Vorcaro afirmou à PF que modelo de negócios do Master era baseado no FGC e citou conversa com Ibaneis Rocha sobre BRB
Com R 7
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli retirou, nesta quinta-feira (29), o sigilo do depoimento prestado à Polícia Federal pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A oitiva ocorreu em 30 de dezembro de 2025.
Naquele dia, a Polícia Federal também ouviu o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Toffoli também tirou o sigilo dos depoimentos dos dois.
Na ocasião, todos foram interrogados sobre a negociação que quase terminou na venda do Banco Master ao BRB — negócio barrado pelo Banco Central.
Depois de coletar os depoimentos de cada um, a PF realizou uma acareação entre Vorcaro e Costa para confrontar informações divergentes prestadas pelos dois.
O que disse Vorcaro no depoimento?
No depoimento, Vorcaro detalhou a situação financeira do Banco Master, operações específicas envolvendo carteiras de crédito, tratativas com o BRB (Banco Regional de Brasília), além de comentar sua relação com autoridades e as circunstâncias que antecederam sua prisão.
Na ocasião, Vorcaro admitiu que o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez, embora tenha sustentado que a instituição permanecia solvente. Segundo ele, o banco tinha mais ativos do que passivos e honrou seus compromissos até a intervenção decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
O empresário afirmou ainda que o modelo de negócios do Banco Master era integralmente baseado no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). De acordo com seu relato, desde 2018 a estratégia de crescimento da instituição dependia da captação de recursos garantidos pelo fundo.
Vorcaro disse que mudanças regulatórias nas regras do FGC e a pressão reputacional reduziram as fontes de captação, agravando os problemas de liquidez.
Negociação com o BRB e conversa com governador do DF
No depoimento, o empresário também declarou que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a negociação de venda do Banco Master ao BRB. O negócio, no entanto, acabou vetado pelo Banco Central, que apontou irregularidades na transação.
Investigação da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) sobre a gestão do Banco Master detectou indícios de que a instituição comandada por Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB (Banco Regional de Brasília) e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.
À PF, Vorcaro comentou que houve uma operação de compra de carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno, no final de 2024, como parte de uma estratégia para expandir o portfólio visando a futura fusão com o BRB.
Ele reconheceu que deu aval à operação, mas alegou que não acompanhava os detalhes técnicos de originação dos créditos. Também admitiu que o Banco Master cedeu carteiras ao BRB antes de receber toda a documentação da Tirreno, classificando o procedimento como prática de mercado, com resguardo contratual.
Em sua defesa, Vorcaro afirmou que a operação não foi financeiramente consumada, pois os recursos teriam ficado retidos em uma conta transitória dentro do próprio Banco Master e não foram liberados à Tirreno. Segundo ele, as carteiras foram posteriormente recompradas ou substituídas, sem prejuízo ao BRB.