Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Nos bastidores da sucessão estadual, o que antes era tratado como possibilidade virou sentença política, pois o grupo do pré-candidato ao governo Laurez Moreira não senta à mesa com o PT. A informação, repassada ao Observatório Político de O Paralelo 13, é direta, sem margem para interpretações errôneas, o recado é de chance zero de entendimento.

A decisão é uma linha divisória no tabuleiro eleitoral de 2026. Enquanto o PT se movimenta para consolidar o nome da ex-senadora Kátia Abreu como pré-candidata ao governo, o núcleo político de Laurez trata qualquer especulação de diálogo como ruído. “Não fomos procurados por ninguém”. Qualquer narrativa de aproximação é considerada mera conjectura. Ao mesmo tempo, reconhecem ser legítima a pretensão de Kátia disputar o governo, destacando sua trajetória e peso político, respeito que, no entanto, não se traduz em aliança.
COMPROMISSOS FIRMADOS
Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab
Laurez já desenhou seu campo político. O compromisso, segundo aliados, está firmado com a população tocantinense e com um bloco político bem delimitado com candidaturas proporcionais estruturadas, apoio à reeleição do senador Irajá Silvestre e alinhamento com um projeto nacional que deve ter palanque próprio no estado.
Nos bastidores, o pré-candidato conversa diariamente com Gilberto Kassab (PSD), consolidando estratégias partidárias, e também com Ronaldo Caiado (PSD), apontado como possível presidenciável. A equação é de que se Caiado disputar o Planalto, seu palanque no Tocantins será o de Laurez.
PSD, PDT e PSB caminham juntos na construção dessa candidatura. As convenções estão previstas para o fim de julho e início de agosto, mas o jogo já começou e com peças posicionadas. A montagem inclui ainda a definição da vice e a possibilidade de uma segunda candidatura ao Senado dentro do mesmo campo político.
KÁTIA COM LULA
Se de um lado há portas fechadas, do outro há articulação em curso. Nesta terça-feira, (6), a convite dele, a ex-senadora Kátia Abreu foi recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião, cercada de expectativa, pode trazer inúmeros resultados dentre eles selar sua pré-candidatura ao governo do Tocantins com o aval da cúpula nacional do PT.
A relação entre Lula e Kátia é antiga, marcada por confiança mútua, fator que pode pesar mais do que eventuais resistências internas do partido no estado. No PT, a decisão passa, sobretudo, pela estratégia nacional.
WANDERLEI ENTRA NO JOGO
Quem ainda apostava em neutralidade do governador Wanderlei Barbosa pode recalcular a rota. Ele estará presente no processo eleitoral e pretende influenciar diretamente cada passo da construção da candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra ao governo do Estado.
Wanderlei tem deixado isso claro por onde passa e nas entrevistas concedidas à imprensa a professora Dorinha é, na sua avaliação, a mais preparada e competente para assumir o Palácio Araguaia. O governador destaca, sobretudo, a credibilidade da senadora em Brasília, onde é conhecida e mantém trânsito consolidado no Congresso Nacional e nos demais poderes da República.
Na prática, o recado é político e estratégico e o Palácio não será espectador em 2026, será agente ativo, com candidata, discurso e articulação em campo.
UM TABULEIRO SEM PONTES
O cenário que se desenha no Tocantins é de fragmentação e palanques múltiplos. De um lado, Laurez constrói uma candidatura independente, com alianças definidas e diálogo nacional consolidado. De outro, Kátia Abreu busca o respaldo direto de Lula para viabilizar sua entrada na disputa. E, no meio desse xadrez, Wanderlei Barbosa atua como fiador de Dorinha.
Sem pontes entre esses grupos, a eleição de 2026 caminha para ser uma das mais disputadas e imprevisíveis da história recente do estado. No Tocantins, o recado está dado e não haverá convergência por conveniência. Cada projeto seguirá seu próprio caminho.