SUCESSÃO ESTADUAL: A ELEIÇÃO QUE VAI EXIGIR POSIÇÃO, CORAGEM E ESTRATÉGIA

Posted On Sábado, 15 Agosto 2026 11:42
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Por: Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O mapa eleitoral do Tocantins começa a revelar aquilo que muitos políticos ainda tentam não enxergar: a eleição de 2026 será atravessada por uma forte polarização nacional. Os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral referentes ao segundo turno de 2022, quando o eleitor tocantinense escolheu entre Lula e Jair Bolsonaro, mostram um Estado dividido, com diferentes regiões apresentando comportamentos eleitorais distintos.

 

No segundo turno de 2022, Lula obteve 51,36% dos votos válidos no Tocantins, contra 48,64% de Bolsonaro. Mais do que números históricos, esse mapa oferece aos estrategistas das candidaturas majoritárias um “mapa da mina” eleitoral, pois ele ajuda a compreender onde estão as forças políticas, quais regiões possuem maior aderência a determinado campo ideológico e, principalmente, onde cada candidatura poderá encontrar terreno fértil para crescer.

 

É preciso, portanto, olhar para 2026 com os pés no chão.

 

NÃO HÁ ESPAÇO PARA FICAR EM CIMA DO MURO

Na eleição deste ano, especialmente na disputa pelo Governo do Tocantins, não parece haver muito espaço para quem pretende acender uma vela para cada lado. O eleitor está mais atento. E, diante de uma eleição nacional novamente marcada pela disputa entre direita e esquerda, as candidaturas estaduais serão inevitavelmente chamadas a dizer quem são, de onde vêm e com quem caminham.

 

No cenário atual, duas candidaturas ao Governo já assumiram posições bastante claras no tabuleiro nacional. O candidato Vicentinho Júnior, identificado com o campo da direita, e Laurez Moreira, identificado com o campo de esquerda e alinhado ao presidente Lula. Entre os nomes que aparecem na disputa, a senadora Professora Dorinha Seabra ocupa uma posição particularmente delicada. Segundo as informações que chegam ao Observatório Político de O Paralelo13, Dorinha aparece tecnicamente empatada com Vicentinho em levantamentos que circulam no cenário estadual, enquanto Laurez Moreira vem logo atrás, com Ataídes Oliveira também buscando espaço.

 

Mas existe uma questão política que não pode ser ignorada.

 

DORINHA: ENTRE O CONGRESSO E O PALANQUE

 

A senadora Professora Dorinha Seabra exerce hoje uma posição de destaque na relação institucional com o governo do presidente Lula, inclusive como vice-líder no Senado. Ao mesmo tempo, sua candidatura ao Governo reúne importantes lideranças que possuem forte identificação com a direita tocantinense. Entre essas forças estão Eduardo Gomes, Wanderlei Barbosa, Eduardo Siqueira Campos, Carlos Gaguim, Eli Borges e Ronaldo Dimas, além de outras lideranças que transitam no campo político de centro-direita.

 

E aí está o dilema.

 

O União Brasil liberou seus integrantes para definirem apoio presidencial conforme as articulações regionais. A decisão nacional de neutralidade da legenda foi confirmada durante a convenção partidária, permitindo que os diretórios e candidatos mantenham seus próprios palanques estaduais.

 

Isso significa que Dorinha terá de administrar uma equação política extremamente delicada, com uma candidatura ao Governo apoiada por lideranças majoritariamente identificadas com a direita, enquanto ela própria ocupa uma posição institucional de proximidade com o governo Lula no Senado. O eleitor, mais cedo ou mais tarde, vai perguntar: qual será a posição de Dorinha na eleição presidencial?

 

E essa resposta poderá ter peso no segundo turno estadual e o eleitor certamente exigirá clareza.

 

O TRIO PARADA DURA DA DIREITA

 

Se existe uma característica que ninguém no Tocantins parece ter dificuldade de identificar, é a posição política de Vicentinho Júnior, Eduardo Gomes e Wanderlei Barbosa. O trio, cada um à sua maneira, construiu sua trajetória política distante do campo da esquerda e hoje está claramente associado ao espectro da direita ou centro-direita. Vicentinho Júnior não esconde sua posição. Eduardo Gomes também não, e Wanderlei Barbosa, embora não seja candidato a nenhum cargo eletivo em 2026, tornou-se uma das principais referências políticas da composição que se desenha para a sucessão estadual.

