A SUCESSÃO ESTADUAL E A COLCHA DE RETALHOS

Posted On Sexta, 14 Janeiro 2022 09:33
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Os exemplos são muitos na política: quando o saudoso Tancredo Neves soube que o candidato a vice-presidente na sua chapa, na primeira eleição direta para presidente da república depois da ditadura seria José Sarney, uma exigência da cúpula das Forças Armadas, sua reação foi afirmar, com seu jeito humilde, simples, mas pragmático: “é a única forma de não perdermos as eleições.  Como nosso objetivo é ganhar as eleições, depois arrumamos o que tiver que arrumar”.

 

Por Edson Rodrigues

 

No Tocantins, o “mestre dos mestres”, saudoso Dr. Brito Miranda, ex-deputado estadual por Goiás, ex-presidente da Assembléia Legislativa goiana, aonde era líder do governo de Henrique Santillo e emedebista de primeira hora, atuou em favor do deputado federal José Wilson Siqueira Campos, então da UDN, principal adversária política do MDB, mas com quem tinha ótimo relacionamento, para conseguir a aprovação tanto da Assembleia Legislativa quanto a sanção do governador Santillo, dando o aval do governo de Goiás para a criação do Estado do Tocantins.

 

Ex-governador Henrique Santillo

 

Dr. Brito Miranda, que chegou a ser advogado de Siqueira Campos, recebeu do udenista o reconhecimento máximo pelos serviços prestados à criação do Tocantins, ao ser convocado para auxiliar na implantação do novo Estado.

 

Trabalhando juntos, o emedebista Dr. Brito comandou a campanha pela reeleição do ex-udenista, Siqueira Campos e, percebendo a necessidade de fortalecer o posicionamento político do governador, conseguiu “fazer um rato parir um elefante”, ao convencer o maior líder do MDB tocantinense da época, o saudoso João Cruz, o “João do Povo” a aceitar a vaga de vice-governador de Siqueira Campos, atitude vista como a única forma de Siqueira não perder a eleição.

 

Dito e feito.

 

PP, PT, PSD, A COSTURA DA COLCHA E AS ESPECULAÇÕES

 

Pois bem, caros leitores, nobres tocantinenses.  Os exemplos dados acima foram necessários para explicar o porquê da necessidade da confecção de “colchas de retalhos” nas políticas nacional e estadual.  E isso é bem simples: na política, o importante é não perder, é permanecer no poder.

 

Dr. Brito Miranda

 

As formas, os maios, os ingredientes, os pontos de costura e os “nós” utilizados para que a colcha de retalhos vire uma realidade, variam de caso a caso, mas, no fim das contas, acabam sempre sendo os mesmos.

 

A senadora Kátia Abreu, por exemplo, está a costurar sua colcha de retalhos.  Dela, a senadora, pode-se falar tudo, menos que é corrupta, medrosa ou fraca.

 

Kátia Abreu (centro) com Ex-presidentes Dilma e Lula

 

Kátia é uma política sem uma mancha na sua ficha, com passagens pela Câmara Federal, pelo Senado, pelo ministério da Agricultura, pela presidência da Confederação Nacional da Agricultura e por comissões da Câmara Federal e do Senado.

 

Foi ministra da Agricultura no governo de Dilma Rousseff, a quem permaneceu fiel até o último suspiro do impeachment.

 

Presidente Nacional do PSD Gilberto Kassab e senador Irajá Abreu e senadora Kátia Abreu

 

Pois é essa Kátia Abreu que foi “tratorada” pelo presidente da República Jair Bolsonaro na eleição para a indicação do senado para uma vaga de ministro vitalício do Tribunal de Contas da União, com a conivência do presidente nacional do PP, partido de Kátia, Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil do governo Federal. É essa, a mesma Kátia que  vem articulando sua reeleição ao Senado como uma colcha de retalhos.  Só não se sabe se o formato final, depois das convenções partidárias de julho, será de uma Arca de Noé ou de um Titanic.

 

Deputado Federal Vicente Junior a Senadora Kátia 

 

Todos os que chegaram até aqui, nesta análise política, viram os exemplos de Tancredo e de Siqueira Campos e suas maleabilidades para não serem derrotados.

 

Nos bastidores da política tocantinense, as especulações vindas de Brasília e de Palmas, levaram o Observatório Político de O Paralelo 13 a detectar que há muitas lideranças partidárias, algumas delas com mandato em andamento, outros pretendendo uma candidatura inicial, em busca de um partido para poderem colocar seus nomes à apreciação popular.

  

Uma dessas lideranças é a própria Kátia Abreu, que tem um ótimo relacionamento com o deputado federal Vicentinho Jr., presidente estadual do PL, que está convocando a classe política e a população para recepcionar o presidente Jair Bolsonaro, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no lançamento do DNA Brasil, um programa de incentivo ao esporte, voltado ás crianças e adolescentes. Vicentinho Jr. Também tem laços políticos e de amizade com Irajá Abreu, filho de Kátia e também senador, com assento na mesa-diretora do Senado Federal em Brasília e presidente estadual do PSD.

 

 

Por outro lado, temos o governador em exercício Wanderlei Barbosa, que viu sua popularidade crescer neste pouco mais de umes de mandato, conquistou o apoio político e institucional da maioria dos deputados estaduais e mantém um ótimo relacionamento com a bancada federal tocantinense. Portuense de nascimento, Wanderlei Barbosa é candidato á reeleição, competitivo, mas precisa de um partido que lhe dê segurança para registrar sua candidatura.

