Manaus volta a ter UTIs lotadas de pacientes com Covid-19

Posted On Terça, 27 Outubro 2020 04:54
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Presidente do Sindicato dos Médicos denuncia que problemas são antigos, mas houve piora por conta da pandemia. Unidade recebe pacientes com Covid-19.

 

Por G1 AM

 

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) denunciou uma série de irregularidades no tratamento e internação de pacientes do Hospital 28 de Agosto, em Manaus. Vídeos gravados dentro da unidade mostram macas amontoadas, aglomeração entre pacientes e acompanhantes.

 

O hospital é uma das unidades que atendem pessoas infectadas pelo novo coronavírus no estado. Um novo avanço da doença, após quatro meses de flexibilização, tem causado quase 100% de ocupação de leitos de UTI no hospital referência para tratamento da doença, o Delphina Aziz. Até domingo (25), o novo coronavírus já infectou mais 157 mil pessoas e matou 4,4 mil em todo o estado.

 

De acordo com o presidente do Simeam, Mário Viana, a visita técnica ocorreu no sábado (24), e ouviu profissionais que trabalham no local.

 

"Ouvimos os profissionais que trabalham no local e no caso de pacientes com Covid, as reclamações são a falta de testes rápidos, falta de técnicos de enfermagem capacitados que ajudem médicos e enfermeiros no processo de pronagem de pacientes, assim como também a falta do fisioterapeuta, que é um profissional extremamente importante para o tratamento de Covid", explicou.

Além disso, o médico também contou que, durante a visita, foi possível verificar profissionais que atuavam no setor de Covid transitando livremente entre pacientes de outras áreas do hospital o que, segundo ele, não é recomendado devido ao alto de grau de contaminação.

 

Para pacientes que não estão com a Covid, os problemas se concentram na falta de equipamentos para exames ou procedimentos cirúrgicos, como é o caso dos internados com problemas renais.

 

"A urologia tem um problema que tem cerca de seis meses a um ano, que é a falta do equipamento de cistoscopia, que é básico para atender urgência de urologia. Pacientes que tem cálculos nos rins, no uréter, estão sofrendo. Muitos urinando sangue, com dor, indo todo dia pro pronto-socorro tomar morfina e que não conseguem tirar o cálculo porque não tem o equipamento", contou.

 

Segundo o médico, os problemas são antigos, no entanto, houve uma piora na oferta de serviços com a destinação de leitos para pacientes com o novo coronavírus.

 

"A demanda é grande, principalmente quando começaram a internar pacientes com Covid lá. E muitos desses pacientes que não eram Covid morreram de insuficiência renal. Se for puxar, se fizer um inquérito sobre as mortes, vão ver que muitos pacientes deixaram de hemodializar, ou seja, deixaram de fazer a hemodiálise, deixaram de fazer outros procedimentos e morreram", concluiu.

 

A direção do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto informou, por meio de nota, que não há falta de testes rápidos na unidade de saúde, assim como de fisioterapeutas, que seguem realizando procedimentos de fisioterapia respiratória em pacientes internados.

 

Sobre os técnicos de enfermagem, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que há um plano de ação em andamento que contempla a contratação de técnicos de enfermagem para a unidade de saúde.

 

"A SES também tem observado faltas recorrentes e sem justificativa desses profissionais, desfalcando os plantões. Essas ausências estão sendo analisadas pela gestão para evitar que esse tipo de ocorrência continue", diz trecho da nota.

 

Em relação ao equipamento de cistoscópio, a SES informou que está em processo de aquisição do material, mas ressalta que os pacientes que necessitam do aparelho não estão desassistidos, sendo encaminhados à Fundação Hospital Adriano Jorge, onde realizam procedimentos que necessitem do cistoscópio.

 

*Com informações de Daniela Branches, da Rede Amazônica.

 

 

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