SUCESSÃO ESTADUAL 2026: A ESCOLHA

Posted On Sexta, 20 Março 2026 11:04
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A contagem regressiva avança para o dia 4 de abril de 2026, prazo final para quem deseja disputar um cargo eletivo nas eleições estaduais. Mais do que uma data no calendário, trata-se da linha divisória entre intenção e decisão.

 

O PRAZO E AS NOVAS REGRAS

 

Não há caminho fácil, principalmente para quem pretende disputar um mandato no Legislativo, seja na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa. As novas regras eleitorais endureceram o jogo com o fim das coligações proporcionais, a consolidação das federações partidárias e os critérios mais restritivos para acesso às sobras eleitorais mudaram completamente a lógica da disputa

 

Agora, somente partidos ou federações que atingirem o quociente eleitoral, ou seja, que elegerem ao menos um representante, terão direito às sobras. Isso torna a escolha da sigla um fator decisivo. Não basta querer ser candidato é preciso escolher onde disputar.

 

Nesse cenário, pesam a composição das nominatas, a densidade eleitoral dos nomes e a estrutura partidária disponível, incluindo organização política, capilaridade e acesso ao fundo eleitoral.

 

A DANÇA DAS CADEIRAS

 

Nos bastidores, o movimento é intenso. Conversas cruzadas, alianças sendo testadas, promessas em circulação e reposicionamentos estratégicos a todo momento. Ninguém quer ficar fora do jogo, mas poucos querem se expor antes da hora.

 

PODEMOS: DE COELHO A ELEFANTE

 

Quem vem surpreendendo o meio político tocantinense é o Podemos. Sob o comando do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, que assumiu a presidência estadual da sigla, o partido passou por uma reconfiguração rápida e estratégica.

 

A recente ida a Brasília, em reunião com a presidente nacional Renata Abreu, marcou o início de uma articulação mais robusta, com foco na montagem de nominatas competitivas e na inserção definitiva da legenda no centro do jogo de 2026.

 

Eduardo levou à capital federal um grupo expressivo de lideranças e pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, demonstrando musculatura política para montar chapas com potencial real de eleger até dois deputados federais, com chance de puxar um terceiro na sobra, e ao menos quatro estaduais.

 

Um cenário completamente distinto do passado recente, quando o partido, sob a condução do deputado Tiago Dimas, enfrentava dificuldades para estruturar nominatas viáveis. Ao abrir mão da presidência, Dimas permitiu uma virada que, em menos de 72 horas, transformou o Podemos de um “coelho” em um verdadeiro “elefante” político no Tocantins.

 

ALIANÇAS E MOVIMENTAÇÕES

 

 

O Podemos já declarou apoio à pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra ao governo e à reeleição do senador Eduardo Gomes, antecipando seu posicionamento dentro de um bloco político mais amplo.

 

25 E 27 DE MARÇO: DOIS PALCOS, DOIS PROJETOS

 

 

É nesse ambiente que os principais grupos políticos começam a se apresentar com mais nitidez.

 

No dia 25 de março, o bloco liderado pelo PSDB, ao lado de PSD e PSB, realiza seu ato político com o lançamento das pré-candidaturas ao governo, ao Senado e das nominatas proporcionais. O movimento busca consolidar um projeto alternativo, reunindo lideranças nacionais, prefeitos, vereadores e pré-candidatos. O evento, na ATM, deve contar com a presença de nomes de peso da política nacional, reforçando o caráter competitivo do grupo.

 

Antonio Reda presidente do União Brasil 

 

Já no dia 27 de março, será a vez do bloco formado por União Brasil, PP, PL e Republicanos realizar seu ato político, também na ATM, em Palmas. A expectativa é de um evento robusto, com a consolidação do apoio à candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra ao governo, à reeleição do senador Eduardo Gomes e a possível inclusão de Carlos Gaguim na disputa ao Senado. A presença de lideranças nacionais e estaduais reforça o peso político do encontro.

