Por Edson Rodrigues
O processo sucessório de 2026 no Tocantins segue avançando sem qualquer definição concreta sobre quais candidaturas realmente chegarão fortalecidas ao segundo turno. A cada semana, novos movimentos políticos alteram o tabuleiro sucessório e provocam mudanças importantes tanto na disputa pelo Governo quanto na corrida pelas duas vagas ao Senado Federal.
E dois nomes passaram definitivamente a mexer nas estruturas políticas do Estado: Ronaldo Dimas e Kátia Abreu. Nos bastidores, lideranças políticas já admitem que a eventual entrada dos dois nomes no jogo eleitoral poderá provocar um verdadeiro terremoto político na sucessão estadual.
A ENTRADA DE DIMAS COMPLICA O JOGO DO SENADO

A possível pré-candidatura de Ronaldo Dimas ao Senado Federal pelo Podemos começa a alterar diretamente o desenho político da oposição. O Observatório Político de O Paralelo 13 avalia que a entrada de Dimas cria dificuldades reais para a pré-candidatura do deputado federal Alexandre Guimarães ao Senado.

E isso já começa a ser percebido nos bastidores políticos do Norte do Estado. Dimas possui forte influência política em Araguaína, segundo maior colégio eleitoral do Tocantins, com 118.990 eleitores, representando aproximadamente 10,16% de todo o eleitorado estadual.
Além disso, mantém prestígio político consolidado após dois mandatos como prefeito e pela eleição de seu sucessor, o prefeito Wagner Rodrigues. A gestão de Wagner Rodrigues mantém alta aprovação popular na cidade, impulsionada por ações administrativas, obras estruturantes e pela forte presença social da primeira-dama, liderança bastante popular no município. Nos bastidores, a avaliação é que Araguaína representa hoje uma das maiores reservas políticas do Tocantins.
PALMAS PODE DECIDIR O SEGUNDO TURNO
Se Araguaína segue estratégica, Palmas continua sendo o principal colégio eleitoral do Tocantins. A capital possui atualmente 209.524 eleitores, representando aproximadamente 17,89% de todo o eleitorado tocantinense. Somadas, Palmas e Araguaína concentram 328.514 eleitores, o equivalente a cerca de 28% de todos os votos do Estado.
Na prática, isso significa que os dois maiores colégios eleitorais poderão decidir não apenas quem chegará ao segundo turno, mas também o equilíbrio das disputas ao Senado Federal.
O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, aparece hoje como uma das peças políticas mais importantes do tabuleiro sucessório. Aliado da pré-candidata ao Governo Professora Dorinha Seabra e do senador Eduardo Gomes, Eduardo Siqueira controla o maior colégio eleitoral do Estado em um momento em que Palmas vive intensa agenda de obras, investimentos urbanos, programas sociais e forte presença institucional da prefeitura.
Nos bastidores políticos, a avaliação é que, chegando ao período eleitoral com grandes obras em andamento, programas sociais funcionando e alta popularidade administrativa, Eduardo Siqueira poderá exercer influência decisiva na capital. Além disso, o Podemos trabalha uma nominata considerada forte para deputado federal, envolvendo nomes como Tiago Dimas, Sandoval Cardoso e outros pré-candidatos competitivos. Interlocutores políticos acreditam inclusive que o partido poderá surpreender na formação da bancada federal.
GOVERNISTAS TERÃO QUE REFAZER AS CONTAS

Diante deste novo cenário, lideranças governistas já começam a admitir reservadamente que será necessário reorganizar estratégias, fortalecer a unidade política da base e, principalmente, construir uma composição majoritária capaz de equilibrar forças na região Norte do Estado. O grupo liderado pelo governador Wanderlei Barbosa entende que não poderá chegar fragilizado politicamente em Araguaína e no Bico do Papagaio, regiões consideradas decisivas dentro da sucessão estadual de 2026.
A avaliação interna é que a oposição conseguiu montar uma musculatura política importante no Norte, especialmente com a presença do deputado federal Vicentinho Júnior, do presidente da Assembleia Legislativa Amélio Cayres, do deputado federal Alexandre Guimarães e do deputado federal Tiago Dimas, grupo que vem ampliando presença política na região Norte e no Bico do Papagaio.
Dentro da base governista cresce o entendimento de que a pré-candidata ao Governo Professora Dorinha Seabra precisará construir um contraponto político forte naquela região, principalmente na composição da vaga de vice-governador. E é justamente nesse cenário que começa a surgir com força o nome da primeira-dama de Araguaína, Ana Paula Lopes Rodrigues.
Nos bastidores, lideranças políticas avaliam que Ana Paula possui hoje uma influência política consolidada dentro de Araguaína, construída através de programas sociais, forte presença comunitária e relacionamento direto com vereadores, secretários municipais e lideranças populares da cidade.
Aliados afirmam que ela se transformou num importante reserva política do grupo liderado pelo prefeito Wagner Rodrigues, podendo inclusive surgir como peça estratégica dentro da composição majoritária governista. A leitura de parte da base é de que Dorinha precisará de um nome competitivo no Norte para equilibrar a força regional construída pela oposição. E, dentro desse contexto, Ana Paula Lopes Rodrigues começa a ser observada como uma alternativa capaz de agregar politicamente em Araguaína e ampliar a presença do grupo governista na região Norte do Tocantins.
KÁTIA ABREU PODE MUDAR TODO O TABULEIRO

Mas se Ronaldo Dimas provoca mudanças na oposição ao Senado, a possível entrada de Kátia Abreu no Governo poderá alterar completamente toda a sucessão estadual. Nos bastidores de Brasília, lideranças do PT já admitem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende garantir um palanque competitivo no Tocantins para defender sua candidatura à reeleição.
E o nome mais forte dentro do campo lulista continua sendo o de Kátia Abreu.
Caso a ex-senadora seja confirmada como candidata ao Governo com apoio direto do Palácio do Planalto, o processo sucessório poderá sofrer uma transformação profunda. Isso porque Lula, PT nacional e governo federal passariam automaticamente a atuar diretamente na disputa tocantinense. Nos bastidores, lideranças avaliam que uma candidatura de Kátia poderia fragmentar votos em diferentes campos políticos e tornar praticamente inevitável um segundo turno altamente competitivo.
A VIAGEM AINDA É LONGA
Diante de tantos fatos e fatores o jogo sucessório de 2026 ainda está completamente aberto. A corrida oficial só começa efetivamente após as convenções partidárias de agosto.
Até lá, alianças poderão mudar, candidaturas poderão surgir e muitas embarcações políticas poderão ficar sem combustível no meio do caminho.
Na política tocantinense, quem antecipa vitória costuma correr riscos.
E quem ignora os movimentos silenciosos dos bastidores pode descobrir tarde demais que o tabuleiro mudou.
ATÉ BREVE.