 

O fio que une esses dois “retalhos” da colcha, Kátia Abreu e Wanderlei Barbosa, é o PSD de Irajá Abreu, comandado, nacionalmente, por Gilberto Kassab.  Dessa forma, se nada der errado, estão unidos os dois primeiros retalhos dessa colcha, que buscará conquistar o governo do Estado, a única vaga para o Senado, e muitas vagas entre os deputados federais e estaduais.

 

E o “alinhavar” dessa colcha estará sob a atenção total do deputado federal Vicentinho Jr., aliado de Kátia Abreu e com quem tem um pacto político.

 

Vicentinhoi Jr. É um jovem deputado federal, em segundo mandato, com bons relacionamentos no mundo da política e no campo pessoal com o senador Irajá Abreu, e conterrâneo do governador em exercício, Wanderlei Barbosa.  Os três já estiveram juntos em ações governamentais na região do Bico do Papagaio e estão estreitando os laços, buscando uma maior proximidade e afinidades mútuas.

 

 

Senadora Kátia Abreu com o governador Wandelei Barbosa 

 

É óbvio que existem outras colchas sendo costuradas por outras lideranças políticas, mas nada garante que todos estarão juntos e “costurados” até o fim, principalmente por conta das convenções partidárias, que nos fazem abrir  um parêntese: o único sinal político dado pelo governador em exercício, Wanderlei Barbosa, é mostrar á população, aos eleitores e à classe política, que ele possui, sim, capacidade de gestão e que busca usar essa sua habilidade para corrigir injustiças cometidas comas categorias dos servidores públicos estaduais, e mostrar que tem condições de formar um governo de coalizão.

 

Wanderlei só não disse, ainda, por qual partido vai buscar manter o cargo de governador nas eleições de outubro e nem de qual “colcha de retalhos” fará parte.  Quanto à essa questão, Wanderlei tem sido muito discreto.

 

Dentro desse contexto, seria imaturidade afirmar quem estará com quem na sucessão estadual, pois nem mesmo os principais personagens dessa história sabem sobre seus destinos.No próximo “olho no olho” sobre a sucessão estadual, vamos mostrar uma outra colcha de retalhos que vem sendo alinhavada nos bastidores, só visível para quem sabe ler nas entrelinhas da política sucessória.

 

Já adiantamos que, em momento algum, foi descartada a formação de um “chapão”, reunindo os concorrentes mais bem avaliados na atualidade.

 

Resta saber quais políticos sairão ilesos dos desdobramentos das operações da Polícia Federal e da Polícia Civil, que vão reverberar no Ministério Público Federal, no Estadual, nas Supremas Cortes de Brasília e nos demais órgãos de fiscalização.

 

O tempo dirá!

 

DIRETO DA FONTE

 

COVID-19 VOLTA COM TUDO

 

O Brasil registrou quase 100 mil casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, mais precisamente, 97.986 contágios, informou o boletim do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) nesta quinta-feira (13). Com isso, o total de contaminações no país é de 22.814.917.

 

Os altos números de infecções ocorrem mesmo em meio ao apagão de dados dos sistemas do Ministério da Saúde, que o governo prometeu normalizar nesta sexta-feira (14), e aos temores de faltas de testes para a detecção da doença no país. Segundo diversas matérias, alguns estados já priorizam apenas pessoas com sintomas mais graves para realizar os exames.

 

PT ENFRAQUECE CIRO

 

O PT do Ceará anunciou nesta quinta-feira, 13, a chegada de 12 novos prefeitos à sigla. De acordo com o diretório estadual, a legenda passa a ter no Estado 29 prefeitos, alta de 70% em relação ao contingente anterior.

 

Dos 12 novos filiados, quatro pertenciam antes ao PDT do ex-governador do Estado e presidenciável Ciro Gomes e três ao atual partido de Jair Bolsonaro, o PL. Os demais cinco vieram do Republicanos, PCdoB, PSDB, MDB e PSOL.

 

PACOTE DE BENEFÍCIOS PARA MILITARES

 

O governo do presidente Jair Bolsonaro quer aprovar um projeto que beneficia policiais militares e bombeiros estaduais, em um aceno a duas categorias consideradas estratégicas para o seu plano de reeleição neste ano. Aliados do Palácio do Planalto agem para votar a nova lei orgânica de PMs e bombeiros em março, concedendo um pacote de bondades a essa base no momento em que o presidente enfrenta queda de popularidade.

 

A nova articulação ocorre após o governo patrocinar um reajuste para policiais federais no Orçamento de 2022, o que provocou pressão dos policiais militares. A proposta inicialmente tirava poder dos governadores sobre o comando das polícias, mas deve agora se concentrar em um pacote de benefícios para os militares nos Estados, que formam o maior contingente de segurança pública no País.

 

DOADOR TROCA BOLSONARO POR MORO

 

Maior doador individual do PSL em 2018, partido pelo qual Jair Bolsonaro disputou a eleição presidencial, o empresário paranaense Wilson Picler, do grupo educacional Uninter, não vai apoiar sua reeleição. Ex-deputado federal, o Professor Picler defende, dessa vez, a candidatura do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) ao Planalto. A informação foi antecipada pela revista "Veja".

 

Em 2018, o empresário doou R$ 800 mil para o PSL paranaense como forma de fortalecer politicamente a legenda, já que o fundo partidário disponível para a sigla a qual Bolsonaro estava filiado era muito pequeno.

 

Última modificação em Sexta, 14 Janeiro 2022 09:41

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