Da Redação
A política, para alguns, é destino. Para outros, escolha. Para a médica endocrinologista Luana Nunes, pré-candidata a deputada federal, é a convergência entre herança, vocação e experiência prática. Filha da prefeita de Gurupi, Josi Nunes, e neta de dois nomes que ajudaram a escrever a história do Tocantins, Jacinto Nunes e Dolores Nunes, Luana surge no cenário político com um discurso que vai além do sobrenome e aposta na técnica, na gestão e na entrega de resultados.
Mãe, médica e empresária da área da saúde, ela cresceu acompanhando de perto os bastidores da vida pública. Desde cedo, aprendeu que política não se resume a cargos, mas à capacidade de transformar a vida das pessoas. Esse entendimento moldou sua trajetória, primeiro na medicina, atendendo diretamente quem precisa, depois na gestão pública, buscando soluções em escala mais ampla.
Foi à frente da Secretaria de Saúde de Gurupi que consolidou esse perfil. Com atuação marcada pela organização e pela busca por eficiência, participou da reestruturação da rede municipal e ampliou o acesso da população aos serviços. Sob sua gestão, houve aumento na oferta de exames laboratoriais, redução de demandas reprimidas por tomografias e ressonâncias e expansão das especialidades médicas disponíveis.
Projetos como o Vem Ver Gurupi, que realizou milhões de procedimentos e ajudou a reduzir filas históricas; o Transformando Sorrisos, com a entrega de próteses dentárias; e iniciativas como Acolhendo as Cores, Saúde em Movimento e Rota do Cuidado reforçaram um modelo de gestão voltado ao acesso, ao acolhimento e à resolutividade. Ao mesmo tempo, investiu na modernização da estrutura da saúde, com aquisição de veículos, ampliação de unidades, fortalecimento da assistência farmacêutica e implementação de ferramentas como a telemedicina.
Internamente, também promoveu a valorização dos servidores, com incentivo à capacitação contínua, melhorias nas condições de trabalho e reconhecimento profissional, uma estratégia que, segundo ela, é fundamental para garantir a qualidade do serviço público.
É com essa bagagem que Luana se apresenta ao eleitorado: alguém que já testou, executou e ajustou políticas públicas na prática. E que, agora, pretende ampliar esse alcance.
Em entrevista ao O Paralelo 13, Luana Nunes abordou temas centrais de sua pré-candidatura, apresentando uma visão ampla e ao mesmo tempo prática sobre os desafios do Tocantins. Com um discurso técnico e alinhado à realidade dos municípios, enfatizou a importância de uma atuação parlamentar baseada em planejamento, escuta regional e destinação eficiente de recursos.

Dolores Nunes, Josi e Luana
O Paralelo 13: Você carrega um legado político importante. Como isso influencia sua decisão de disputar uma eleição?
Luana Nunes: Eu cresci ouvindo histórias. Histórias do meu avô, que eu não tive a oportunidade de conhecer, mas que está presente em tudo que me contam. E isso me inspira, porque sempre foram histórias de luta, de construção, de alguém que acreditava no Tocantins. Minha família sempre entendeu a política como missão de servir.
O Paralelo 13: Mesmo sem ter convivido com seu avô, essa conexão é evidente.
Luana Nunes: Sim. Ele defendia ideias com muita firmeza. Há relatos, por exemplo, da defesa de Gurupi como capital do estado, em contraponto à visão de José Wilson Siqueira Campos, que defendia Palmas. Mas todos tinham o mesmo objetivo: ver o Tocantins crescer.
O Paralelo 13: Quando você decidiu entrar para a política?
Luana Nunes: Foi um processo natural. Eu nunca me coloco em algo sem estar preparada. Já comecei a estudar o regimento da Câmara Federal, porque acredito que política exige responsabilidade e preparo.
O Paralelo 13: Sua experiência na gestão pública influencia suas propostas?
Luana Nunes: Totalmente. Quando você está na gestão, entende que cada município tem uma realidade diferente. Implantamos 29 projetos na saúde em pouco tempo, sempre buscando resolver problemas reais. Isso muda a forma como você enxerga a política.
O Paralelo 13: Quais são suas principais bandeiras?
Luana Nunes: Mulher, saúde, juventude e esporte. Mas sempre respeitando as particularidades de cada região. Não existe uma solução única para todos os municípios.
O Paralelo 13: Sobre a pauta das mulheres, qual é o seu foco?
Luana Nunes: Combater a violência com rigor, mas também promover autonomia. Muitas mulheres permanecem em ciclos de violência por dependência financeira. Por isso, a capacitação é essencial.
O Paralelo 13: E a prevenção?
Luana Nunes: A base é a educação. Precisamos trabalhar isso nas escolas, formar desde cedo uma cultura de respeito.
O Paralelo 13: Você também defende o esporte como política pública?
Luana Nunes: Sim. O esporte transforma vidas. Ele reduz a violência, melhora a saúde mental e contribui para o desenvolvimento das crianças. Precisamos fortalecer políticas como o Bolsa Atleta.
O Paralelo 13: Que tipo de política você quer exercer?
Luana Nunes: Uma política resolutiva. Eu sou muito objetiva. Gosto de fazer as coisas acontecerem. Não estou entrando por vaidade, mas para contribuir de forma concreta.
Legado político

O nome Nunes está diretamente ligado à formação política e institucional do Tocantins. Jacinto Nunes foi um dos nomes atuantes no processo de construção do estado, defensor do desenvolvimento regional e figura presente em debates sobre o futuro tocantinense, incluindo a definição da capital e a estruturação de polos econômicos como Gurupi.
Ao seu lado, Dolores Nunes construiu uma trajetória pioneira, sendo uma das primeiras mulheres a ocupar cargos legislativos no estado e no Congresso Nacional, contribuindo para ampliar a presença feminina na política.
Esse legado foi seguido por Josi Nunes, que também exerceu mandatos como deputada estadual e federal, consolidando uma tradição familiar marcada pelo serviço público.
Durante a entrevista, Luana Nunes deixou claro que, embora carregue um sobrenome de forte peso político no Tocantins, sua trajetória é sustentada por preparo, experiência e resultados concretos. A médica e gestora apresentou uma visão ampla e ao mesmo tempo prática sobre os desafios do estado, ao abordar desde o legado familiar até sua decisão de ingressar na vida pública e reforçou a importância de uma atuação parlamentar pautada no planejamento, na escuta regional e na aplicação eficiente dos recursos públicos.