PANORAMA POLÍTICO
Por Edson Rodrigues
Faltam menos de 40 dias para 4 de abril, prazo final para filiação partidária de quem pretende disputar um mandato nas eleições de outubro. O relógio corre e, na política, tempo é estratégia.
Mais do que um simples ato burocrático, a escolha do partido ou federação tornou-se, em 2026, uma decisão de sobrevivência eleitoral. Esta será a primeira eleição estadual sob o novo desenho consolidado do sistema proporcional, sem coligações, com federações partidárias estruturadas e com regras mais rígidas para a distribuição das sobras eleitorais.
Não basta ter voto. É preciso ter cálculo.
A REGRA DO JOGO MUDOU

Desde o fim das coligações proporcionais, aprovado pelo Congresso Nacional e validado pelo Tribunal Superior Eleitoral, a disputa para deputado estadual e federal passou a ser ainda mais estratégica.
Agora, partidos e federações funcionam como condomínios eleitorais. Quem entra precisa saber exatamente qual é o tamanho da força coletiva que ajudará, ou poderá sufocar seu projeto.
A federação partidária, instrumento mais recente, obriga as legendas a atuarem juntas por, no mínimo, quatro anos. Não é aliança circunstancial. É casamento político com cláusula de fidelidade.
COEFICIENTE ELEITORAL

No Tocantins, a conta é objetiva. Para deputado estadual, o coeficiente eleitoral gira em torno de 50 mil votos por vaga. Para deputado federal, a projeção é de aproximadamente 100 mil votos por cadeira, números que podem variar conforme o total de votos válidos.
Mas o coeficiente é apenas a primeira barreira. Somente partidos ou federações que atingirem o coeficiente participam da disputa pelas sobras, aquelas vagas restantes distribuídas após o preenchimento inicial. E é nesse ponto que muitos projetos naufragam.
Ter 30 mil votos isoladamente pode significar quase nada se a legenda não alcançar o mínimo exigido. Por outro lado, um candidato com votação mediana pode se eleger se estiver numa estrutura partidária robusta.
CHAPINHAS
As chamadas “chapinhas”, partidos com nominatas compostas majoritariamente por candidatos sem mandato, voltam ao centro do debate.
A vantagem é que não há deputados com estrutura consolidada disputando o mesmo espaço interno. Todos largam, teoricamente, do mesmo ponto.
Mas há um risco evidente afinal, será que a soma dos votos individuais será suficiente para atingir o coeficiente?
Se a resposta for negativa, o esforço coletivo se dispersa e ninguém entra.
A decisão, portanto, exige frieza. Prestígio pessoal, capacidade financeira, base territorial e articulação política precisam ser analisados com lupa.
DINHEIRO AJUDA, MAS NÃO RESOLVE
Em 2026, outro fator será decisivo: marketing político estruturado. O pré-candidato ou pré-candidata precisará ocupar os principais veículos de comunicação do Tocantins para tornar públicas suas bandeiras, sua trajetória e seu histórico político. As redes sociais são ferramentas indispensáveis, mas os veículos tradicionais transmitem seriedade e credibilidade junto ao eleitorado. Quanto maior a presença qualificada na mídia, maior a capacidade de consolidar imagem e ampliar a conquista de votos. Publicidade e estratégia de comunicação continuam sendo a alma da vitória.
Recursos são fundamentais e ninguém ignora isso. Campanhas custam caro, especialmente em disputas proporcionais amplas como as de deputado federal.
Mas dinheiro sem estratégia partidária é investimento de alto risco.
Em 2026, mais do que nunca, a pergunta central não é quantos votos eu tenho?, mas sim: em qual partido meus votos têm maior chance de se transformar em mandato?
Os próximos 40 dias serão decisivos para pré-candidatos e pré-candidatas. É hora de reunir a equipe mais próxima, projetar cenários, estudar as nominatas já desenhadas e avaliar a densidade eleitoral de cada legenda.
A escolha errada pode significar quatro anos fora do parlamento. A escolha correta pode transformar uma candidatura mediana em vitória.
No sistema proporcional, ninguém se elege sozinho. A máquina de calcular está sobre a mesa.
Não há espaço para ilusão romântica.
As eleições proporcionais de outubro exigem cálculo, leitura de cenário e coragem estratégica.
Quem deseja disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal precisa decidir agora e decidir bem.
Porque, no fim das contas, não é apenas uma filiação.
É o ponto de partida de uma corrida em que matemática, articulação e tempo valem mais que discurso.
Você já sabe em qual legenda suas chances são reais? O tempo está passando.