HOMENAGEM AO SAUDOSO COMANDANTE VICENTÃO EM REDENÇÃO, PARÁ: UM HOMEM QUE “CRIOU ASAS” PARA SALVAR VIDAS

Posted On Segunda, 27 Julho 2020 14:41
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Quem conheceu Vicente de Paula Oliveira jamais se decepcionou. Homem de conversa fácil, sorriso sincero, humildade à toda prova, coração gigante e alma inquieta, que simplesmente ignorava preconceitos. 

 

 Por Luciano Moreira

 

Negro de origem humilde, depois de muito labutar e economizar, não se intimidou ao sair do Brasil e viajar para os Estados Unidos para adquirir seu Cessna, prefixo PT-BAU, para cruzar os céus do Norte do Brasil fazendo o bem sem olhar a quem.

 

Redenção ainda era um vilarejo de garimpeiros quando Vicente de Paula Oliveira passou a ser chamado de “Comandante Vicentão”.  Comandante pelo controle da aeronave, mas um verdadeiro companheiro para todas as horas da comunidade na qual criou sua família e uma história de amizades e benfeitorias.

 

As histórias do Comandante Vicentão levando garimpeiros doentes de malária e outros males da selva, em seu avião, da pequena Redenção, para serem salvos em Porto Nacional, então Norte de Goiás, pelo Dr. Euvaldo Thomaz de Souza, médico formado no Rio de Janeiro, mas que voltou para dedicar os conhecimentos ao seu povo, abrindo um hospital em frente à Catedral de Nossa senhora das Mercês, se multiplicaram, assim como seu número de amigos e admiradores na cidade paraense.

 

 Vicentão No Estados Unidos, na compra de aeronave

 

Essa presença essencial para Redenção e seus habitantes, desde quando a cidade era apenas um povoado em uma fazenda, virou reconhecimento, com o nome de Vicente de Paula Oliveira sendo concedido – sim, concedido, pois é uma honra até para a localidade - à uma das principais avenidas da cidade, há mais de 40 anos, pela Câmara Municipal.

 

Os filhos, o saudoso Antônio Geremias, o “Geré”, que Deus chamou cedo demais, e Vicente Alves, seguiram os passos – ou as asas – do pai, e também se tornaram pilotos, auxiliando moradores e garimpeiros de Redenção. 

 

Também se tornaram pilotos os alunos do Comandante Vicentão, que fizeram parte das primeiras turmas do primeiro aeroclube do Norte de Goiás, fundado pelo próprio Comandante, em Porto Nacional, onde ele decidiu montar morada em Porto Nacional, ainda Goiás, prevendo o crescimento da pacata e pitoresca cidade, então principal entreposto comercial entre o Norte e o Sul do Brasil à época.

 

O Comandante Vicentão prosperou e garantiu um futuro tranquilo para sua família, sem deixar de dar vazão à sua personalidade prestativa, à frente do seu tempo, ensinando solidariedade e consciência social, ao fundar o Light Club Recreativo e Cultural, ao fomentar os primeiros blocos carnavalescos da cidade e ao alugar uma casa para os artistas de um circo que pegou fogo em sua temporada na cidade, e liderar uma campanha para arrecadar fundos para a compra de uma nova lona circense, fazendo valer o epíteto de “Capital Cultural” à cidade que viu seus filhos e netos crescerem como pessoas.

 

Vicentão ganhou “asas definitivas de anjo” em 2001, não vendo seu filho mais velho, Vicente Alves, que havia entrado para a vida pública, chegar ao cargo de Senador da República, representando e beneficiando não apenas o povo do Tocantins, mas guardando uma parcela sentimental pela cidade de Redenção, onde seu pai foi tão útil e feliz.

 

 Vicentão e membros do Aeroclube de Porto Nacional

 

Pois foi ainda como Senador da República que Vicente Alves de Oliveira reavivou a memória de seu pai, o Comandante Vicentão, e aportou recursos para que a avenida que leva o nome de seu pai, na hoje cidade de Redenção, que tem quase 100 mil habitantes, seja pavimentada.

 

Os recursos já estão disponíveis na conta da prefeitura paraense e as estrelas que circundam o Comandante Vicentão, lá no céu, estão brilhando mais forte, iluminando e dirigindo o olhar do velo Comandante, ao lado de “Gerê” e de “Nôra”, até aquele pedaço de chão, lá em Redenção, onde ele foi tão importante para tanta gente.

 

Porto Nacional comemora, junto com Redenção, mais este reconhecimento a um ser humano de alma diferenciada e iluminada, que levou bondade, humildade e generosidade por onde pisou ou voou.

 

Última modificação em Segunda, 27 Julho 2020 14:59

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