Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O Tocantins começa a entrar definitivamente no clima da sucessão estadual de 2026. À medida que se aproximam as convenções partidárias que irão oficializar as candidaturas majoritárias e proporcionais, o cenário político vai deixando para trás as especulações e entrando em uma fase de consolidação dos grupos, alianças e estratégias eleitorais.
Nos bastidores, lideranças políticas já admitem que a eleição de 2026 poderá ser uma das mais imprevisíveis da história recente do Estado. Enquanto os grupos se movimentam, prefeitos articulam, deputados buscam espaço e partidos negociam alianças, o eleitor tocantinense acompanha tudo em silêncio.
Diariamente, os veículos de comunicação divulgam denúncias, escândalos, crises políticas e disputas internas. A corrupção, infelizmente, passou a fazer parte do cotidiano do debate político brasileiro e tocantinense. Porém, existe um sentimento silencioso crescendo entre os eleitores e eleitoras. Um sentimento que dificilmente aparece nas pesquisas tradicionais. E é exatamente esse sentimento que poderá decidir a eleição.
O eleitor observa, escuta, analisa e guarda suas impressões. E provavelmente dará sua resposta sozinho, diante da urna eletrônica, no silêncio da cabine de votação. Não será voto em branco. Não será abstenção. Será um voto consciente, emocional e silencioso.
Mais do que estruturas partidárias, na avaliação de importantes observadores políticos do Estado, a sucessão de 2026 tende a ser definida principalmente pela capacidade de cada grupo evitar erros políticos no momento decisivo.
OS GOVERNISTAS E O DESAFIO DA UNIDADE

Dentro da base governista, cresce a percepção de que o principal desafio neste momento é unir o grupo político em torno da pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra ao Governo do Estado.
Aliados avaliam que já passou da hora de aparar arestas internas e consolidar definitivamente a composição da chapa majoritária, especialmente a escolha do vice. Nos bastidores do Palácio Araguaia, o entendimento predominante é de que a vaga de vice-governador deverá passar diretamente pelas mãos do governador Wanderlei Barbosa, considerado hoje a principal força política da base governista.

Carlos Gaguim, Dorinha Seabra e Eduardo Gomes
A lógica política construída até aqui aponta uma chapa praticamente encaminhada, tendo Dorinha ao Governo e os senadores Eduardo Gomes e Carlos Gaguim disputando as duas vagas ao Senado. Automaticamente, a definição da vice passa a ter forte influência direta do governador.
E é exatamente nesse ponto que muitos aliados pedem cautela.
O Observatório Político de O Paralelo13 relembra um episódio emblemático da política tocantinense envolvendo a então prefeita de Palmas, Nilmar Ruiz. Na época, Nilmar possuía altos índices de aprovação popular e caminhava para disputar a reeleição.
O então nome escolhido para vice seria Rogério Ramos. A composição já estava praticamente pronta, inclusive com participação direta nas articulações políticas e nas tratativas de apoio. Mas, às vésperas da convenção, uma decisão da cúpula política alterou toda a composição, substituindo Rogério Ramos pelo pastor Amarildo.
A mudança gerou forte desgaste interno.
O clima entre aliados foi descrito, à época, como “velório político”. O descontentamento rapidamente chegou às bases eleitorais e acabou fortalecendo a candidatura de oposição liderada por Raul Filho, que cresceu eleitoralmente e derrotou Nilmar Ruiz. A lembrança desse episódio faz parte das análises internas de aliados do governo atual, que defendem máxima cautela nas decisões finais da composição majoritária.
WANDERLEI E OS 83% DE APROVAÇÃO

Mesmo diante das disputas internas da base, o governador Wanderlei Barbosa segue como a principal liderança política do Tocantins. Com 83% de aprovação popular, Wanderlei chega à reta decisiva da sucessão estadual fortalecido politicamente e mantendo influência direta sobre prefeitos, deputados estaduais, vereadores e lideranças municipais.
A força política do governador é reconhecida até mesmo por adversários. Aliados avaliam que a grande missão do chefe do Executivo será transformar sua alta popularidade em transferência de votos para sua candidata ao Governo. No entanto, integrantes da própria base reconhecem que ainda falta maior coordenação política.
Há reclamações internas sobre falta de unidade, excesso de disputas individuais e até exposição pública de conflitos entre aliados, inclusive na tribuna da Assembleia Legislativa e na imprensa local. Mesmo assim, o grupo governista possui ampla estrutura política. Conta com o apoio da maioria dos prefeitos do Estado, possui forte representação partidária e reúne cerca de 15 deputados estaduais aliados.
Outro nome considerado peça central da estratégia governista é o senador Eduardo Gomes, apontado como um dos parlamentares mais bem avaliados do Tocantins e virtual favorito à reeleição. Nos bastidores, aliados defendem que Eduardo amplie ainda mais o contato direto com as bases políticas e lideranças municipais neste período pré-eleitoral.
ELI BORGES E O CAMINHO DA REELEIÇÃO