 

É justamente por isso que o mapa eleitoral de 2022 ganha importância. Ele mostra que o Tocantins não é eleitoralmente homogêneo. Há municípios e regiões onde a direita possui enorme capacidade de mobilização e outros onde o campo lulista demonstra força. Quem souber interpretar esse mapa poderá largar na frente. Quem ignorá-lo poderá descobrir tarde demais que eleição não se ganha apenas com discurso de gabinete.

 

EDUARDO GOMES: O HOMEM DO PALANQUE DE FLÁVIO BOLSONARO NO TOCANTINS

 

É neste ponto que entra uma das movimentações mais importantes do tabuleiro de 2026.

O senador Eduardo Gomes, presidente estadual do PL e vice-presidente do Senado, assumirá papel central na articulação da campanha de Flávio Bolsonaro no Tocantins, funcionando como uma das principais referências do projeto presidencial do PL no Estado. A aproximação não é circunstancial. Eduardo Gomes participou da convenção nacional do PL ao lado de Flávio Bolsonaro e reforçou publicamente sua ligação com o grupo político bolsonarista. Durante o governo Jair Bolsonaro, Gomes foi líder do governo no Congresso Nacional e tornou-se um dos principais articuladores da gestão no Parlamento.

 

E há outro detalhe que não pode ser ignorado. Eduardo Gomes chega à disputa presidencial com uma estrutura política que extrapola os limites do seu partido. Atualmente o senador conta com o apoio dos prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do Tocantins: Eduardo Siqueira Campos, de Palmas; Wagner Rodrigues, de Araguaína; Josi Nunes, de Gurupi; Ronivon Maciel, de Porto Nacional; e Celso Morais, de Paraíso do Tocantins.

 

São cinco municípios que concentram uma parcela decisiva do eleitorado tocantinense. Não se trata, portanto, apenas de uma fotografia partidária. Trata-se de uma rede municipal com capacidade de comunicação direta com o eleitor.

 

Em Palmas, Eduardo Siqueira Campos já declarou apoio a Eduardo Gomes para o Senado, destacando a parceria institucional construída com o senador. Em Gurupi, a relação política entre Eduardo Gomes e Josi Nunes também vem sendo demonstrada publicamente, inclusive em agendas que reforçaram a parceria entre as duas lideranças. Em Araguaína, Wagner Rodrigues aparece no tabuleiro como apoiador de Eduardo Gomes para o Senado, embora enfrente uma disputa local particular pela presença de outros nomes ligados diretamente ao eleitorado da cidade. É essa capilaridade que pode transformar Eduardo Gomes em uma peça ainda mais importante na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Tocantins.

 

Eduardo Gomes terá, portanto, uma eleição com duas frentes. De um lado, a disputa pela própria reeleição ao Senado. De outro, a responsabilidade de ajudar a organizar o palanque de Flávio Bolsonaro no Tocantins.

A CONTRADIÇÃO DO CENTRÃO

 

No plano nacional, entretanto, o cenário não é tão simples para Flávio Bolsonaro.

União Brasil, PP e Republicanos adotaram posições de neutralidade na disputa presidencial, liberando suas lideranças estaduais para construírem seus próprios palanques. O movimento representa uma dificuldade para o PL reproduzir, nacionalmente, a amplitude da aliança que Jair Bolsonaro conseguiu reunir em 2022. O Republicanos, por exemplo, registrou ampla maioria de diretórios pela neutralidade, enquanto apenas uma parcela declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

]Mas aqui está justamente a peculiaridade do Tocantins.

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A neutralidade nacional não significa necessariamente neutralidade nos estados. O próprio desenho político tocantinense mostra que os interesses locais podem falar mais alto do que as decisões das direções nacionais. E Eduardo Gomes é uma demonstração clara disso.