 

A ESCOLHA QUE DEFINE O JOGO

 

Para quem pretende disputar um mandato, especialmente no Legislativo, a decisão não é apenas política é estratégica. A escolha do partido ou federação passa, obrigatoriamente, pela análise da nominata, da força do grupo e da capacidade real de atingir o quociente eleitoral.

 

Entrar em uma chapa fraca pode significar o fim da disputa antes mesmo da campanha começar. Por outro lado, integrar uma nominata competitiva pode abrir caminho não só para a eleição direta, mas também para a disputa das sobras.

 

ELEITOR DISTANTE, POLÍTICA ANTECIPADA

 

Apesar da intensa movimentação nos bastidores, a população tocantinense ainda se mantém distante do processo sucessório. A antecipação do debate eleitoral, quase dois anos antes do pleito, já provoca desgaste precoce nas pré-candidaturas.

 

Pesquisas recentes apontam mais de 54% de eleitores indecisos para o governo — um dado que revela a desconexão entre o ritmo da política e as prioridades da população.

 

Até aqui, os discursos seguem genéricos, girando em torno de saúde, educação e moradia, sem a apresentação concreta de planos de governo. Enquanto isso, o eleitor está focado em questões mais urgentes, como emprego, renda e endividamento.

 

JUSTIÇA: RESPOSTAS ÀS OPERAÇÕES

 

 

Outro elemento que pesa no cenário é a expectativa por respostas da Justiça em relação às operações da Polícia Federal no Tocantins. A população aguarda os desdobramentos das investigações conduzidas sob determinação dos tribunais superiores, envolvendo denúncias de corrupção, desvio de recursos públicos e outras irregularidades graves.

 

Há uma cobrança crescente para que os processos avancem antes da consolidação das candidaturas. O impacto dessas decisões será direto na credibilidade dos nomes colocados

 

A tendência é de que o eleitor exija, cada vez mais, candidatos sem máculas e dispostos ao debate transparente com a sociedade.

 

OS NOMES DE SEMPRE… E OS DE ÚLTIMA HORA

 

Os nomes já conhecidos continuam em circulação,  alguns consolidados, outros ainda tentando ganhar densidade política. Mas, como é tradição no Tocantins, o inesperado sempre encontra espaço.

 

É nesse cenário que surgem os “substitutos surpresa”: lideranças fora do radar principal, mas prontas para entrar no jogo em caso de necessidade seja por impedimentos jurídicos, desgaste político ou rearranjos partidários.

 

PÓS-4 DE ABRIL: UMA NOVA FASE

 

O dia 4 de abril não encerra o jogo apenas muda a fase. Com o fim do prazo de filiações, as nominatas começam a ganhar forma definitiva e as candidaturas majoritárias se consolidam.

 

A partir daí, o foco passa a ser o ajuste fino das chapas e a intensificação das articulações. Em maio, o clima eleitoral já deve estar nas ruas.

 

QUEM TEM GRUPO, LARGA NA FRENTE

 

Mais do que nomes, pesa a capacidade de articulação. Quem tem grupo estruturado, base consolidada e capilaridade no interior sai na frente. Eleição majoritária não se vence sozinho e isso todos sabem.

 

SURPRESAS

 

Há, nos bastidores, a construção silenciosa de um nome que pode ser inserido em uma chapa majoritária e, caso se concretize, tende a provocar um verdadeiro efeito manada daqueles que reorganizam alianças, reposicionam lideranças e embaralham, de uma só vez, todo o tabuleiro sucessório no Tocantins.

 

Não se trata apenas de mais uma peça no jogo, mas de um movimento com potencial de redefinir forças, acelerar decisões e antecipar cenários que muitos ainda tratam como improváveis. O troca-troca partidário deve se intensificar, e seus efeitos colaterais podem mudar o rumo da eleição antes mesmo do início oficial da campanha.

 

O Observatório Político de O Paralelo 13 acompanha de perto, porque, no Tocantins, o que hoje é costurado no silêncio dos bastidores, amanhã pode se transformar na decisão que definirá o poder.

 

 

 

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