Nos bastidores da base governista, cresce cada vez mais a avaliação de que existe hoje apenas um caminho politicamente seguro para o deputado federal Pastor Eli Borges que é desistir da pré-candidatura ao Senado e disputar a reeleição para a Câmara Federal. Apesar de ser reconhecido como uma liderança respeitada, com forte atuação junto ao segmento evangélico e serviços prestados ao Tocantins, aliados admitem reservadamente que sua candidatura ao Senado não conseguiu decolar politicamente. Falta estrutura partidária mais ampla, apoio consistente dentro da própria base governista e, principalmente, uma composição política capaz de sustentar competitividade diante de candidaturas já consolidadas ao Senado. Na avaliação de importantes observadores políticos, insistir na disputa majoritária poderá representar um risco desnecessário para um parlamentar que ainda possui forte capital eleitoral para garantir mais um mandato na Câmara dos Deputados.
LAUREZ MUDA O TOM E PARTE PARA O ENFRENTAMENTO

Na oposição, o vice-governador Laurez Moreira começa a demonstrar mudança clara de postura política. Após meses adotando um discurso moderado, Laurez passou a endurecer o tom contra a gestão estadual, especialmente na área de infraestrutura.
Durante visita a Lagoa da Confusão, o pré-candidato percorreu trechos da TO-255 e cobrou a conclusão do asfaltamento da rodovia, considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola da região. “A TO-255 é fundamental para o desenvolvimento econômico da região. Não estamos falando apenas de uma estrada, mas de uma rota estratégica para o escoamento da produção agrícola. A população espera essa obra há muitos anos”, afirmou Laurez.
O vice-governador também defendeu maior atenção às regiões produtoras do Estado e afirmou que pretende ampliar o diálogo com produtores rurais, empresários e lideranças municipais. Nos bastidores, aliados avaliam que o endurecimento do discurso marca uma nova fase da pré-campanha oposicionista.
VICENTINHO JÚNIOR PREPARA GRANDE ATO EM PORTO NACIONAL

Enquanto isso, o deputado federal Vicentinho Júnior prepara o que aliados classificam como um dos maiores eventos políticos deste início de pré-campanha. O parlamentar deve realizar em Porto Nacional o pré-lançamento oficial de sua pré-candidatura ao Governo do Estado. A expectativa é de presença de diversas autoridades nacionais, além de lideranças políticas de todas as regiões do Tocantins.
Nos bastidores, especula-se que haverão anúncios políticos importantes durante o evento, incluindo possíveis novas adesões partidárias e fortalecimento da composição política em torno da candidatura. Entre lideranças municipais e parte do eleitorado, cresce um sentimento positivo em relação ao nome de Vicentinho Júnior.
Aliados apostam na combinação entre juventude, experiência parlamentar e forte trânsito político em Brasília como fatores capazes de impulsionar sua candidatura nos próximos meses.
O jogo segue aberto. A eleição para o Governo do Tocantins em 2026 deverá ser decidida nos detalhes. Quem vencer a disputa majoritária será aquele que menos errar no percurso político, conseguir construir o sentimento positivo junto à população e manter maior capacidade de diálogo com as bases eleitorais.
A tendência observada hoje aponta para uma disputa extremamente equilibrada, com vantagem mínima entre os principais concorrentes. O segundo turno, neste momento, aparece como cenário cada vez mais provável, principalmente após a consolidação das candidaturas nas convenções partidárias.

As pré-candidaturas de Professora Dorinha Seabra, Laurez Moreira e Vicentinho Júnior tendem a ganhar musculatura política no pós-convenções. Porém, nos bastidores da política tocantinense, ainda não se descarta uma possível “pedra no tabuleiro” da sucessão estadual. O nome da ex-senadora Kátia Abreu continua cercado de especulações, principalmente por sua forte articulação nacional e proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é considerada uma das principais aliadas políticas no Tocantins. Há um suspense no ar.
E, no Tocantins de 2026, quem errar menos poderá fazer a diferença entre a vitória e a derrota.