro, apesar da sugestão do ONS, não há risco de faltar energia no país neste ano, por isso a adoção do horário está sendo avaliada cuidadosamente. Se adotada, a medida só vai começar a valer após eleições municipais já que alguns estados seguem horários diferentes do horário de Brasília.
Ele destacou que é preciso pensar também em cenários dos dois próximos anos e apontou o horário de verão como uma medida que contribui para a sustentabilidade energética.
Instituído em 1931, desde 2019 o horário de verão foi suspenso no Brasil, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, sob o argumento de pouca efetividade na economia energética.
Policiais cumpriram 30 mandados de busca e apreensão e oito ordens de prisão, sendo cinco no Brasil e três na Argentina
Por Igor Cardim
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realizou, nesta quinta-feira (19), a sétima fase da Operação 404, força-tarefa contra pirataria que resultou no bloqueio e suspensão de 675 sites e 14 aplicativos de streaming ilegais, além da remoção de conteúdos em áudio e vídeo, como jogos e músicas. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e oito ordens de prisão, sendo cinco no Brasil e três na Argentina.
Segundo o Laboratório de Operações Cibernéticas do MJSP, que coordenou as ações, trata-se de uma grande mobilização internacional de combate a infrações digitais e em defesa dos direitos autorais. Os servidores de busca e páginas e perfis com o conteúdo inadequado também foram derrubados pela operação. Em outra fase da operação, os policiais já haviam identificado que os sites com conteúdos sem autorização também distribuíam vírus.
A operação contou com a participação das Polícias Civis de nove estados: Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. E ainda com a colaboração dos Ministérios Públicos de São Paulo e Santa Catarina.
A ação também se destacou pela cooperação internacional, envolvendo órgãos de aplicação da lei de países como Argentina, EUA, Reino Unido e Paraguai.
No Brasil, a prática de pirataria é punida com reclusão de dois a quatro anos e multa, além da possibilidade de indiciamento por associação criminosa e lavagem de capitais.
O nome da operação faz referência ao código HTTP 404, que indica que uma página não foi encontrada. Assim, a principal meta é tornar indisponíveis os serviços que infringem os direitos autorais na internet.
Esse foi o primeiro aumento desde agosto de 2020
Por Wellton Máximo
A alta recente do dólar e as incertezas em torno da inflação fizeram o Banco Central (BC) elevar os juros pela primeira vez em mais de dois anos. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro
A última alta dos juros ocorreu em agosto de 2022, quando a taxa subiu de 13,25% para 13,75% ao ano. Após passar um ano nesse nível, a taxa teve seis cortes de 0,5 ponto e um corte de 0,25 ponto, entre agosto do ano passado e maio deste ano. Nas reuniões de junho e julho, o Copom decidiu manter a taxa em 10,5% ao ano.
Em comunicado, o Copom justificou a alta dos juros baseada nos seguintes fatores: resiliência na atividade econômica, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo (economia caminhando para consumir mais que a capacidade de produção), alta das estimativas para a inflação e desancoragem das expectativas de inflação. Em relação ao futuro, o texto foi vago sobre a intensidade e a duração do ciclo de alta dos juros.
“O ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo ora iniciado serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”, informou o Copom.
Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou negativo em 0,02%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda no preço da energia puxou o índice para baixo, mas o alívio na inflação é temporário.
As tarifas de luz subirão a partir de setembro por causa da bandeira tarifária vermelha. Além disso, a seca prolongada terá impacto no preço dos alimentos. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o choque de oferta de alimentos não seja resolvido por meio de juros.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,24% em 12 meses, próximo do teto da meta deste ano. Para 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 4,5% nem ficar abaixo de 1,5% neste ano.
No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2024 em 4%, mas a estimativa pode mudar por causa da alta do dólar e do impacto da seca prolongada sobre os preços. O próximo relatório será divulgado no fim de setembro.
As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,35%, perto do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,22%.
Pela primeira vez, o comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 4,3% em 2024, 3,7% em 2025 e 3,5% no acumulado em 12 meses no fim do primeiro trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.
Crédito mais caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Inflação, o Banco Central aumentou para 2,3% a projeção de crescimento para a economia em 2024, mas o número deve ser revisado após o crescimento de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre.
O mercado projeta crescimento bem melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 2,96% do PIB em 2024.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.
Rede social voltou a funcionar para parte dos usuários brasileiros nesta quarta-feira (18)
Com SBT
"Quando o X foi encerrado no Brasil, nossa infraestrutura para fornecer serviço à América Latina deixou de ser acessível à nossa equipe. Para continuar oferecendo um serviço ideal aos nossos usuários, mudamos de provedor de rede. Essa mudança resultou em uma restauração inadvertida e temporária do serviço para os usuários brasileiros.", diz a publicação.
"Embora esperemos que a plataforma fique inacessível novamente em breve, continuamos os esforços para trabalhar com o governo brasileiro para retornar muito em breve ao povo do Brasil", completou a rede social.
Apesar disso, Elon Musk, dono da plataforma, debochou em seu perfil após o retorno do serviço.
"Qualquer magia suficientemente avançada é indistinguível da tecnologia", disse Musk, citando o inventor britânico Arthur Clarke.
