Caciques de partidos têm preferência em acesso a fundo eleitoral

Posted On Quarta, 14 Outubro 2020 05:44
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Senado Ciro Nogueira Senado Ciro Nogueira

Piauí recebeu 21% dos recursos já transferidos para Progressistas; Ciro Nogueira, presidente da sigla, tem sua base de eleitores no Estado

 

Por Guilherme Caetano e Sérgio Roxo

 

As bases políticas de dirigentes e os candidatos ligados a caciques nacionais têm tido prioridade na primeira leva de repasses dos partidos na disputa eleitoral deste ano. De acordo com os dados disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as dez legendas que mais receberam recursos do Fundo Eleitoral já tinham transferido até a noite de sábado para diretórios estaduais e candidaturas um total de R$ 279 milhões.

 

O caso mais claro de relação da cúpula partidária com o principal beneficiário por recursos ocorre até agora no Progressistas. O diretório do Piauí, estado que possui apenas 2,5 milhões de eleitores, ficou com 21% de todos os recursos já transferidos pela sigla, o que equivalente a R$ 7,7 milhões. O presidente da legenda é o senador Ciro Nogueira (PI).

 

São Paulo, que possui 33,6 milhões de eleitores, recebeu até agora apenas R$ 4,6 milhões do comando do partido. A direção nacional do Progressistas informou que "os recursos serão distribuídos de forma proporcional, de acordo com o que foi estabelecido por uma comissão formada por deputados federais e senadores". Segundo o partido, o Piauí é o estado que recebeu os maiores valores porque "agilizou a entrega dos documentos exigidos pela legenda".

 

No PL, o ex-ministro Alfredo Nascimento, candidato à prefeitura de Manaus e presidente de honra da legenda, recebeu 36% da verba. Foram R$ 6 milhões repassados ao candidato, de um total de R$ 16,7 milhões. Procurada, a assessoria de comunicação do partido não retornou.

 

O vereador pelo Rio Cesar Maia, que tenta a reeleição, aparece em sexto lugar no ranking de principais beneficiários de repasses da direção nacional do DEM. Ele recebeu R$ 600 mil, o maior valor transferido a postulantes a uma vaga em câmaras municipais dentro da sigla. Cesar Maia, que já foi prefeito do Rio por três mandatos, é filho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A direção do DEM não retornou os contatos para comentar os critérios de distribuição de recursos do partido.

 

João Campos, candidato a prefeito de Recife e filho do ex-governador Eduardo Campos, levou 10% dos R$ 71,5 milhões distribuída pelo PSB, ficando em segundo lugar no ranking interno. O diretório pernambucano é o terceiro maior beneficiado (8%). O primeiro é São Paulo , com 12%. Governador de Pernambuco por dois mandatos, o pai de João Campos, que morreu em 2014 num acidente de avião durante a campanha presidencial de 2014, foi também presidente nacional do PSB.

 

Carlos Siqueira, atual presidente da legenda, diz que, pelo critério definido, São Paulo ficará com mais recursos ao final do primeiro turno porque foi o local onde os candidatos do PSB obtiveram mais votos para a Câmara dos Deputados na eleição de 2018. Ele afirma que a direção do estado pediu para receber os recursos em duas parcelas. Já João Campos, segundo o dirigente, só foi beneficiado porque o comando da sigla em Pernambuco solicitou.

 

“Estou passando para os estados. Quando o estado pede para passar para a conta do candidato, que foi o caso dele, eu passo”, disse Siqueira.

 

No PDT, Martha Rocha, candidata à prefeita do Rio, e José Sarto, candidato a prefeito de Fortaleza, foram os que mais receberam, cada um com R$ 4 milhões, o equivalente a 19% do total transferido pela legenda. O Rio tem mais do que o dobro de eleitores do que a capital do Ceará, estado de Ciro Gomes, candidato presidencial pedetista em 2018.

 

No PT, partido que mais recebeu recursos do Fundo Eleitoral (R$ 201 milhões), a maior fatia do repasse até agora ficou com o diretório de Minas, que recebeu R$ 8,5 milhões. A quantia equivale a 16% dos R$ 52,6 milhões já transferidos pelo partido. O diretório da Bahia aparece em segundo, com R$ 6,4 milhões. O candidato a prefeito de São Paulo, Jilmar Tatto, é o terceiro, com R$ 4,3 milhões. A tesoureira do partido, Gleide Andrade, diz que o diretório de São Paulo ficará com a maior fatia dos recursos, mas a transferência para o estado ainda não ocorreu por causa da dificuldade na regularização da conta.

 

O PSL, segundo colocado no ranking de partidos beneficiários pelo fundo (R$ 199,4 milhões), passou mais recursos para o diretório de São Paulo: R$ 3,5 milhões, o equivalente a 17%. Entre os candidatos a prefeito, Joice Hasselmann, que concorre à prefeitura de São Paulo, foi a maior beneficiária. Ela recebeu R$ 1 milhão, apenas R$ 100 mil a mais do que a segundo colocada, a candidata a prefeita de Juiz de Fora (MG), Delegada Scheila. Enquanto Joice faz parte da ala do partido que rompeu com Jair Bolsonaro, a candidata da cidade mineira é fiel ao presidente.

 

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