KÁTIA ABREU E O PALANQUE DE LULA

 

Do outro lado do tabuleiro está a candidatura do presidente Lula à reeleição. No Tocantins, Lula possui um palanque que busca ganhar forma em torno da candidatura de Laurez Moreira ao Governo e de nomes alinhados ao campo progressista. Nesse processo, a ex-senadora Kátia Abreu assume papel político relevante como coordenadora da articulação da campanha de Lula no Estado. Kátia terá uma missão de apresentar ao eleitor tocantinense os resultados, investimentos e programas sociais realizados durante os governos Lula, demonstrando de que maneira essas políticas chegaram aos municípios e às famílias do Tocantins.

 

Não basta dizer que é Lula. Será necessário mostrar o que Lula fez pelo Tocantins. E os candidatos proporcionais e majoritários do campo da esquerda também precisarão decidir se vão carregar essa bandeira com a força necessária.

 

LAUREZ E O PALANQUE LULISTA

 

Dentro desse desenho, Laurez Moreira surge como o principal nome do campo lulista na disputa pelo Governo do Tocantins. Sua candidatura terá um desafio de transformar a identificação nacional com Lula em votos efetivos para uma eleição estadual. É uma tarefa que parece simples no discurso, mas que exige organização municipal, lideranças, prefeitos, vereadores, deputados e uma comunicação eleitoral capaz de traduzir a polarização nacional para os problemas concretos do Tocantins.

 

Porque o eleitor pode gostar de Lula e votar diferente para governador. Assim como pode votar em um candidato de direita para governador e escolher Lula para presidente. É justamente por isso que o mapa de 2022 precisa ser estudado município por município.

 

O MAPA DA MINA NÃO É UMA PROFECIA

 

Os dados do TSE não dizem quem vencerá 2026. Eles mostram, entretanto, como o eleitorado tocantinense se comportou diante da maior polarização presidencial recente. Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins e os demais municípios apresentam comportamentos eleitorais diferentes.

 

Em Palmas, por exemplo, Bolsonaro alcançou 60,3% dos votos válidos no segundo turno de 2022. Em Araguaína, chegou a 58,2%. Gurupi registrou 59,3% para Bolsonaro. Já Porto Nacional teve vantagem de Lula, com 52,6%. Os números mostram que não existe uma única fórmula eleitoral para o Estado. É justamente aí que está o verdadeiro mapa da mina. A candidatura que compreender as particularidades de cada região poderá transformar tendência eleitoral em voto.

 

DEPOIS DO SENHOR DO BONFIM

 

A partir da próxima semana, encerrados os festejos religiosos do Senhor do Bonfim, a tendência é que o marketing político das candidaturas majoritárias comece a definir com maior clareza o tom de cada campanha.

 

Será a hora de escolher a música. Direita? Esquerda? Lula? Flávio? Existirá uma tentativa de manter-se no meio de caminho? Os veículos de comunicação deverão repercutir os movimentos, as alianças e as primeiras grandes pesquisas. E o eleitor fará suas escolhas.

 

O Tocantins ainda aguarda novas rodadas de pesquisas de intenção de votos que poderão ajudar a esclarecer o cenário. Estão previstas medições de institutos como Quaest e Datafolha, com levantamentos nacionais e estaduais, além da pesquisa da Paraná Pesquisas, contratada pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), conforme as informações que circulam no cenário político

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Será especialmente importante observar as primeiras rodadas completas para governador e para as duas vagas ao Senado. Só então será possível comparar discurso político, estrutura partidária e intenção efetiva de voto. E talvez seja justamente aí que alguns políticos descubram que pesquisa interna e realidade eleitoral são duas coisas completamente diferentes.

 

A eleição de 2026 não será apenas uma disputa de nomes, mas uma disputa de identidade política. O eleitor poderá até rejeitar a polarização, mas não poderá ser tratado como alguém que não percebe os movimentos dos bastidores.

 

O Tocantins está olhando. As redes sociais estão olhando, os municípios estão olhando e o resultado certamente virá nas urnas. O mapa eleitoral do Tocantins está posto. Agora começam as escolhas. E, quando as campanhas forem para a televisão, para o rádio, e, principalmente, para as ruas, cada candidato terá de responder à pergunta mais simples e mais difícil de uma eleição: afinal, quem é você, com quem você está e o que pretende fazer pelo Tocantins?

 

O eleitor saberá responder. As urnas também

 

 

Última modificação em Sábado, 15 Agosto 2026 12:17
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