Como o X "voltou"?
Segundo uma nota emitida pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), o aplicativo da rede social foi atualizado, na madrugada desta quarta-feira (18), e, agora, não utiliza mais endereços de IP (Protocolo de Internet) do próprio X e sim vinculados ao serviço Cloudflare — um intermediário entre os usuários e os servidores.
A mudança nos servidores do X dificulta o bloqueio do aplicativo, pois a rede social não utiliza mais IPs específicos, atuando por meio de um "escudo" que mascara o IP original e utiliza IPs dinâmicos, com mudanças constantes, como explica o coordenador do MBA em Cibersegurança da FIAP, Marcelo Lau:
"Qualquer outro bloqueio que você já tinha previsto, que não utilizava serviços da Cloudflare, funcionava. Agora, vai ter que bloquear o serviço da Cloudflare".
Contudo, bloquear o Cloudflare traria diversas de implicações, isso porque diversos sites de bancos, empresas e até mesmo alguns domínios do próprio Governo utilizam os serviços da Cloudflare.
"A Cloudflare é um serviço utilizado como uma camada intermediária para evitar que atacantes tenha êxito para tentar derrubar serviços na internet", explica Marcelo.
O que é o Cloudflare?
O Cloudflare é um serviço de rede em nuvem que é utilizado, sobretudo, para acelerar a performance de sites e para proteção contra ataques de hackers, utilizando um sistema de firewall de aplicação web (WAF) e de proxy reverso.
Posicionamento do STF
O SBT entrou em contato com o Supremo Tribunal Federal (STF) para obter um posicionamento sobre a "volta" do funcionamento do X no Brasil, mas fomos informados de que, até o momento, não há novas informações.
Mais cedo, o STF emitiu uma nota afirmando que a volta da rede social se tratava de uma "instabilidade no bloqueio de algumas redes".
Além de impactar milhares de pacientes, este pode ser um caminho para prevenção de esclerose múltipla e alguns tipos de câncer
Por Wagner Lauria Jr.
A identificação do 47º tipo sanguíneo representa um novo passo na história das transfusões de sangue e pode ir além. O estudo, publicado na revista Blood e liderado por pesquisadores da Universidade de Bristol, revela a existência do gene “MAL”, e a presença do antígeno AnWj, negativo e positivo. O que isso significa?
Geralmente o tipo sanguíneo de uma pessoa é ABO e Rh. Juntos, eles geram combinações como, por exemplo, O+, A-, B- ou AB. Mas o sangue é mais complexo do que essa classificação conhecida por todos. Por exemplo, o antígeno (proteína) AnWj está presente em 99,9% da população, o que pode ser visto a partir da observação da superfície das hemácias (glóbulos vermelhos) em laboratório.
Mas sua forma negativa (AnWj-negativo), ou sua ausência, é rara.
A descoberta do gene responsável por essa variação (MAL), que estava envolto em mistério desde 1972, é crucial para evitar reações adversas em transfusões de sangue para 0,01% das pacientes.
Como foi feito o estudo?
"A ausência do antígeno AnWj foi identificada primeiramente na década de 1970 em uma mulher grávida, mas não se conhecia suas bases moleculares, ou seja, sua origem genética. Com as novas ferramentas para mapear o genoma humano, os pesquisadores analisaram o exoma (setor do genoma que codifica as proteínas) e identificaram outras pessoas que não tinham o antígeno", explica a Especialista em Hematologia e Hemoterapia pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Lilian Castilho.
Segundo a pesquisa, pacientes com AnWj-negativo, quando recebem o sangue AnWj-positivo, podem ter reações após uma transfusão, já que "deletam" uma determinada sequência de DNA no gene MAL e o corpo produz anticorpos contra o AnWj.
A descoberta que resolve um enigma mais de cinco décadas e, além de beneficiar milhares de pessoas que precisarão de transfusão de sangue, pode promover avanços significativos no diagnóstico e tratamento de algumas doenças (veja mais detalhes abaixo).
“Resolver o histórico genético do AnWj, que tem sido um mistério por mais de 50 anos, é uma grande conquista. Esse avanço é o resultado de um longo e árduo trabalho em equipe e melhora significativamente o atendimento a pacientes raros", disse uma das autoras do estudo Louise Tilley, em comunicado.
Prevenção de esclerose múltipla e alguns tipos de câncer
Lilian aponta que a partir da descoberta do grupo sanguíneo é possível desenvolver ensaios para aumentar a segurança de transfusão de sangue para esses 0,01% pacientes. Mas pode ir além:
"A proteína MAL é responsável por produzir a proteína mielina e linfocitária, e sua ausência pode estar relacionada a um tipo de câncer que atinge linfomas, esclerose múltipla e outras doenças autoimunes. Se identificarmos que quem não tem essa proteína, de fato, desenvolve as doenças, pode ser um caminho para a edição genética de genes inadequados", explica.
Ela acredita que com mais estudos sobre o tema e o auxílio de técnicas de edição genética, com as de CRISPR, que permite a alteração de genes "de forma sofisticada, colocando um gene funcional no lugar de um disfuncional", pode permitir que as doenças sejam evitadas em alguns casos.