Futuro do ministro nas eleições é discutido no governo e no PT
Por Ana Isabel Mansur
O presidente Lula tem “fugido“ de uma conversa com Fernando Haddad, avaliam interlocutores do chefe do Executivo. Isso porque Lula tem evitado discutir o futuro do ministro da Fazenda nas eleições de outubro deste ano.
Alguns aliados do presidente acreditam que ele enxerga algum detalhe da corrida eleitoral ainda não percebido pela base. Daí o motivo do “adiamento” do debate com Haddad.
Parte do PT quer que o ministro dispute novamente o governo de São Paulo. Esse grupo argumenta que a “obviedade” não deve “brigar“ com a política. Sob essa perspectiva, o caminho mais óbvio seria Haddad disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes. Ele concorreria com o atual governador do estado, Tarcísio de Freitas, batalha que perdeu em 2022.
Apesar da derrota nas últimas eleições, parte do PT acredita que a campanha de Haddad foi bem-sucedida. Além de ter chegado ao segundo turno, ele liderou em São Paulo um palanque essencial para a vitória de Lula.
Quem defende que o ministro dispute o governo de SP usa este argumento — é preciso fortalecer os apoios estaduais para garantir a reeleição do presidente.
Outra alternativa para o ministro neste ano é disputar uma vaga para o Senado por São Paulo. Isso integraria o plano do PT de aumentar os aliados de Lula na Casa. A disputa pelo Senado entre governo e oposição terá destaque neste ano.
Há, ainda, quem defenda que Haddad seja o vice-presidente de Lula nas eleições deste ano. O cálculo considera que o ministro é o sucessor natural de Lula — assim, a vice-presidência seria uma preparação para 2030.
Haddad, no entanto, tem outros planos. Ele já avisou que vai sair do Ministério da Fazenda em breve. O objetivo é se preparar para coordenar a campanha de reeleição de Lula. Essa opção não é bem vista por parte do PT, que não quer abrir mão de ter Haddad como candidato. Na visão do grupo, seria um desperdício.
No entanto, interlocutores acreditam que Haddad fará o que Lula pedir. A aposta deles é que o presidente solicite ao ministro que dispute o governo de São Paulo.