OS CUIDADOS COM OS “REDEMOINHOS POLÍTICOS” E SEUS EFEITOS COLATERAIS

Posted On Segunda, 06 Julho 2026 05:11
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ANÁLISE POLÍTICA

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

Há três anos, o Tocantins perdeu seu maior líder: José Wilson Siqueira Campos. Criativo, corajoso e determinado, foi o responsável por transformar o sonho de milhares de nortistas em realidade, criando o Estado do Tocantins e erguendo Palmas, nossa capital. Seu legado permanece como alicerce da história tocantinense, inspirando gerações e servindo de referência para os desafios políticos atuais.
Assim como os redemoinhos naturais, a política tocantinense vive momentos de turbulência. A sucessão estadual de 2026 já mostra sinais de fortes movimentos que podem redefinir alianças e estratégias.

 

A UNIÃO DE LAUREZ COM O PT

 

Um dos pontos de maior impacto foi a aproximação de Laurez Moreira com o PT, liderada pela ex-senadora Kátia Abreu, convidada por Lula para coordenar sua campanha no Tocantins. Essa união fortalece o projeto de Laurez rumo ao segundo turno, e deixa seu antigo aliado, senador Irajá Abreu em situação delicada: sem espaço no palanque onde estiver a sigla PT, comandada, no Tocantins, por sua mãe, Kátia Abreu. O PT sacramentou apoio a Paulo Mourão para o Senado e a Laurez para o governo, inclusive com a chancela de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.
A situação é inusitada, porque, apesar da aliança com o PT no Tocantins, nacionalmente o PSD tem sua candidatura “puro sangue” à presidência, que é o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado e o próprio Kassab como vice. E, no Tocantins, o candidato ao senado pelo PT é Paulo Mourão, sem chances de conversa.

 

Como movimento de restruturação, fontes apontam para uma possível composição entre Irajá e Vicentinho Júnior, unindo forças e trazendo consigo prefeitos e vereadores aliados. Caso se confirme, essa aliança pode gerar efeitos colaterais ainda impossíveis de serem mensurados mas, certamente, com poderes de causar modificações no atual cenário sucessório.

 

EDUARDO SIQUEIRA E AS PROVOCAÇÕES

 

Enquanto isso, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, enfrenta provocações políticas e especulações sobre sua gestão. O lançamento do nome do governador Wanderlei Barbosa como candidato a prefeito de Palmas em 2028, feito pelo deputado federal Carlos Gaguim, em solenidade recente no Detran, e após isso, membros do grupo palaciano passarem a trabalhar essa hipótese como realidade, mesmo Eduardo estando, apenas, no fim do segundo ano de seu mandato, são apenas uma amostra do que está por vir. Apesar do afastamento e narrativas nebulosas, nada concreto foi encontrado na Justiça contra sua pessoa. Eduardo segue firme, preparando uma série de obras e investimentos que devem iniciar até o mês de agosto, transformando Palmas no maior canteiro de obras da Região Norte do Brasil, e fortalecendo sua imagem e o apoio à candidatura de Dorinha Seabra ao governo e de Eduardo Gomes ao Senado.

A política tocantinense mostra que os redemoinhos não apenas desestabilizam, mas também revelam novas forças e rearranjos. A história recente de líderes afastados por decisões judiciais sem provas concretas, como Marcelo Miranda, que ficou cinco meses preso no Comando Geral da Polícia Militar, em Palmas, para, depois, a Justiça Federal afirmar que não tinha nada a ser julgado contra Marcelo e mandar libertá-lo, sem, ao menos, um pedido de desculpas. Tudo bem similar o que aconteceu, recentemente, com o governador Wanderley Barbosa. Isso só reforça a necessidade de cautela diante de narrativas precipitadas em relação a Eduardo Siqueira Campos. O eleitorado observa, e os efeitos colaterais desses movimentos podem ser decisivos na sucessão estadual.
Essas jogadas são velhas conhecidas na política tocantinense e Eduardo Siqueira está vacinado com todas elas.

O cenário político do Tocantins em 2026 é marcado por incertezas e reviravoltas. O redemoinho das alianças e rupturas exige atenção, pois cada movimento pode redefinir o futuro do Estado. O legado de Siqueira Campos permanece como guia, lembrando que coragem e determinação são essenciais para enfrentar os ventos fortes da política.

 

DORINHA E O VICE

 

Por falar em Dorinha Seabra, a sociedade, a classe políticas e os apoiadores da senadora Doria Seabra ao governo, esperam que ela olhe no “retrovisor” político e foque no papel dos vice-governadores que o Tocantins já teve e que, baseado nesse histórico, ela não aceite, em hipótese alguma, um candidato a vice que lhe seja empurrado “goela abaixo”, sob risco de contaminar toda a sua campanha.
Caso ela aceite um candidato a vice nessas condições, Dorinha jamais terá condições de comandar sua campanha e, em caso de vitória, liderar o seu governo.
O vice quem escolhe é o candidato ao governo. Uma pessoa da sua mais absoluta confiança, capaz e preparado para, em caso de necessidade, conduzir o governo. Dorinha precisa, nessa escolha, demonstrar seriedade em relação à coisa pública e o seu respeito aos eleitores, à política e, sobretudo, ao Tocantins.

 

NOVAS REGRAS E O "DESCER DA RAMPA"

 

Desde o último dia 4, o Diário Oficial do Estado deixou de publicar novas nomeações e demissões de cargos comissionados. Além disso, pré-candidatos a mandatos eletivos ficam proibidos de participar de inaugurações e atos oficiais do Executivo estadual e municipal. Esse marco simboliza o início da chamada “descida da rampa” do governador Wanderlei Barbosa, momento em que os “amigos do poder” começam a se afastar, já sem a força das nomeações. Esse processo revela a perda de perspectiva de poder, marcada por sinais sutis: o café servido morno, o motorista que chega atrasado, as ligações não atendidas. A única vantagem, ainda que tardia, é descobrir quem são os verdadeiros aliados.

 

O TESTE DE SÃO TOMÉ

No próximo dia 8 de julho, o pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior, junto com seu vice Amélio Cayres e o candidato ao Senado Alexandre Guimarães, realizará uma grande concentração em Araguaína. A cidade, segundo maior colégio eleitoral do Tocantins e reduto de Guimarães, será palco de um ato político que recebeu o nome de “Teste de São Tomé” — só acredita vendo. Toda a classe política estará atenta, já que o prefeito Wagner Rodrigues, bem avaliado entre os 139 prefeitos do Estado, apoia Dorinha Seabra para o governo e Eduardo Gomes e Irajá Silvestre para o Senado. O Observatório Político de O Paralelo 13 acompanhará de perto os desdobramentos desse evento.

 

Por hoje é só!

 

 

Última modificação em Segunda, 06 Julho 2026 05:34
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